quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cotista ganha prêmio de melhor aluno universitário

"Fomento a alunos compromissados fazem não só a diferença entre permanecer e sair da Universidade, como entre se destacar ou ser mais um dentro da instituição".




Por: Marcus Bennett - Fundação Cultural Palmares



Numa época em que a discussão entre o mérito e a oportunidade de ingresso de alunos negros no ensino superior por meio de cotas tem tomado as pautas da mídia brasileira, um estudante negro, cotista, prova que o mérito de sua formação profissional não está ligado apenas ao modo de ingresso na instituição, mas que seu futuro também depende do esforço que se empreende durante todos os anos de faculdade. Assim pensou Gilberto da Silva Guizelin, vencedor do Prêmio de melhor aluno da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 2008.




Superintendente Regional da Caixa, Roberto Bachmann, e Reitor da UEL, Wilmar Marçal, entregam prêmio de 10 mil reais



Com uma nota média de 9,520 pontos, o agora historiador recebeu R$ 10 mil pelo feito, no final de abril deste ano. Segundo a pró-reitora de graduação da UEL, professora Maria Aparecida Vivian de Carvalho, "nós não tivemos nenhum aluno que se aproximou dessa média", o que valoriza ainda mais a conquista.

O prêmio é inédito na instituição e surgiu de uma parceria entre a Reitoria e a Caixa Econômica Federal para premiar aquele que teve um melhor desempenho entre os demais alunos no decorrer de toda a graduação.

A professora Maria Aparecida conta que para ser justo, o processo de seleção foi muito estudado, visando os projetos pedagógicos dos cursos e seus respectivos sistemas de avaliação. Para tanto, o critério é o estudante ter ingressado por concurso vestibular, não ter tido qualquer anotação ou registro em sua pasta acadêmica e também alcançado uma nota mínima em cada disciplina, igual ou superior a sete. Isso significa não ter tido nenhuma reprovação.

Feliz da vida, Gilberto nem pensa em parar. Quer, desde já, dar prosseguimento a seus estudos. "Este dinheiro vai me auxiliar no decorrer da minha pós-graduação que acabo de iniciar aqui mesmo na UEL, dentro do Programa de Mestrado em História Social. Mas, talvez, mais importante do que o valor financeiro do prêmio, seja o reconhecimento dele advindo, o que tem me ajudado a abrir inúmeras portas no caminho de minha formação," observou.

Natural de Paraguaçu Paulista, interior de São Paulo, Gilberto Guizelin atribui parte de seu sucesso ao Programa Afroatitude, voltado para o fomento de bolsas de estudo para estudantes negros e oriundos de escola pública. Para ele, o Programa Afroatitude foi fundamental para o desenvolvimento de uma consciência mais cidadã e pelo amadurecimento nas questões acadêmicas, como estudos, pesquisas e artigos.


Veja seu depoimento:

"Penso que uma das principais razões de eu ter ganhado este prêmio foi, sem dúvida, a conjuntura favorável de minha formação ao longo dos últimos quatro anos. Quando ingressei na universidade, em 2005, no curso de História, logicamente que uma das minhas preocupações era com relação à minha capacidade de acompanhar as matérias, pois vindo de uma família de recursos financeiros escassos, desde a época do colégio pensava em me sustentar na Universidade por algum sistema de bolsa de estudo, assim a manutenção de uma boa média era uma preocupação constante desde o Ensino Fundamental e Médio. Assim que cheguei na UEL, conheci o Afroatitude e fiquei vinculado ao programa por dois anos e meio, entre 2005 e 2007. Minha experiência foi muito boa, pois, além de me inserir nas discussões recentes em relação às cotas para estudantes negros, o programa possibilitou-me sair na dianteira de meus colegas de curso, uma vez que desde o início de minha graduação passei a ter contato com um projeto de iniciação científica, capacitando-me a produzir diversos trabalhos científicos, o que, por sua vez refletiu na construção de um currículo Lates acima das expectativas de um aluno de graduação, e, ainda, me abriu um mundo novo ao me levar para congressos científicos em diversas partes do Paraná e do Brasil".

