
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Retrospectiva Afro-Alagoana (2008)

helciane.angelica@gmail.com
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas
cojira.al@gmail.com / www.cojira-al.blogspot.com
Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô
mocamboanajo@yahoo.com.br / www.anajoonline.spaces.live.com
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Carta Aberta ao Presidente de Cuba

Autor de cinqüenta e cinco artigos publicados sobre questões internacionais, seus livros são: Pichón: Race and Revolution in Castro´s Cuba,(Chicago: Lawrence Hill Books, 2008); A África que Incomoda (Belo Horizonte: Nandyala Editora, 2008); Racismo & Sociedade (Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007); African Presence in the Americas (Trenton NJ: Africa World Press, 1995), redator principal; Castro, the Blacks, and Africa (Los Angeles, CA: CAAS/UCLA, 1989); This Bitch of a Life (London: Allison e Busby); Cette Putain de Vie (Paris: Karthala, 1982).
Sua Excelência General de Exército Raúl Castro Ruz
Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros
Costa do Sauípe, Bahia, Brasil
Senhor presidente,
Senhor presidente,
* Estabelecimento de um estado social de direito como pré-condição do exercício democrático da cidadania cubana; prescrição de todas as práticas discriminatórias, sejam de natureza política, de gênero, de raça, de orientação sexual ou de confissão religiosa; libertação de todos os presos políticos em Cuba e dos presos de consciência.
* Extinção da proibição que foi colocada judicialmente contra as “Sociedades de Cor”, instituições históricas que formam parte do patrimônio cultural dos negros cubanos e que são indispensáveis como esferas diferenciadas de organização da raça negra em Cuba; restauração do direito de existência e de organização dessas Sociedades, conforme a existência em Cuba de organizações do mesmo tipo a favor de outras etnias (tais como, as organizações de cubanos de origem chinesa, basco, galego, hebreu, árabe); autorização de qualquer organização propriamente negra (cultural, social, desportiva, estudantil, política ou artística) cuja finalidade seja a luta contra o racismo e a discriminação racial.
* Reabilitação de todas as figuras históricas e pensadores negros proscritos e/ou silenciados ao longo da história de Cuba, antes e depois da Revolução, assim como a publicação das obras de militantes negros que lutaram pelo fim do racismo e da discriminação racial (Rafael Serra, Evaristo Estenoz, Pedro Ivonnet, Ramón Vasconcelos, Gustavo Urrutia, Juan René Betancourt Bencomo, Walterio Carbonell ….).
* Condenação oficial do genocídio perpetrado pelo Estado cubano em 1912, contra a população negra, fato que, até hoje, o Estado não reconheceu de maneira oficial; reabilitação do programa político do Partido Independente de Cor (PIC) e de seus lideres históricos (Evaristo Estenoz, Pedro Ivonnet e outros), visando o restabelecimento da memória histórica nacional.
* Autorização para a criação de um organismo nacional autônomo de Negros Cubanos, na forma de uma Fundação Nacional para Fomento do Desenvolvimento Econômico da População Negra (FUNAFEN), para atender aos graves problemas sócio-econômicos que enfrenta a população negra e com atribuições para obter fundos de caráter nacional e internacional para melhorar as condições de vida nos bairros mais pobres; criar novos programas específicos para a capacitação profissional de jovens afro-cubanos que os prepare para as demandas da economia nacional e global.
* Adoção, por parte do Estado, de novas medidas com relação às remessas que seus cidadãos recebem do exterior (e estimadas em 1.5 bilhões de dólares por ano, dos quais menos de 15% chegam às mãos da população negra); adoção de uma carga impositiva sobre essas remessas, que deveria estabelecer 10% ao invés dos 20% atuais; e o 50% deste último imposto, recolhido pelo governo, deverá ser incorporado automaticamente à FUNACEN, atendendo ao fato de que as remessas do exterior favorecem o incremento vertiginoso das desigualdades raciais em Cuba.
* Autorização para a convocação, por organizações autônomas dentro de Cuba, e sem interferência dos órgãos do poder, de um Congresso Nacional sobre o Racismo e a Discriminação Racial; autorização para que intelectuais e militantes Afro-cubanos independentes, residentes em Cuba, possam participar de uma Mesa Redonda de Nacionalistas Cubanos do interior e da Diáspora, com a finalidade de discutir estratégias de combate ao racismo em Cuba.
