terça-feira, 5 de julho de 2011

Estatuto da Igualdade Racial, efetivação já!

Por: Helciane Angélica


Na manhã de 02 de julho, na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal), a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) teve mais uma reunião de planejamento, que foi seguida de formação sobre o Estatuto da Igualdade Racial. A atividade contou com a explanação do ativista Helcias Pereira, Coordenador Nacional de Formação dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs). Também estiveram presentes: o Mestre de Capoeira, Claudio Figueiredo, Representante do Escritório Estadual da Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura; e Filomena Felix, recém-eleita Presidenta do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô.

Na ocasião, teve debate e a reflexão crítica dos presentes após a leitura do Título II “Dos Direitos Fundamentais”, Capítulo VI “Dos Meios de Comunicação”. A Presidenta do Sindjornal, Valdice Gomes, destacou que essa iniciativa contribui para o aprofundamento sobre temas direcionados aos interesses da população negra, é uma capacitação para essa categoria profissional e ainda serve para avaliar de que forma os jornalistas podem contribuir na disseminação dessas informações.

O Estatuto da Igualdade Racial foi uma iniciativa do Senador Paulo Paim (PT-RS), que fez a minuta do Projeto de Lei e após dez anos em tramitação no Congresso Brasileiro, foi finalmente reconhecido como a Lei 12.288, no dia 20 de julho de 2010. É destinado para garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica.

É chegado o momento, de transformar os belos artigos em realidade, é bem verdade, que o projeto original sofreu cortes expressivos, mas, quem disse que essa luta seria fácil?! Não podemos ficar de braços cruzados, é preciso transformar o Estatuto da Igualdade Racial em “livro de cabeceira” e tornar esses direitos reconhecidos! “A felicidade do negro é uma felicidade guerreira” (Wally Salomão).

Fonte: Coluna Axé - nº 157 - Jornal Tribuna Independente (05.07.11)

domingo, 3 de julho de 2011

Estatuto de Igualdade Racial é tema de formação da COJIRA-AL

Outras atividades de formação sobre questões étnicorraciais serão realizadas para fortalecer os objetivos dos cojiranos, assim como, contribuirá para a formação de outros jornalistas


Por: Helciane Angélica – integrante da Cojira/AL


Na manhã deste sábado (02.07), na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal), integrantes da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) fizeram mais uma reunião de planejamento, que foi seguida de formação sobre o Estatuto da Igualdade Racial. A atividade contou com a colaboração do ativista Helcias Pereira, Coordenador Nacional de Formação dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs). Também estiveram presentes: o Mestre de Capoeira, Claudio Figueiredo, Representante do Escritório Estadual da Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura; e Filomena Felix, recém-eleita Presidenta do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô.

Para a Presidenta do Sindjornal, Valdice Gomes, nesse primeiro momento foi escolhido o Estatuto, já que, também tem demandas destinadas aos veículos de comunicação e precisa ser tirado do papel. “Não tem como defender temas, se a gente não conhece. Então, vamos aprofundar nossos conhecimentos por meio dessas atividades de formação. E a partir de agora, também vamos abrir esse espaço para outras pessoas, principalmente, os nossos parceiros para que contribuam com ideias e na discussão”, destacou.

O ativista Helcias Pereira informou que o Estatuto da Igualdade Racial foi uma iniciativa do Senador Paulo Paim, que sempre foi comprometido com a luta do movimento negro e fez a minuta do Projeto de Lei. Após dez anos em tramitação no Congresso Nacional, no dia 20 de julho de 2010, finalmente foi reconhecida como a Lei 12.288. “Foi aprovada para direcionar, provocar, fazer acontecer as políticas públicas destinadas às questões étnicorracias. Para mim, todo cidadão negro deve ter conhecimento do conteúdo desse Estatuto, para fazer valer seus direitos, porque é um instrumento concreto de combate ao racismo e outras formas de desigualdade racial em diversos segmentos”, exaltou Helcias.

Na ocasião, cada pessoa presente na formação pode expressar seu conhecimento e compartilhar exemplos sobre os temas: Ações afirmativas, Discriminação Racial, Políticas públicas, Desigualdade de Gênero e Raça, População Negra e Desigualdade Racial. O debate desencadeou na reflexão sobre “Como os jornalistas podem contribuir para a implementação do Estatuto da Igualdade Racial?”, uma ação simples seria: em todas as notícias que abordem a questão étnicorracial, fazer o link com os itens do Estatuto e ampliar a discussão.



