terça-feira, 30 de junho de 2009

Integração político-cultural na II Conapir

Credenciamento - cerca de 1.500 participantes, dentre: delegados, suplentes e convidados

Integrantes da delegação alagoana


Solenidade de abertura com várias autoridades, políticos, artistas, porém, sem a presença do Presidente Lula



Estiveram presentes representantes das religiões de matrizes africanas de várias partes do país


domingo, 28 de junho de 2009

Diversidade étnicorracial de Alagoas

Representantes das comunidades tradicionais de Alagoas na II Conapir em Brasília (25 a 29 de junho de 2009): José Petrúcio dos Santos (comunidade quilombola Santa Luzia do Norte / Santa Luzia do Norte), Emílio Bezerra Silva (comunidade quilombola Gameleiro /Olho D'Água das Flores), Márcia Alzira da Silva (Centro Afro Reino de Oxalá), Maria Selma Ferreira Campo - "Acanã" e Washington Tenório Silva - "Jaguriça" (tribo Tingui Botó /Feira Grande)


Foto-legenda: Helciane Angélica - jornalista e integrante da Cojira-AL

Jornalistas pela igualdade racial se encontram na Conapir



Por: Helciane Angélica
Jornalista e integrante da Cojira-AL, diretamente de Brasília


Durante a 2ª Conferência Nacional pela Igualdade Racial em Brasília, os jornalistas que atuam no desenvolvimento da mídia étnicorracial se encontraram na sala da imprensa para estabelecer o intercâmbio entre os profissionais e ações desenvolvidas; deliberação sobre a moção; Encontro de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas no mês de outubro; e a Conferência Nacional de Comunicação.

Participaram da atividade as Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial (COJIRAs) de Alagoas e Distrito Federal; Afropress - Agência de Informação Multiétnica; Jornal Como é; Revista Mãe África; Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço); Instituto Mídia Étnica (BA).




Valdice Gomes e Helciane Angélica foram as representantes da Cojira-AL



Confira a moção que foi escrita e apresentada nos grupos de trabalho, inclusive, aprovada no GT de trabalho - na tarde deste domingo, será discutida na grande plenária.



Moção de repúdio e reivindicação sobre a área da Comunicação na 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial



Os participantes e as participantes da 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial repudiam os meios de comunicação privados pela invisibilidade deste importante momento de avaliação das políticas públicas do Estado para o combate ao racismo. Reivindicamos que a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) garanta mecanismos de visibilidade deste debate na mídia privada, insira o eixo temático comunicação na próxima conferência e atue para que o governo federal destine recursos publicitários para órgãos de mídia alternativa. No âmbito da comunicação pública, exigimos que o governo federal estabeleça programas de ação afirmativa, cotas raciais e de gênero nos concursos para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e assessorias de comunicação dos órgãos públicos. No âmbito da Conferência Nacional de Comunicação, reivindicamos que a Seppir atue na organização deste encontro, apoie a participação de comunicadores negros, indígenas e ciganos e garanta espaços para o debate de temas como: racismo, homofobia e intolerância religiosa nos meios de comunicação, regularização de rádios comunitárias quilombolas, negras, indígenas e ciganas, além da aplicação nos cursos de comunicação da lei 11.645/08 (Lei de Inclusão da História e Cultura Afro-brasileira, Africana e Indígena nos Currículos Escolares).



Proponentes:

Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) de Alagoas e do DF
Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço)
Afropress – Agência de Informação MultiétnicaInstituto Mídia Étnica (Bahia)

sábado, 27 de junho de 2009

Ialorixás representam Alagoas na Conapir

Mãe Rosa e Mãe Márcia de Oxalá



Texto e foto: Helciane Angélica
Jornalista e integrante da Cojira-AL, diretamente de Brasília


Alagoas é um dos estados que possui uma adesão expressiva em relação aos cultos de matrizes africanas, ao todo existem quatro federações no Estado: Federação Alagoana Espírita Umbandista Cavaleiro do Espaço no município de Pilar; Federação dos Cultos Afro-Umbandistas, Federação Umbandista de Cultos Afros, Federação Zeladora dos Cultos em Geral essas três últimas em Maceió. Porém não existe um número oficial sobre a quantidade de casas de axé, pois muitas delas não têm vínculo com essas instituições e se tornaram núcleos independentes ou preferem ficar no anonimato.