"Uma outra exigência do Programa, além de contemplar estudantes negros, era desenvolver pesquisas que abordassem o negro. O que para todos os alunos contemplados com o programa foi uma dificuldade tendo em vista a escassez de projetos acadêmicos que tenham a preocupação com este público tão esquecido na história institucional, social e econômica do Brasil. Contudo, para minha sorte, dentro do Departamento de História, o professor José Miguel Arias Neto encontrava-se desenvolvendo uma pesquisa em torno da formação da Marinha de Guerra do Brasil, e uma das finalidades da pesquisa era estudar a presença negra neste processo de constituição. Gostei muito de ter feito parte dessa pesquisa, pois não só criei vínculos de amizade e estabeleci uma relação de profissionalismo, como ainda publiquei meus primeiros artigos acadêmicos dentro da Revista Afroatitudeanas". (http://www2.uel.br/revistas/afroatitudeanas/)


"O curso de História teve uma grande participação no Programa Afroatitude da UEL, pois quatro de seus estudantes faziam parte dele: Fernanda Charis, Júlia Amabile, Laércio e eu. Como fazíamos parte do mesmo curso e da mesma turma, nosso contato era diário, o que me permitiu tomar ciência do estado de suas pesquisas e de suas trajetórias no decorrer do curso. Aliás, tenho orgulho em dizer que, próximo ao encerramento do programa, em uma pesquisa interna da UEL, realizada para medir o desempenho dos alunos cotistas e membros do Programa, nós, os alunos de História, ficamos entre os primeiros. O que mais uma vez reforça que possibilidades de fomento a alunos compromissados fazem não só a diferença entre permanecer e sair da Universidade, como entre se destacar ou ser mais um dentro da instituição".


Projetos futuros

O objetivo profissional de Gilberto Guizelin é se tornar um professor universitário. Para tanto, busca, desde já, desenvolver uma boa dissertação de mestrado sobre um tema pouco conhecido e difundido que é a política externa imperial do Brasil e suas preocupações com relação à África. Ao mesmo tempo, já se adianta à construção de um projeto de doutoramento. "Uma viagem para Angola, tipo um intercâmbio com os pesquisadores de além-mar, assim como uma viagem para estudo nos centros de documentação de Portugal e Grã-Bretanha seriam também bem vindas, mas, quanto a isso, resta estabelecer algum convênio de pesquisa", aspira.

Recém ingressado no Programa de mestrado em História Social da UEL, Guizelin desenvolve a pesquisa A Projeção Atlântico-Africana do Império Brasileiro (1822-1863): "Destino" ou "Fardo Atlântico" à Construção do Estado Nacional Brasileiro. O trabalho voltado à investigação da política externa do Império brasileiro com relação ao continente africano, mais especificamente com as colônias portuguesas. "Meu interesse por esta temática se deu pelo fato de as relações bilaterais entre a África e o Brasil, desenvolvidas a partir do comércio negreiro, desde meados do século XVI e consolidadas entre os séculos XVII e XVIII, formarem um caso sui generis na História: a constituição de um sólido, difuso e complexo circuito mercantil no Atlântico Sul, no qual as praças brasileiras ocuparam, por excelência, uma posição político, administrativa e comercial estratégica", revela.


Conheça mais sobre o Programa Afroatitude na UEL:
http://www2.uel.br/neaa/afroatitude/artigo-mec.html


Fonte: Site da Fundação Cultural Palmares

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Encontro Etnicidades Nordeste


O Projeto Raízes de Áfricas (ONG Maria Mariá) realiza nos dias 06 e 07 de julho, o Encontro Etnicidades Nordeste: “A Promoção da Igualdade Racial em Alagoas: Teoria e Prática”, no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, localizado no bairro do Farol.

A atividade conta com patrocínio da Federação das Indústrias e parceria com pesquisadores do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), representante da Fundação Kellog e de diversos órgãos governamentais e não-governamentais tem como objetivo mapear o atual cenário das políticas de igualdade racial em Alagoas, como também dialogar com lideranças, movimentos sociais, organizações não governamentais, governo, universidade, financiadores locais que estão desenvolvendo ou desenvolveram trabalhos inovadores no estado para a equidade racial como inclusão social.

É uma análise de projetos: coleta de dados, entrevistas, discutir sobre as políticas, enfim, ter um panorama sobre a questão racial no estado de Alagoas. O resultado do mapeamento em Alagoas será editado pela Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, entre outros parceiros.Podem participar representantes de organizações não governamentais, movimento negro, governo, universidades, visando não só colher informações, como também mobilizar grupos e lideranças, contribuindo para aprofundar o entendimento sobre os programas e projetos desenvolvidos.


