quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Com temática afro-brasileira, 'O Diário de Dandara' é lançado em Maceió

Obra de Cláudia Lins e Elis Lopes leva crianças e adolescentes a conhecer - e se envolver - com as raízes africanas e a diversidade cultural



“Quando completa 13 anos, Dandara ganha da mãe um diário. O presente chega ao mesmo tempo que uma porção de novidades em sua vida. Uma delas é a mudança da bisavó Ayodele, que veio do Quilombo para morar uns tempos na cidade de Maceió. Junto com a bisa veio também a arca da família, um baú de estimação, recheado de segredos. Nele a adolescente vai descobrir incríveis histórias sobre o passado de seus ancestrais dos povos Banto e Iorubá, e lendas africanas, como a da árvore mágica que espalhou suas sementes pelo mundo, até vir parar em solo alagoano”.

É com esse enredo criativo e cheio de conexões africanas, que as autoras Claudia Lins e Elis Lopes revelam para crianças e adolescentes a rica diversidade cultural afro-brasileira. O livro O Diário de Dandara, foi lançado ontem (16 de novembro) na programação da Semana Esmal da Consciência Negra, e é mais uma publicação do Selo Passarada, criado para abrigar a produção literária infanto-juvenil independente do Estado de Alagoas e chega ao mercado num momento em que se discute a importância da aplicação da Lei 10.639/03 que prevê o ensino da historia da África e dos afro-brasileiros nas escolas da rede pública e particular do país.

Patrocinado pelo Fundo de Investimento Social Ellas, o livro é resultado de um projeto de inclusão social desenvolvido pela ONG Instituto Baobá, que trabalhou oficinas literárias, de auto-estima, beleza e saúde com 20 meninas do conjunto Selma Bandeira. As ilustrações são do super talentoso Pedro Lucena, que traduziu em belas imagens todo colorido vibrante das matizes africanas.

Ensino da Cultura Africana nas escolas

Foi o desejo de produzir literatura infanto-juvenil com temática afro-brasileira que uniu as escritoras Claudia Lins, autora de outros seis títulos infantis, e a socióloga Elis Lopes, atuante profissional na mobilização de comunidades quilombolas nos estados de Alagoas e Bahia.

“A ideia do livro nasceu de um encontro que tivemos no Quilombo Filús, no município de Santana do Ipanema. Queríamos contar para as crianças sobre nossas heranças africanas, falar de Zumbi, de Dandara e dessa mistura de povos Banto e Iorubás que tanta influenciaram nossa cultura e a própria língua brasileira”, lembra Claudia Lins.

Autoras Elis Lopes e Cláudia Lins, e ilustrador Pedro Lucena (Imagem: divulgação)


“Com Dandara queremos materializar o sentimento de pertencimento africano, falar para as crianças que elas descendem de uma África livre, não vieram de escravos, mas sim de reis, rainhas, princesas, sacerdotes e de toda uma realeza trazida à força do continente africano para viver a escravidão no Brasil”, dispara Elis Lopes.

A socióloga destaca a importância de recontar a história da África e dos afro-brasileiros com um novo olhar, revelando a trajetória de grandes impérios e civilizações africanos na construção da identidade dos povos das Américas.

“Esse é um livro que propõe além de tudo a elevação da auto-estima de crianças e adolescentes afro-descendentes, mas também esperamos que as anotações de Dandara, despertem nos adultos o interesse por pesquisar e descobrir as riquezas do continente africano, sua cultura, grandes civilizações, reinos e impérios”, dizem as autoras.

Assim como a protagonista do livro reencontra as raízes de sua ancestralidade remexendo na arca da bisavó quilombola, as escritoras também esperam que milhares de crianças e adolescentes brasileiros sintam o desejo de vasculhar nas memórias de suas famílias, ao ler e se encantar com as aventuras da adolescente Dandara.

“É emocionante saber que descendemos de uma civilização que durante séculos foi detentora de diversas tecnologias, e que, a partir dessa leitura simples e cheia de cores da África, todos os alunos desse Brasil terão a possibilidade de aprender em seu cotidiano escolar informações preciosas que acreditamos poderão reconectá-los ao orgulho de descender da Mãe África", apostam Claudia e Elis.


Fonte: Assessoria

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