segunda-feira, 15 de junho de 2009

Países africanos buscam exemplo brasileiro para se despontar no cenário econômico mundial


O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, concluiu no sábado (13) uma missão empresarial à Gana, ao Senegal, à Nigéria e à Guiné Equatorial, na África. Para outubro próximo, o ministério prepara mais um périplo africano. Da próxima vez, o roteiro deverá incluir a África do Sul, o Zimbábue, Angola e Moçambique, que será a terceira missão à África este ano. O interesse pelo continente se explica pelas ligações históricas, mas também pela perspectiva econômica: em breve, os africanos serão uma população de 1 bilhão de pessoas.

No momento, a África desponta como a parte do mundo menos atingida pela crise econômica mundial, extremamente rica em produtos estratégicos - petróleo e minério, por exemplo -, e carente de produtos e serviços que as empresas brasileiras acumularam alguma experiência, como a execução de grandes obras.

Diversos países africanos precisam urgentemente de rodovias e hidrelétricas. Outra urgência é encontrar uma vocação econômica sustentável, que gere emprego e renda no continente mais pobre do mundo.

A intenção, admitida durante a missão pelos africanos dos países visitados, é que a África se torne, como um todo, um continente de países emergentes como é o Brasil.

Em torno desses objetivos, o ministro Miguel Jorge esteve com três chefes de Estado e reuniu-se com dezenas de ministros. Os executivos brasileiros que acompanhavam a missão fizeram contato com mais de 700 produtores e importadores africanos.

De volta ao Brasil, depois de seis dias de viagem, aguardando o abastecimento do avião da Força Área Brasileira (FAB), no aeroporto de Recife, Miguel Jorge concedeu a seguinte entrevista à Agência Brasil, onde falou dos resultados da viagem e dos recentes fatos da economia como a redução do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, a redução da taxa Selic a 9,25% e a possibilidade de prorrogação da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).


Agência Brasil (ABr) – Que balanço o senhor faz da missão empresarial à África Subsaariana?

Miguel Jorge
– Um balanço positivo, como tenho feito das outras missões. Nós tivemos cerca de 85 empresários brasileiros, desde pequenas e médias empresas até grandes companhias. Esses empresários fizeram muitos contatos, alguns fizeram negócios mesmo e assinaram contratos. Eu conversei com alguns, que até nomearam distribuidores de produtos brasileiros em alguns países da África. Uma missão como essa tem o objetivo de vender, se não o empresário não viria. Mas ela tem também um objetivo muito importante que é o de o empresário fazer contato, fazer com que o empresário encontrem contrapartida do outro lado e comece uma relação comercial que se estenda no futuro. Nesse ponto de vista, a missão foi de absoluto sucesso. Nós fomos recebidos muito bem em todos os lugares. Há uma expectativa muito grande em relação ao Brasil, não que vendamos produtos para eles, mas também que nós ajudemos com qualificação de mão de obra, treinamento e transferência de tecnologia. A transferência de tecnologia é um fator que aparece em praticamente todas as reuniões com governos e empresários africanos. Nós temos um papel importante de ajudar esses países. Isso se percebe com muita clareza, há um interesse e expectativas enormes da África pelo Brasil. Eu acho que nós devemos atender ao máximo essas expectativas. Esses países precisam do Brasil, precisam da gente. Nós temos uma posição diferente em relação aos países ricos, que têm pouca preocupação com a parceria com os africanos. Eu acho que o brasileiro desenvolveu uma solidariedade em relação aos seus vizinhos e, especialmente, aos países africanos, que não se nota em outros países. Essa solidariedade é que faz com que haja essa expectativa. Nós somos claramente, como país e como povo, uma extensão da África. Portanto, como nós somos vistos como uma extensão da África que deu certo e avançou muito, que progrediu e que somos um país que tem importância econômica e que tem índice de qualidade de vida muito superior a esses países, o que eles gostariam de ser é o Brasil. O sonho desses países é ser como o Brasil. Nós temos que ajudá-los para que isso aconteça.


ABr – Os executivos que estiveram na missão assinalaram a dificuldade do crédito para os africanos financiarem importações de produtos ou contratarem serviços brasileiros. Eles apontam que o Brasil exige muitas garantias e os procedimentos são muito burocráticos, e que a concorrência (chinesa e coreana, por exemplo) é mais dinâmica. Isso é de fato um problema?