Conferência Livre no Dia Nacional de Luta contra o Racismo


No dia 07 de julho, Dia Nacional de Luta contra o Racismo faz parte da programação do Encontro Etnicidades Nordeste a Conferência Livre que abordará segurança pública para os povos quilombolas e indígena.As conferências livres têm como propósito promover a escuta das comunidades e das realidades locais como coletar sugestões e propostas para serem incluídas em documento a ser debatido na conferência nacional, marcada para agosto, em Brasília.



Programação completa:


06/07/09 (segunda-feira)

09h00- Diálogos Artísticos-
Apresentação Coral SESI
Apresentação afro artística: cantora moçambicana Sônia André
09h30- Diálogos Estratégicos:
1-O que é equidade racial para inclusão social? ( 20 minutos)
Sávio de Almeida
2-Como criar mecanismos e fortalecer capacidades de lideranças locais comprometidas com projetos coletivos de equidade racial a curto, médio e longo prazo? (20 minutos)
Abrindo o diálogo:
Representantes do CEAFRO e da Fundação KELLOG
3-Porque trabalhar os desafios e as oportunidades para a promoção e o desenvolvimento da democracia humana? (20 minutos)
Abrindo o diálogo:
Coordenação de Mesa: Cláudia Pessoa (Secretária de Turismo de Maceió )
10h30- Debate
11h30- Diálogos Arte comestíveis
Apresentação de um grupo local

13h30 às 16h30- Diálogos Expositivos:
Apresentação em data show (10 minutos para cada) das experiências concretas que produziram intervenções em comunidades tendo como enfoque a promoção da equidade racial para inclusão social a partir de diagnósticos indicando possíveis soluções. Pode ser trabalho concluído ou em andamento, mas já que tenham resultados, atendendo aos seguintes passos:

Diagnóstico: Qual é o problema?
Projeto: Quais as ações realizadas?
Metodologia: Como foi feito?
Resultado : Exposição de caso com números indicadores do resultado de projeto realizado ou em curso.


07/07/2009 (terça-feira)

09h00- Diálogos Artísticos- Apresentação grupo local
09h30- Registro dos Diálogos em Grupos ( mapeando as ações,aplicação de questionário, coleta de materiais e entrevistas com lideranças.)
Coordenação de mesa:

Diálogos Governo-
Diálogos Movimento Negro
Diálogos Universidades
Diálogos Quilombolas
Diálogos Inter-religiosos
Diálogos Responsabilidade Sócio Empresarial

11h00- Conferência Livre: A Segurança Pública e as Comunidades Quilombolas
11h10- O Que é a Conferência Nacional de Segurança Pública e a importância da participação quilombola.
11h30- Leitura do texto base
11h50- Escolha do eixo
12h30- Diálogos Arte comestíveis
13h30- Construindo propostas
14h30- Socializando
16h30- Encerramento

Fonte: Divulgação

domingo, 5 de julho de 2009

UNEGRO se desfilia da CONEN


São Paulo, 04 de julho de 2009



COMUNICADO DA UNEGRO



A União de Negros Pela Igualdade - UNEGRO desde sua fundação, em 14 de julho de 1988, nutre a forte convicção que a unidade do movimento negro brasileiro é fator fundamental para o fortalecimento e avanço da luta pela superação do racismo e promoção da igualdade social entre negros e brancos. Trata-se de uma herança da heróica luta da população negra originada nos navios negreiros, senzalas, quilombos e nas organizações políticas que surgem a partir das primeiras décadas do século passado.

Imbuídos do compromisso político em investir na unidade do movimento negro nacional, compomos todo processo de construção, consolidação, crescimento e fortalecimento da Coordenação Nacional de Entidades Negras - CONEN. Transformando- a num pólo plural de aglutinação das entidades/organizaçõ es da luta anti-racista, onde se estabelecia agenda política unitária, salvaguardando autonomia e considerando o pluralismo de ideias existentes no movimento negro, sem prejuízos aos projetos específicos das entidades vinculadas.

Firme na sua vocação para unidade, a UNEGRO envidará todos os esforços necessários para contribuir na viabilização de espaços com autoridade política para agregar as forças/entidades/ organizações para defesa da unidade do movimento negro na luta política contra o racismo e na promoção social da população negra. Em consonância com essa decisão e com a avaliação da emergência de estabelecimento de espaços de articulação amplos, formalizamos nosso afastamento da estrutura política e organizacional da CONEN.