O número de adeptos e simpatizantes vem crescendo ao passo que também estão se intensificando os casos de intolerância religiosa. Diante disso, as ialorixás Márcia Alzira da Silva e Rosineide Souza, respectivamente Mãe Márcia de Oxalá e Mãe Rosa, defenderão os interesses dos religiosos de matrizes africanas do Estado de Alagoas na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir) e pela efetivação de uma lei e punições severas às pessoas que cometem o desrespeito ao culto de matrizes africanas e outros.

As duas ialorixás atuam de forma efetiva para a quebra do estereótipo negativo que é apresentado sobre as religiões afros, principalmente nos grandes meios de comunicação e participam ativamente das articulações político-culturais com os demais segmentos do movimento social negro.


Atuações


O Centro Afro Reino de Oxalá situado no bairro de Chã de Jaqueira em Maceió, completará em novembro 10 anos de atuação. A ialorixá Márcia Alzira da Silva (mãe Márcia de Oxalá) é a zeladora tem 38 anos e é uma das mais novas do estado de Alagoas - é iniciada na religião desde os 16 anos e enfrentou vários obstáculos e conflito de crenças, pois sua família é toda evangélica. Atualmente, a casa de axé possui 58 filhos de santos e vários simpatizantes, que realizam os cultos religiosos, são realizadas atividades culturais e de entretenimento como: capoeira, cochê, pintura em tecido, bisqui, etc.

O terreiro Abassá de Oxum Pandá também possui 10 anos e encontra-se no Conjunto Village Campestre II em Maceió, tem 80 filhos de santos e cerca de 50 simpatizantes que acompanham os rituais e também participam das atividades culturais realizadas: fuxico, capoeira, fábrica de sabonete e dança afro. A casa de axé é administrada por Rosineide Souza, cujo nome dentro da religião é Iakeremi Mãe Rosa.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ministro Joaquim Barbosa recebe representantes da delegação alagoana


As cinco alagoanas fizeram questão de demonstrar o respeito e admiração que têm em relação ao primeiro negro atuante no STF, que já se tornou um ícone para a população afrodescendente



Por: Helciane Angélica
Jornalista e integrante da Cojira-AL, diretamente de Brasília




Na tarde desta sexta-feira (26) foi promovida uma audiência com o Ministro Joaquim Barbosa na sede do Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, com representantes da delegação alagoana que participam da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial até domingo.

A audiência foi articulada pela ativista e professora Arísia Barros (ONG Maria Mariá e Fórum de Entidades Negras de Alagoas); e contou com a participação das jornalistas e ativistas Valdice Gomes e Helciane Angélica, integrantes da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas e do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô; Elis Lopes, gerente afro quilombola que representou o Governo de Alagoas; e as vereadoras municipais de Maceió, Fátima Santiago e Teresa Nelma.

O encontro teve como pontos de pautas: a moção de apoio sobre a sua postura e encaminhamentos executados pelo ministro no STF, que foi acatada na Conferência Estadual; a entrega da Comenda Pontes de Miranda, aprovada por unanimidade na última terça-feira na Câmara Municipal de Vereadores de Maceió; e a solicitação da visita e uma agenda positiva em Alagoas com os segmentos afros.

Na ocasião, as alagoanas agradeceram a oportunidade adquirida em conhecê-lo pessoalmente e fizeram questão de demonstrar o respeito e admiração que têm em relação ao primeiro negro no STF. Também foi entregue um DVD que apresenta um pouco da história e belezas naturais do estado de Alagoas.

