sexta-feira, 9 de maio de 2008

13 DE MAIO: Festa ou protesto?

ARTIGO

13 DE MAIO: Festa ou protesto?


Helcias Pereira
· Militante do Movimento Negro alagoano há mais de 20 anos.
· Secretário de Cultura do Anajô
· Conselheiro do Instituto Magna Mater



Há vinte anos o Brasil presenciava uma série de protestos promovidos por vários segmentos representativos da sociedade afro-brasileira. De fato, se por um lado houve quem comemorasse os cem anos da abolição da escravatura como algo positivo, concomitantemente, diversos segmentos organizados do Movimento Negro realizaram grandes protestos nos vários Estados da Federação. Um exemplo que se destacou na mídia foi a MARCHA CONTRA O CENTENÁRIO DA ABOLIÇÃO no Rio de Janeiro, a qual causou uma série de confrontos, chegando inclusive a ser proibida pelo Governo que acionou as forças militares para o impedimento.

Centenas de novos grupos de consciência negra se articularam nesse período, levando alguns nacionalmente organizados a se fortalecerem ainda mais, a exemplo dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil que perpassaram as fronteiras do Sul e Sudeste, ampliando-se pelo Centro Oeste e Norte-Nordeste. Ações políticas se dimensionaram em favor da comunidade negra; surgiram novas lideranças e vislumbrava-se uma evidente nova fase de luta e de organização do Movimento Negro Nacional.

De fato, associar a Princesa Izabel ao mérito da questão seria pejorativar ainda mais a idéia de “subserviência” do povo negro e, sobretudo, maquilar a realidade, fortalecendo a ideologia do branqueamento que por si só alimenta de forma vergonhosa a prática do racismo e das várias outras discriminações. Seria como rasgar ou queimar as páginas da história, como o fez Rui Barbosa, ou ainda fazer ecoar discursos racistas e segregacionistas como assim fizeram alguns parlamentares a exemplo de Tavares Bastos. Enfim, atribuir diferenças étnico-raciais à superação de valores, é definitivamente negar ou literalmente ignorar todos os fatos históricos que condicionaram o povo negro a viver nos dias atuais as conseqüentes miseráveis condições de vida na sua maioria. Seria inclusive a tentativa de negação da luta de tantos abolicionistas, irmandades e sesmarias que ao longo da “escravidão” sempre lutaram para organizar o povo oprimido e conseqüentemente sua verdadeira libertação através da união e de uma organização eminentemente político-sócio-cultural e religiosa.

Estamos há cento e vinte anos da tal abolição da escravatura, equivocadamente ou não o 13 de maio tem sido para várias casas afro-religiosas, sobretudo umbanda, uma data em que se comemora o dia dos Pretos (as) velhos, onde se reúnem para refletirem a importância da sabedoria dos antigos, e assim unificarem ainda mais através de momentos coletivos de refeições como a Feijoada de Preto Velho, além dos mushakás e orikís em homenagem aos ancestrais.

Politicamente, o Movimento Negro conseguiu tornar o 13 de maio - Dia Nacional de Luta Contra a Discriminação Racial, e de fato, galgando no decorrer dos anos importantes vitórias relativas à questão. O racismo não só se tornou algo abominável, como teve de ser considerado CRIME na constituição brasileira, conseguindo inclusive enquadrar alguns agressores no crivo da justiça, com prisões e condenações, mesmo que essa prática ainda seja ínfima, considerando as inúmeras e cotidianas agressões, muitas vezes sequer denunciadas.

É necessário que haja uma grande reflexão em torno desta temática. São 120 anos cujos direitos à dignidade e a igualdade racial apontam para um comportamento maquilador da realidade, donde se fala em Democracia Racial e na prática, de forma camuflada, permeia-se um terrível sistema eurocêntrico, etnocêntrico e segregacionista, anulando desta forma as condições de igualdade e estigmatizando ainda mais o povo afro-brasileiro.

Comemorar o quê nesses 120 anos da abolição? Os milhares de afros-descendentes desempregados? A negação histórica de oportunidades que pudessem e podem consolidar uma vida digna e cidadã na sua maioria? A falta de Políticas públicas realmente “reparadoras” de todas as infames agressões ao povo negro por mais de quatro séculos?