Compreendemos que a CONEN está distante dos objetivos de sua fundação, por isso produziu resultado inverso. Hoje é composta e dirigida por uma cúpula de quadros pontualmente espalhados em alguns estados brasileiros. O caminho trilhado pelo grupo hegemônico que hoje atua na CONEN está levando-a a se distanciar ainda mais dos seus objetivos, e tem fragilizado sua estrutura organizativa, quebrando a frágil pluralidade e ensimesmando a CONEN em uma única força política.

Para um organismo garantir manutenção da unidade no movimento negro exige-se contínua busca de parcerias representativas, de convencimento no debate, amplitude política, democracia interna e institucionalidade, algo extinto na CONEN. Tomamos como exemplo a total desarticulação da coordenação eleita no Encontro Nacional da CONEN, realizado em Salvador nos dias 11, 12, 13 de maio de 2006, até a presente data não houve e não foi chamada nenhuma reunião. Esta é solenemente ignorada por um grupo que toma para si e apenas para si a tarefa de dirigir a CONEN sem o exercício do respeito às decisões coletivas.

Nosso afastamento da estrutura organizativa da CONEN não apaga o entendimento que esta importante articulação cumpriu um papel na história da luta contra o racismo no Brasil. Entretanto, abre-se um novo ciclo, com novas exigências, que requer um maior esforço de amadurecimento do movimento negro, de coesão em torno das nossas principais bandeiras de lutas nacionais, de identificação e combate aos reais inimigos da luta pela promoção da igualdade racial no país, como os latifundiários, os racistas que se sentem herdeiros naturais das estruturas de poder político e da academia.

A UNEGRO orgulha-se em ter compartilhado lutas, projetos e produzido resultados importantes para população negra brasileira, consideramos as organizações que compõe a CONEN comprometidas com a luta racial, merecedoras de confiança e respeito. Por fim, convidamos a militância, entidades e forças avançadas do movimento negro para a construção de um novo diálogo e pacto nacional, em que possamos secundarizar parte das nossas divergências em prol da luta em torno de grandes consensos, a exemplo da defesa da titulação das terras de quilombos, ampliação e consolidação das ações afirmativas nas universidades, da luta contra a intolerância religiosa, da defesa do trabalho e moradia digna nas cidades e no campo, de saúde e educação básica de qualidade, da implantação em todo território nacional da Lei 10.639, da construção de uma sociedade justa e igualitária.


Axé!

Edson França - Coordenador Geral da UNEGRO

Indicação de Leitura: Blog Raízes de África


Foi postado ontem (04.07) no blog Raízes de África, o texto “Nos bastidores da II Conferência de Promoção da Igualdade Racial, em Brasília”. O resumo crítico e irreverente ressalta os pontos mais importantes durante o evento e situações extra-oficiais vivenciados pela ativista Arísia Barros, que participou na condição de delegada do estado de Alagoas.

Na ocasião, teve também em uma das notas o elogio quanto a atuação da jornalista e integrante da Cojira-AL, Helciane Angélica, que se dividiu em três funções relevantes: esteve como delegada; participou das reuniões estratégicas entre os comunicadores negros; e abasteceu o blog da instituição com os principais acontecimentos da conferência.

Essa conferência estimulou a integração político-cultural entre os participantes e mostrou o quanto é essencial as articulações políticas nacionais, e principalmente o quanto é preciso fortalecer as mobilizações locais. As ações na sua maioria estão apagadas, em parte a culpa é dos grandes meios de comunicação que ainda insistem em dar invisibilidade às questões étnicorraciais, porém, não se pode retirar a responsabilidade das próprias lideranças, pois muitas intrigas pessoais terminam sobrepondo-se aos ideais comuns.

Fica aqui a sugestão de leitura, vale a pena!



Sobre o blog


O blog Raízes de África foi implantado no dia 27 de março de 2009 e oficialmente divulgado durante o 1º Encontro Etnicidades Brasil: “Brasil e República de Cabo Verde: Laços e Diferenças / Diferenças e Dálogos”. É assinado por Arisia Barros, que é Professora, redatora publicitária, poetiza e coordenadora do Projeto Raízes de Áfricas da Organização Não-Governamental Maria Mariá, que é filiada ao Fórum de Entidades Negras de Alagoas (Fenal).


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Tambor Falante debate intolerância religiosa










CHAMADO ESPECIAL

Você que é verdadeiramente MALUNGO E MALUNGA (palavra banta que significa irmão (ã) de criação; Companheiro (a) de caminhada). Você que acredita no debate/diálogo e na comunhão das ideias como alavancas de fomento e organização de um “povo”. ESTÁ ESPECIALMENTE CONVIDADO (A) PARA O NOSSO PRÓXIMO TAMBOR FALANTE!