“Eu sei ministro que o senhor não defende causas, mesmo assim o senhor é uma referência, um exemplo para o povo negro. O estado de Alagoas precisa receber pessoas que impulsionem a população a lutar, e hoje ministro lá, em Alagoas o senhor é o cara!”, declarou Arísia Barros. O ministro agradeceu aos elogios, ressaltou que já visitou o estado por duas vezes, mas que no momento encontra-se com dificuldades na agenda.

A atividade transformou-se em um agradável bate-papo, que se deslocou para outros temas, como: a importância da II Conapir, as ações desenvolvidas em Alagoas favoráveis as questões énticorraciais e até sobre a decisão do STF contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista – no dia da votação, o ministro não estava no Distrito Federal e não pôde participar.

As representantes reforçaram o interesse em articular a agenda positiva, inclusive para entregar solenemente em outubro, a Comenda Pontes de Miranda, uma homenagem e uma referência jurídica que possui o nome de um grande jurista alagoano, reconhecido nacionalmente.


Referência

Joaquim Benedito Barbosa Gomes nasceu em Paracatu (MG), no dia 07 de outubro de 1954 é um jurista brasileiro que foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para atuar como ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil. Desde o dia 25 de junho de 2003, é o único negro entre os atuais ministros do STF.

O ministro afirmou que sempre possuiu bons laços com o movimento negro nacional e internacional, mas nunca foi de ficar na frente de batalha e tem como grande inspiração e referência, o ativista Abdias Nascimento.

“Eu faço uma militância a minha maneira, participava de alguns encontros, mas nunca fui de apresentar bandeiras de luta e de estar à frente das mobilizações. Hoje, meu único comprometimento é criar uma identificação silenciosa com negros e brancos do Brasil. E com o passar dos anos temos preparar outros para estarem aqui”, afirmou.

II Conapir é aberta sem a presença do Presidente Lula







Por: Helciane Angélica
Jornalista e integrante da Cojira-AL, diretamente de Brasília


Na noite desta quinta-feira (26) no auditório central do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, foi oficialmente aberta a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Mais de 1000 pessoas compareceram à solenidade, entre delegados e convidados, porém, a programação não contou com a participação do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que não pôde ir devido a uma indisposição.

Dentre autoridades, estiveram presentes os ministros dos Esportes, Educação, Especial das Mulheres; os presidentes da Fundação Cultural Palmares e do Conselho Nacional da Organização das Nações Unidas (ONU); embaixadores, políticos diversos, representantes de vários países do Mercosul e artistas.

Na solenidade, teve a execução do hino nacional realizado pela Filarmônica Afro Brasileira e a demonstração da diversidade énticorracial e cultural com apresentações artísticas de um grupo indígena que dançou o toré, e pediu a Tupã proteção e paz para todos; a música cigana ao som do violino e piano; a apresentação uma dança típica executada por seis jovens palestinos; e no encerramento, teve o show do grupo afro Ilê Aiyê.

O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, iniciou oficialmente os trabalhos ressaltando a importância da Conferência que avaliará as políticas públicas relacionadas às questões étnicorraciais no país. Também esteve sob a sua incumbência a leitura da carta escrita pelo Presidente Lula, que se desculpou pela a ausência e citou os avanços das ações executadas em seu governo, como a criação da Seppir e da Secretaria Especial da Mulher; a implantação do sistema de cotas que proporcionou uma maior adesão dos negros no Ensino Superior, inclusive com excelentes resultados; a efetivação de programas de desenvolvimento social da população brasileira; dentre outros.



Negros fumantes têm cinco vezes mais risco de câncer


A população negra brasileira que fuma tem até 5,21 vezes mais riscos de desenvolver câncer de pulmão do que os brancos fumantes. A constatação é de uma pesquisa realizada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que foi apresentada no Congresso Europeu de Pneumologia.

