sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sites relembram frases do ex-presidente sul-africano

A tarde dessa quinta-feira, 5, ficou marcada pela morte do líder Nelson Mandela. Durante mais de seis décadas, o ex-presidente da África do Sul dedicou sua vida à humanidade.
Suas atitudes e frases inspiraram muitas pessoas no mundo inteiro. Para lembrá-las, os especiais produzidos fizeram compilado que expõem opinião e maneira de pensar de Mandela.
------o--o-mandela4Mandela faleceu aos 95 anos (Imagem: Reprodução)Confira quais foram as mais divulgadas:
Portal Terra
"Não se pode esperar que pessoas que vivam na pobreza e com fome paguem aluguéis exorbitantes ao governo e às autoridades locais. Somos o nervo central da agricultura e da indústria. Fazemos o trabalho nas minas de ouro, diamantes e carvão, nas fazendas e na indústria em troca de salários miseráveis. Por que temos que seguir enriquecendo a quem rouba o produto de nosso sangue e do nosso suor, a quem nos explora e nega o direito de nos organizarmos em sindicatos?" (Declaração à imprensa, "A luta é minha vida", 26 de junho de 1961)
"Lutarei contra o governo junto com vocês, polegada a polegada e milha a milha, até que conquistemos a vitória. O que vocês farão? Se somarão ou vão cooperar com o governo em seus esforços para reprimir as reivindicações e as aspirações do nosso povo? Da minha parte, já fiz minha escolha. Não abandonarei a África do Sul, nem me entregarei. Somente com dificuldades, sacrifício e ação militante se pode conquistar a liberdade. A luta é minha vida. Seguirei lutando pela minha liberdade até o fim dos meus dias". (Declaração à imprensa, "A luta é minha vida", 26 de junho de 1961)
O Globo
"Nunca pensei no tempo perdido. Só levei adiante um programa porque estava lá. Estava planejado para mim." (Em conversa com Richard Stengel, em 3 de maio de 1993)
"A morte é algo inevitável. Quando um homem fez o que considera ser seu dever para com seu povo e seu país, ele pode descansar em paz. Acredito tê-lo feito, e é por isso que dormirei por toda a eternidade." (Em entrevista para o documentário Mandela, 1994)
Zero Hora
"Nós devemos demonstrar claramente nossa boa vontade aos nossos compatriotas brancos e convencê-los pela nossa conduta e argumentos de que a África do Sul sem o apartheid será um lugar melhor para todos." (Fevereiro de 1990)
"Quando você é uma figura pública, você tem que aceitar a integridade das outras pessoas até que haja evidência em contrário." (Maio de 1993)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Morre o grande líder Mandela

Mandela ... o nosso respeito e gratidão!!! Que sua luta sirva de modelo por várias gerações.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Maceió sedia o 4º Muzenza Yá


O Grupo Muzenza de Capoeira promove nos dias 06 a 08 de dezembro, o 4º Muzenza Yá organizado pela instrutora Pequena, direção de Mestre Girafa e supervisão do Mestre Burguês. Para quem for ficar no alojamento deve levar um colchonete e a taxa de inscrição é de R$30. Contatos: 9664-9153 / 8745-9844.

Confira a programação:

SEXTA - 06.12.2013 / SALÃO DE FESTAS REKINT, AV. GOVERNADOR LAMENHA FILHO 1800 FEITOSA. 
19:00 - NOITE CULTURAL - ABERTURA COM MESTRE GIRAFA E INSTRUTORA PEQUENA.
19:30 - PEÇA
19:50 - COCO DE RODA TRIBO GUERREIRA
20:30 - MACULELÊ
21:00 - RODA DE ENCERRAMENTO


