quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Segmentos Afro-alagoanos reúnem-se com Ministro da Seppir

Nesta sexta-feira (12), às 9h, na Chácara São Jorge (Casa do Babalorixá Marcos) localizada no Conjunto Graciliano Ramos acontecerá uma reunião especial entre o ministro Edson Santos da Secretaria de Políticas e Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e representantes do movimento negro alagoano: Fórum de Entidades Negras de Alagoas (Fenal), Religiosos de Matriz Africana e demais interessados.

Na ocasião serão entregues propostas de ações afirmativas para a população afro-alagoana.

A presença de todos é de suma importância para o fortalecimento da luta em prol do povo negro.

Os interessados deverão está no Terminal do Graciliano Ramos às 8h30, pois haverá um carro para transportará todos à Chácara São Jorge do Babalorixá Marcos.

Mais informações com:
Ana Paula (Paulinha): (82) 8807-1803
Amaurício: (82) 8819-6762/8819-5850

SEE: Ministro conhecerá ações para promoção da Igualdade Racial

Será apresentado ao ministro um vídeo-documentário: A Educação Construindo Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial no Sistema de Ensino do Estado de Alagoas. Evento acontece nesta quinta


Goretti Lima - Assessora de Imprensa/SEE



Líderes e representantes de diversos segmentos da sociedade alagoana participam, nesta quinta-feira (11), às 12h30, na Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), de almoço político-empresarial com a participação do ministro chefe de Estado da Secretaria Especial de Políticas e Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos. A promoção do almoço, cujo tema é “Alagoas em movimento na construção de políticas para promoção da igualdade racial”, resulta de parceria que vem sendo construída ao longo de uma agenda sócio-educacional entre a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE), por meio da Gerência de Educação Étnico-Racial e Federação das Indústrias.

O objetivo dessa ação conjunta é aproximar os segmentos formadores de opinião na discussão de temas que combatam a desigualdade social da população negra alagoana; divulgar a lei estadual que inclui o estudo da cultura africana na grade curricular, como também criar um pensamento político-empresarial para formulação de programas de responsabilidade social na erradicação do racismo. Durante o almoço, o ministro Edson Santos fará uma exposição sobre as ações do governo brasileiro, no fortalecimento das relações comerciais com a África e os investimentos para a agenda social de educação, saúde, geração de emprego e renda da população negra no País.

“Trata-se de uma oportunidade única para que a classe empresarial, comprometida com o fazer social, possa identificar-se com alguma ação governamental e compartilhar o desafio de extinguir o preconceito, o racismo em nossa sociedade”, considera a secretária de Estado da Educação e do Esporte, Marcia Valéria Lira Santana.

Consta na programação apresentação do vídeo-documentário: A Educação Construindo Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial no Sistema de Ensino do Estado de Alagoas, além de homenagens ao ministro que serão formalizadas por técnicos da SEE, representantes de comunidades quilombolas e a comissão de estudantes africanos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). “Nesse vídeo-documentário será apresentado ao ministro o quanto Alagoas vem contribuindo institucionalmente com o Brasil na erradicação do racismo”, informa a gerente de Educação Étnico-Racial da SEE, Arísia Barros.

SEPPIR- A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), foi criada pelo Governo Federal no dia 21 de março de 2003. A data é emblemática em todo o mundo pois se celebra o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. A criação da secretaria é o reconhecimento das lutas históricas do Movimento Negro Brasileiro. A missão da Seppir é estabelecer iniciativas contrárias às desigualdades raciais no País. Seus principais objetivos são promover a igualdade e a proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos afetados pela discriminação e demais formas de intolerância, com ênfase na população negra.

Constam ainda das atribuições do órgão acompanhar e coordenar políticas de diferentes ministérios e outros órgãos do governo brasileiro para a promoção da igualdade racial; articular, promover e acompanhar a execução de diversos programas de cooperação com organismos públicos e privados, nacionais e internacionais. Edson Santos (deputado federal pelo PT do Rio de Janeiro) foi vereador por quatro mandatos, ex-diretor da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro e presidente da Associação de Moradores da Cidade de Deus, também no Rio.

