segunda-feira, 14 de maio de 2012

Heraldo Pereira diz que Prêmio Abdias sensibiliza a imprensa para a temática racial

As inscrições já estão abertas

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“Acho que muitas vezes, os temas relativos aos negros são suprimidos do noticiário, de modo geral. No Brasil, há uma sociedade que não se vê na negritude.” A declaração é do jornalista da TV Globo, Heraldo Pereira, que participou do lançamento da 2ª edição do Prêmio Nacional Jornalista Abdias do Nascimento. A iniciativa é da Comissão de Jornalista pela Igualdade Racial (Cojira-Rio) e distribuirá R$ 35 mil em prêmios para reportagens sobre a questão racial, em sete categorias.

Ao revelar que é preciso “pressão” para fazer reportagens sobre desigualdades raciais e racismo, Heraldo Pereira disse que o Prêmio Abdias estimula a discussão. “Esse é um debate complicado nas redações. Por isso, o prêmio é importante, gera massa crítica. O jornalista fala para as massas”, acrescentou em seu discurso, repleto de referências a personalidades da imprensa negra como Luiz Gama, José do Patrocínio, Hamilton Cardoso e ao próprio Abdias, que morreu ano passado, aos 97 anos.

“Devemos criar um ambiente discursivo, uma abordagem capaz de tratar desses problemas [com foco na temática racial] nas redações. Isso não é ativismo político. É um posicionamento em defesa dos direitos humanos. Acho que é possível [nós, jornalistas] fazermos essa cobrança, como prêmio está a sugerir”, disse o jornalista da TV Globo Heraldo Pereira, no Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio.

Durante sua apresentação, o jornalista citou a cobertura pelo Jornal Nacional do episódio de racismo da Polícia Militar contra um estudante da Universidade de São Paulo (USP), no campus da instituição, no início do ano.

Segundo Heraldo Pereira, nesse caso, a notícia era óbvia, principalmente, devido a disponibilidade de farto material de vídeo produzido por estudantes. Mas a não veiculação de casos “mais subliminares” semelhantes, não é sempre justificável. “Um caso desses é um escracho, para outros, é preciso mais boa vontade, pressão para sair”, afirmou.

Jornalismo com recorte racial

Ao sugerir temas que podem ser tratados pela mídia com foco na questão racial, no  âmbito do concurso, Fábio Nascimento, representante da Oi, uma das empresas patrocinadoras do prêmio, lembrou a falta de oportunidades para jovens das favelas, majoritariamente, negros. “A questão racial não é secundária”, disse Nascimento.

Já Rui Mesquita, representante da Fundação W. Kellogg no Brasil e que também patrocina o prêmio, citou a herança do sistema colonial aristocrata e afirmou que persistem desigualdades entre brancos e negros. Para ele, apesar da recente vitória das cotas nas universidades, no Supremo Tribunal Federal (STF), há muito que avançar, a contar a participação da imprensa.

A coordenadora do Prêmio Abdias Nascimento, Angélica Basthi, acrescentou que, para ajudar os jornalistas a superar as barreiras citadas por Heraldo Pereira, foi pensada uma estratégia de divulgação do concurso nas redações, com apoio das demais Cojiras (dos estados de Alagoas, da Bahia, de São Paulo, da Paraíba, além do Distrito Federal). A meta é ultrapassar as 150 inscrições do ano passado.

Para a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, Suzana Blass, “o prêmio promove um jornalismo que luta pela igualdade, pelo bem comum e é voltado para o interesse público”.
O concurso conta ainda com o patrocínio da Fundação Ford, que enviou pedido de desculpas por sua ausência no evento.

Abdias vive

Durante a cerimônia de lançamento da 2ª edição, a viúva de Abdias Nascimento aproveitou para cobrar da Fundação Cultural Palmares proteção ao local onde estão os restos mortais do jornalista e ex-senador. As cinzas foram enterradas ano passado no antigo quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga (AL), mas segundo ela, o local está “totalmente abandonado”.

“Formigas comeram o baobá e a lápide do Abdias desapareceu”, denunciou.