Miguel Jorge
– O problema fundamental não é da burocracia ou de dinamismo, mas a capacidade de financiamento do país. A China tem reservas de mais de US$ 1 trilhão e o Brasil de mais de US$ 200 bilhões. Quando ocorreu a crise, como em outros países, uma grande parte das empresas brasileiras tinha muito financiamento no exterior. Quando esse financiamento secou, as empresas buscaram financiamento no mercado interno e, evidente, como o país não tem uma economia tão grande quanto à China, por exemplo, houve falta de recursos. O dinheiro é uma mercadoria. Você tinha gente tomando empréstimo no exterior e de repente voltou a pegar dinheiro no Brasil, faltou mercadoria, faltou dinheiro, faltou financiamento. Isso já está voltando ao normal. Houve também na época uma aversão muito maior pelo risco, isso fez com que os financiamentos ficassem mais difíceis. A normalização do processo econômico vai levar que isso mude. Não vai faltar dinheiro. Eu reconheço dificuldades para as pequenas e médias empresas, dificuldades para financiar tanto para mercado externo quanto mercado interno. Mas para essas empresas não tem faltado financiamento. O BNDES tem para este ano um orçamento de US$ 109 bilhões e não tem faltado financiamento para empresas que sejam idôneas, sérias, com cadastro positivo. Não temos tido reclamações. Isso aconteceu, principalmente, no começo do ano, mas hoje está praticamente normalizado. Nós não temos tido mais queixa nesse sentido.


ABr – Qual efeito da redução da Selic (taxa básica de juros) para a economia brasileira?

Miguel Jorge
– Nós vamos ter que aprender a conviver com essa taxa de juros que começa a chegar no nível de país civilizado, próximo de 5% em termos de juros reais. Por outro lado, ela [a nova taxa, hoje 9,25% ano ano] cria uma série de problemas para a economia, especialmente porque ainda temos algum tipo de indexação que está acima desse patamar. Vamos ter que fazer um tipo de ajuste e a sociedade toda vai ter que se acostumar a uma taxa de juros muito menor. Claro que é benéfico, quanto menor a taxa de juros, melhor. A taxa de juros Selic é uma referência e a sua diminuição abre nova perspectiva para o país.


ABr – Que tipo de problema? A caderneta de poupança?

Miguel Jorge – A poupança é um deles, mas falo dos contratos que estão indexados. A economia vai ter que ficar bem mais desindexada. Nós vamos passar por um processo de aprendizagem interessante e positivo.


ABr – Com a redução, vão aumentar os investimentos das empresas?

Miguel Jorge – Eu acredito que sim. Isso mostra que o país está estável e os fundamentos da economia funcionam muito bem. Os empresários sempre reclamam da taxa de juros, ela é um indicador. O que interessa aos empresários, de modo geral, e à população, é que os juros diminuam na ponta, na operação real. Que os juros do sistema financeiro sejam menores assim como o spread bancário. Claro que o spread é sempre relativo ao custo do dinheiro. O dinheiro é uma mercadoria como outra qualquer: tem falta de dinheiro, o preço sobe; tem abundância de dinheiro, o preço cai. No entanto, nós sabemos que quando teve essa enorme folia financeira que levou à crise, o nosso spread era muito alto. Nós precisamos fazer com que o spread diminua e, aí sim, os investimentos sejam financiados não só por bancos como o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], mas também que haja no sistema financeiro um processo de investimento.


ABr – Como o senhor recebeu a informação da queda do PIB no primeiro trimestre?