Como vereador, fez parte das comissões de Assuntos Urbanos e Meio Ambiente, Transporte e Trânsito, Orçamento e Fiscalização Financeira, Direitos Humanos e de Higiene, Saúde Pública e Bem-Estar Social, entre outras. Na Câmara dos Deputados, integrava a Comissão de Turismo e Desporto como titular e exerceu a suplência nas comissões especiais de Parcelamento do Solo para Fins Urbanos e CPI da Crise no Sistema Tráfego Aéreo.

Programação — o ministro chega às 12h30 à Federação. Às 12h50 será a Apresentação do vídeo-documentário: A Educação Construindo Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial no Sistema de Ensino do Estado de Alagoas (Lei nº 6.814/007). Em seguida será feita a homenagem dos estudantes africanos, depois é a vez de representantes das comunidades quilombolas homenagearem o ministro. Posteriormente, era feita a entrega do Baú das Alagoas pela Secretaria de Estado da Educação e do Esporte. Às 13h00 o ministro fará uma exposição sobre o Governo Brasileiro, o fortalecimento das relações comerciais com a África e os investimentos para a agenda social de educação, saúde, geração de emprego e renda da população negra.

Governo de Alagoas realiza encontro com líderes de religiões de matrizes africanas

Reunião histórica é marcada por diálogo aberto e estabelecimento de parcerias


Texto: Amanda Camelo
Fotos: Thiago Sampaio



Líderes de religiões de matrizes africanas se reuniram nesta segunda-feira, 8, com representantes do governo do Estado para discutir ações e parcerias. A reunião foi comandada pelo secretário chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, que representou o governador do Estado, Teotonio Vilela Filho.




O encontro é considerado histórico, visto que foi o primeiro governo na história de Alagoas que recebeu representantes religiosos de matrizes africanas para discutir políticas públicas. Questões relacionadas a educação e até segurança pública pautaram os debates. Estiveram presentes o comandante da Polícia Militar, coronel Dalmo Sena; a secretária de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Wedna Miranda; o deputado estadual Alberto SextaFeira; a secretária de Educação, Márcia Valéria; o secretário adjunto de Planejamento, Antonio Carlos Quintiliano, além de representantes de outras secretarias e dos movimentos presentes.

"Encontros como este demonstram a abertura do Estado para dialogar com qualquer grupo social do Estado, precisamos da participação de todos para que o governo Teotonio Vilela Filho possa contemplar todas as esferas da sociedade".

De acordo com Pai Célio, representante do movimento, a construção deste encontro aconteceu com a discussão prévia, dentro dos próprios movimentos, de pautas e atividades de inclusão social e contra o preconceito. "Viemos para reivindicar políticas públicas do Estado nas periferias, pois é lá que estamos e sabemos das necessidades do dia-a-dia. Viemos nos oferecer como elo entre a comunidade e os bens de serviço e tínhamos certeza que a reunião seria produtiva, já que o governador Teotonio Vilela demonstra interesse por nossas causas desde o início do seu governo", declarou.

Pautas discutidas - Dentre os assuntos discutidos com os representantes do governo está a solicitação da sanção de uma lei estadual instituindo um dia de Combate a Intolerância religiosa de Matriz Africana, que foi acatada por Machado.

Seguindo o roteiro, foram feitas reivindicações direcionadas à Polícia Civil de Alagoas, como a implantação de um núcleo afro.

Através da Gerência Afro Quilombola, locada na Secretaria da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, e coordenada por Elis Lopes, muitas resoluções são viabilizadas. Dentre elas a ponte com a Secretaria da Saúde, no que diz respeito à educação das comunidades e capacitação ao atendimento delas. A representação no Fórum Inter-Governamental de Políticas Públicas, o FIPIR, também é feita através daquela gerência, para que a demanda das comunidades cheguem até o Governo.

Dentre outros compromissos assumidos pelo Governo do Estado com os líderes de religiões de matrizes africanas, estão a melhora e ampliação do suporte dado a eles, através do apoio à Gerência Afro Quilombola; a maior participação dos movimentos em fóruns e conselhos do Estado e, finalmente, a proposta de uma interlocução permanente com o grupo, através da criação de uma rotina de reuniões para avaliação de ações e novas reivindicações.