Inscrições abertas

As inscrições para o Prêmio Abdias Nascimento estão abertas até 31 de julho.

Categorias: televisão, rádio, internet, mídia impressa, mídia alternativa ou comunitária, fotografia e especial de gênero.

O prêmio para os vencedores é R$ 5 mil, totalizando R$ 35 mil.

Podem participar jornalistas com registro profissional.

Entrevistas: Angélica Basthi (coordenadora):  (21) 9627-7633


Para mais informações acesse: www.premioabdiasnascimento.org.br

Acompanhe o prêmio em nossas redes sociais: 
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Fonte: Cojira-RJ

domingo, 13 de maio de 2012

Em nome do 13 de maio: O racismo é um camaleão poliglota!


O racismo é um sujeito obeso que não se contenta com miudezas. Perpetra o esmagamento das liberdades individuais e esfacelamento das memórias coletivas.
O racismo é hierárquico e hoje se retroalimenta dos códigos determinantes normas, condutas e comportamentos sociais que simplificam ou enfatizam o apartheid dos ditos “diferentes”, em especial a população de pele parda ou preta, no país, ainda dominado pela criação do factóide da democracia racial
As insuficiências sociais orquestradas pelo estado abrem brechas para que em um camaleônico processo às intolerâncias que esmagam,ofendem e humilham tantos e muitos se naturalizem nos discursos recheados de desfaçatez: “não era bem isso que eu queria dizer”.
O racismo embriaga-se do poder bélico das palavras ásperas, desagregadoras, inchadas com a ânsia voraz de fossilizar direitos fundamentais à vida, a identidade, a memória e a história.
Um dos principais aliados do racismo é a inércia sócio-política ovulando com uma renitente e resistente burocracia social.
O racismo no Brasil é uma tragédia coletiva e o genocídio de tantos e muitos jovens negros se transforma em higienização social. Quanto mais preto morto, mais branco fica o país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.
A favela negra e pobre é nosso contemporâneo navio negreiro. Populações periféricas e escravizadas.
Uma crua reinterpretação dessas terras “descobertas” por Pedro Álvares Cabral, o fidalgo, comandante militar, navegador e explorador português.
Estigmatização?
Massificação?
O racismo é um camaleão poliglota recompõe-se facilmente, reinventa-se continuadamente, transformado a nossa magnânima história em uma reles geografia de violência.
Múltiplas violências!
Nestes 13 de maio, 124 anos após a tal da Abolição da Escravatura quais são as políticas sacramentadas de curto, médio e longo prazo para o enfrentamento ao racismo no Brasil?
Eis a questão!

Fonte: Blog Raízes de África - Arísia Barros

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Guerreiros da Vila Promove Curso para resgate da infância no Sítio São Jorge

Motivado pela conquista do prêmio Pontinhos de Cultura 2010, premiação concedida a 300 instituições com iniciativas no campo sócio-cultural que tenham como objetos de suas atividades a promoção, conservação e valorização dos saberes e fazeres da Cultura da Criança, o Ponto de Cultura Guerreiros da Vila, promove nos meses de maio a julho curso de FORMAÇÃO DE AGENTES CULTURAIS BRINCANTES.
O objetivo do curso é formar 30 jovens (através de parcerias com escolas públicas, grêmios estudantis, associação de moradores, faculdades e grupos culturais), do Sítio São Jorge e Vila Emater, para atuarem como agentes multiplicadores da Cultura da Criança em Maceió- AL.
O Curso é gratuito e é dividido em 04 (quatro) módulos específicos que culminarão em eventos abertos à comunidade. As atividades iniciarão no dia 11 de maio (sexta-feira) e ao término das ações será emitido certificado aos participantes.
As atividades serão realizadas na sede do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu (CEASB), localizado na Rua Presciliano Sarmento, 44/A - Sítio São Jorge.
A Cultura da Criança estreita a relação com a comunidade do Sítio São Jorge, depositária de rico acervo de brinquedos, histórias e cantigas servindo como ponte entre as gerações e predispondo o fortalecimento da identidade e dos elos entre as famílias. A proposta do curso é favorecer a adolescentes e jovens vivências e reflexões sobre as manifestações culturais das crianças e do povo brasileiro. Bem como reconhecer e valorizar as tradições e saberes dos moradores da Vila Emater e Sítio São Jorge, preparando-os para ações na comunidade, escolas e projetos culturais.

Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu
Rua Presciliano Sarmento 44 A Sítio São Jorge
Maceió-AL.CEP 57044-130
Contatos: (82) 3355-5196 / 9937-7369

Fonte: Divulgação

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Hoje tem reunião do Fórum de Educação e Diversidade Étnicorracial


Acontece hoje (09.05), às 18h, na sede do Núcleo de Cultura Afro Brasileira Iyá Ogun-té/ Casa de Iemanjá localizado na Rua Dona Alzira Aguiar, 429, no bairro da Ponta da Terra em Maceió, terá reunião itinerante do Fórum de Educação e Diversidade Étnicorracial, em Alagoas que estará representado pelo seu novo coordenador professor Alex Sander Porfírio – que também é Diretor do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô.
Na pauta serão abordadas: a importância da participação de todos no fórum; o fórum no trabalho de resgate (descentralização dos locais para os encontros); repasse sobre visita da ministra Luiza Bairros; e diálogo com os Conselheiros da SEPPIR em Alagoas para a criação do Conselho Estadual, entre outros assuntos.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Uneal realiza noite afro especial referente ao Projeto Xangô Rezado Alto


Mãe Vera, Clébio Araújo, Jairo Campos e Pai Elias



A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) realizou mais uma importante ação do projeto “Xangô Rezado Alto”, nesse sábado (05.05) no Centro de Convenções de Maceió. 

Foi lançada a Cartilha da Gira da Tradição, uma pesquisa sobre os saberes tradicionais utilizados e reproduzidos, de acordo com o pertencimento às diferentes linhagens étnicas com as quais se identificam – Ioruba, Gêge, Nagô, Ketu, Angola entre outras e intercâmbio de saberes entre as diferentes linhagens religiosas; o vídeo Gira da Tradição, que ilustra o pensamento das pessoas que fazem a manutenção da memória e do desenvolvimento das casas religiosas de matriz africana em Maceió; e o número especial da Revista Graciliano, editado pela Imprensa Oficial, que tratará de diversos aspectos do "Quebra de 1912".

O destaque da noite (foto), foi a entrega do I Prêmio de Incentivo Cultural para Comunidades Terreiros, que premiou com R$ 6.000,00 (seis mil reais), cada, a dois projetos: o “Maracatu nas Escolas”, da associação Hùnkpàmé Alàirá Izó; e os “Tambores de Minha Terra”, da Associação Cultural Tambores de Alagoas, que tem a Orquestra de Tambores como um de seus projetos mais reconhecidos. A premiação foi feita pelo Reitor e vice-reitor da UNEAL, Jairo Campos e Clébio Araújo, respectivamente, ao Pai Elias de Airá e a Mãe Vera. 

E para encerrar a programação em grande estilo, ocorreu a apresentação do espetáculo “1912: Orações e Vozes”, da Cia. de Dança Maria Emília Clark, que representou cem anos depois, os bailarinos contextualizam o estigma da intolerância religiosa aos Orixás, Voduns e Inquices; a história da rota da escravidão em Alagoas e suas repercussões na atualidade. 



Fonte: Cojira/AL com informações da Assessoria de Comunicação 
Foto: Keyler Simões/Cortesia

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Rede de terreiros de Alagoas se reúne nessa





No último dia 24 de abril, uma comissão de religiosos da Rede de terreiros de Alagoas articulados pela Secretaria da Mulher Cidadania e dos Direitos Humanos, realizou um encontro com a equipe de trabalho da SEE, Gerência de Diversidade com o objetivo de conhecer os possíveis programas que podem ser aplicados nas comunidades de terreiros.

No encontro, foi percebido a importância da aplicação de programas que atendam as demandas destas comunidades pois são espaços acolhedores. A equipe da educação apresentou algumas ações que pode ser aplicadas nas comunidades solicitantes e foi percebido a necessidade de verificação de possíveis atores para a aplicação do programa PRONATEC.