Miguel Jorge –
Com bastante naturalidade. Eu já tinha dito que o PIB seria negativo. Eu tenho criticado muito os analistas, que erraram mais uma vez em relação à redução da taxa de juros. Os analistas estavam todos prevendo 0,75 ponto percentual e aí você lê nos jornais 'analistas surpresos'. A única coisa que sempre se lê nos jornais é 'analistas surpresos'. Eles deveriam se abster um pouco de fazer previsão. Quando eu falei em recessão, e até recebi umas críticas, é porque os números já estavam claros. Os números do último trimestre do ano passado eram negativos e os números que nós acompanhávamos, mas não eram divulgados, também eram. Quando eu falava em recessão, portanto, era recessão técnica, que até alguns economistas hoje não consideram tão importante. De qualquer forma, o resultado do PIB foi o esperado e nós vamos ter um segundo trimestre melhor e, conseqüentemente, um terceiro melhor que o segundo, e um quarto melhor que o terceiro. Programas como Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, começarão ter impacto na economia a partir do segundo semestre, quando começam os desembolsos. Repare que a Caixa Econômica Federal nos cinco primeiros meses do ano fez quase o dobro de empréstimos do que no ano passado, quando havia a chamada abundância de financiamento e de dinheiro. Nós estamos no caminho certo para a recuperação, que vai ser lenta e difícil mas vai ocorrer.


ABr – E o resultado da balança comercial?

Miguel Jorge – A balança tem se mostrado positiva há algum tempo, fora aquele acidente de percurso nos dois primeiros meses do ano, tanto que já tem acumulado US$ 7,5 bilhões e tem mantido uma média boa no fechamento semanal. Nós consideramos que a tendência é haver melhora no segundo semestre, e este semestre será menos ativo, mas nós teremos um bom resultado este ano.


ABr – Diante dessas perspectivas, ainda é necessário manter a isenção e a redução do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]?

Miguel Jorge – Eu venho da indústria e sempre, quando foram tomadas essas medidas de redução e isenção de IPI, reclamei muito quando alguma autoridade dizia que deveríamos manter a redução do IPI porque faz que haja uma postergação de compra. O IPI reduzido tem o objetivo de fazer com que o consumidor se entusiasme e compre o produto. Se você anuncia com antecedência de duas ou três semanas que o IPI será reduzido, alguém que estava se programando para comprar o produto vai deixar para o próximo mês. O próprio presidente Lula tem falado: 'olha se você for comprar, compre agora não deixe para depois. Faça com que a roda da economia continue a girar'. Então, mesmo que eu seja favorável, até o último dia eu vou dizer que sou contra a prorrogação da isenção e redução do IPI.



Fonte: Agência Brasil
O repórter viajou a convite do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior/ Edição: Fernando Fraga e Lana Cristina

domingo, 14 de junho de 2009

Comissão discute ações para a segurança pública

Conferência estadual acontece entre 15 a 17 de julho, no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Jaraguá.
Faltam menos de 80 dias para a primeira Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg). O evento vai acontecer em Brasília, entre os dias 27 e 30 de agosto. Na oportunidade, o Ministério da Justiça vai reunir gestores, sociedade civil e trabalhadores para a consolidação de uma política única em todo o país sobre o setor. Mas, para isso, a discussão deve ser feita previamente, nos municípios e estados.

O governo de Alagoas já trabalha nessa frente, por meio de uma comissão, gerenciada pelo vice-governador, José Wanderley Neto. Nesta terça-feira (9), a equipe se reuniu com a mobilizadora regional do Conseg, Regina Lopes. Em pauta, a conferência estadual, a ser realizada de 15 a 17 de julho, no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Jaraguá.

José Wanderley revelou a preocupação do governo com a violência. “Existe um esforço muito grande da Defesa Social, mas temos muitos obstáculos. O principal ponto são as drogas. Por isso, o trabalho não deve ser apenas da polícia. Nesse combate, temos que envolver toda a sociedade”, explicou.
Foi apontada também a necessidade de encontros nos municípios. “São parceiros importantes. Temos que levar essa discussão para todo o Estado, de forma descentralizada”, tratou o vice-governador. Na próxima segunda-feira (15), José Wanderley deve se reunir com representantes da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA).

Regina Lopes explicou a importância de toda essa mobilização. “A finalidade é definir os princípios e as diretrizes para uma política nacional de segurança pública. O sistema não pode ser imposto de cima para baixo. Deve ser discutido por toda a sociedade”, disse.

Arísia Barros, da ONG Maria Mariá, revelou que deve ser feito um recorte sobre a questão étnico-racial. “A violência já chegou nas comunidades quilombolas. A violência dizima o povo negro nas cidades. Temos que desenvolver a segurança pública também voltada para esse problema”, contou.