É fato que não apenas a comunidade negra e seus segmentos sociais devem se preocupar em combater esses males. A sociedade brasileira precisa ser a cada dia sensibilizada e fomentada nessa incumbência, tendo em vista que setores institucionais já apontaram para essa necessidade, de gerir ações de promoção da igualdade racial, mas que ainda não abrange o todo, visto que o racismo se manifesta nos mais recônditos espaços e em todos os setores sociais.

Conhecer a história com visão crítica é mais que preciso, analisar com discernimento as conseqüentes situações de miserabilidade em que nosso povo ficou pós-assinatura da Lei Áurea é inevitável, e sobretudo, combater todas as atrocidades cometidas pelo sistema e pela sociedade racista em geral, é imprescindível.

Precisamos dimensionar a experiência de Aqualtune, Ganga-Zumba, Zumbi, Camuanga, Banga e tantos outros guerreiros; contar e recontar a história do quilombismo palmarino (1597-1704); conhecer experiências ímpares da imprensa negra brasileira a exemplo do “Clarim da Alvorada” - (1924-1932) e alguns antecessores de igual importância, como a “Sentinela” (1920); “O bandeirante e a liberdade” (1919); “O alfinete” (1918), e ainda, conhecer o processo de luta dos abolicionistas a exemplo de José do Patrocínio, André Rebouças, Cruz e Souza, Henrique Dias, Luiz Gama, entre outros.

No mais, desde os grandes e ilustres intelectuais aos mais recentes simpatizantes da causa negra e pela promoção da igualdade racial, o 13 de maio precisa ser dimensionado numa ótica critica e reflexiva, que fomente no seio da sociedade uma prática mais humana e cidadã, negando a prática da discriminação como um todo e promovendo a igualdade racial como um sinal de respeitabilidade à diversidade, combatendo a intolerância e todas as formas de discriminação.

Convite: Sessão Pública

Clique na imagem para ampliar.

Malungos do Ilê ativos na Semana do 13

O Centro de Cultura e Cidadania Malungos do Ilê é um grupo político cultural ligado ao movimento negro alagoano, que há 14 anos desenvolve atividades de formação com jovens no bairro do Bebedouro em Maceió. Tem como principais objetivos: o combate do racismo, promover uma educação pluriétnica em prol de políticas públicas, resgatar a cultura afro-brasileira e ameríndia.

Na semana dos “120 anos de abolição e resistência” o grupo fará uma gincana afro reflexiva e panfletagem sobre a realidade do povo afro-brasileiro. Veja a programação:

10/05/08 (sábado) - Gincana afro reflexiva e debate sobre a situação dos afrodescendentes após 120 anos de abolição. O que comemorar? A atividade será realizada na Escola Bonifácio Silveira (Bebedouro) a partir das 8h.

12/05/08 (segunda-feira) - Panfletagem nas Escolas Pólos do bairro, onde os integrantes do Malungos do Ilê estudam.

13/05/08 (terça-feira) - Panfletagem na Praça Lucena Maranhão (Bebedouro) às 17h, com apresentação de capoeira e batuque em protesto a falsa abolição.

Contatos:
(82) 3314-2393 / 8817-1803
malungosdoile@bol.com.br

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Cojira e Guesb realizam seminário sobre mídia e religiosidade afro

A Comisssão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Alagoas), do Sindicato dos Jornalistas (Sindjornal), realiza em parceria com o Grupo União Espírita Santa Bárbara (Guesb), o seminário “120 anos de Resistência: mídia e a religiosidade afro”. O evento faz parte de uma série de atividades organizadas com o objetivo de promover momentos de reflexão sobre os 120 anos da abolição da escravatura e as desigualdades sociais que atingem a população negra no Brasil.

O Seminário será realizado neste sábado (10.05) na sede do Guesb, situado à rua São Pedro, nº 10, no conjunto Vilage Campestre II, a partir das 9h. Haverá ônibus para transportar os interessados em participar do evento, saindo da praça Sinimbu, no Centro, impreterivelmente, às 8h. O retorno está marcado para às 18h, e as inscrições são gratuitas. O seminário pretende desmitificar a religião afro, explicando sua contribuição sócio-cultural e o papel da mídia nesse contexto.

A programação tem início às 9h, com mesa de abertura, depoimento da ialorixá Neide de Oxum, orientadora espiritual do Guesb, seguido da exibição de um documentário sobre a religião afro e comentário do professor Dalmer Pacheco, do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e debate.