SÁBADO - 07.12.2013 / ESCOLA DOM HELDER RUA ACRE S/N NO FEITOSA.
09:00 - OFICINA RECREAÇÃO INFANTIL PROFESSORA TÉ (CAPOEIRA IBEJI) - RECIFE/PE
09:40 - OFICINA DE MACULELÊ MONITORA LINDA (GRUPO LEGIÃO) MACEIÓ/AL
10:20 - SEQUÊNCIA DO MESTRE GIRAFA. INSTRUTORA PEQUENA (GRUPO MUZENZA) MACEIÓ/AL
11:00 - OFICINA DE CAPOEIRA REGIONAL MONITORA CARACOL (GRUPO MUZENZA) GOIÁS/GO
11:40 - RODA
12:00 - ALMOÇO/ ESCOLA PEDRO TEIXEIRA
14:30 - DINÂMICA
14:35 - PAPOEIRA - TRÁFICOS DE PESSOAS
14:50 - LEI MARIA DA PENHA
15:20 - OFICINA DIÁLOGO ENTRE CAPOEIRA E DANÇA PROFESSORA GABY (CENTRO DE CAPOEIRA SÃO SALOMÃO) RECIFE/PE
16:00 - OFICINA CAPOEIRA ANGOLA - PROFESSORA MÔNICA (GRUPO SÃO BENTO PEQUENO) OLINDA/PE


DOMINGO - 08.12.2013 / ESCOLA PEDRO TEIXEIRA 
10:00 - RODA DE ANGOLA. PRESENÇA CONFIRMADA MESTRE RAIMUNDO DIAS.
12:00 - ALMOÇO
14:00 - PRAIA DE PAJUÇARA BATIZADO TROCA DE CODA ENCERRAMENTO COM RODA ABERTA.



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Nova Globeleza


“Acredito que todo sonho de uma menina negra é ser um dia a globeleza”, ressaltou uma das concorrentes no concurso que elegeu a nova musa despida da Tv brasileira. A grande final foi nesse domingo no programa Fantástico da Rede Globo, foram cerca de 10 mil inscritas e dez mulheres selecionadas.

A vencedora foi Nayara Justino, 25, de Volta Redonda(RJ), que aprendeu a sambar aos três anos na primeira matinê. Ela ganhava a vida vendendo produtos de beleza e dando dicas de maquiagem na internet, é estudante e pretende fazer a faculdade de Educação Física. 

Bom, esperamos que ela não deixe de estudar, afinal, mulher negra não serve apenas para ser associada a carnaval, “beleza exótica” e símbolo sexual.


Fonte: Coluna Axé / Jornal Tribuna Independente
Foto: Globo/Estevam Avellar

Um novo contexto

Há exatamente um ano, os religiosos de matriz africana e ativistas do Movimento Social Negro fizeram ato público no Ministério Público e chamaram a atenção da mídia, para denunciar a intolerância religiosa e o racismo institucional executados pela Prefeitura de Maceió.

Sobre o pretexto da “organização do espaço público” limitavam-se os horários e locais para realizar os cultos afros em homenagem grande matriarca Iemanjá: orixá feminino dos lagos, mares e fertilidade, também, é um dos orixás mais respeitados e populares; conhecida como rainha do mar, dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria devido à relação com a maternidade. 

A luta foi árdua, mas foi garantido o direito de exercer a fé e manter viva a tradição. Agora, com novos gestores, o poder executivo municipal tem dialogado mais com a sociedade e assumiu o compromisso com o respeito à diversidade e expressões culturais, além de apoiar eventos afros. Nesse domingo, 08 de dezembro, Dia Estadual de Resistências das Comunidades Tradicionais, a celebração do Dia de Iemanjá em Alagoas será ainda mais fortalecida. Durante todo o dia, caravanas de várias regiões do Estado estarão na orla de Maceió, juntamente, com simpatizantes e turistas para fazer suas oferendas, danças e batuques. 

Na programação, terá a majestosa Festa das Águas a partir das 15h na Praça Multieventos localizada em frente à praia de Pajuçara, com várias atrações, a exemplo da Banda Afro Mandela, Coletivo AfroCaeté, Maracatu Raízes da Tradição, os afoxés Odô Iyá e Ofá Omin, além de performance de dança afro. 

