quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A nova "moça do tempo" da Rede Globo




A belíssima jornalista Maria Júlia Coutinho, estreou nesse mês como “moça do tempo” no telejornal Bom Dia Brasil da Rede Globo. Ela é a primeira negra nessa função na emissora e também chama a atenção pela voz suave e o cabelo afro. 

Formada pela Faculdade Cásper Líbero, começou como estagiária na Tv Cultura, depois apresentou o principal telejornal dessa emissora ao lado de Heródoto Barbeiro e atuou como repórter por vários anos. É sempre bom ver profissionais negros demonstrando e se destacando pela sua competência, mas, infelizmente são poucos os que conseguem essa visibilidade. 

Queremos a democratização e o respeito pela diversidade étnicorracial e cultural na mídia. 



Crédito da foto: Divulgação/Rede Globo
Fonte: Coluna Axé - 270ª edição - Jornal Tribuna Independente (22 a 28/10/2013)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Prêmio Jornalista Abdias Nascimento 2013 anuncia finalistas

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, anuncia os finalistas do 3º Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento. Os vencedores serão nomeados em cerimônia dia 11 de novembro, no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro.

Com um crescimento de mais de 75% de inscrições em relação a 2012, o Prêmio bateu recorde de adesão em 2013, reflexo da consolidação do concurso na imprensa brasileira. A Comissão Julgadora, formada por dez jornalistas e especialistas em relações raciais, escolheu os 21 melhores trabalhos dentre o total de 310 inscritos.

Concorrem a R$ 35 mil reportagens nas categorias Mídia Impressa, Televisão, Rádio, Mídia Alternativa/Comunitária, Internet, Fotografia, além da Categoria Especial de Gênero Jornalista Antonieta de Barros. A surpresa é que há chance de um mesmo trabalho receber até R$ 10 mil, caso vença as duas categorias em que é finalista.
 
Segundo a coordenadora da iniciativa e da Cojira-Rio, Sandra Martins, também surpreendeu este ano a qualidade dos trabalhos inscritos. “Observamos a capacidade de o Prêmio estimular reportagens qualificadas sobre o racismo no Brasil e sobre soluções para a consolidação de uma verdadeira democracia”, declarou.
 
Para receber as inscrições, o concurso estreou site com nova identidade visual, informações sobre a questão racial e o jornalismodicas de temas para reportagens e breves biografias de Abdias Nascimento e de Antonieta de Barros.

Conheça os finalistas: 

Mídia Impressa

Clediana Ramos, Meire Oliveira, Juracy dos Anjos, Camilla França, Maíra Azevedo e Ivana DoraliOs homens que chamam os deus para terra, Jornal A Tarde-BA

Ismael Machado, Educação Quilombola, Diário do Pará-PA

Renata Mariz, Ivan Lunes e Grasielle CastroAbolição,125 anos, Correio Braziliense-DF

Televisão

Maíra StreitSérie Boas Práticas pela Igualdade Racial, TV Supren-DF

Thiago Antônio CorreiaA cor da morte, Jornal da Pajuçara/Noite-AL

Wendell Rodrigues da SilvaParaíba Afro, TV Correio-PB

Rádio

Neise Marçal, Cláudio da Matta e Fábio LuizQuilombo São José, a luta sem fim pela terra, Rádio Nacional do Rio de Janeiro

Tayguara Ribeiro SilvaA violência policial, a periferia e a população negra, Agência Radioweb-SP

Wellington Carvalho dos SantosA rica e imortal influência africana no samba, Rádio Estadão-SP

Mídia Alternativa ou Comunitária

Bruno Mascarenhas, Eduardo Donato, Adriana Veríssimo, Rikardy Tooge, Crystal Ferrari, Raphael Borges, Willians Campos Felipe Cabello, Rafael Carvalho, Marlon Marinho, Rodrigo Igreja, Weslley Mendes e Antonio Jordão PachecoLiteratura na periferia: as vozes das quebradas, Rede TVT-SP

Débora Carmelita JunqueiraFora das capas de revista, Revista Elas por Elas-MG

Marcela FigueiredoEducadores colocam em prática Lei 10.639, Revista Appai Educar-RJ

Internet

Ed WanderleyInfâncias devolvidas, Diário de Pernambuco-PE

Lena Azevedo, Jovens negros na mira de grupos de extermínio na Bahia, Pública- Agência de Jornalismo Investigativo-SP