Propostas ao Governo


I- Sancionar a lei estadual que institui o dia 02 de Fevereiro como dia de Combate a Intolerância religiosa de Matriz Africana, a exemplo da lei Municipal nº5711, de 21 de Julho de 2008.


II- Aplicação do principio da eqüidade no quadro de carreira da policia Militar, pois se o Brasil é um país laico, entendemos que hoje há uma desigualdade quando a carreira militar contempla capelães, padres e pastores e não contempla a possibilidade de um sacerdote e matriz africana, bem como que seja incluída na academia da Policia Militar a disciplina historia da África e dos afro descendentes, com Criação e implantação de um núcleo na Policia Militar para formação sobre cultura afro brasileira a exemplo do núcleo de salvador.

III- Promover capacitações através de oficinas, palestras, seminários e outros para a secretaria de Saúde com temas de destaque da matriz afro étnicas e religiosas e que os facilitadores sejam indicados pelo Movimento Religioso.

IV- Que no Fórum Intergovernamental de Politicas Públicas para a Igualdade Racial FIPIR, a coordenação seja indicada por representantes dos movimentos sociais: Religiosos, Quilombolas, Movimento Negro Urbano.

V- Que o Governo interfira junto ao MDS para ampliação do número de cestas básicas destinadas as casas de Axé e Comunidades Quilombolas, já que a quantidade destinada não atende a realidade local.

VI- Que se destine uma parcela do FECOE para desenvolvimento de ações nas Comunidades de Terreiros e que possa ser viabilizado a inclusão nos Programas estaduais do Leite e do Sopão.

VII- Capacitação Junto as escolas de Governo para os funcionários públicos no atendimento com um recorte étnico racial e religioso reduzindo o racismo institucional e tendo como facilitadores representantes religiosos.

VIII- Criação de uma Secretaria de Estado Especializada para a Promoção da Igualdade Racial com coordenações: afro, Quilombolas, Religiões de Matriz Africana com indicação das coordenações feitas pelos segmentos. Com possibilidades de remanejamentos de funcionários públicos das diversas secretarias que são envolvidos com as questões em destaque, indicados pelos mesmos.

IX- Criar uma Agenda transversal com todas as secretarias que atendam o recorte de matriz afro étnico e religioso e que seja incluída uma legenda no PPA para atender as demandas das ações.

X- Garantir acento nos Conselhos e Fórum para as representações dos religiosos indicados pelo movimento.

XI Que seja criada e publicada no diário oficial uma comissão paritária para acompanhar a implantação das propostas.


UFBA avança com Curso de Graduação: Gênero e Diversidade

A Universidade Federal da Bahia (Ufba) oferece o primeiro curso de graduação do Brasil sobre: Estudos em Gênero e Diversidade. A proposta foi apresentada pelo Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM) do Departamento de Ciência Política.

O curso será oferecido no próximo vestibular, no período noturno com duração de oito semestres e para a primeira turma serão oferecidas 50 vagas. Busca capacitar profissionais para investir na avaliação, planejamento, implantação e execução de políticas públicas com enfoque nas questões de gênero e promoção da igualdade racial, necessárias para o desenvolvimento nacional e regional.

Essa é uma ótima oportunidade para acadêmicos e ativistas, comprometidos com as questões étnico-raciais e de gênero, para ampliar seus conhecimentos, além de investir na execução de políticas públicas.

Após a conclusão do curso, pode-se atuar em:

· Organismos Municipais e Conselhos de Controle Social;
· Organismos Estaduais e Conselhos de Controle Social;
· Órgãos e Empresas Estatais;
· Consultoria e Assessoria a ONGs;
· Empresas particulares com responsabilidade social;
· Cooperativas;
· Sindicatos;
· Associações;
· Fundações de direito público e privado;
· Dentre outras organizações públicas ou privadas.

Mais informações:

Profa. Dra. Cecilia M. B. Sardenberg, Diretora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher - NEIM

Universidade Federal da Bahia - UFBA Estrada de São Lázaro, 197 - Federação Salvador, Bahia, BRASIL
Telefax: 55-71-3237-8239 / ceciliasard@yahoo.com.br


Observação: Na foto, a alagoana Nany Moreno representa a beleza da mulher negra.