O câncer de pulmão é considerado o de maior mortalidade no mundo. Cerca de 90% dos casos estão relacionados ao consumo excessivo ou à exposição passiva ao tabaco. Para realizar o estudo, os pesquisadores da Unicamp avaliaram 464 pessoas, sendo 200 portadoras de câncer de pulmão e 264 saudáveis e não fumantes.

Segundo o pneumologista Lair Zambon, autor do estudo, a maioria dos negros avaliados apresentou uma mutação no gene CYP1A1*2A que é capaz de potencializar a ação dos componentes carcinogênicos presentes no cigarro, especialmente o benzopireno -substância altamente cancerígena.

Editoria de Arte/Folha Imagem

Cada cigarro possui mais de 4.000 substâncias e cerca de cem delas têm potencial para provocar câncer.

"Observamos que essa alteração genética é a mais comum encontrada nos negros e descobrimos que essa mutação está fortemente associada ao aparecimento do câncer de pulmão nessas pessoas", diz Zambon.

Segundo o pesquisador, esse gene é responsável por facilitar o mecanismo de eliminação do benzopireno pelo organismo. Com o gene alterado e a dificuldade de eliminar a substância, aumenta o risco de desenvolver o câncer de pulmão.

Zambon reforça, entretanto, que os resultados refletem a situação dos negros brasileiros e não podem ser estendidos para toda a população negra -pois há a possibilidade de serem geneticamente diferentes.

O pneumologista Mauro Zamboni, do Serviço de Cirurgia Torácica do Inca (Instituto Nacional de Câncer), diz que vários trabalhos em todo o mundo vêm sugerindo essa possibilidade de maior incidência de casos na população negra, mas os resultados são conflitantes e não definitivos. "Apesar de o estudo ter um bom número de pessoas envolvidas, acho que amostra ainda é reduzida para ser extrapolada para a população brasileira na sua totalidade. O assunto é interessante, mas merece continuar sendo estudado", diz.

Prática clínica

Para o pesquisador, os resultados têm impacto imediato na prevenção da doença nessa população, por meio de campanhas educativas que estimulem as pessoas a parar de fumar.

Ele diz ainda que, apesar dos resultados apontarem para uma questão genética, os pneumologistas não devem passar a fazer testes genéticos nos negros que fumam porque isso seria economicamente inviável.

"É muito caro e praticamente impossível fazermos exames genéticos em todo mundo. Temos argumentos suficientes para explicar aos fumantes negros que eles têm risco aumentado de desenvolver câncer de pulmão e que, por isso, devem parar de fumar", diz.

O oncologista Jefferson Luiz Gross, diretor do Setor de Cirurgia Torácica do Hospital A.C.Camargo, acredita que o estudo poderá ter um impacto no desenvolvimento de tratamentos para esses pacientes. "Se você sabe que determinado gene está relacionado ao aparecimento do câncer, você pode estudar formas de bloquear a ação desse gene."

Gross também afirmou que essa população não deve passar por exames genéticos, pois os negros que não fumam e apresentarem a mutação não têm o risco de câncer aumentado. "O grande vilão do câncer do pulmão é o cigarro. Em vez de fazer teste genético, é melhor convencermos as pessoas a parar de fumar", afirma.

Fonte: Folha online

quinta-feira, 25 de junho de 2009

II Conapir reúne lideranças de todo o país


Em Brasília, Helciane Angélica
Jornalista e integrante da Cojira/AL


Teve início nesta quinta-feira (25) as atividades da II Conferência Nacional pela Igualdade Racial no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Até às 15h, cerca de 1500 pessoas de várias parte do Brasil realizarão o credenciamento no local e receberão o kit do evento, composto por: regimento; material informativo que servirá de subsídio para as discussões; camiseta do evento; livro; um DVD sobre "Diálogos com a ONU-Igualdade Racial" e folders diversos.

A cada instante chegam lideranças de diversos movimentos sociais, representantes das comunidades tradicionais (terreiros, religiosos de matrizes africanas e quilombolas), indígenas, ciganos e artistas. O estado de Alagoas trouxe 23 delegados: 13 da sociedade civil, oito (8) do poder público (municipal e estadual) e dois (2) parlamentares.