Marcela DoniniCotas - uma nova discussão, Portal Terra-RS

Fotografia

Annaclarice Almeida, Infâncias Devolvidas, Diário de Pernambuco-PE

André NeryRacismo no futebol, Folha de Pernambuco-PE

Carlos MouraO Vingador, Correio Braziliense-DF


Categoria Especial de Gênero Jornalista Antonieta de Barros

Débora Carmelita JunqueiraFora das capas de revista, Revista Elas por Elas-MG

Denise Viola, Cynthia Cruz Pereira e Gilberto ViannaAbaixo o preconceito! Viva as mulheres negras do Brasil, Rádio MEC AM

Vanessa BugrePele escura, morte invisível- a violência contra a juventude negra, Rádio UFMG Educativa-MG


Informações: (21) 3906-2450


Realização: Cojira-Rio /SJPMRJ
Patrocínio: Ford Foundation, Fundo Baobá e Oi
Parceria: Fenaj, Ipeafro, UNIC-Rio, Cultne e Sated
Apoio: W. K. Kellogg Foundation, Fundação Palmares e ANPR


Fonte: Divulgação

Bienal do conhecimento

No período de 25 de outubro a 3 de novembro, acontecerá a sexta edição da Bienal Internacional do Livro de Alagoas, uma realização da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) por meio de sua editora, a Edufal, contando com o apoio da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu), da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Prefeitura de Maceió, Governo do Estado de Alagoas e vários parceiros de instituições públicas e privadas.

A programação conta com uma diversidade incrível, para todas as idades, formações e bolsos. Os organizadores estimam um público de 200 mil pessoas no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso (Centro de Convenções de Maceió) no bairro histórico do Jaraguá. E esses visitantes terão acesso às oficinas, palestras, minicursos, simpósios, apresentações culturais, rodas de conversa com autores nacionais e internacionais, além da exposição e comercialização de livros.

A Coluna Axé não poderia deixar de destacar espaços importantes como: 26.10 - Racismo, Machismo e LGBTfobia; 28.10 – Cultura afrobrasileira na sala de aula; História e Religiosidades; 29.10 – Escravidão e Mestiçagens; História e Racismo; Cultura, diversidade e patrimônio; 31.10 – Cantos e Contos Africanos.

Também terão rodas de conversa “País Rico É País Com Igualdade Racial” nos dias 28 e 29 de outubro, das 8h30 até 17h, no Museu Théo Brandão. Os temas são: “População Negra e Ações Afirmativas”; “População Negra e Saúde”; “População Negra para além da Educação, dos Direitos: da graduação à pós-graduação e linhas de pesquisa”; “O Teatro Negro no Rio de Janeiro e em Alagoas: significações”. No dia 3 de novembro, no auditório do Centro de Convenções terá o II ÍGBÀ – Seminário Afro-Internacional, com o tema central “A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e os Contributos para o Diálogo entre África e Brasil”.

Sem dúvidas, esse é um dos eventos mais importantes no Estado de Alagoas, e o local propício para ampliar e compartilhar informações, conhecer pessoas interessantes, desvendar teses e se apaixonar ainda mais pelo universo da leitura. Confira a programação completa no site: www.edufal.com.br/bienal2013 e prestigie!




Fonte: Coluna Axé -270ª edição – Jornal Tribuna Independente (22 a 28/10/2013)
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com


Incrições abertas para curso de Capoeira Inclusiva



Estão abertas as inscrições para o curso de Capoeira Inclusiva, que ocorrerá nos dias 23 e 24 de outubro, e será coordenado pelo professor Sérgio Araújo, do Grupo Ginga Terapia, uma iniciativa da Associação Pestalozzi de Maceió e que é vinculada ao Grupo Muzenza de Capoeira. Taxa de participação R$ 15, e o público alvo são os acadêmicos da Faculdade IBESA. Contatos: 3221-5636 / 8831-5750.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Ufal abre turmas para curso de dança afro

A partir da próxima terça-feira, 22 de outubro, terá início o Curso de Dança Afro, ministrado pelo professor Clemente da Silva, mais conhecido como Tininho. O curso, aberto à comunidade, professores, técnicos e alunos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), será realizado às terças-feiras, no Espaço Cultural, na Praça Sinimbú.