Tema: INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
Data: 04 de julho de 2009. (sábado)
Horário: das 14h30 as 18h00
Local: Restaurante Central – Antigo Bingo (Centro de Maceió – Próximo à Praça dos Palmares).


O QUE É O TAMBOR FALANTE?
Trata-se de um projeto inovador, que visa articular encontros ordinários, reunindo lideranças, militantes e personalidades em geral para discutir, aprofundar e propor novas maneiras de participação na continuidade da luta e organização do povo negro e afro-descendente.

Dentre os objetivos do Tambor Falante, as entidades proponentes: Centro de Cultura e Estudos Étnicos – ANAJÔ, Comissão de Jornalistas Pela Igualdade Racial – COJIRA e Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro - PNIBP entenderam como importante: 1) Realizar encontros entre lideranças étnico-raciais, militantes, simpatizantes e afins, para através de reflexões temáticas, debater amplamente as questões inerentes à conjuntura da comunidade negra alagoana e brasileira; 2) Fomentar a realização de encontros/debates, visando uma maior contextualidade e igual seriedade nas intervenções, conforme temáticas em favor da organização do Movimento Negro e a comunidade em geral; 3) Articular a criação de um documentário em forma de livro e/ou cd que possa contribuir efetivamente com os grupos de base e afins, no tocante aos saberes, reflexões e proposições dos debatedores em favor da conscientização dos mesmos; 4) Contribuir de forma permanente com a articulação supra-organizacional no processo de conscientização, congraçamento com novas e antigas lideranças quanto à importância impar na transformação da realidade dos grupos e organizações de Alagoas.

AS PRIMEIRAS ETAPAS:
Os dois primeiros “Tambores” aconteceram no Bar e Restaurante Velho Jardim - Riacho Doce – Maceió –AL. Sendo o primeiro no dia 10/01/09 (Sábado), um dia após o aniversário da Lei 10.639, cujo tema foi exatamente: SEIS ANOS DA LEI 10639 – DESAFIOS, CONQUISTAS E AVANÇOS com participações de diversas personalidades negras de Alagoas em forma de depoimentos.

A segunda etapa foi no dia 21 de março, cuja temática: RACISMO não poderia ser diferente, visto que tal data é fortemente marcada como DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DO RACISMO, devido a um grande massacre ao povo africano em Shaperville na África do Sul em 1960.

Agora faremos uma grande reflexão sobre as questões ligadas a INTOLERÂNCIA RELIGIOSA que tem aterrorizado dezenas de homens e mulheres cujos direitos constitucionais de vivenciarem suas crenças religiosas, sobretudo, as de matriz africanas, estão sendo desrespeitados e agredidos por pessoas inescrupulosas, etnocêntricas e racistas.

O CONTEÚDO A SEGUIR SERVIRÁ DE INFORMAÇÃO E REFLEXÃO E REQUER UM POUCO DE ATENÇÃO E PACIÊNCIA.

OS PASSOS DA HISTÓRIA
Entre meados da década de 1970 até o ano 2000 o Movimento Negro de Alagoas participou de vários encontros regionais e nacionais ajudando na organização e fortalecendo da luta. Contribuiu na criação do Memorial Zumbi (hoje desativado) avivando e trazendo a tona à importância da Serra da Barriga, enquanto solo sagrado e berço de liberdade, tornando-a posteriormente patrimônio histórico e paisagístico da nação e, sobretudo, visibilizando a história do Quilombo dos Palmares e seu ultimo comandante-em-chefe, Zumbi (um dos mais temidos e respeitados dos “Gangas”).

Em agosto de 1988 foi criada a Fundação Cultural Palmares para consolidar os projetos culturais do Movimento Negro Nacional, ficando responsável pela Serra da Barriga enquanto patrimônio cultural inscrito no livro do tombo desde 1995.

Não-obstante também de suma importância foi a criação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro da UFAL, o qual continua contribuindo significativamente no processo de conscientização e crescimento da comunidade negra alagoana, sobretudo no mundo acadêmico.

Alagoas participou e contribuiu na articulação da Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN, cominando com a execução coletiva do pré-lançamento do Projeto ZUMBI - 300 ANOS novembro de 1994.