No MA, comunidade quilombola tem 1º candidato 130 anos depois


Artesã de Itamatatiua concorrerá a vaga na Câmara Municipal de Alcântara


HUDSON CORRÊA
ENVIADO ESPECIAL A ALCÂNTARA (MA)


Formada por descendentes de uma escrava "doada como esmola" à igreja local, segundo contam seus moradores, a comunidade quilombola de Itamatatiua, em Alcântara (MA), lança uma representante numa campanha política 130 anos depois de sua formação.

Nascida na comunidade, a agricultora e artesã Marinete Conceição de Jesus é candidata à vereadora pelo PDT. Se eleita, promete apoiar o povoado onde moram cerca de 170 famílias. Para Marinete, a prefeitura pouco faz pelos moradores.

A comunidade sobrevive da agricultura e do artesanato de peças de cerâmica, moldadas por um grupo de mulheres.

Distante mais de 70 km do centro de Alcântara, Itamatatiua não tem nem sequer posto de saúde. Paredes de barro dão forma às casas, muitas delas com telhado de palha, distribuídas em rua de terra batida onde transitam porcos e bois.

O município de Alcântara, segundo a Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, concentra o maior número de comunidades quilombolas certificadas do Brasil: 156. Ao todo, são 1.252 no país. Não existem estatísticas sobre número de habitantes nas comunidades.

Um dos moradores mais antigos de Itamatatiua, com idade "entre 80 a 90 anos", como ele mesmo diz, Cândido dos Santos de Jesus não tem muita esperança em políticos, embora tenha pendurado na parede de sua casa, do lado de fora, os cartazes de propaganda dos três candidatos que disputam as eleições em Alcântara.

"Eles só aparecem aqui na época da eleição", afirma Cândido, avô de Marinete.

Convidada pelo candidato a prefeito Pastor Pedro (PDT) a disputar as eleições de 2008, Marinete espera não se decepcionar com a política. "Pedi para ele, se eleito, não sumir", diz.

Em campanha ela percorre as comunidades quilombolas próximas e fixa o cartaz com sua imagem ao lado do pastor.

Para a artesã Eloisa Inês de Jesus, 54, indicada pela comunidade para contar a história do povoado, a esperança é Marinete. Eloisa reclama que a comunidade recebe mais atenção dos governos federal e estadual. "Falta incentivo da prefeitura para a nossa produção. Eu sou desempregada. Só vivo de artesanato", desabafa.

Foguetes
Os professores quilombolas do povoado de Cajueiro, Luiz Diniz, 60, e Raimundo dos Remédios, 38, dizem que os assuntos relacionados às comunidades passam ao largo da campanha eleitoral.

Há 22 anos, Diniz, sua família e demais membros da comunidade foram retirados da área onde vivem para dar lugar ao CLA (Centro de Lançamento de Alcântara), da Aeronáutica.

Diniz afirma que atualmente a comunidade, situada a 15 km do centro de Alcântara, tem 277 pessoas. Falta terra para plantar, segundo ele. "Recebemos pequenas indenizações [do CLA] em 1986. Ainda não temos os títulos de posse das terras. Alguns sequer receberam a indenização".

A Folha procurou a assessoria de imprensa da Aeronáutica, mas não obteve resposta.

As comunidades quilombolas geralmente vivem da agricultura e da produção de farinha de mandioca.


Fonte: Folha de São Paulo (08/09/08)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

ONU diz que oferta de emprego cresceu no país, mas discriminação de mulheres e negros persiste

Luciana Lima
Agência Brasil - Em Brasília


Nos últimos anos, o Brasil apresentou melhora expressiva em indicadores importantes do mercado de trabalho, no entanto, o país não conseguiu diminuir, em níveis satisfatórios, a exclusão social e econômica, principalmente em relação às mulheres e aos negros.

Apesar de representarem mais de 70% do mercado de trabalho, mulheres e negros ainda são discriminados na área profissional. É o que aponta o relatório Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente - A Experiência Brasileira Recente, divulgado hoje (8) pela Organização das Nações Unidas (ONU). O estudo foi elaborado em conjunto por três agências da ONU: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicíilios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), demonstra que, em 2006, o rendimento médio real das mulheres não-negras era de R$ 524,6, enquanto o das negras era de R$ 367,2. Já os homens negros receberam um rendimento médio de R$ 451,1, contra a remuneração de R$ 724,4 obtida pelos não-negros.