* Autorização para a criação de um Observatório Nacional para monitorar a situação racial em Cuba e trabalhar a favor da eliminação das práticas racialmente discriminatórias de qualquer tipo, seja no domínio público como no privado.
* Adoção de medidas e políticas concretas que dignifiquem e façam respeitar o fenótipo associado à raça negra e que é objeto em Cuba de rejeição e de ridicularização, especialmente no caso da mulher negra; projeção positiva do fenótipo do afro-cubano em todos os meios de comunicação de massa, manifestações culturais e formas de representações artísticas, com o fim de combater o escárnio racista dirigido maciçamente às características raciais da população de herança africana (nariz, lábios, cor, cabelo crespo, morfologia…).
* Criminalização formal do racismo e da discriminação racial em todas as esferas da vida nacional sem direito a fiança, conforme já existe no Brasil (Lei Caó); proposta à Assembléia Nacional de novas legislações especificamente designadas para punir qualquer tipo de manifestação de discriminação ou humilhação racial na esfera pública ou privada.
* Reconhecimento pleno da mulher negra cubana como protagonista extraordinária da dignidade nacional, mas que sofreu e continua sofrendo duplamente a discriminação; lançamento de uma campanha nacional em prol da revalorização do fenótipo específico da mulher afro-cubana; autorização para a criação de uma Organização de Mulheres Afro-cubanas, totalmente independente da Federação de Mulheres Cubanas (FMC) e com capacidade para buscar financiamento externo.
* Reconhecimento da existência de maiorias orgânicas no país, atendendo principalmente aos parâmetros de sexo e raça, que deverão refletir equitativamente em todos os órgãos de decisão política, econômica e cultural, considerando que mais de 60% da população cubana atual é de origem africana; estabelecimento de um mecanismo de representatividade progressiva que garanta a presença efetiva da população Afro-cubana em todos os níveis e em todas as instâncias do país, e que, para começar, deverá alcançar nos próximos cinco anos 35% das posições-chave do Partido, do Governo, do Parlamento, das Organizações Populares, da direção das Forças Armadas e do Ministério do Interior, dos meios de difusão de massa (em especial o cinema e a televisão), da indústria turística, e das empresas mistas criadas com capital estrangeiro.
* Reconhecimento oficial e respeito efetivo das religiões Afro-cubanas, em pé de igualdade com as demais religiões em Cuba, mediante a instauração de um mecanismo de diálogo permanente da direção política do país com as referidas religiões, como se fez com as religiões cristãs, conferindo-as, assim, o lugar que legitimamente lhe é de direito, e que impulsionaria o processo de consolidação da identidade nacional e cultural; interrupção imediata de todas as práticas oficiais ou extra-oficiais que resultem na interferência, folclorização e exploração para fins turísticos das religiões de origem africana, adotando-se medidas penais adequadas que impeçam sua discriminação, como deve ser em um estado laico.
* Imposição de lei, em todos os níveis do sistema educativo, do ensino da História da África e dos povos de origem africana nas Américas, como já fez o Brasil (Lei 10639/03); publicação das obras de referência mundial que elucidam a história da África em todos os seus aspectos, e daquelas obras que evidenciam a história do próprio racismo; desenvolvimento dos estudos e pesquisas sobre a problemática afro-cubana na história e na sociedade, a fim de fortalecer a identidade nacional e levantar a auto-estima da pessoa negra; criação de disciplinas de estudos afro-cubanos nas universidades e de centros de estudos étnico-raciais extra-muros.
* Implementação de políticas públicas de ação afirmativa, como uma estratégia global capaz de conduzir a uma equiparação sócio-econômica daqueles cidadãos que, por causa de sua origem racial, sofrem desvantagens historicamente construídas, como consequência de serem descendentes das populações africanas que foram escravizadas em Cuba, e que, por tanto, seriam uma forma concreta de reparação moral para a população negra.
* Realização de um censo nacional baseado em parâmetros científicos modernos como base para avaliar a extensão das injustiças sociais que afetam desproporcionalmente a população Afro-cubana, e atendendo ao fato de que os resultados dos censos realizados nos últimos cinquenta anos merecem total desconfiança.
Senhor presidente,
Com muita deferência e saudações nacionalistas,
Carlos Moore
Etnólogo e Professor de Relações Internacionais
domingo, 28 de dezembro de 2008
Das Macumbas à Umbanda: a construção de uma religião Brasileira