Em 1995 em pleno 20 de novembro, acontecia uma grande homenagem à Zumbi e a todos os ancestrais quilombolas na Serra da Barriga e nas cidades de Maceió e União dos Palmares, concomitantemente centenas de militantes de todo País realizavam a grande Marcha Zumbi dos Palmares em Brasília, quando foi entregue uma série de propostas em busca de políticas públicas em favor da comunidade negra brasileira ao então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

Em 21 de março de 1998, Zumbi dos Palmares foi inscrito como herói nacional, data esta em que parte do mundo relembra o grande massacre em Shaperville na África do Sul, tornando a data Dia Internacional Pela Eliminação do Racismo. Dentre outros acontecimentos de igual importância na contextualidade.

CONFERENCIA MUNDIAL EM DURBAN. (Agosto de 2001)
Ao passar por algumas dificuldades de articulação, o Movimento Negro Alagoano não conseguiu enviar representantes para a Conferência Mundial Pela Eliminação do Racismo, Discriminação Racial Xenofobia, Homofobia e Outras Discriminações Correlatas, acontecida em Durban na África do Sul em 2001. Alagoas conseguiu discutir e apresentar suas propostas durante as pré-conferências estaduais, as quais também foram realizadas em todo Brasil. No entanto, faltou uma discussão posterior, visto a importância dos documentos aprovados nas DECLARAÇÕES DE DURBAN.

AVANÇOS NACIONAIS
Enquanto isso, nacionalmente no decorrer dos anos, principalmente após a ascensão do Presidente Lula, todos pudemos constatar imensuráveis avanços se desencadearem mediante as propostas e ações de lideranças negras, tanto pelos segmentos organizados, quanto pelas ONGs que fortaleceram as forças partidárias, implementando candidaturas negras comprometidas com a causa, haja vista, diversas conquistas como: a criação da SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), da SECAD/MEC (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade) e outros tantos avanços, como a criação do Estatuto Pela Igualdade Racial (ora em tramitação); a criação da Lei 10639, a dimensionalidade da luta em prol das Comunidades Remanescentes de Quilombo; as incansáveis batalhas em busca do reconhecimento, fortalecimento e respeitabilidade das Comunidades Tradicionais de Religiões de Matriz Africana. E por fim, toda uma gama de conquistas indiscutíveis, mesmo que ainda consolidáveis em alguns aspectos.

AVANÇOS INSTITUCIONAIS EM ALAGOAS
Em Alagoas foi criada a SEDEM (Secretaria de Defesa e Proteção das Minorias) hoje extinta, que tinha o papel importante em articular políticas publicas, a exemplo do “XIRÊ” – Comissão Estadual de Educação e Transversalidade Afro-Descendente, que a partir dessas discussões fomentou o advento de importantes iniciativas institucionais, a exemplo do Núcleo Étnico na Educação e Posteriormente a criação da Gerência Afro da Secretaria Estadual de Educação.

Concomitantemente no âmbito municipal já se constituía o Núcleo de Desenvolvimento Étnico Racial - NEDER na Secretaria Municipal de Educação de Maceió, cuja equipe há muito já se empenhava na efetivação de propostas pedagógicas transversais junto à temática étnico-racial.

Por sua vez a Prefeitura Municipal de União dos Palmares instituía o Centro Acotirene (nome de uma liderança do Quilombo dos Palmares) cujas demandas garantiam a realização de aulas de capoeira, maculelê, danças africanas, etc.

Ou seja, provavelmente nenhumas dessas realizações seriam galgáveis se no passado, alguns sonhadores militantes do Movimento Negro não tivessem acreditado e gritado em favor desse sonho, interagindo e sensibilizando gestores e parceiros na efetivação dessas propostas que ainda são ínfimas, considerando a realidade de outros Municípios e Estados brasileiros.

No entanto e lamentavelmente, em Alagoas, muitas atividades que deveriam hoje estar sendo coordenadas por entidades negras representativas, não o são, principalmente pela fragmentação e desarticulação por parte da maioria das lideranças. Fato que levou o Fórum de Entidades Negras de Alagoas – FENAL debater e encaminhar uma nova forma de organização e assim efetivar novos diálogos, interatividade e busca de reconquista desses “espaços perdidos”.