"No início da década de 2000 observamos uma oferta maior de emprego, uma geração maior de trabalho com carteira assinada, além de uma reversão da queda dos rendimentos obtidos com o trabalho. Isso ocorreu em um cenário de crescimento econômico. No entanto, ainda há uma distância significativa em relação à remuneração, considerando os fatores de raça e gênero, e isso não condiz com a condição de trabalho decente", explica o diretor do escritório no Brasil da Cepal, Renato Baumann.

O aumento da presença das mulheres no mercado de trabalho - uma tendência que se verifica desde os anos 70 no Brasil - consolidou-se nos últimos anos. Segundo o relatório da ONU, esse aumento, intenso e persistente, da inserção feminina é uma das tendências mais claras de mudança na estrutura do mercado de trabalho nas últimas décadas, tanto no Brasil quanto em toda a América Latina.

Essa evolução ratifica uma tendência de mais longo prazo, de acordo com a ONU, e está associada, entre outros fatores como o aumento da escolaridade feminina, ao processo de transição demográfica que reduz o número de filhos por mulher, a uma maior expectativa feminina de autonomia econômica e realização pessoal e a uma maior necessidade, intenção ou disponibilidade de contribuir para a manutenção ou elevação da renda familiar.

Baumann destaca, no entanto, que os avanços, que ele chama de "áreas de luz", não podem esconder as ainda existentes "áreas de sombra", em relação ao mercado de trabalho no Brasil. "É inegável que houve aumento da participação de mulheres e negros. Também houve aumento da remuneração desses dois grupos, mas não a ponto de termos a eqüidade."

O relatório aponta que "ainda é alta a desigualdade entre as taxas de participação das mulheres e dos homens, o que reflete as dificuldades que elas enfrentam, em especial as mais pobres e menos escolarizadas, para ingressar e permanecer no mercado de trabalho".

"São as mulheres pobres que encontram maiores dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, como conseqüência, entre outros fatores, dos obstáculos que enfrentam para compartilhar as responsabilidades domésticas, em particular o cuidado com os filhos", conclui o estudo.

CEF e BB investirão em índios e catadores


Ação social da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil pretende aprimorar saneamento e habitação também entre quilombolas


SARAH FERNANDES
da PrimaPagina


Uma parceria entre a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil pretende levar projetos de habitação e saneamento básico para 2.160 famílias de indígenas, quilombolas e catadores de materiais recicláveis das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. A idéia é criar um grupo técnico com funcionários das duas instituições para definir quais projetos podem ser implantados no prazo de um ano.

A cooperação entre os bancos existe desde 2007 e é renovada anualmente na forma de uma carta de compromisso. O documento para 2008-2009 foi lançado no Seminário Nacional Nós Podemos, realizado em 13 de agosto, em Brasília. A terceira edição do evento teve a intenção de promover ações que ajudem a avançar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015).

A nova carta de compromisso estabelece que saneamento e moradia são áreas prioritárias para projetos, e que as instituições devem executá-los a partir de iniciativas já existentes, como os programas habitacionais da Caixa e as estratégias do Banco do Brasil para desenvolver regiões pobres. O programa também deve implantar iniciativas para a criação de negócios e geração de renda. Os resultados dos projetos devem ser apresentados em agosto de 2009.

Os dois bancos pretendem criar, ainda este mês, um grupo técnico com sete funcionários de cada instituição, que ficam responsáveis por definir os projetos e o tempo de duração de cada um. “A idéia é implantar ações que gerem independência, que permitam que, no futuro, a comunidade se mantenha sozinha, a partir do apoio da Caixa e do Banco do Brasil”, afirma Sérgio Riede, gerente de responsabilidade socioambiental do Banco do Brasil.

A nova carta de compromisso prevê continuar o trabalho nas 2.160 famílias já atendidas em 2007 e ampliar o programa para mais 131 municípios da Caatinga, contemplando as regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.


Fonte: site do PNUD

Djavaneando em Maceió


Djavan Caetano Viana é considerado um dos maiores mestres da música popular brasileira, combina tradicionais ritmos sul-americanos com música popular da América, Europa e África. Na sua discografia (1976 – 2008), possui 18 cds e 2 dvds, repleto de grandes sucessos.
Para obter mais informações sobre a trajetória desse músico-poeta alagoano, entre no site: www.djavan.com.br.