O curso de Dança Afro surge como expansão do projeto de extensão Tambores, da Ufal, que trabalha percussão e ritmos afro-brasileiros, reunindo as comunidades quilombolas Oiteiro e Tabuleiro dos Negros, do município de Penedo.

Segundo o professor Tininho, a expectativa para o curso é a melhor possível. O contato dos alunos com a cultura de raiz é visto como uma oportunidade para resgatar a cultura que foi herdada do povo africano.

De acordo com Sérgio Onofre, professor e diretor do Espaço Cultural, um dos objetivos dessa realização é firmar o curso na Universidade e, futuramente, montar um grupo de dança afro. “Além de difundir elementos da cultura afro, temos o objetivo de formar um grupo e propagá-lo em atividades culturais dentro e fora da Ufal”, destaca.

Além disso, assim como o projeto Tambores, o curso de Dança Afro busca quebrar preconceitos sobre a cultura africana. Ainda de acordo com Tininho, é preciso aprender a distinguir a dança da religião, pois, muitas vezes, as pessoas acreditam que a dança afro está ligada ao candomblé ou à outra religião africana.

O curso será dividido em duas turmas, com trinta alunos cada. As inscrições serão feitas presencialmente, antes da aula inaugural.


SERVIÇO

O que: Curso de Dança Afro

Onde: Sala Branca, no Espaço Cultural Salomão Almeida Barros, 206, Praça Sinimbú – Centro

Quando: Às terças-feiras

Horário: Das 18h às 19h – comunidade acadêmica e das 19h às 20h – comunidade.


Fonte: Assessoria

Sessão pública debate sobre direito de comunidades tradicionais


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Mês da Consciência Negra: grupos culturais têm até sexta para propor participação

Artistas, grupos culturais e comunidades tradicionais de matriz africana têm até a próxima sexta-feira (18) para apresentarem suas propostas de participação no evento cultural que celebrará o Mês da Consciência Negra em Maceió. O prazo foi apresentado pela Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) durante reunião com representantes da comunidade afrobrasileira, no início do mês. As propostas vão ajudar a compor a programação oficial do evento Saurê Palmares, que acontecerá nos dias 8 e 9 de novembro, na Praça Palmares.
A ideia da comissão organizadora é que o evento tenha programação diversificada e contemple o comércio de produtos artesanais e comidas típicas, exposições, desfiles, rodas de capoeira e apresentações culturais diversas como a dança, cortejos culturais e música.
GIRO DOS FOLGUEDOS DIA DA CRIANÇA_121013 (2)
Os grupos podem apresentar suas propostas por meio de textos descritivos, release de trabalhos, fotografias, ou mesmo vídeos. “É importante apenas que os grupos fiquem atentos ao prazo de entrega das propostas porque precisamos trabalhar na produção executiva de todo o evento”, alerta o gerente de Políticas Culturais da FMAC, Amaurício de Jesus.
A FMAC também está discutindo as propostas de apoio que viabilizem a movimentação dos grupos culturais e tradicionais de matriz africana para os festejos na Serra da Barriga, em União dos Palmares, no dia 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra.
Ainda como parte da programação do Mês da Consciência Negra, a FMAC – juntamente com a Secretaria Municipal do Planejamento e Desenvolvimento (SEMPLA) e a Unidade Executiva Municipal Fiscal (UEMF) da Secretaria Municipal de Governo – trabalha na construção do projeto de revitalização da Praça Adhemar de Barros, a popular Praça Palmares no Centro da cidade, que deverá voltar a ser chamada oficialmente dessa forma.
Fonte: Ascom FMAC

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dignidade infantil

Passada a euforia da semana da criança, onde as lojas estão lotadas e a variedade de brinquedos mexem com os sonhos e bolsos. Agora, é hora de voltar para a realidade e refletir sobre os dramas sociais que envolvem os pequenos. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº8.069), considera-se criança a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquelas entre doze e dezoito anos de idade. 

Essa lei completou 23 anos de implantação e dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente, e no seu artigo 5º determina: “Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais”. 

Porém, é gritante o número de crianças que vivem nas ruas, pedindo esmolas e sujeitos à criminalidade. E os motivos que contribuem são diversos: violência doméstica, miserabilidade, conflitos na família e a atração pelas drogas. A plataforma digital “rua Brasil sem número”, validada pela Universidade Federal do Ceará, descobriu que 87 % das crianças e adolescentes de rua são negros ou pardos, e 77% são do sexo masculino. 