Também terá no mesmo local, a partir das 19h, a apresentação de filmes étnicos na 4ª edição da Mostra Sururu de Cinema Alagoano, promovido pela Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas de Alagoas (ABD&C/AL), com o patrocínio da Prefeitura de Maceió, Algás, e apoio do Sesc Alagoas, AgênciaUm Comunicação e Cineclube Projeção. Com certeza, será um dia de muito axé (força e paz) e valorização cultural!



Fonte: Coluna Axé - 276ª edição – Jornal Tribuna Independente (03 a 09/12/2013)
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

CEPA QUILOMBO realiza o projeto mirante cultural de novembro em clima de kizomba


Comemorando 11 anos de existência no dia 05 de Novembro, 5 anos de Projeto Mirante Cultural "Um Quilombo Chamado Jacintinho" e o encerramento das atividades do Mês da Consciência Negra, o CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS AFRO ALAGOANO QUILOMBO realizará o Mirante Cultural de Novembro, em clima de KIZOMBA.

O Mirante Cultural é um evento de afirmação de identidade, troca de saberes e reencontros dos produtores e artistas locais que já entrou no calendário de eventos culturais de temática negra em Maceió.

O evento acontecerá no dia 29 de Novembro, no horário das 19 ás 23 horas, no Mirante Kátia Assunção, ao lado da Rádio 96 FM, no Jacintinho, em Maceió, Alagoas. Será uma grande festa com maracatus, afoxé, hip hop, capoeira, coco de roda, banda afro o e outras linguagem culturais. 

ATRAÇÕES:

AFOXÉ OJU OMIM OMOREWÁ 
MARACATU ABASSÁ DE ANGOLA 
COCO DE RODA XIQUE-XIQUE
COLETIVO AFRO CAETÉ 
PROJETO GENTE QUE BRILHA - DANÇA 
RODA DE CAPOEIRA - GRUPOS: ÁGUIA NEGRA / AXÉ BRASIL/ YÁ CAPOEIRA
BANDA AFRO MANDELA
CIA FAMÍLIA DAS RUAS - COM PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE NEGRA PIL
IMPÉRIO FEMININO E BIOGRAFIA RAP
ESTILO FEMININO
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: DEMIS SANTANA, ROGÉRIO DIAS E WAGNER

PARCERIA: FUNDAÇÃO DE AÇÃO CULTURAL DE MACEIÓ
MUSEU COMUNITÁRIO CULTURA PERIFÉRICA
LAN PARK 
SINDICATO DOS URBANITÁRIOS

APOIO: PEQUENOS COMERCIANTES DO BAIRRO DO JACINITINHO

PARTICIPE!!!!


Fonte: Divulgação

Encontro de Mulheres Jovens Negras acontece em Maceió


“Encontro de Mulheres Jovens Negras”: Opiniões e Sentimentos: “A Mulher Negra como Protagonista do Próprio Sucesso”. 

O encontro tem como proposta reunir lideranças femininas do Movimento Negro para um debate em torno das temáticas apresentadas. Pretende ainda possibilitar o diálogo e a troca de experiências com mulheres jovens sobre a sua condição de gênero e raça a partir da experiência pessoal de cada uma. Mostrar pontos de vista, histórias e relatos de sucesso da condição da mulher negra na sociedade. Assim, tem como intuito principal a promoção da autoestima das mulheres jovens negras, o reconhecimento da sua capacidade produtiva e da sua colaboração na construção do desenvolvimento cultural, social e econômico, apesar das violências cometidas na luta pelos seus direitos, nos diferentes segmentos sociais, contra o preconceito racial e a intolerância. Criar uma dinâmica de diálogo interativo com as mulheres participantes sobre a importância da luta contra o preconceito e a discriminação. Ressaltar a sua colaboração e o seu papel, como fundamental na estrutura econômico-social atual. Uma reflexão sobre o papel da Mulher Negra como provedora familiar tendo como olhar a percepção da sua autoestima.

PROGRAMAÇÃO: 
29 e 30 de novembro 2013 – Centro Cultural Arte Pajuçara. 