Outras reflexões dos cojiranos:

Muita gente acha que o negro não pode ascender, ou seja, sempre tem a visão que o negro deve ser cozinheiro, empregada doméstica, jardineiro, gari... enfim, profissões consideradas ‘inferiores’. Eu acredito que somente com educação, conseguiremos ter a verdadeira mudança social
(Mônica Lima)

Temos que continuar refletindo que um dia iremos mudar essa página do preconceito racial! Infelizmente, eu vejo muitos negros de braços cruzados e não reivindicam seus direitos
(Domingos Intchalá)

Quando vem acontecer um Estatuto como esse é um grande avanço, e significa também que muita coisa mudou. Assim como é muito significativo a implantação da Seppir no Governo Federal, a criação das Cojiras e toda forma de organização que combate o racismo e outros preconceitos
(Gerônimo Vicente)

Outra coisa que temos que discutir é sobre as entidades que são contrárias a implantação do Estatuto da Igualdade Racial. Esse documento precisa ser conhecido pela população em geral, e saber a sua real importância, precisa ser popularizada! Assim como, foi com a Lei Maria da Penha
(Valdice Gomes)

Foi um sábado muito produtivo! Estudar o estatuto da igualdade racial é necessário, vamos fazer valer o que já é lei. Igualdade racial já!
(Emanuelle Vanderlei)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cojira-AL debate o Estatuto da Igualdade Racial

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal) promove no próximo sábado (2 de julho), um encontro de formação sobre o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado em 2010. O evento acontece das 9h às 12h, na sede do sindicato, tendo como palestrante Helcias Pereira, coordenador nacional de formação dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (Apns) e conselheiro titular do Conselho Nacional de Promoção da igualdade Racial (Cnpir).

Segundo informou a presidente do Sindjornal, Valdice Gomes, o objetivo é capacitar os jornalistas integrantes da comissão por meio do aprofundamento e atualização em torno do Estatuto da Igualdade Racial, um documento que traz para o mundo jurídico o instituto das ações afirmativas, especialmente, o capítulo que trata dos meios de comunicação. “O estatuto representa um avanço no que se refere às políticas de igualdade racial para a população negra. Mas, poucos brasileiros conhecem o seu teor”, destacou.

Antes da palestra, os integrantes da Cojira se reúnem para discutir entre outros pontos de pauta, como: uma visita às redações para divulgar o Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento, lançado pelo Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio e Janeiro, que tem como finalidade estimular a produção de conteúdos jornalísticos que contribuam para a prevenção, combate e eliminação de todas as formas de manifestação do racismo e discriminação racial. 

A iniciativa também visa incentivar a discussão de medidas de combate às desigualdades etnicorraciais no Brasil, com destaque para a população negra, em todos os veículos de comunicação (jornal, revista, televisão, rádio e internet). Também estará em discussão o Curso Gênero, Raça e Etnia para jornalistas, que acontecerá em oito capitais, entre elas Maceió. O evento é uma parceria da Fenaj com a ONU Mulheres, a entidade das Nações Unidas pra a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres.

A Cojira-AL tem como objetivo contribuir para o debate e a reflexão sobre a realidade dos cidadãos afro-descendentes e os mecanismos utilizados pelos meios de comunicação ao abordar as temáticas relacionadas à causa negra. Interligada ao Sindjornal, a comissão existe desde novembro de 2007. Foi o primeiro núcleo do Nordeste a trabalhar as questões étnico-raciais no movimento sindical da categoria. Desde então, vem contribuindo na interlocução entre o movimento negro e a mídia alagoana.


Fonte: COJIRA-AL

terça-feira, 28 de junho de 2011

Igualdade Racial é Pra Valer?


Por: Helciane Angélica - Com informações dos organizadores


Acontece nos dias 07 e 08 de julho em União dos Palmares, o “Ìgbà- IV Seminário Afro-Alagoano: “Igualdade Racial é Para Valer?", que prestará homenagem a luta e memória de Abdias Nascimento considerado um dos maiores intelectuais do Movimento Negro Brasileiro, doutor honoris causa pelas Universidades de Brasília, do Rio de Janeiro, da Bahia, professor na Universidade de Nova York", ex-deputado federal e ex-senador da República.

De acordo com a organizadora Arísia Barros – publicitária, professora e coordenadora do projeto Raízes de África – também busca-se estimular a participação social compromissada com o entendimento de que o desenvolvimento sustentável do Brasil transita pelo pressuposto da legitimação de que a equidade humana exige igualdade racial, o respeito as diferenças. O encontro marcará ainda a apresentação do “Diagnóstico para o Desenvolvimento Sustentável dos Remanescentes Quilombolas, em Alagoas”, por representante da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos.