Outra problemática que se encontra enraizada na cultura brasileira é a prática do trabalho infantil. É comum vermos crianças nos semáforos limpando carros e sendo flanelinhas; vendendo rosas e outros produtos na orla, próximo aos bares e casas de shows; ajudando os pais nas feiras, lavoras e casas de farinha. E, infelizmente, essa prática só contribui para a evasão escolar e a exposição de riscos físicos e morais. 

De acordo com o art. 60 do ECA, é proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz. E uma boa notícia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que no período de 2000 a 2010, os dados apontam a região Nordeste como a única que registrou redução em todos os Estados do número de crianças de 10 a 13 anos trabalhando (14,96%) e também de crianças e adolescentes de 10 a 17 anos trabalhando (23,28%). 

Esperamos que esses índices sejam reduzidos em todo o país e a sociedade precisa denunciar casos de maus-tratos, abuso sexual e exploração através do Disk 100. Toda criança merece amor, cuidados e seus direitos respeitados!


Fonte: Coluna Axé - 269ª edição – Jornal Tribuna Independente (15 a 21/10/2013)
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com

domingo, 13 de outubro de 2013

África de todos nós

Desde 2003, a cultura africana faz parte do currículo. Descubra com seus alunos a riqueza das ciências, das tecnologias e da história dos povos desse continente.


África, berço da humanidade
Clique para ver o Infográfico produzido por Alexandre Jubran e Luiz Iria
 
 

Os diversos povos que habitavam o continente africano, muito antes da colonização feita pelos europeus, eram bambambãs em várias áreas: eles dominavam técnicas de agricultura, mineração, ourivesaria e metalurgia; usavam sistemas matemáticos elaboradíssimos para não bagunçar a contabilidade do comércio de mercadorias; e tinham conhecimentos de astronomia e de medicina que serviram de base para a ciência moderna. A biblioteca de Tumbuctu, em Mali, reunia mais de 20 mil livros, que ainda hoje deixariam encabulados muitos pesquisadores de beca que se dedicam aos estudos da cultura negra.

Infelizmente, a imagem que se tem da África e de seus descendentes não é relacionada com produção intelectual nem com tecnologia. Ela descamba para moleques famintos e famílias miseráveis, povos doentes e em guerra ou paisagens de safáris e mulheres de cangas coloridas. "Essas idéias distorcidas desqualificam a cultura negra e acentuam o preconceito, do qual 45% de nossa população é vítima", afirma Glória Moura, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília (UnB).

Negros são parte da nossa identidade

O pouco caso com a cultura africana se reflete na sala de aula. O segundo maior continente do planeta aparece em livros didáticos somente quando o tema é escravidão, deixando capenga a noção de diversidade de nosso povo e minimizando a importância dos afro-descendentes. Por isso, em 2003, entrou em vigor a Lei no 10.639, que tenta corrigir essa dívida, incluindo o ensino de história e cultura africanas e afro-brasileiras nas escolas. "Uma norma não muda a realidade de imediato, mas pode ser um impulso para introduzir em sala de aula um conteúdo rico em conhecimento e em valores", diz Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, membro do Conselho Nacional da Educação e redatora do parecer que acrescentou o tema à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

A cultura africana oferece elementos relacionados a todas as áreas do conhecimento. Para Iolanda de Oliveira, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, se a escola não inclui esses conteúdos no planejamento, cada professor pode colocar um pouco de África em seu plano de ensino: "Não podemos esperar mais para virar essa página na nossa história", enfatiza. Antes de saber como usar elementos da cultura africana em cada disciplina, vamos analisar alguns aspectos da história do continente e os motivos que levaram essas culturas a serem excluídas da sala de aula.
O ensino de História sempre privilegiou as civilizações que viveram em torno do Mar Mediterrâneo. O Egito estava entre elas, mas raramente é relacionado à África, tanto que, junto com outros países do norte do continente, pertence à chamada África Branca, termo que despreza os povos negros que ali viveram antes das invasões dos persas,gregos e romanos.