29/11 (sexta-feira):
08h00- Credenciamento
09h30- Abertura com mesa de honra;
09h40- Hino Nacional
09h45- Falas Institucionais 
10h10- Apresentação artística – Grupo LESHIAY 
10h30- Conferência: “O Papel da Mulher Negra na construção de uma sociedade participativa”
- Marta Almeida (Associação Caminhada dos Terreiros de PE) 
11h10- Intervenção 
11h20- Palestra: “Jovem Negra - Pertencimento da identidade juvenil e étnica” Janaína Galdino de Barros - Relações Públicas - Mestra em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Docente em Empreendedorismo e Inovação/ FITS/FAT/FAN e FGV; Fórum Permanente de Educação/SEE.
12h- Debate
12h15 Almoço
14h00- Dinâmica do caracol – Rúbia Nascimento/ Mãe Marcelle de Xangô
14h30- Café
14h40- Oficina: Saúde, negritude e empoderamento – Diversidade da mulher negra – Ana Pereira
15h50-Oficina: Economia e trabalho, educação e empreendedorismo- Mãe Marcelle de Xango
16h50- Apresentação de resultados
17h30- Encerramento

30/11 (sábado)
09h00- Abertura com mestre de cerimônia
09h15- Palestra: “Racismo Institucional - A luta contra o preconceito e a discriminação no mercado de trabalho” - Regina Trindade Lopes – Assistente Social
10h- Debate
10h20- Café 
10h30- Intervenção
10h40 Dinâmica do Caracol – Comunicação e Cultura – Imagem e Identidade- Helciane Angélica S. Pereira / Ana Larissa de Sousa L. Moraes / Keiliane Muzenza
11h10- Sessão de Cinema – Cine Arte Pajuçara 
12h20- Almoço
14h00- Palestra: Mulheres Jovens Negras estratégias políticas contra sexismo - Marta Almeida (Associação Caminhada dos Terreiros de PE)
14h40-Debate
15h- Oficina de Cultura – Capoeira na ótica da mulher – Ana Larissa de Sousa L. Moraes / Keiliane Muzenza
15h40- Intervalo para café
15h50- Apresentação dos Resultados
16h30- Homenagens
17h30- Apresentação Artística – Companhia de dança AIÊ ORUN
17h50- Coquetel 
18h50- Encerramento



Fonte: Divulgação

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mais respeito

As comemorações do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra foram bem diversificadas no Estado de Alagoas, aliás, as atividades não se concentraram apenas no dia 20 de novembro, foram distribuídas em todo o mês: nas universidades, escolas, espaços públicos, casas de axé e nas sedes dos grupos sócio-culturais espalhados em vários municípios (Maceió, União dos Palmares, Arapiraca e Viçosa).

O evento Saruê Palmares – saudação de origem bantu, que significa “Os nossos respeitos a Palmares” – promovido pela Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) / Prefeitura de Maceió entrou para a história. Há pelo menos 10 anos, não tinha uma programação afro com vários grupos na Praça dos Palmares localizada no Centro de Maceió. Foi um dia de muitos encontros e reencontros de ativistas, e ainda, teve exposição, oficinas, comercialização de produtos e apresentações (dança afro, banda afro, maracatu, afoxé, grupos percussivos, teatro, capoeira, reggae).

A Serra da Barriga foi tomada por um “formigueiro humano”, visitantes das localidades mais diversas que enfrentaram chuva, neblina e sol forte. Instituições de ensino levaram turmas inteiras de estudantes para sentir o axé desse Monumento Nacional que exala história e cultura. Os religiosos de matrizes africanas fizeram seu cortejo e homenagens aos ancestrais. Capoeiristas disputavam cada espaço do solo sagrado para mostrar a sua ginga e amor pelo Patrimônio Nacional Cultural. E no palco, os repetitivos discursos antecederam a posse dos membros do Comitê Gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares e as apresentações artísticas.