Educafro realiza Sabatina com os(as) principais candidatos(as) à Prefeitura de São Paulo


A Educafro – Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes – desafiou os(as) principais candidatos(as) à Prefeitura de São Paulo a apresentarem seus projetos de governo voltados à promoção da igualdade étnico-racial e combate ao racismo. A atividade recebeu o nome de "Sabatina Afro", pois os candidatos se submeterão a questionamentos referentes aos principais desafios enfrentados pela população negra do município de São Paulo.

Essa pratica sempre foi destaque na Educafro em tempos eleitorais. Ou seja, pautar os partidos (de esquerda e de direita) e todas as plataformas de governo com as reivindicações de políticas públicas e ações afirmativas étnico-raciais! Nos anos anteriores, organizamos debates com candidatos (as) nas eleições municipais e estaduais. Neste ano, a Direção da Sede convida, mais uma vez, a comunidade negra, os membros da Educafro e os líderes comunitários das diversas periferias da capital para sabatinarem os(as) candidatos(as) à Prefeitura de São Paulo.

A série de "Sabatinas-Afro" será realizada no Salão São Francisco - Paróquia São Francisco, na Rua Riachuelo, 268, Centro de São Paulo, sempre às 18 horas. As discussões serão mediadas pelo Frei Valnei Brunetto, diretor-executivo da Educafro.


Confirmaram presença os seguintes candidatos:
Ivan Valente (PSOL) - 05/09
Marta Suplicy (PT) - 25/09
Soninha Francine (PPS) - 18/09
Geraldo Alckmin (PSDB) - 19/09
Gilberto Kassab (Democratas) - 26/09


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Presidente da Fundação Cultural Palmares participa de missão à África

Na próxima quarta-feira, 10 de setembro, o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, acompanha o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o governador da Bahia, Jaques Vagner, na comitiva que vai ao Benin para assinar um Acordo de Cooperação Cultural entre o Brasil e o país africano.

Serão assinados dois aditivos. O primeiro estabelece uma mútua cooperação entre os dois países para a implantação de um programa de intercâmbio cultural permanente entre o Estado da Bahia e a República do Benin, e vai contemplar atividades como:

*O intercâmbio entre professores nas áreas de História e Cultura, de modo a apoiar o programa de implantação do ensino obrigatório da matéria História e Cultura Afro-brasileira em todas as escolas do Estado da Bahia, bem como para a implantação do ensino da Língua Portuguesa e da História e Cultura da Bahia no Benin, para atender às populações beninenses descendentes de brasileiros, os Agoudas;

*Intercâmbio de estudantes para a realização de cursos universitários e de formação profissional; e a promoção de intercâmbio entre bibliotecas e acervos diversos relacionados com a temática da história e cultura afro-brasileira, incluindo treinamento de pessoal, troca de material impresso e informações, e suporte digital.

Já o segundo aditivo considera a importância que o povo baiano assegura às suas relações de sangue com o Reino de Ketu e com o Povo do antigo Reino do Dahomé, ambos integrantes do atual povo do Benin, considerado como matrizes das práticas culturais daqueles chamados de Nagôs e de Gêges. Por isso, estabelece uma cooperação econômica e comercial de modo a compartilhar saberes e fazeres africanos e brasileiros em busca da autonomia dos povos em desenvolvimento, como:

*Intercâmbio na área de pesquisa e tecnologia que são utilizadas no Oeste Baiano, dado os índices de produtividade e qualidade do algodão da Bahia;
*Intercâmbio de experiências e de tecnologia, a formação e o aperfeiçoamento de recursos humanos na área de agroindústria de pequeno porte, na área da indústria têxtil; na área de pesca artesanal; entre outros.

Participam ainda da comitiva, o deputado baiano Luis Alberto Silva dos Santos; o presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro; a secretária de Promoção da Igualdade da Bahia, Luíza Bairros; o secretário de Cultura da Bahia, Márcio Meirelles, e o secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, Rafael Amoedo.

Fonte: Ascom Fundação Cultural Palmares