Negro fora de anúncios, mostra pesquisa
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Parque Memorial Quilombo dos Palmares terá batizado de capoeira

O batizado conta ainda, com a participação das crianças e jovens da Serra da Barriga, integrantes do "Caa Puera na Terra de Zumbi", projeto do Instituto Magna Mater, premiado pelo edital 2007 do Capoeira Viva. O Capoeira Viva idealizado pelo Ministério da Cultura, é uma promoção da Fundação Gregório de Mattos (FGM), com patrocínio da Petrobras. Tem como objetivo fomentar políticas públicas para a valorização e promoção da capoeira, além de estimular a inclusão sócio-cultural de crianças e adolescentes.

A partir de 2005, envolveu-se no projeto de execução do Parque Memorial Quilombo dos Palmares organizado pelo Instituto Magna Mater, cuja participação provocou um envolvimento maior com a História da Capoeira, dos Quilombos e dos moradores da Serra da Barriga. Há um ano trabalha com os meninos e meninas do Sítio Recanto e com os adolescentes do Platô, da comunidade Nena Paulo.
Show: Ela e eu

Mirante Cultural comemora 10ª edição
Nesta 10ª edição teremos as seguintes atrações:
A batida dos Tambores
Mostra de dois curta-metragem
Guerreiro
Samba com Amigos de Ramos
Contato:
Viviane Rodrigues
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Fundação Cultural Palmares deseja feliz 2009
Papai Noel da Diversidade

Eu mesmo não tem filho adivinha porque?
Advinha porque sou militante do GLBTT?
Na verdade, eu que fui adotado pela criançada
Mas diferente do que pensam minha condição é limitada
Com preconceito e outros tantos desafios a superar
Eu tô de saco cheio de armas pra lutar
Pra finalizar ele disse que não faz sinal da cruz
E me deu de presente o filme “Olhos Azuis”
Perguntei porque sua real identidade não se discute
Me respondeu: - o que sou não é vitrine pra orkut
Sou Black Noel
Que legal, que legal
Noel Black Paw
Brincadeiras à parte, o que realmente desejamos é que o espírito natalino fosse evidente durante todo o ano, onde todas as crianças (de todas as cores, religiões e condições sociais) que acreditam ou não em Papai Noel, pudessem ter o alimento na mesa e oportunidades para um futuro melhor. Enfim, seguiremos a filosofia de Martin Luther King, mas com uma nova proposta: “Temos um sonho e lutaremos para concretizá-lo”.
Cojira-AL
Malungos do Ilê realiza atividadade no B. Bentes

Dando continuidade ao projeto criação, o Centro de Cultura e Cidadania Malungos do Ilê realizou ações socioeducativas e culturais com crianças e adolescentes. A atividade foi promovida com o apoio da CESE/BA, no último domingo (21/12), no acampamento Paulo Bandeira, estrada de acesso ao conj. Benedito Bentes, esse coordenado pela companheira Eliane. Tem como principal finalidade combater o racismo, fortalecer o espírito de resistência, ao afirmar que o racismo é maléfico e suas resoluções são morosas e tem que ser combatido e denunciado.
Material enviado por email
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Micael Borges, o primeiro protagonista negro de "Malhação": "A história está mudando!"

"A história está mudando, os personagens estão mudando, está tudo ficando cada vez mais real, mais legal e eu fico feliz de fazer parte desse momento", disse o ator em entrevista para o site da CAPRICHO.
Se o teatro é sua casa, o que é a televisão agora?
Acho que ela é algo novo, excitante, diferente. Estou adorando. É tudo novo pra mim e isso é muito legal. Tô feliz pra caramba. Cada dia eu aprendo uma coisa nova e vou ter um personagem bem legal. Já tinha feito o teste duas vezes para a "Malhação", mas só agora consegui entrar. Tô ansioso.
Você sempre assistiu "Malhação"? Era um fã da novela?