Comissão em Alagoas - O comitê é formado pelos três segmentos: trabalhadores, sociedade civil e gestores. O representante do Fórum Permanente contra a Violência em Alagoas, Everaldo Patriota, salientou a importância desse processo. “Pela primeira vez, temos a participação de diferentes movimentos discutindo a segurança pública. Temos que aproveitar essa oportunidade”, avaliou.

Mais informações no site www.conseg.gov.br
Fonte: Agência Alagoas

ARTIGO: Nunca Tive Namorada Negra

O preconceito molda a nossa capacidade de amar


Escrito por: IVAN MARTINS (editor-executivo de ÉPOCA)



Eu nunca tive uma namorada negra. Saí uma ou duas vezes com moças negras na universidade, tive um caso intenso e demorado com uma mulher negra há pouco tempo, mas nenhuma delas foi namorada, relação firme, gente se que incorpora à vida e se leva à casa da mãe. Por que razão?

Um dos motivos é geográfico: desde a adolescência quase não há pessoas negras ao meu redor. Elas não estavam no colégio, não estavam na faculdade e não estão no trabalho, com raras e queridas exceções. É nesses ambientes - escola e emprego -- que se constroem relações duradouras de amor e amizade.

O outro motivo é vergonhoso: racismo. Deve haver um pedaço de mim que acha mulher branca mais bacana que mulher negra, independente de beleza, inteligência ou caráter. Mesmo tendo ancestrais negros, cresci numa sociedade em que a cor, os traços e os cabelos africanos são tratados como defeito. É difícil livrar-se desse lixo.


Ando pensando sob re essas coisas desde que tive uma discussão, dias atrás, com meu melhor amigo, sobre cotas raciais na universidade. Ele contra, eu a favor. Ele defende cotas econômicas, para jovens pobres oriundos das escolas públicas. Eu sinto que isso não é suficiente. Acredito que os negros têm sido sistematicamente prejudicados ao longo da história brasileira e fazem jus a políticas e tratamento preferenciais. Penso nas namoradas negras que eu não tive. Elas não estavam na boa escola pública de primeiro grau onde eu entrei depois de um exame de admissão.

Também não estavam na escola federal onde fiz o colégio. Ali só se entrava depois de um vestibular duríssimo. Na Universidade de São Paulo, onde estudei jornalismo, só havia um colega negro, nenhuma garota que eu me lembre.

Será que isso é apenas econômico? Duvido. Eu vim de uma família pobre e cheguei à universidade e à classe média. O mesmo fizeram minhas irmãs e meus amigos brancos. Os coleguinhas negros da infância - com poucas exceções -- não chegaram. Estavam em desvantagem. Tem algo aí no meio que é mais do que pobreza.

É fácil para mim enxergar que a linha de corte na sociedade brasileira não é apenas de renda. Ela é de cor também. Essa linha está dentro de nós, dentro de mim. Somos racistas, embora mestiços. Por isso me espanta que as pessoas não se inclinem generosamente pela ideia de uma reparação aos sofrimentos infringidos aos negros - até como forma de purgar essa coisa ruim e preconceituosa que trazemos dentro de nós.

Eu, que nunca tive uma namorada negra, gostaria que meus filhos vivessem num país melhor. Um país em que houvesse garotas e garotos negros na universidade pública, ao lado deles. Um país em que eles tivessem colegas de trabalho negros. Engenheiros. Médicos. Advogados. Jornalistas. Um país onde as pessoas pudessem se conhecer, se admirar e se amar sem a barreira do preconceito que ainda nos divide.

Lançamento do livro "Oyé Orixá"



Umbanda e a síntese dos princípios do Branco, do Vermelho e do Negro
Lançamento do livro no dia 17 de Junho, às 19 horas no Rayuela Café, 412 Sul, Brasília


É preciso compreender a diferença existente entre as semelhanças de conceitos e sistemas empregados pela Umbanda com o conteúdo de outras filosofias antes de declarar a própria Doutrina Umbandista como "uma mescla" de diversos segmentos religiosos, o que lhe retiraria toda a sua personalidade mística, a qual se afirma, aliás, de maneira pungente sobressaindo claramente das demais, o que lhe vale a outorga de primaz em seu gênero. (Trecho da Apresentação)


Poucas tem sido as abordagens na pesquisa intelectual e bibliográfica da matriz africana da Umbanda no Brasil que enfocam os princípios Fun Fun (o branco), Pupa (o vermelho) e Dudu (o negro).