Após o almoço cultural, às 14h, o seminário prossegue com a palestra “Abordagem da mídia sobre a religião afro e o impacto na sociedade”, tendo como palestrante a cientista social Ana Cláudia Laurindo e a jornalista Valdice Gomes, da Cojira-AL e vice-presidente do Sindjornal, que vai falar sobre os avanços e desafios das Cojiras no Brasil.

Às 16h, o tema em debate será “Desmitificando a religião afro e conhecendo sua contribuição sócio-cultural, tendo como palestrantes a ialorixá Mirian e o babalorixá Célio Rodrigues.

As inscrições podem ser feitas pelos telefones 3378-7317 (falar com Luciana), 3326-9168 (Sindjornal) e 9999-1301 (falar com Valdice). Podem participar jornalistas, estudantes de jornalismo, integrantes do movimento negro e demais interessados.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ativista marca vida com orgulho e desilusão




Apesar de sofrer ao lado da família, John Carlos não se arrepende do gesto que se tornou símbolo mundial anti-racismo, mas lamenta ver, 40 anos após os Jogos do México, que quase nada mudou







O "panteras negras" Smith e Carlos no pódio



Por: MARIANA LAJOLO
Folha de São Paulo / Carderno de Esportes


O gesto no pódio se transformou em símbolo mundial de luta pela igualdade racial.Tommie Smith e John Carlos, de luvas, descalços, ergueram os punhos e repetiram a saudação dos Panteras Negras ao som do hino dos EUA. Arriscaram suas carreiras para marcar posição contra o racismo.

Logo descobriram que, heróis para o mundo, podiam ser considerados vilões em seu país. E haviam, também, colocado suas vidas em risco.Quarenta anos depois do protesto na Cidade do México, os Jogos Olímpicos novamente estão às voltas com questões que transcendem o esporte.

E a habilidade do Movimento Olímpico para lidar com o clamor por respeito aos direitos humanos na China e em Darfur e pela independência do Tibete é similar à mostrada em 1968, quando Smith e Carlos foram expulsos da competição.

"Parece que não aprendemos nada. Já se foram 40, e voltamos à mesma situação. Acredito até que o Comitê Olímpico Internacional hoje seja capaz de impor ainda mais restrições", diz John Carlos, que falou à Folha por telefone.

Nascido no Harlem, em Nova York, filho de mãe cubana e pai descendente de escravos fugitivos de um navio na Espanha, Carlos ficou em terceiro nos 200 m rasos no México. Smith levou o ouro, seguido pelo australiano Peter Norman.

Aquele bronze foi sua única medalha olímpica. O ex-atleta de 63 anos, porém, orgulha-se muito mais de outra conquista."Foi o ato mais importante da minha vida. Nós estávamos falando sobre o que acontecia com negros nos EUA. Mas também falamos sobre todos que sofriam descriminação pelo mundo por causa de sua cor, raça, religião...", declara.

As palavras de orgulho são permeadas por certa melancolia. O gesto em nome da igualdade prejudicou sua família.Quando ele e Smith voltaram aos EUA, os empregos desapareceram. Não havia dinheiro para sustentar a casa, e, certo dia, Carlos fez de sua mobília lenha para se aquecer. Na rua, humilhações eram comuns.

A conseqüência mais grave foi o suicídio, em 1977, de sua primeira mulher, que não suportou viver como exilada no próprio país. Smith perdeu a mãe, que sofreu ataque cardíaco em 1970 ao receber ratos mortos e esterco pelo correio."Foi um grande choque para minha família", afirma Carlos, hoje professor, como Smith.

Nas pistas, o ex-corredor não enfrentou boicotes. Em muitas competições, era atração. Seu protesto, paradoxalmente, também lhe trouxe fama."As pessoas ficavam felizes em me ver. Continuei a correr e dominei minhas provas por mais dois anos", relembra.

Carlos foi punido pelo Comitê Olímpico Internacional e pela entidade que rege o esporte nos EUA. Mas não perdeu sua única medalha, como diziam."Anunciaram que haviam tirado a medalha, mas era propaganda. Eles desistiram.

"O protesto dos Panteras Negras foi planejado para ser mais radical, mas nunca se concretizou. Eles queriam organizar boicote aos Jogos mexicanos.

