terça-feira, 22 de julho de 2008

Roda Comemorativa em Alagoas: Capoeira Patrimônio Cultural

Texto: Helciane Angélica
Jornalista (1102 – MTE/AL)

Fotos: Ascom Ufal


Capoeiristas alagoanos se reuniram numa Roda Comemorativa, realizada no dia 16 de julho à noite no Espaço Cultural da Ufal, para festejar o reconhecimento dessa arte que une música, dança e luta. A capoeira já foi muito discriminada, inclusive, considerada crime em outros tempos. Hoje, é uma das mais importantes heranças afro-culturais e foi eleita como Patrimônio Cultural pelo Iphan.


A atividade foi iniciada com a louvação aos orixás, conduzida pela Ialorixá Neide de Oxum e para respeitar todas as crenças o Mestre Vepeta, evangélico, que também realizou sua mensagem de agradecimento. Em seguida, os representantes das entidades discursaram sobre a importância desse novo avanço para o povo afro-descendente.


Estiveram presentes: o Fórum de Entidades Negras de Alagoas (Fenal); Federação Alagoana de Capoeira (Falc); Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô; Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial; Mestres de Capoeira e alunos. O evento foi realizado pelo Conselho Estadual de Mestres de Capoeira de Alagoas, e contou com o apoio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) e da Secretaria Estadual de Cultura.


De acordo com o historiador Zezito Araújo, Vice-Diretor do Neab-Ufal, o reconhecimento da capoeira não foi tardio, e sim, reflete o contexto histórico e político do país. “Dentro do contexto da sociedade brasileira, eu não vejo esse avanço de forma tão tardia assim”, complementou ainda, “Para a capoeira se tornar patrimônio nacional, nós tivemos que ter no Ministério da Cultura e na Fundação Cultural Palmares dois negros que são capoeiristas (Gilberto Gil e Zulu Araújo). Então, quero dizer que a política pública voltada para os segmentos negros ou cultura de matriz africana, tem que ter gestores comprometidos e que entenda os negros”, afirmou.


A capoeira encontra-se entre os 14 patrimônios culturais do País, junto com o samba carioca, o ofício das baianas de acarajé, a Serra da Barriga e tantos outros, mas muitos outros aspectos ainda não têm o devido reconhecimento. “Eu também acho, que deveria dar um tratamento diferenciado às religiões de matriz africana, porque infelizmente, ainda são estigmatizadas como coisa do mal, assim como a capoeira já foi. É necessário que as religiões afros também sejam tituladas como patrimônio, para que todo Estado comece a reconhcer”, declarou Zezito Araújo.


Capoeira

Praticada em mais de 150 países, trata-se de um segmento afro que congrega indivíduos das mais diversas faixas etárias, condições financeiras, ideologias religiosas e políticas. Dividida em capoeira angola e regional, também possui outras manifestações culturais como: o Maculelê, Samba Duro e de Roda, além da Puxada de Rede.

A Federação Alagoana de Capoeira e o Conselho Estadual de Mestres de Capoeira de Alagoas são as entidades representativas no Estado, juntas, pregam o respeito e divulgam a contribuição sócio-político-cultural da capoeiragem.


Contatos
FALC: (82) 9302-3272 (Marco Baiano) / 9381-7765 (Leto)
Conselho Estadual de Mestres: (82) 8859-8572 (Tunico) / 8842-6725 (Sandra)

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