Dividido em 18 livros, este Oyé Orixá (sendo Oyé = Sabedoria), é um livro simultaneamente para leitura dos adeptos das filosofias afro-brasileira e para pesquisa e reflexão dos estudiosos no assunto. Tudo isso devido ao conjunto de histórias, mitos, lendas, descrições, apontamentos de estudo e da vivência prática dos autores nos centros e terreiros de Umbanda e Candomblé em Salvador e Brasília.

O simbolismo da Umbanda é essencialmente duplo: por um lado é racional e passível de compreensão em suas analogias e representações, por outro é imaginativo, místico e espiritual. Em seu contexto místico, iremos encontrar aqui a linguagem velada de seus ensinamentos maiores, aquela utilizada pelos Guias Espirituais em sua maneira de se expressarem, mas também o profundo da sua filosofia esotérica, cuja liturgia preserva em sua substância o plano do sagrado. É um livro para ter sempre do lado. Para ler e reler seus ensinamentos como quem bebe em um poço cuja água nunca pára de jorrar.


OS AUTORES



Marcelo Costa Nunes (Obá Apejá) é historiador. Estudou simbologia antiga no Egito, Grécia e Roma e há vinte e três anos vem pesquisando e escrevendo sobre mitologia africana e tudo que envolve a filosofia e o culto à Umbanda. Desde 1993, é dirigente da Sociedade Ecumênica do Triângulo e da Rosa Dourada, Ordem espiritualista de caráter iniciático voltada ao estudo e prática da Umbanda e das filosofias do passado.

Rafael Alves de Assis (Oju Meji Obaluaiê) é vice-coordenador da Sociedade Ecumênica do Triângulo e da Rosa Dourada é um dos responsáveis pela direção do Templo Espiritualista São Jerônimo, em Brasília-DF.


Fonte: Ascom - Fundação Cultural Palmares

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Feira Camponesa em Maceió - 09 a 11 de junho


“Produzir, Colher e Repartir” essa é a missão da 10ª Feira Camponesa que acontecerá nos dias 09 a 11 de junho, na Praça da Faculdade em Maceió. Realizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) busca a valorização da cultura camponesa e a comercialização de alimentos sem agrotóxicos, de qualidade e com preços acessíveis.

O público terá acesso a uma variedade de produtos oriundos de assentamentos e acampamentos da reforma agrária, que serão distribuídos em 100 barracas. Durante as noites culturais, será o momento de conferir o talento de artistas locais e curtir o autêntico forró pé de serra.

O evento conta com o apoio do Governo de Alagoas, Banco do Nordeste e Misereor – instituição católica alemã. O horário de funcionamento acontece das 6 às 23h, a entrada é franca.



PROGRAMAÇÃO CULTURAL

09/06/09 (terça-feira)
14h30 – Abertura oficial
19h00 – Trio de forró Nó Cego
21h00 – Joelson dos Oito Baixos

10/06/09 (quarta-feira)
19h00 – Malaquias do forró
21h00– Xote.com

11/06/09 (quinta-feira)
19h00 – Trio de forró Nó Cego
20h40 – Bingo de um carneiro
21h00 – Pinóquio do Acordeon


Comunidades tradicionais elegem representantes para conferência nacional


Cerca de 400 representantes de comunidades indígenas, quilombolas, ciganas e de terreiros escolhem ontem (7) os delegados para representar os grupos na 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, marcada para os dias 27 e 28 de junho em Brasília.

As prioridades de cada segmento para a conferência também estão sendo definidas no encontro preparatório aberto no sábado (6) pelo ministro da Secretaria Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos.

Com 120 representantes de etnias de todo o país, os povos indígenas defenderam mais participação do grupo na estrutura da Seppir e devem levar a reivindicação para a conferência. “A Seppir é uma estrutura de governo criada para as populações tradicionais, mas os índios estão reivindicando espaço dentro da secretaria porque até então não houve avanços nesse sentido”, argumentou o líder indígena Alfredo Wapichana.

Morador da Terra Indígena São Marcos, área vizinha à Terra Indígena Raposa Serra do Sol, o líder Wapichana acredita que a demarcação de reservas também será uma das prioridades dos índios no encontro nacional. “É preciso fortalecer demandas sobre regularização das terras, principalmente nas regiões Nordeste e Sul, onde os processos estão mais atrasados.”