A atividade é organizada pelo Projeto Raízes de Áfricas em parceria com o IPEAFRO, prefeitura de União dos Palmares (Secretaria de Turismo); Federação das Indústrias do Estado de Alagoas; Secretaria de Estado da Mulher, Cidadania e dos Direitos Humanos; Instituto Magna Mater; Secretaria de Cultura de Maceió; Escritório da Fundação Palmares, em Alagoas; Polícia Civil, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal) e parcerias individuais.

Para solicitar a ficha de inscrição e a programação envie um e-mail para raizesdeafricas@gmail.com. Contatos: (82) 8827-3656 / 3231-4201. Acesse também: www.cadaminuto.com.br/blog/raizes-da-africa.

A campanha “Igualdade Racial é pra Valer” foi lançada pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade (SEPPIR), quando completou oito anos de funcionamento e convoca todo o povo brasileiro para o combate ao racismo. A iniciativa é motivada pelo Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, instituído em 2011 pela Organização das Nações Unidas (ONU).


Fonte: Coluna Axé - nº 156 - Jornal Tribuna Independente (28.06.11)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Negros na passarela

Por: Helciane Angélica


Pssos firmes, postura, beleza marcante, corpo escultural ... são características primordiais que um ou uma modelo profissional precisa ter para conquistar as passarelas nesse mundo afora. Mas também, existem outros critérios pré-determinados e considerados “mais adequados” onde definem o perfil das pessoas que irão divulgar as novidades do circuito da moda e as coleções de grandes estilistas.

No ano de 2008, o Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar uma possível discriminação racial na São Paulo Fashion Week (SPFW), quando apenas 3% dos modelos que participavam do evento eram afro-descendentes, negros ou indígenas. A organização da SPFW teve que assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) se comprometendo a estimular as grifes a cumprir uma cota de 10% desses modelos por desfile, porém, esse número vem sendo descumprido e o padrão utilizado é o eurocêntrico.

Logo no primeiro dia de desfiles da SPFW 2011, que ocorreu nos dias 13 a 17 de junho na Bienal do Ibirapuera, o público se deparou com uma manifestação da ONG Educafro, que reivindicava o aumento da cota de modelos negros de 10% para 20%. Em relação ao tema, há muitas discordâncias no meio, e sempre desperta a atenção de vários veículos de comunicação. Nesta semana, o site Famosidades fez várias imagens, notícias e colheu depoimentos de pessoas que atuam na área.

De acordo com o estilista Oskar Metsavaht, da grife Osklen, gostaria de apresentar sua coleção Verão 2012 usando apenas modelos negros na passarela, mas não conseguiu. “Queria fazer com todos negros por uma questão de estética da passarela. Tentei fazer uma coleção só com loiros e não consegui [em uma edição passada da SPFW]. Dentro da passarela, você tem que ter uma estatura, um biótipo. Mas o mais legal foi ter essa diversidade na passarela com negros, brancos, ruivos... Fico lindo!”, afirmou.

O representante da Educafro Frei Davi rebateu: “Com certeza, ele está totalmente equivocado. Se ele quiser, eu coloco na frente dele 100 modelos negros nacionais de padrões internacionais. Hoje, há 30 agências só de casting negro no Brasil!”, contou.

Polêmicas a parte, sendo certa ou errada, as cotas são medidas reparatórias adotadas quando se verifica a ausência de oportunidades, tem muita gente por aí que é belo(a) e talentoso(a), mas pela falta de experiência, deixa de ser contratado(a). Enfim, o discurso de “que todos são iguais” na prática não existe e acontece em vários outros setores. Abaixo a ditadura da moda ... negros, brancos, amarelos, indígenas, gordinhos, portadores de necessidades especiais – todos são consumidores e precisam ser valorizados e valorizadas!



Fonte: Coluna Axé - nº 155 - Jornal Tribuna Independente (21.06.11)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Baque Alagoano realiza oficina de dança de Maracatu

Modelos negros na passarela: é melhor ter cotas ou não?