O TAMBOR FALANTE COMO ALAVANCA DE ARTICULAÇÃO
A proposta do TAMBOR FALANTE é, sobretudo, fomentar na mente de cada personalidade negra, militante ou simpatizante, cada cidadão (ã) a importância da reflexão através de debates para que juntos possamos contribuir na transformação permanente da realidade.
O TAMBOR FALANTE é essencialmente uma forma de provocar, articular e estimular a consolidação de novas idéias, ações e realizações em favor do povo afro-alagoano e a sociedade em geral.

Texto de:
Helcias Roberto Paulino Pereira
Secretário Geral do ANAJÔ
Membro da Comissão Executiva do FENAL.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Governo francês ignora Fesman e negritude organiza protesto



Os negros radicados ou nascidos na França enfrentam problema de reconhecimento da suas cidadanias e a questão novamente ganha contornos de protestos, motivado pela falta de interesse do governo francês ao pedido de instituições dos afrodescendentes para a formação de um comitê oficial pró Fesman. Os afros-francófonos e negros de outras origens, que residem no país, desejam representar a França no festival que vai acontecer de 1 a 14 de dezembro, em Dakar, capital do Senegal, ex-colônia francesa.

A total indiferença do presidente Nikolai Sarkozy tem provocado a indignação da negritude francesa, que reside em Paris e cidades próximas, prometendo uma manifestação para o dia 30 de junho, terça-feira próxima, em frente ao Ministério da Cultura (3 rue de Valois 75001), Paris, quando vão lançar uma carta aberta, na qual protestam a omissão governamental, com o seguinte teor:

“Uma flagrante falta de consideração. Pacificamente, vamos nos mobilizar!!!

O Festival Mundial de Artes Negras acontecerá em Dakar de 1° a 14 de dezembro de 2009. Este evento é mais que um festival que vai além de todas as disciplinas que contemplam: literatura, moda, pintura, fotografia, música, dança, artes tradicionais, teatro, cinema, ciências e pesquisas, tecnologia). Ele é, sobretudo, uma oportunidade rara para nós africanos mostrarmos nossa capacidade de união, de impormos respeito e nos fazer escutar. Todos nós queremos o Renascimento Africano. Esse é o tema do Fesman 2009.

O Fesman convidou 80 países para enviar uma delegação de artistas, dentre os quais a França. Mas, até agora, nenhuma delegação tem sido organizada na França e isto é inadmissível. Todos sabemos que a França tem uma das populações mais importantes da comunidade da diáspora africana da Europa.

Por exemplo, o Brasil (país convidado de honra), já tem uma delegação de 600 pessoas e nós, artistas e intelectuais negros da França, se quer fomos comunicados pelo Governo da França, do convite recebido. Consideramos que todos esses artistas de origem africana morando na França merecem muito mais respeito.

O governo senegalês está se encarregando de levar 30 artistas. A única coisa que se pede ao Ministério da Cultura é escolher os representantes da França para o Fesman. Nossa voz precisa ser escutada e respeitada. Nossa cultura é rica demais, antiga demais, profunda demais para ser tratada dessa maneira.

O Ministério da Cultura tem a atribuição de representar todas as culturas. Nossos livros estão nas bibliotecas, nossas obras de arte nos museus, mas quem são os homens e as mulheres que estão por trás dessa cultura?”.

Fonte: Agência Afro Latina e Euro Americana de Informação – Alai

terça-feira, 30 de junho de 2009

Comunicadores querem políticas afirmativas

A aplicação de políticas afirmativas na área de comunicação social foi um tema paralelamente debatido na II CONAPIR. A iniciativa partiu de um grupo de jornalistas recebido pelo ministro da Igualdade Racial, Edson Santos.

Dogival Vieira, editor da Afropress, advertiu que a grande imprensa não fez a cobertura da II CONAPIR, assim como não deu espaço para reportagens relacionadas à I Conferência, realizada em 2005.”Não temos visibilidade na mídia”, resumiu.

A intenção é garantir a interlocução com a SEPPIR para, a partir da criação de um grupo de trabalho, elaborar agenda em torno de ações que atendam às demandas específicas da população negra.

Após o encontro com o ministro, foi realizada reunião com a presença de profissionais da imprensa e comunicadores populares. Entre os temas discutidos, a importância de inserir a temática racial na I Conferência Nacional de Comunicação, marcada para 1 a 3 de dezembro em Brasília.

De acordo com Sionei Leão, integrante da Comissão de Jornalistas Pela Igualdade Racial do Distrito Federal (COJIRA/DF), o próximo passo é marcar audiência com a direção da SEPPIR para dar continuidade aos trabalhos.