Porém, não podemos destacar que o problema de infraestrutura ainda é degradante, a água continua faltando no platô e a reforma dos espaços contemplativos não foi concluída; a estrada de acesso estava péssima e com a grande quantidade de veículos e a lama, ficou perigoso transitar com veículos e centenas de pessoas das mais diversas idades subiram 5km a pé. Outro ponto que merece crítica, é que muitos grupos alagoanos ficaram de fora da programação devido a uma exigência de vários documentos e burocracia excessiva da Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura às vésperas do evento.

Bom, ficamos a perguntar, quando teremos uma celebração digna? A riqueza histórica e a diversidade afro-cultural em Alagoas precisa ser mais valorizada pelas autoridades e a sociedade, e, a consciência negra tem que ser todo dia! Axé!


Fonte: Coluna Axé - 275ª edição – Jornal Tribuna Independente (26/11 a 02/12/2013)
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

Hip Hop em Alagoas



O dia 19 de novembro foi de festa para o Movimento Hip Hop no Estado de Alagoas.

No Espaço Cultural Acotirene localizado na cidade de União dos Palmares ocorreu a exibição do documentário “A Cultura Hip Hop Vive em Alagoas”, uma roda de conversa sobre a organização dos grupos e a reativação da Posse Atitude Periférica (organização fundada em 1994 e que foi desativada em 2011). Também teve show do rapper Gog na praça Basiliano Sarmento, com muito breack, rap e canções reflexivas sobre as questões sociais.

Outro ponto que merece destaque foi a entrevista com Gideon Santos (Zazo) no encarte afro Axé Especial, publicado no dia 20 de novembro, destacando a importância desse movimento existente há 30 anos em Alagoas.

Confira abaixo a entrevista na íntegra e acesse também o blog: hiphop-al.blogspot.com.br.



“O hip-hop é também uma ferramenta que pode ajudar conscientemente a transformar a sociedade”. 


Por: Helciane Angélica - Cojira/AL


O movimento hip hop teve início na década de 1970, em comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas. Ao longo dos anos se expandiu pelo mundo e conquistou a simpatia dos jovens, e tornou-se um dos mais importantes gêneros musicais, além de ser uma ferramenta de liberdade de expressão e denúncia social. Em Alagoas, o movimento hip hop existe há quase 30 anos.

Nesta edição do encarte afro Axé Especial, entrevistamos Gideon Santos, conhecido como Zazo, que tem 24 anos e atua no hip-hop como Mc, produtor de eventos e documentarista. Ele foi o diretor e editor do documentário “A cultura Hip Hop vive em Alagoas”, lançado no dia 27 de setembro de 2013, no Sesc Centro, em Maceió. Desenvolvido pela Kzebre Filmes e Fallin’ Entertainment, contou com a produção executiva de Alyne Sakura e Pablo Gomes; Sérgio Santos na Co-produção e música de Xeque Mate Popular.

Trata-se de uma iniciativa independente, que tem o patrocínio do Governo Federal através do Prêmio Hip-Hop Edição Preto Ghoéz, e, pretende-se inscrever em festivais e posteriormente deixar disponível no youtube. Já foi exibido em Maceió, São Miguel dos Campos e União dos Palmares, e ainda, no Estado de Sergipe em um evento da UFSE.


Saiba um pouco mais sobre o universo desse movimento em Alagoas.


Axé Especial: Na sua opinião, qual é a importância do Movimento Hip Hop?
Zazo: O hip-hop representa a voz do jovem oprimido por essa sociedade desigual. Além da parte artística e cultural, o hip-hop carrega em si várias discussões sociais e políticas: pobreza, miséria, violência policial, drogas e sua devastação na periferia, alienação, criminalidade, exclusão social, precariedade dos serviços públicos, etc. Para mim o hip-hop é uma forma legítima da juventude lutar por direito a um futuro digno.