Hoje, Carlos é contra a idéia que pregava em 1968. Acredita que não levar atletas à Olimpíada de Pequim, por exemplo, seria só uma punição ao povo."O melhor seria boicotar a cerimônia de abertura, o aspecto politico dos Jogos. Se uma autoridade não vai à cerimônia, manda a mensagem ao governo de que não concorda com ele. E diz aos atletas que é seu representante moral", afirma.

O americano ainda crê que os Jogos devam ser palco para protestos, mas é cauteloso.Executá-los em Pequim pode resultar em punições até piores do que as sofridas por Carlos. Pelas regras do COI, são proibidas manifestações de cunho político, racial ou religioso durante a Olimpíada. A entidade, porém, não específica que atos são passíveis de punição e diz que analisará caso a caso.

Teoricamente, um atleta pode falar sobre direitos humanos na China, mas não exibir bandeira pró-Tibete no pódio."Você tem de estudar e avaliar as circunstâncias. E levar em conta seu emocional e seus interesses antes de decidir por esse tipo de ato", diz Carlos.

O ex-atleta declara que não iria a Pequim nem se tivesse dinheiro. "Não estou desiludido com a competição, estou desiludido com a política que cerca a Olimpíada", justifica. Em San Francisco, onde vive, ele participou do "Revezamento da Tocha pelos Direitos Humanos", movimento contra o governo da China.

Sentiu a mesma emoção de quando empunhou o fogo nos Jogos de Los Angeles-1984, em casa. E orgulho por, de novo, tentar fazer algo para que outras vidas sejam melhores.

Convite - NEAB

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da Universidade Federal de Alagoas realizará mais uma reunião do grupo de estudos Diversidade étnico racial/GEDER, do projeto A educação e as relações étnicas.
A atividade acontece amanhã (08.05) das 14:30 às 17h, na sala do NEAB, situada na antiga reitoria - Praça Sinimbu, 206, Espaço Cultural da UFAL.
Tema abordado: Quesito Cor – Programa de Combate ao Racismo Institucional/Saúde.
Palestrante: Professora Ângela Maria B. Bahia de Brito

PELA GARANTIA DOS DIREITOS DAS COMUNIDADES REMANESCENTES DE QUILOMBOS

As entidades abaixo assinadas vêm a público alertar para o risco de retrocesso na garantia dos direitos das comunidades quilombolas. Após serem alvo de intensos ataques veiculados pela imprensa que questionou a legitimidade de seus direitos e sua luta, os/as quilombolas correm o risco de terem seus direitos territoriais cerceados por meio da aprovação de nova instrução normativa que altera o texto da Instrução Normativa 20/2005 do Incra, que estabelece o procedimento administrativo para identificação e titulação dos territórios quilombolas.

A justificativa dada pelo governo para a modificação da instrução vigente baseia-se na necessidade de evitar que iniciativas em curso, junto ao Judiciário e ao Congresso Nacional, suspendam ou anulem o Decreto 4.887/2003 que regulamentou o processo administrativo de reconhecimento dos direitos territoriais previstos no Art. 68 do ADCT da Constituição Federal.

A proposta de nova instrução elaborada pelo governo regride em relação ao estabelecido na IN Incra 20/2005 quanto às concepções sobre identidade quilombola e conceito de território, aos mecanismos para concertação de interesses de Estado e à solução de conflitos que se sobreponham aos territórios quilombolas, à efetividade e celeridade processuais para obtenção do título de propriedade.

Discordamos que a solução para enfrentar as ameaças em curso seja retroceder na garantia de direitos por meio da alteração da instrução normativa do Incra. Na defesa das normas vigentes, temos recentes decisões do Judiciário que reconhecem a auto-aplicabilidade do artigo 68 do ADCT da Constituição Federal e a constitucionalidade do Decreto 4.887/2003.

Preocupado em cumprir a determinação de consulta prévia estabelecida pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais, o governo federal convocou uma consulta aos quilombolas entre os dias 15 a 17 de abril, em Luziânia, Goiás, para discutir a nova norma.

Mesmo discordando do conteúdo proposto para a nova instrução e do procedimento pouco democrático de sua elaboração que não envolveu a sociedade, os quilombolas por meio da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) aceitaram participar de consulta. Cerca de 250 quilombolas e 12 assessorias participaram do encontro, reafirmando o caráter deliberativo do evento e apresentando propostas concretas para a nova instrução normativa.

Ressaltamos que a Convenção 169 da OIT determina no seu Art. 6º(2) que: "a consulta deverá ser efetuadas com boa fé e de maneira apropriada às circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das medidas propostas". No entanto, foram poucos os dispositivos consensuados entre governo e quilombolas.