Os terreiros terão um novo encontro nessa terça-feira (08.05) no auditório da Superintendência de Direitos Humanos às 09h para que um dos técnicos da SEE, apresente o formato do  programa.


Fonte: Amaurício de Jesus - SEMCDH - Superintendência de Direitos Humanos

domingo, 6 de maio de 2012

Médico é indiciado por ofender e humilhar atendente de cinema


Esta semana, um médico foi indiciado por ofender e humilhar uma atendente de cinema em Brasília. Entre os xingamentos, ele teria dito que a funcionária, negra, deveria voltar para a África. Não foi um episódio isolado: o Fantástico conversou com duas outras vítimas desse médico. 

“Me senti muito humilhada, com a forma que ele falou, como se eu fosse um lixo, um zero à esquerda, entendeu? É uma coisa que marca muito a gente”, lembra a atendente de cinema Marina Serafim. 

A humilhação aconteceu há uma semana, no cinema em que Marina trabalha, em um shopping de Brasília. O médico mineiro Heverton Octacílio de Campos Menezes, de 62 anos, alegou que estava atrasado para a sessão e quis ser atendido antes, mas foi impedido pela funcionária. 

“Aí ele já começou a se exaltar, disse que eu estava sendo muito grossa com ele, porque eu era dessa cor, que eu estava no lugar errado, que meu lugar não era ali, lidando com gente, era lidando com animal. Deveria estar morando na África, cuidando de orangotangos”, relata Marina. 

Heverton saiu correndo após os xingamentos. Depois de ouvir todas as agressões, a Marina decidiu procurar a polícia e denunciar o médico, que já foi indiciado pelo crime de injúria discriminatória, mas essa não foi a primeira ocorrência policial no currículo do doutor Heverton. 

O Fantástico encontrou duas outras vítimas dele, que preferiram não se identificar. Uma mulher viu o caso de Marina pela televisão e reconheceu o agressor: o mesmo homem que a havia ofendido em um café em 2009. 

“Chegou um senhor ao meu lado, insultando os garçons, dizendo que nordestinos eram todos doentes e que nordestinos tinham que morrer. Eu falei: ‘senhor, eu sou nordestina, não sou doente não tenho problema nenhum’. Ele insistiu continuo falando e disse que: ‘sim, são todos doentes e deveria se fazer com os nordestinos, o que Hitler fez com os judeus’”, lembra. 

Na época, ela foi à delegacia e registrou um boletim de ocorrência, mas Heverton não chegou a ser identificado. Depois de vê-lo na TV, a vítima voltou à polícia, e a investigação será reaberta. 

Outra mulher também reconheceu o médico que a ofendeu em 2002: “Ele falou para mim ‘você está atrapalhando a fila porque isso aqui é uma republiqueta de bananas da qual você é a maior representante, sua negrinha", diz a mulher. 

Ela trabalhava como mesária na eleição. “Ele queria me bater. Ele ficou fora de si”, ela conta. 

Heverton de Campos Menezes é solteiro e não tem filhos. Ele é médico endocrinologista e atua como psicanalista, apesar de não ter sido aceito pelas Sociedade de Psicanálise de Brasília. 

“Ele não é reconhecido como psicanalista”, alerta Luciano Lírio, presidente da Sociedade de Psicanálise de Brasília. 

Os psicanalistas passam por uma formação de pelo menos cinco anos, depois de terminar o curso de medicina ou psicologia, por exemplo. “A pessoa que tem uma expressão de violência e de agressividade contra uma pessoa é uma pessoa que não está em boas condições para aceitar um paciente”, avalia Luciano Lírio. 

Segundo o delegado Marco Antônio de Almeida, nos últimos 18 anos foram abertos pelo menos cinco inquéritos por injúria contra Everton, sendo dois por ofensas raciais. Mas ele nunca foi condenado. O novo inquérito vai ser encaminhado na segunda-feira (7) à Justiça. 