A questão fundiária também será a principal reivindicação das comunidades quilombolas, de acordo com o representante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Ronaldo dos Santos. “Não vejo como discutir outro tema. É uma questão nacional, os conflitos por terras remanescentes de quilombos não estão mais no âmbito local, não são apenas casos isolados”, afirmou.

Segundo Santos, o reconhecimento de terras quilombolas está sofrendo pressões, principalmente de representantes de grandes proprietários rurais, com tentativas de mudanças da legislação fundiária no Congresso Nacional.

O quilombola Johnny Martino de Jesus, membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, lembrou o preconceito que as comunidades quilombolas ainda enfrentam a defendeu mais acesso dos grupos às instâncias de decisão.“

Ainda há muita dificuldade de acesso das comunidades ao governo, inclusive pela falta de estrutura de telecomunicações. A questão racial é uma pauta de referência do governo, mas ainda não é um projeto de Estado”, avaliou.

Os grupos deverão eleger ao todo 205 delegados para a Conferência Nacional.



Fonte: Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil

domingo, 7 de junho de 2009

Educação realiza formação para professores de comunidades quilombolas


A Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE), por meio da Diretoria de Educação de Jovens e Adultos (Deja) e da Gerência de Educação Etnicorracial e de Gênero, realiza a partir desta segunda-feira (8), às 10h, no Centro de Formação Ib Gatto Falcão (Cenfor), situado no Cepa, uma Formação Continuada do Programa Brasil Alfabetizado, voltada para alfabetizadores que atuarão nas comunidades quilombolas.

Segundo a gerente de Educação Etnicorracial e de Gênero da SEE, Irani da Silva Neves, esta formação conta com a parceria estabelecida entre a secretaria, o Instituto de Terras do Estado de Alagoas (Iteral) e o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de Alagoas (Neab/Ufal). “Este grupo de educadores receberá uma formação diferenciada. Nela, estará incluída a temática sobre quilombo e a Lei nº. 10.639/03”, destacou.

“Para a gerência de Educação Etnicorracial, esse diálogo com a Deja é de suma importância para garantir políticas que garantam o acesso e a permanência dessa população na educação formal. Toda essa formação será voltada para os alfabetizadores que atuarão nessas comunidades”, acrescenta Irani.

Durante o início da Formação Continuada, haverá uma representação teatral da poesia “Maria Quaisquer”, com Gabriela Cosme e o músico Isaías, ambos do Movimento Negro.

O foco central do primeiro dia será a Lei nº. 10.639/03. A responsável por esta temática será a professora doutora Clara Suassuna, diretora do Neab/Ufal. Na terça-feira (9), as temáticas serão A Língua Portuguesa e a Diversidade e os Quilombos. Quem conduzirá o primeiro tema será Valéria Cavalcante, da SEE. Já o sociólogo do Iteral, Cristiano Barros, falará sobre quilombos. Na quarta e na quinta-feira o tema principal será a Etnomatemática, assunto que será ministrado por Adriana Costa, da SEE.


Fonte: Agência Alagoas

Era uma vez um príncipe negro

Por: Helciane Angélica
Jornalista e integrante da Cojira-AL



Para quem não estava acompanhando, nesse sábado (06) pela amanhã, ocorreu o desfecho do concurso “Procura-se um príncipe” do programa TV Xuxa. O quadro teve início no dia 16 de maio e cerca de 6.000 candidatos se inscreveram para a seleção - onde os adolescentes tiveram que passar por vários testes: de interpretação, dança, postura e beleza.

O objetivo era escolher o menino que participará do filme "Xuxa em O Fantástico Mistério de Feiurinha", dirigido por Tizuka Yamazaki, no qual contracenará com Sasha Meneghel, de 10 anos. O novo longa-metragem da apresentadora é inspirado no livro "O Fantástico Mistério de Feiurinha", de Pedro Bandeira.

Foi o público quem decidiu a seleção, votando no seu preferido pela internet, SMS e por telefone. Porém, não foi desta vez que foi eleito um príncipe negro, pois prevaleceu o estereótipo de “branco de olhos azuis”. Heslander Brás Vieira não foi o campeão, mas esteve entre os três finalistas do concurso e representou muito bem a beleza negra.