A pequisadora Cileine de Lourenço, professora da Bryant University, de Rhoad Island, nos Estados Unidos, atribui ao pensamento dos colonizadores boa parte da origem do preconceito: "Eles precisavam justificar o tráfico das pessoas e a escravidão nas colônias e para isso ‘animalizaram’ os negros". Ela conta que, no século 16, alguns zoológicos europeus exibiam negros e indígenas em jaulas, colocando na mesma baia indivíduos de grupos inimigos, para que brigassem diante do público. Além disso, a Igreja na época considerava civilizado somente quem era cristão.

Uma das balelas sobre a escravidão é a idéia de que o processo teria sido fácil pela condição de escravos em que muitos africanos viviam em seus reinos. Essa é umainvenção que não passa de bode expiatório: a servidão lá acontecia após conquistas internas ou por dívidas - como em outras civilizações. Mas as pessoas não eram
afastadas de sua terra ou da família nem perdiam a identidade.

Muitas vezes os escravos passavam a fazer parte da família do senhor ou retomavam a liberdade quando a obrigação era quitada com trabalho. Outra mentira é que seriam povos acomodados: os negros escravizados que para cá vieram revoltaram-se contra a chibata, não aceitavam as regras do trabalho nas plantações, fugiam e organizavam quilombos.

A exploração atrapalhou o desenvolvimento
A dominação dos negros pelos europeus se deu basicamente porque a pólvora não era conhecida por aquelas bandas - e porque os africanos recebiam bem os estrangeiros, tanto que eles nem precisavam armar tocaias: as famílias africanas costumavam ter em casa um quarto para receber os viajantes e com isso muitas vezes davam abrigo ao inimigo. Durante mais de 300 anos foram acaçambados cerca de 100 milhões de mulheres e homens jovens, retirando do continente boa parte da força de trabalho e rompendo com séculos de cultura e de civilização.

Nesta reportagem, deixamos de lado de propósito a capoeira, embalada pelo berimbau; a culinária, enriquecida com o vatapá, o caruru e outros quitutes; as influências musicais do batuque e a ginga do samba e dos instrumentos como cuícas, atabaques e agogôs. Preferimos mostrar conteúdos ligados às ciências sociais e naturais, à Matemática, à Língua Portuguesa e Estrangeira e a Artes, menos comuns em sala de aula, para você rechear a mochila de conhecimentos dos alunos sobre a África.

fonte:http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/africa-todos-511551.shtml

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Juventude Viva

O Plano do Governo Federal, Juventude Viva, completou o seu primeiro ano de implantação no último dia 27 de setembro. É coordenado pela Secretaria Nacional de Juventude, da Secretaria-Geral da Presidência da República, em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), e, o site oficial é: www.juventude.gov.br/juventudeviva

O Estado de Alagoas foi o primeiro a ser contemplado devido aos altos índices de violência e assassinatos de jovens, principalmente, da população afrodescendente. Os municípios escolhidos foram: Maceió, Arapiraca, Marechal Deodoro e União dos Palmares. E nos dias 12 e 13 setembro, a Coordenação Nacional se reuniu com gestores e parceiros da iniciativa em Alagoas, para debater as estratégias e fazer um relatório aprofundado dessa primeira etapa; também foi discutida a necessidade de executar visitas técnicas e entrevistas com as pessoas envolvidas na articulação. 

Dentre as ações desenvolvidas pelo Governo de Alagoas destacam-se: alinhamento do programa “Saúde na Escola” com o Juventude Viva; o projeto "Jovens Promotores da Cultura da Paz"; o Vivajovem.com em execução; adesão ao Projovem Urbano; o “Estação da Juventude” que está em fase de licitação pela Superintendência da Juventude da Secretaria da Mulher, Cidadania e dos Direitos Humanos; e a criação programa “Produzir Juntos” com o intuito de garantir mecanismos para implementar a economia solidária entre os jovens. No próximo ano, pretende-se também envolver os municípios de Rio Largo e São Miguel dos Campos. 

Enquanto isso, a sociedade continua se questionando o que realmente mudou? Porque o genocídio de jovens de 15 a 29 continua acontecendo? Os/as jovens da periferia estão realmente sendo contemplados/as com as políticas públicas, ou, as ideias ainda estão no papel? Muitas dúvidas e anseios, pois, já começa a se formar o movimento “A juventude quer viver”. E as mudanças precisam ser urgentes!


Fonte: Coluna Axé - 268ª edição – Jornal Tribuna Independente (01 a 07/10/2013)
Editora: Helciane Angélica / Contato: cojira.al@gmail.com