Axé Especial: Quais as ramificações do hip hop?
Zazo: Divide-se em quatro elementos: Break, Mc, Dj, Graffiti. É um movimento cultural divergente onde não há uma unidade acabada entre membros desses quatro elementos. Geralmente esses elementos acabam caminhando de forma separada, cada um fazendo o seu. Para nós, é considerado como integrante do hip-hop não apenas o cara que pratica o break, ou canta rap de forma individual. Mas sim, o indivíduo que pensa no hip-hop como um todo, que organiza eventos, que faz oficinas, que gera e transmite conhecimento, que enxerga no hip-hop uma ferramenta para conscientizar a juventude e atraí-la através da cultura, para debater e buscar solução para os problemas que afetam o povo da periferia. Portanto nem todo mundo que dança, canta, graffita ou discoteca, é do hip-hop. A maioria são membros de algum elemento do hip-hop, porém são poucos que vivem e representam o hip-hop. 

Axé Especial: Quem são os ícones do hip hop no Brasil?
Zazo: Eu não diria que o hip-hop tem ícones, eu diria que há companheiros e companheiras que dedicaram boa parte das suas vidas nessa construção coletiva do movimento pelo Brasil. Posso citar alguns como: King Nino Brown, Nelson Triunfo, Thaide e Dj Hum, GOG, Dj Raffa, Preto Ghoéz, X, Japão,Ndee Naldinho, Gas Pa, Slow Dabf, Banks, Lamartine, Marcelinho Back Spin, Dj Branco etc. Am Alagoas, temos o Ari Consciência, Paulo 'DJP', Afrojay, Vanderson Sulista, Cacá, Mano Van, Julimen, Dj ASB, Tião, Ace Rick, Malukinho, Valdecir, Zulu Fernando, Kiko, Preto M, e tantos outros que fortaleceram e ainda fortalecem nossa luta.

Axé Especial: Existe alguma relação entre o hip hop e os movimentos sociais?
Zazo: Sim, mas ainda é uma relação pouco fortalecida. Acredito que aqui em Alagoas, o hip-hop vai participar mais das lutas sociais, unificando com movimentos sociais quando ele estiver melhor organizado. Sendo um movimento cultural, o hip-hop tem seus limites. Boa parte dos membros não se interessa tanto pela discussão social, protestos e mobilizações. Eles gostam mesmo é de dançar, cantar, graffitar, discotecar e só. É aí, é onde o hip-hop organizado deve trabalhar, explicando e convencendo que o hip-hop é muito mais que arte e cultura, é também uma ferramenta que pode ajudar conscientemente a transformar a sociedade. 

Axé Especial: Quantos grupos de hip hop existem em Alagoas e quais são eles?
Zazo: Não tenho essas informações catalogadas ainda, mas existe cerca de 30 grupos de rap, dezenas de b-boys e b-girls, uma quantidade reduzida de graffiteiros (pouco mais de 10), e outra mais reduzida ainda de Dj's de hip-hop (menos de 10).

Axé Especial: Atualmente, existe algum fórum ou federação que congregue esses grupos?
Zazo: Não. O que existe são associações culturais informais que atuam nas periferias de Maceió, União dos Palmares e São Miguel dos Campos. Em União dos Palmares existe o Movimento Hip-Hop Palmarino (MH2P) e em São Miguel dos Campos o Coletivo Hip-Hop Miguelense. Na capital temos duas organizações que estão paradas, a Posse Guerreiros Quilombolas e Posse Atitude Periférica. Outras duas organizações continuam atuando como é o caso do Coletivo Cia Hip-Hop e do recém-formado Coletivo Nova Tropa de Zumbi. Da nossa parte estamos rearticulando a ativação da Posse Atitude Periférica, organização fundada em 1994 por Paulo 'DJP' que fez um excelente trabalho expandindo nossa cultura para outros municípios e construindo um hip-hop sem drogas, como uma forma de garantir a preservação física da juventude das periferias 'Periferia sem vícios é periferia menos violenta'. 

Axé Especial: Quais as principais atividades do movimento hip hop desenvolvidas em nosso Estado?
Zazo: Geralmente quem organiza as atividades são os coletivos e as posses, ou pessoas mais antigas do movimento. O pessoal organiza eventos de rua com break, rap e Dj; oficinas de algum elemento do hip-hop, mutirões de graffiti, debates, festas, etc. Geralmente, tentamos unir a cultura à alguma discussão social importante, fortalecendo a formação dos membros do hip-hop.