Por TAYNARA MAGAROTTO
SÃO PAULO - Logo no primeiro dia de desfiles da São Paulo Fashion Week, que aconteceu da última segunda-feira (13) até este sábado (17) na Bienal do Ibirapuera, o público se deparou com uma manifestação da ONG Educafro. A entidade protestava para que a cota de modelos negros na passarela do evento de moda paulistano aumentasse de 10% para 20%.
O caso chamou a atenção do Famosidades, que passou a semana batendo perna na Bienal. Então, nós resolvemos abrir a polêmica. Muita gente é contra, mas muita gente também é a favor das cotas para que haja uma inclusão social de negros no disputado mundo da moda. O bafafá teve início também por conta do estilista Oskar Metsavaht, da grife Osklen. Ele contou que gostaria apresentar sua coleção Verão 2012 usando apenas modelos negros na passarela, mas que não conseguiu.
“Queria fazer com todos negros por uma questão de estética da passarela. Tentei fazer uma coleção só com loiros e não consegui [em uma edição passada da SPFW]. Dentro da passarela, você tem que ter uma estatura, um biótipo. Mas o mais legal foi ter essa diversidade na passarela com negros, brancos, ruivos... Fico lindo!”, afirmou o estilista ao Famosidades.
Além disso, Metsavaht garantiu que não encontrou modelos profissionais negros para colocar na passarela e formar seu casting 100%. Rebatendo o profissional, o representante da Educafro Frei Davi não entende a história assim. “Com certeza, ele está totalmente equivocado. Se ele quiser, eu coloco na frente dele 100 modelos negros nacionais de padrões internacionais. Hoje, há 30 agências só de casting negro no Brasil!”, contou.
O Famosidades devolveu a bomba para Metsavaht, que disse: “Bom, isso tem que ver com a empresa especializada em casting. Mas não tem estatura, não tem experiência. Tem que ter talento. Não cabe na SPFW pessoas inexperientes. Ontem de noite [um dia antes do desfile de sua marca], fiquei ensaiando com alguns modelos a andar, desfilar..”.
Sobre a discussão de ter cotas ou não, o Famosidades debateu esse assunto com modelos – negros e brancos -, fashionistas e também famosos. E o assunto rendeu... Confira nas próximas páginas:
Glória Maria se diz contra as cotas. Ao Famosidades, a jornalista contou que a discussão sobre ter ou não cotas ainda hoje é “ridícula”. “Tem que ter negros desfilando como tem que ter brancos, asiático... Para a profissão de modelo, se você é negro, branco, amarelo, você tem que ter mercado”, disse.
Além disso, Glória considera essa questão atrasada para o século XXI. “Estarmos discutindo isso hoje, em 2011, é a prova de que o racismo e a discriminação continuam cada vez mais fortes. Não tem que ter cota. Acho que tem que ter naturalmente na passarela um monte de negro e um monte de branco. Gente que seja linda, modelo! A gente tem que lutar pelo fim da discriminação e não pela cota!”, disparou.
Luiza Brunet, por sua vez, é a favor das cotas. A ex-modelo, porém, disse que a palavra “cotas é um horror”: “Essa palavra deveria ser retirada do vocabulário. Cota pra mim é imposto de renda...”. “Mas a cota deveria aumentar mais. São pessoas maravilhosas, são consumidores, e deveriam estar mais presentes em qualquer evento de moda no mundo, não só no Brasil”, afirmou.
Já Glória Kalil disse ao Famosidades que tudo não passa de uma questão de mercado: “Tenho muita dificuldade de cota em geral. Cota para universidade... eu não sei se funciona. Algumas coisas obrigadas funcionam, outras não. Acho que é um assunto muito controverso pelo seguinte: fiquei sabendo que o pessoal da Osklen queria fazer um casting de negros e não conseguiu. Ou seja, não tem oferta grande ainda no mercado. Por que não tem? Porque não havia demanda. Hoje, que há demanda, eu acredito que vá se criar uma nova geração. Mas que ainda não tem”.
A fashionista disse ainda que a escolha de modelos que vão para passarela é muito restrita. “Tem uma seleção muito chata: ‘você sim, você não’; ‘você tem perna grossa..’. Não tem ainda um elenco de modelos negros para se fazer um casting. Cota? Pode ser que funcione. Não acho que tenha preconceito! Na moda e em quase tudo, o que existe é mercado. Não há mercado. Por exemplo, gordinhos não tinham roupa. Hoje que todo o mundo é ‘oversize’, está tendo. Ou seja, o que cria é a demanda”, opinou Glorinha.
Outra que acha que tudo deve ser uma questão de mercado é Carol Ribeiro. A modelo contou que já passou por várias negativas por conta de sua cor de pele, estatura, cor de cabelo. “Não concordo com cotas. Acho que cada estilista tem que ter a liberdade de se expressar como quer. É um assunto delicado de se falar. Acho que tem modelos negros, sim, que são usados nos desfiles. Mas depende da coleção. Às vezes, tem menina de cabelo enrolado e eles querem de cabelo liso. Às vezes, querem uma ruiva e branca. Morena como eu não serve. Se eu fosse levantar essa bandeira já teria feito há muito tempo, porque já passei por vários ‘nãos’. Acho que tem a importância do estilista, a vontade dele tem que prevalecer”, afirmou a top.
Romulo Souza, de 20 anos, é negro e desfilou pela Osklen na SPFW na última quarta-feira (15). Ao Famosidades, o modelo, que está na profissão há um ano e meio, disse que é contra as cotas. “Isso é ridículo. Não tem bastante negro bom pra modelo e não tem perfil. Até o próprio negro tem preconceito por sua cor”, disparou. Lucas Cristino, de 19, que também é negro e fez sua estreia nas passarelas como modelo no desfile da Osklen, afirmou que há mesmo preconceito do próprio negro: “Eles nem fazem o teste porque acham que não vão chamar”.
Já a modelo Patrícia Müller, de 18 anos, que é branca e tem um ano e meio de profissão, afirmou que não tem uma opinião certa sobre o assunto. “Acho que todo o mundo tem que se conscientizar que não precisa desta cota. Se eles são iguais, não deveriam ter cota. Mas, ao mesmo tempo, acho que o estilista é preconceituoso, porque não chama os modelos negros para desfilar suas roupas”, disse.
Samira Carvalho, de 22 anos, que é negra e também desfilou para a grife do estilista Oskar Metsavaht, afirmou que existem sim negros no mercado de modelo. “Infelizmente, alguma coisa tem que ser feita. Sou a favor, porque o preconceito existe sim”, disse ela, que tem sete anos de carreira.
Iago Santibanez, que desfilou pela marca, e é loiro, afirmou que achou estranho o estilista afirmar que não achou modelos negros no mercado: “Muito estranho. Eu vejo bastante modelos negros. E tem que ter sim cotas porque realmente é desigual a forma como eles são tratados”.
Sobre o aumento da cota de 10% para 20%, Metsavaht disse que não está certo de que é ou não a favor. Porém, ele disse que como criador, o estilista não pode ser privado de nenhuma liberdade: “Expressão de moda tem que ser livre. Essa passarela, nesses 10 minutos, a nós pertence. Se a gente quiser colocar nenhuma pessoa na passarela, ou alguém plantando bananeira, a gente põe”.
“Mas sou embaixador da Unesco e me envolvo com a cultura de paz há muitos anos. Quando você vê as estatísticas sobre discriminação contra negro no Brasil, por incrível que pareça, ela está aumentando. Mas o mais importante é nós inserirmos a percepção que a cultura negra faz parte de todos nós, assim como a asiática e a européia”, finalizou Metsavaht.