Josué Franco Lopes – que desenvolve projeto de rádios comunitárias para quilombolas e é da coordenação da Associação Brasileira de Radios Comunitárias – considerou estratégica a articulação dos comunicadores negros que participaram da Conferência como delegados, convidados, observadores ou como representantes da mídia étnica engajada na cobertura do evento.

Fonte: Comunicação Social da II CONAPIR

Estandes foram atrações a parte na II Conapir

Texto e fotos: Helciane Angélica
Jornalista e integrante da Cojira-AL



Os participantes da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial realizado em Brasília, puderam conferir uma variedade de produtos nos estandes que ficaram expostos durante os quatro dias do evento. Também puderam receber gratuitamente livros e diversos materiais informativos nos estandes institucionais da Seppir e da Fundação Cultural Palmares.

Confira abaixo mais informações sobre os estandes que se destacaram no evento:


















BAZAFRO – Trata-se de um ateliê que se tornou um referencial em Brasília por produz vestimentas e acessórios afros. Há 20 anos, a carioca Lydia Garcia encontra-se erradicada no Distrito Federal é a grande responsável pelo sucesso do empreendimento voltado para a moda e arte étnica, que se tornou uma atividade familiar, pois conta com a participação da filhas Mali, Ialê e Luena Garcia.


Serviço: Bazafro – SHIGS, 709 Sul, Bloco M, Casa 30, Brasília-DF. Contatos: (61) 3443-6091 / lydiabazafro@hotmail.com







AFRO NZINGA – O salão de beleza afro existe desde 1992, atualmente possui seis profissionais que desenvolvem penteados diferenciados (especializado em cabelos crespos, cacheados e ondulados) e maquiagem que exaltam a beleza negra. No estande, os participantes puderam conferir um pouco do trabalho desenvolvido e experimentar a linha Muene (significa “Senhora” no dialeto africano ioruba), maquiagem específica para a pele negra.


Serviço: Shopping Venâncio 2000 – SCS – Quadra 08 – Bloco B60 – Sala 239, Brasília-DF. Contatos: (61) 3322-3982 / afronzinga@gmail.com / http://www.afronzinga.com.br/




LIVRARIA SOBA – A Livraria & Café Soba é especializada em livros étnicos e propõe ampliar os espaços de informação e conhecimento. A palavra SOBA de origem africana é inspirada no quimbundo, expressa: ancestralidade, sabedoria e semeadura. Possui livros nas mais diversas áreas e preços acessíveis.





ARTESANATO QUILOMBOLA / COOPRAP – A Cooperativa das Produtoras e Produtores Rurais da APA do Pratigi, divulgou o trabalho dos artesãos quilombolas e afrodescendentes do baixo-sul da Bahia (possui seis comunidades remanescentes de quilombo). Os produtos são confeccionados com papel reciclado, utilizam o bagaço da piaçava, palha da costa, coco de piaçava, e outros, que se transformam em belos objetos, como: porta-pão, porta-caneta, porta-cerveja; toalha de mesa; bolsa, bijuterias; caixas decorativos; cestos, etc.

Serviço: http://www.cooprap.com.br/



Além de encontrar acessórios diversos (bolsas, colares, chaveiros, roupas, etc), brinquedos e artigos da cultura indígena nos estandes no local do evento, também foi possível adquirir outras lembranças na frente do Centro de Convenções, onde tinham vários ambulantes.

Integração político-cultural na II Conapir

Credenciamento - cerca de 1.500 participantes, dentre: delegados, suplentes e convidados

Integrantes da delegação alagoana


Solenidade de abertura com várias autoridades, políticos, artistas, porém, sem a presença do Presidente Lula



Estiveram presentes representantes das religiões de matrizes africanas de várias partes do país


domingo, 28 de junho de 2009

Diversidade étnicorracial de Alagoas

Representantes das comunidades tradicionais de Alagoas na II Conapir em Brasília (25 a 29 de junho de 2009): José Petrúcio dos Santos (comunidade quilombola Santa Luzia do Norte / Santa Luzia do Norte), Emílio Bezerra Silva (comunidade quilombola Gameleiro /Olho D'Água das Flores), Márcia Alzira da Silva (Centro Afro Reino de Oxalá), Maria Selma Ferreira Campo - "Acanã" e Washington Tenório Silva - "Jaguriça" (tribo Tingui Botó /Feira Grande)


Foto-legenda: Helciane Angélica - jornalista e integrante da Cojira-AL