Perfil: Heslander Brás Vieira


Onde mora: Rio de Janeiro

Idade: 16 anos (28/06/92)

Signo: Câncer

Filme: "Click"

Música: Lollipop

Nas horas vagas gosta de: dançar

Sonho: atuar no exterior

Família: meu porto seguro

Ídolo: minha mãe

Perfume: vai da ocasião

Esporte: futsal

Não sai de casa sem: minha mochila

Superstição: não tenho

O que não pode faltar na sua carteira: a foto da minha mãe

Comida: estrogonofe de frango



Movimento Negro protesta na sede da OAB

Vereador Marcelo Gouveia, que teria discriminado religião, rebate acusações


O ato contra a intolerância religiosa, realizado na tarde desta sexta-feira (5), na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Alagoas (OAB/AL), contou com a presença de várias entidades que apoiam o movimento negro. A ação teve como principal objetivo difundir o combate à intolerância religiosa, denunciando os últimos acontecimentos, de agressão à liberdade religiosa, registrados pelo movimento: declaração do vereador Marcelo Gouveia (PRB), que desqualificou, em sessão na Câmara dos Vereadores de Maceió, os religiosos, e a invasão a um templo de Candomblé, no povoado Massagueira, em Marechal Deodoro.

O ato teve início com a palavra do Presidente da Comissão das Minorias da OAB, Alberto Jorge Ferreira, que iniciou o discurso repugnando a ação do vereador citado e cobrando justiça. “É inadmissível que um homem que é pago pelo Governo ignore as leis da Constituição e reaja da maneira que reagiu, deixando que o preconceito fale mais alto do que os princípios de cidadão”, protestou.

Alberto Jorge afirmou que já foi protocolado na Câmara o pedido de direito de resposta coletiva e punição ao vereador, e que esta, e outra denúncia - sobre a invasão ao templo de Maria José Vital, em Massagueira -, serão encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF).

A ialorixá, Mirian Melo (74), que há 60 anos é adepta do Candomblé, pronunciou-se em defesa da igualdade. “Antes de qualquer coisa eu sou uma cidadã brasileira e espero que os Direitos Humanos conceda tudo aquilo que nos é de direito, e que este vereador aprenda a tratar a todos de igual para igual, sem descriminar a religião”, disse.


Defesa


Em entrevista à Gazetaweb o vereador Marcelo Gouveia se defendeu e alegou que tudo não passou de um mal entendido. “Já pedi desculpas e retorno a dizer que não foi meu objetivo ofender ninguém. Eu não sou racista, apenas defendi a igreja que me elegeu e trabalho nela há 33 anos. Em nenhum momento eu disse que seria racista para defender a igreja. Tenho as gravações do dia da sessão plenária, do dia em que me pronunciei e do dia em que realizei o pedido de desculpas e meus advogados já garantiram que não há nada que possa me prejudicar” - disse

Fonte: Gazetaweb - com colaboração de Porllanne Santos

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pela igualdade entre homens e mulheres


CUT lança campanha durante 9º Congresso Estadual


Está marcado para as 17h desta sexta-feira, 05, o lançamento da campanha “Igualdade de oportunidades na vida, no trabalho, e no movimento sindical”. A proposta da campanha é diminuir as diferenças que ainda existem entre homens e mulheres. O lançamento faz parte da programação de abertura do 9º Congresso Estadual da Central Única dos Trabalhadores de Alagoas (Cecut), que acontece no teatro do Sindicato dos Bancários.

“Segundo dados do relatório do Desenvolvimento Humano da ONU, as mulheres representam 70% da população mundial que vive em situação de miséria absoluta; a jornada de trabalho total (incluindo o trabalho doméstico) é, aproximadamente, 13% superior a dos homens; recebem, em média, 30% menos que os homens e persistem elevadas diferenças por sexo e raça dentre o total de desempregados/as.” afirmou Rosane Silva, secretária nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT. Rosane estará presente em Maceió especialmente para o evento.

A programação do 9º Cecut começa as 16h, e se estende até o próximo domingo, quando se encerra com a posse da nova diretoria executiva que será eleita durante o congresso.


Fonte: Emanuelle Vanderlei - Assessoria de Comunicação da CUT/AL