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domingo, 19 de junho de 2011

Conselho de Ética instaura processo contra Bolsonaro


15/06/2011 -
Agência Estado – Eduardo Bresciani



O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara instaurou na tarde de hoje um processo disciplinar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). O parlamentar será processado por ter discutido com a senadora Marinor Brito (PSOL-PA) e por ter classificado de "promiscuidade" a possibilidade de um filho seu ter relacionamento com uma mulher negra em entrevista ao programa de TV CQC.


Pelo novo código do Conselho, o relator, Sérgio Brito (PSC-BA), deverá apresentar um relatório preliminar dizendo se aceita ou não a representação. Esse relatório vai a voto no plenário. Brito já adiantou que dará um parecer favorável à abertura do processo e marcou o dia 29 de junho para que seja realizada essa fase. "Não posso dar pela inépcia porque é uma representação de um partido, então abrir processo eu vou."


Se o Conselho aprovar o relatório preliminar, Bolsonaro terá 10 dias úteis para apresentar sua defesa. Brito, então, terá 40 dias úteis para conduzir a instrução do processo e 10 dias úteis para escrever seu relatório final.


O relator não quis dizer se pretende usar no seu trabalho as penas alternativas que agora podem ser aplicadas pelo Conselho, como advertências e suspensões. Brito afirmou que não pode se posicionar sobre o mérito do caso antes de realizar a instrução.


O processo tem como base uma representação do PSOL. O partido questiona a conduta do parlamentar por ter ofendido Marinor em bate-boca no Senado e pela entrevista ao CQC. Com relação à entrevista, o deputado do PP afirma ter se confundido em relação à resposta e nega ser racista. Apesar disso, ele mantém outras frases nas quais ataca homossexuais.

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