“Eu não tenho dúvida que as provas que foram produzidas serão analisadas pelo Poder Judiciário e serão fortes o bastante para que ele seja sim processado e responsabilizado penalmente dessa vez”, avalia o delegado. 

O Fantástico procurou Heverton e seu advogado. O médico chegou a combinar uma entrevista, mas não atendeu mais a reportagem. Na sexta-feira (4), ele não quis responder às perguntas do delegado, negou as acusações e leu uma carta. 

“As mais sinceras desculpas públicas por tão lamentável episódio e mal-entendido. Quero dirigi-las especialmente à senhorita Marina Serafim Reis e a sua família”, anunciou. 

“Que ele tenha uma lição: aprenda a ter educação e a tratar bem as pessoas”, torce Marina. 

Fonte: Fantástico

Prêmio Abdias abre inscrições a partir de 11 de maio


No próximo dia 10/05/2012, às 10h da manhã, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), lança o catálogo doPrêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento no Rio de Janeiro e anuncia a abertura da 2ª edição do concurso.

Criado em homenagem ao ativista histórico dos direitos humanos, o Prêmio simboliza a busca de um jornalismo mais plural nas redações. O propósito é estimular a produção de conteúdos jornalísticos sobre temas relacionados à população negra. As inscrições começam no dia 11 de maio e seguem até 31 de julho de 2012.

O evento contará com a participação de Heraldo Pereira que virá especialmente de Brasília para um bate-papo com jornalistas e convidados sobre “A questão negra e a imprensa no Brasil”. A programação inclui ainda a exibição do vídeo-documentário com os melhores momentos de 2011 e a performance do ator José Araújo numa homenagem especial ao ex-senador Abdias Nascimento, falecido no ano passado aos 97 anos.

A data marcará também o anúncio oficial do prazo que permite as reportagens a concorrerem ao prêmio em 2012. “Inicialmente, anunciamos que o prazo terminaria em 30 de abril de 2012. Decidimos ampliar para que mais jornalistas tenham a oportunidade de produzir reportagens que atendam aos critérios exigidos pelo prêmio. A partir de agora, as matérias publicadas entre 1 de maio de 2011 até 31 de julho de 2012 podem concorrer”,  explica Angélica Basthi, coordenadora do projeto.

O Prêmio oferece R$ 35 mil distribuídos em sete categorias: Mídia Impressa, Televisão, Rádio; Mídia Alternativa ou Comunitária, Fotografia, Internet, e Especial de Gênero. O evento acontecerá no auditório do SJPMRJ na Rua Evaristo da Veiga 16/17º andar, Centro (RJ).

O Prêmio Jornalista Abdias Nascimento é uma iniciativa da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), vinculada Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ).  E conta com o apoio da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), do Centro de Informações das Nações Unidas (ONU) e do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro). O patrocínio é da Fundação Ford, Fundação W. K. Kellogg e da Oi.

Sobre Abdias Nascimento: Falecido aos 97 anos em 2011, o ex-senador Abdias Nascimento foi um ícone no combate ao racismo no país. Desenvolveu vasta produção intelectual como ativista, político, pintor, escritor, poeta, dramaturgo. Natural de São Paulo, participou dos primeiros congressos de negros no país. Já no Rio de Janeiro, criou o Teatro Experimental do Negro (TEN) na década de 1940. Como jornalista, foi repórter do Jornal Diário, além de ter trabalhado em vários periódicos. Fundou o Jornal Quilombo e também foi filiado no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro desde 1947. Ao longo da vida, acumulou vários títulos, entre eles, a de professor emérito da Universidade de Nova York e Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Sobre a Cojira-RioDesde 2003, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro, do SJPMRJ, lida com questões relacionadas a discriminação racial no mundo do trabalho secundada pela educação.


sábado, 5 de maio de 2012

Movimento Negro discute participação na Cúpula dos Povos e na Rio mais 20


O Comitê Facilitador do Movimento Negro Brasileiro para a Rio + 20, com apoio da Secretaria
de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) realizou nos dias 28 e 29 deste mês, no
Arco Rio Palace Hotel, na cidade do Rio de Janeiro, o Seminário Desenvolvimento Sustentável
e Erradicação da Pobreza pela ótica do Movimento Negro. O evento foi preparatório para
a Conferência Internacional sobre Meio Ambiente, a se realizar no mês de junho, no Rio de
Janeiro.