Dentre os objetivos do encontro estão: analisar e repactuar os princípios e diretrizes aprovados na I Conferência; avaliar as diretrizes para a implementação do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial; apresentar propostas de alteração do conteúdo do plano e de sua forma de execução; além de definir diretrizes que possibilitem o fortalecimento das políticas de promoção da igualdade racial, na perspectiva de superação das desigualdades raciais ainda existentes.

A partir das 18h, terá início a abertura solene com a presença do Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva e diversas autoridades.



Cojira-AL


Uma das instituições que encontra-se presente, inclusive com direito a voto, é a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL) vinculado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal). A jornalista e editora da coluna axé, Helciane Angélica Santos Pereira, foi eleita com 34 votos na Conferência Estadual para ser uma das delegadas.


Para ter acesso a outras informações, os interessados podem acessar o portal www.conapir2009.com.br e conferir as matérias especiais neste blog www.cojira-al.blogspot.com.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Alagoas terá 23 delegados na II Conferência Nacional


Evento acontece de 25 a 28 deste mês, em Brasília, e vai propor ajustes às políticas raciais no Brasil


Desigualdades raciais e de gênero na educação, no mercado de trabalho, no acesso à saúde, na habitação e na segurança estarão em discussão em Brasília, de 25 a 28 deste mês, durante a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II Conapir). O evento vai servir para avaliar e sugerir ajustes às políticas raciais brasileiras. A Secretaria da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos realizou as duas etapas regionais e a estadual. A prefeitura de Maceió coordenou a metropolitana. Desses encontros foram eleitos um total de 23 delegados, que irão representar Alagoas no evento nacional.

Políticas internacionais de combate à xenofobia e a individualização dos dados referentes à população negra, indígena, e de imigrantes nos censos também estão na pauta de Brasília. Os delegados irão avaliar os resultados da primeira edição da conferência, ocorrida em 2005, quando deliberou pela criação do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que orienta a criação de políticas de promoção da igualdade racial. O relatório final da 1ª edição destaca propostas como a promoção de equidade das manifestações culturais afro-brasileiras nas atividades oficiais do país.

Segundo dados do Ministério da Educação o número de jovens brancos no ensino superior é quase o triplo de negros e pardos. Além disso, apenas 37,4% dos negros em idade de ensino médio estão matriculados no período letivo adequado, enquanto essa porcentagem entre os brancos sobe para 58,4%.

Discussões — As conferências regionais foram realizadas em Delmiro Gouveia e União dos Palmares, nos dias 16 e 23 de abril, respectivamente, onde reuniram representantes de comunidades quilombolas, indígenas, movimento negro, religiosos e outros segmentos sociais, com o objetivo de debater os princípios e diretrizes aprovados na I Conferência Nacional e Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, além de avaliar as diretrizes para a implementação do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial. A estadual foi realizada dia 21 de maio.

Os três encontros, inclusive a Metropolitana, servirão como base para o encontro nacional. As discussões e sugestões de propostas foram feitas com os grupos temáticos, sobre os temas Gênero e Raça, Juventude Negra e Segurança Pública, Educação e Saúde, Trabalho, Emprego e Renda, Questões Indígenas, Ciganas e Quilombolas e Intolerância Religiosa.


Fonte: Viviane Albuquerque / Agência Alagoas

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Nota da Fenaj: Oito contra oitenta mil


Perplexos e indignados os jornalistas brasileiros enfrentam neste momento uma das piores situações da história da profissão no Brasil. Contrariando todas as expectativas da categoria e a opinião de grande parte da sociedade, o Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria, acatou, nesta quarta-feira (17/6), o voto do ministro Gilmar Mendes considerando inconstitucional o inciso V do art. 4º do Decreto-Lei 972 de 1969 que fixava a exigência do diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista.