Não incomodava não. Não era uma coisa que me fazia sentir excluído, mas eu sempre sentia falta de uma mistura no elenco. Aquilo não parecia Brasil. Mas do ano passado pra cá tudo começou a mudar. Quando eu percebi isso, achei muito legal.

A gente teve uma conversa com o diretor, Marcos Paulo. Ele disse pra gente tomar cuidado com isso ou aquilo. Disse pra gente ter muita disciplina, fé, respeito, humildade e generosidade. Isso pra mim vai ser fácil. Eu sempre segui isso desde pequeno. Todos nós do grupo Nós do Morro somos ensinados assim. Isso é algo que nunca vou esquecer.
Fonte: http://capricho.abril.uol.com.br/idolos/micael-borges-primeiro-protagonista-negro-malhacao-405998.shtml
sábado, 20 de dezembro de 2008
União dos Palmares sedia encontro de comunicação

A abertura do evento está prevista para às 8 horas com um café-da-manhã, que será oferecido aos comunicadores presentes e convidados do prefeito. Toda a programação do evento acontecerá no auditório do Centro Administrativo Antônio Gomes de Barros, no centro da cidade.
A iniciativa do encontro partiu do secretário da pasta, Tony Lima, que convidou profissionais dos mais diversos veículos de comunicação de Alagoas, além do deputado federal e prefeito eleito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus (TV Pajuçara), o jornalista Bartolomeu Dresch (TV Alagoas), Paulinho Guedes (presidente do Sindicato dos Radialistas de Alagoas), Edvaldo Alves (Rádio Palmares AM), entre outros.
Organização da Sociedade Civil reúne adolescentes em situação de risco no Projeto Ibá
Na programação do projeto consta a leitura de um poema escrito por Vânia Teixeira, a líder comunitária da Favela Sururu de Capote: “O clamor da Comunidade” que expressa sobre a urgente necessidade de políticas públicas para os moradores das favelas, excluídos de qualquer direito real que lhes permitam atendimento de saúde, de escola, de uma vida digna, de um futuro melhor.Onde pobreza rima com a etnicidade negra.
Haverá ainda distribuição de brindes, por um Papai Noel Negro e a entrega de uma Carta Aberta das adolescentes da favela aos parlamentares presentes.
A FAVELA SURURU DE CAPOTE
Lidar com sururu dá muito trabalho. Esse trabalho está tirando essas crianças da escola, do desenvolvimento psíquico, da possibilidade de terem um crescimento mental saudável. Porque elas não brincam. Elas têm a infância roubada, cortada pela necessidade do trabalho", comenta o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Alagoas, o advogado Narciso Fernandes. Fernandes coordenou um estudo encomendado pela Food And Agriculture Organization (FAO), órgão das Nações Unidas especializado em alimentação. Os resultados são assustadores. São péssimas as condições sanitárias da favela. Não há banheiro nem água tratada em nenhum dos 450 barracos. Se para os adultos isso já representa perigo, imagine para quem precisa crescer e se desenvolver. Mas não só a saúde vive ameaçada. Nem a existência como seres humanos é reconhecida. Muitas das crianças, oficialmente, não são cidadãs brasileiras.
Madeira, papelão, plástico: material de fácil combustão. No centro do barraco, fogo. A família de Afrânio e Joelma mora no mesmo local onde cozinha o sururu. Afrânio tem 39 anos. Joelma, só 16. Mas ela não é filha dele. É mulher e mãe de três filhos. O casal está junto há cinco anos. "Quando a conheci, ela já estava grávida. Desde então tomo conta dela e do seu filho", diz Afrânio. Joelma teve o primeiro filho aos 11 anos; o segundo, aos 13; e o terceiro, antes de completar 15. Afrânio é o pai dos dois últimos. "Aqui isso é muito comum. É difícil uma adolescente que não tenha tido um casamento ou uma relação sexual", conta Fernandes.
Como líder comunitária e moradora da favela, Vânia Teixeira se esforça para conseguir educar os filhos. Por enquanto, eles também precisam trabalhar e garantir a comida.
Serviço: Projeto Ibá
Hora: 12 às 14 horas
Local: Restaurante da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas
Realização: Organização Não Governamental Maria Mariá (Projeto Raízes de África)
Apoio: Federação das Indústrias do Estado de Alagoas
Contato: 8815-5794