Segundo informou a conselheira do Cnpir, Valdice Gomes, o objetivo do seminário foi definir
encaminhamentos políticos e organizativos, como aprovação da Declaração do Movimento
Negro brasileiro para a Cúpula dos Povos e a Rio + 20, bem como a forma de organização e
participação do segmento social na Conferência..

Nos dois dias do encontro, lideranças do movimento negro nacional e integrantes do
Conselho Nacional de promoção da Igualdade Racial (Cnpir) discutiram os temas que serão
abordados na conferência com foco no combate ao racismo ambiental. A representante do
Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio + 20, Moema Miranda, expôs sobre
o tema: “Da Eco 92 à Cúpula dos Povos e a Rio + 20: perspectivas do movimento negro”.
Na oportunidade, ela alertou que muitos países desenvolvidos estão querendo tirar do
documento final todas as referências aos direitos humanos.

Outro tema bastante discutido foi “O conceito de desenvolvimento sustentável e erradicação
a da Pobreza pela ótica do Movimento Negro”, que teve como palestrante Angela Gomes,
doutora em Engenharia Ambiental.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Vitória no STF

Por: Helciane Angélica 
Com colaboração da jornalista Valdice Gomes e o ativista Helcias Pereira


Nos dias 25 e 26 de abril, no Distrito Federal, ocorreu no Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) a votação sobre a política de cotas étnicorraciais para o ensino superior, que teve como pioneira a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e se propagou pelo país, inclusive, destacando-se na Universidade Federal de Brasília (UnB) e na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). 

Para acompanhar o processo de votação, um grupo de advogados (Amicus Curie), lideranças da sociedade civil e representantes do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR/Seppir) passou uma manhã inteira em um dos salões do anexo II do Senado, momento onde foram debatidas e aprofundadas as formas e argumentações para que o STF fosse sensibilizado a votar favorável. Por volta das 14h, ativistas se espremiam numa fila para adentrar o portão de acesso a corte do STF, cujo esquema de segurança demonstrava ter  sido reforçado, porém, nem todos conseguiram entrar no primeiro momento até o Pleno. 

Cerca de 200 pessoas ficaram do lado de fora, esperando esvaziar para poderem entrar. Após muita insatisfação e sentindo a angústia das representações negras, o cerimonial providenciou televisores para que todos pudessem acompanhar os debates. O lado positivo é que puderam mostrar sua alegria, aplaudindo e vibrando conforme as falas dos defensores. Após muitos debates, os onze ministros aprovaram por unanimidade, e, julgaram improcedente a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186, ajuizada na Corte pelo Partido Democratas (DEM). 

A Organização das Nações Unidas (ONU) se manifestou sobre a questão, reafirmando apoio à política de cotas raciais nas universidades brasileiras. Em nota pública, a organização reconhece os esforços do Estado e da sociedade no País no combate às desigualdades e na implementação de políticas afirmativas, destacando: “o Sistema das Nações Unidas no Brasil reconhece a adoção de políticas que possibilitem a maior integração de grupos cujas oportunidades do exercício pleno de direitos têm sido historicamente restringidas, como as populações de afrodescendentes, indígenas, mulheres e pessoas com deficiências”, diz a nota. 

A sociedade brasileira acompanhou o histórico julgamento pela transmissão ao vivo da TV Justiça e a cobertura dos veículos de comunicação do Brasil, além de manifestar opiniões pelas redes sociais. Sem dúvidas, a aprovação das cotas étnicorraciais representam um avanço histórico para a população afro-descendente e contribui efetivamente para a política de igualdade racial no Brasil, que durante séculos defendeu a bandeira da “democracia racial”, enquanto mais da metade da população afro-brasileira supera desafios cotidianos. Vamos em frente, a luta continua!

Fonte: Coluna Axé - nº199 - jornal Tribuna Independente (01.05.12)