Outros sete ministros acompanharam o voto do relator. Perde a categoria dos jornalistas e perdem também os 180 milhões de brasileiros, que não podem prescindir da informação de qualidade para o exercício de sua cidadania.

A decisão é um retrocesso institucional e acentua um vergonhoso atrelamento das recentes posições do STF aos interesses da elite brasileira e, neste caso em especial, ao baronato que controla os meios de comunicação do país. A sanha desregulamentadora que tem pontuado as manifestações dos ministros da mais alta corte do país consolida o cenário dos sonhos das empresas de mídia e ameaça as bases da própria democracia brasileira.

Ao contrário do que querem fazer crer, a desregulamentação total das atividades de imprensa no Brasil não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa consignados na Constituição brasileira nem aos interesses da sociedade. A desregulamentação da profissão de jornalista é, na verdade, uma ameaça a esses princípios e, inequivocamente, uma ameaça a outras profissões regulamentadas que poderão passar pelo mesmo ataque, agora perpetrado contra os jornalistas.

O voto do STF humilha a memória de gerações de jornalistas profissionais e, irresponsavelmente, revoga uma conquista social de mais de 40 anos. Em sua lamentável manifestação, Gilmar Mendes defende transferir exclusivamente aos patrões a condição de definir critérios de acesso à profissão. Desrespeitosamente, joga por terra a tradição ocidental que consolidou a formação de profissionais que prestam relevantes serviços sociais por meio de um curso superior.

O presidente-relator e os demais magistrados, de modo geral, demonstraram não ter conhecimento suficiente para tomar decisão de tamanha repercussão social. Sem saber o que é o jornalismo, mais uma vez – como fizeram no julgamento da Lei de Imprensa – confundiram liberdade de expressão e de imprensa e direito de opinião com o exercício de uma atividade profissional especializada, que exige sólidos conhecimentos teóricos e técnicos, além de formação humana e ética.

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), como entidade de representação máxima dos jornalistas brasileiros, esclarece que a decisão do STF eliminou a exigência do diploma para o acesso à profissão, mas que permanecem inalterados os demais dispositivos da regulamentação da profissão. Dessa forma, o registro profissional continua sendo condição de acesso à profissão e o Ministério do Trabalho e Emprego deve seguir registrando os jornalistas, diplomados ou não.

Igualmente, a FENAJ esclarece que a profissão de jornalista está consolidada não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. No caso brasileiro, a categoria mantém suas conquistas históricas, como os pisos salariais, a jornada diferenciada de cinco horas e a criação dos cursos superiores de jornalismo. Em que pese o duro golpe na educação superior, os cursos de jornalismo vão seguir capacitando os futuros profissionais e, certamente, continuarão a ser a porta de entrada na profissão para a grande maioria dos jovens brasileiros que sonham em se tornar jornalistas.

A FENAJ assume o compromisso público de seguir lutando em defesa da regulamentação da profissão e da qualificação do jornalismo. Assegura a todos os jornalistas em atuação no Brasil que tomará todas as medidas possíveis para rechaçar os ataques e iniciativas de desqualificar a profissão, impor a precarização das relações de trabalho e ampliar o arrocho salarial existente.

Neste momento crítico, a FENAJ conclama toda a categoria a mobilizar-se em torno dos Sindicatos. Somente a nossa organização coletiva, dentro das entidades sindicais, pode fazer frente a ofensiva do patronato e seus aliados contra o jornalismo e os jornalistas. Também conclama os demais segmentos profissionais e toda a sociedade, em especial os estudantes de jornalismo, que intensifiquem o apoio e a participação na luta pela valorização da profissão de jornalista.

Somos 80 mil jornalistas brasileiros. Milhares de profissionais que, somente através da formação, da regulamentação, da valorização do seu trabalho, conseguirão garantir dignidade para sua profissão e qualidade, interesse público, responsabilidade e ética para o jornalismo.

Para o bem do jornalismo e da democracia, vamos reagir a mais este golpe!


Brasília, 18 de junho de 2009.


Diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