Axé Especial: Como é a participação feminina nesse segmento cultural?
Zazo: A participação feminina no hip-hop ainda é limitada não só em Alagoas como em vários cantos do mundo. Essa é uma das grandes polêmicas do hip-hop, muitas vezes as mulheres que atuam na cultura hip-hop são pouco valorizadas, sofrendo discriminação e preconceito. No rap algumas letras, degradam a imagem das mulheres, mostrando-as como meros objetos sexuais. No break elas também sofrem uma limitação de espaço, recebem pouco incentivo, junta isso com a pressão da família em casa e isso faz com que ela abandone a cultura. O machismo influencia diretamente na quantidade de mulheres que atuam no movimento, o problema é que muitas vezes o machismo é invisível nos olhos do machista, então ele resiste e não reconhece que esse é um dos problemas que afetam a quantidade de mulheres no hip-hop.

 Axé Especial: E quanto ao documentário “A cultura Hip Hop vive em Alagoas” como surgiu o interesse em produzi-lo e quais as dificuldades enfrentadas?
Zazo: Surgiu numa reunião da Posse Atitude Periférica em meados de 2009, a ideia era retratar e registrar a atuação do movimento. Em 2010 o Governo Federal lançou o edital 'Prêmio Hip-Hop Edição Preto Ghóez', onde inscrevi meu projeto e ele foi aceito. O valor que recebemos com o Prêmio foi pouco mais de 10 mil reais. Quase metade desse valor foi usada na compra da câmera e comecei a captação das entrevistas em junho de 2011. Ao todo foram 2 anos e 3 meses de trabalho, entrevistamos cerca de 40 pessoas em três municípios. Obviamente o recurso do prêmio não foi suficiente para concluir o trabalho, então coloquei mais de 5 mil reais do meu bolso para a conclusão desse nosso longa metragem. 

Axé Especial: Qual a mensagem do documentário?
Zazo: Mostrar que existe hip-hop em Alagoas há quase 30 anos, mas essa cultura ainda é muito marginalizada apesar de fazer um excelente trabalho de conscientização, desviando muitos jovens do crime e das drogas através da arte. O filme faz alguns debates importantes relacionados à nossa cultura: mostra a evolução do hip-hop, as divergências, pouca participação feminina, combate às drogas, rap e torcidas organizadas, financiamento público, apologia às drogas e ao crime, eventos etc. Eu não quis fazer uma 'perfumaria', fazendo de conta que o movimento hip-hop é perfeito, minha intenção foi mostrar o hip-hop como ele é, as disputas internas, as divergências, as limitações e sua potencialidade. Outro aspecto a ser mencionado é que tomei a iniciativa de contar nossa história por nós mesmos. Nós somos geradores de conhecimento, porém são pessoas de fora da cultura que sistematizam e lançam filmes, livros, artigos, sobre o hip-hop. Outro objetivo central do documentário foi suscitar o debate sobre a necessidade de fortalecer a organização interna do movimento, o respeito entre as diferenças e a união a partir de coisas que temos em comum. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

INEG/AL e AENNUFAL Debatem Cotas na Pós e na Docência



O Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL) em parceria com a Associação de Estudantes Negros e Negras da Universidade Federal de Alagoas (AENNUFAL) realizam o Seminário: Aspirações e História da Comunidade Negra

Com as mesas:

Cotas na Pós e na Docência: Fabson Calixto – AENNUFAL e Jeferson Santos – INEG/AL. Dia: 27/11/2013

História do Movimento Rastafári: Ras Sidney Rocha (Associação Cultural Nova Flor) e David José – INEG/AL.  Dia: 28/11/2013

• Participação: Quilombola de Zion cantando Nyahbinghi junto com Ras Sidney.
Local: auditório do ICHCA (antigo CHLA, localizado na UFAL)
Hora: 16 h


Fonte: http://inegalagoas.wordpress.com/