A maioria das propostas de alteração da atual IN Incra 20/2005 sugeridas pelo governo não obtiveram o consentimento dos quilombolas. Por outro lado, as mais importantes propostas dos quilombolas não foram acatadas tais como: a não obrigatoriedade da certidão da Fundação Cultural Palmares para início do processo de titulação e a adequação dos quesitos do relatório destinado a identificar o território a ser titulado.

De acordo com o governo, as propostas de alteração não consensuadas na consulta, serão analisadas pessoalmente pelo Presidente da República e os Ministros das pastas afins. Neste sentido, as organizações abaixo assinadas vêm a público reivindicar que as propostas apresentadas pelos quilombolas sejam realmente consideradas, e mais, aprovadas pelo governo federal.

A não observância, pelo governo brasileiro, dos requisitos de validade da consulta estabelecidos pela Convenção 169 da OIT – chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das medidas propostas – colocará em risco a validade da própria consulta bem como dos resultados que objetivava produzir.

6 de maio de 2008.

Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG)
Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte / Paraná
Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR -Ba)
Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAÍ )
Centro de Cultura Luiz Freire
Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (CEDEFES)
Centro de Cultura Luiz Freire
Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN-MA)
Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae (CEPIS)
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA)
Centro de Estudos Bíblicos no Rio Grande do Sul (CEBI-RS)
Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos (COHRE)
Centro pela Justiça e Direito Internacional (CEJIL)
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Comissão Pastoral da Terra - Regional Maranhão
Comissão Pastoral da Terra Norte Minas
Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP)
Conselho Nacional de Iyálórisás, Egbomys e Ekedys Negras
Coordenação Continental do Grito dos Excluídos/as
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)
Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE)
Educafro
Dignitatis
Instituto Socioambiental (ISA)
Instituto de Assessoria as Comunidades Remanescentes de Quilombo (IACOREQ)
Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)
Instituto Terramar
Justiça Global
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE)
Fórum em Defesa da Zona Costeira do Ceará
Fórum Estadual de Mulheres Negras/RJ
Fórum de Mulheres Negras do Estado de São Paulo
Grupo Ação, Mobilização e Desenvolvimento - ABAKÊ
Grupo de Estudos Rurais e Urbanos/PPGCS/UFMA
Grupo de Trabalho Amazônico (GTA)
Grupo de Trabalho sobre Regularização de Territórios Quilombolas em Minas Gerais
GT Combate ao Racismo Ambiental
GT Ambiente AGB-Rio e AGB- Niterói /Associação dos Geógrafos Brasileiros RJ
Koinonia Presença Ecumênica e Serviço
Movimento Negro Unificado - Seção do Rio Grande do Sul
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Observatório Negro-Recife/PE.
ORIASHÉ - Sociedade Brasileira de Cultura e Arte Negra/SP
Organização Consciência Negra do Maranhão (CNEGRA)
Rede de Integração Verde
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
Relatoria Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente
Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo
Sociedade Maranhense de Direitos Humanos
Terra de Direitos

terça-feira, 6 de maio de 2008

PROGRAMAÇÃO: 120 anos de Abolição e Resistência

Programação Política-Cultural em Alagoas


08/05/08 (quinta-feira): Axé – Missa Afro de Ação de Graças pela Liberdade

A cerimônia ecumênica será ministrada pelo Arcebispo Dom Antonio Muniz, a partir das 19h na Igreja de São Gonçalo (Farol). Busca incentivar o diálogo sobre o combate ao racismo entre os muitos movimentos sociais, religiosos, governamentais visando à construção de uma sociedade verdadeiramente pluralista, com base no reconhecimento e no respeito às diferenças.
A atividade é organizada pela Gerência Étnico Racial da SEEE e a Casa Paroquial e congregará pessoas de todos os credos e etnias. Informações: Gerência de Educação Étnico-Racial - 3315-1268/8815-5794/Casa Paroquial - 3223-8107.


09/05/08 (sexta-feira): Lançamento de curso – História da África

Aula inaugural do curso de História da África, com o Professor Zezito Araújo das 19 às 21h. Trata-se de uma parceria entre a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e o Grupo União Espírita Santa Bárbara (GUESB), que terá nove meses de duração e a participação de 50 pessoas. Informações: 3378-7317.


10/05/08 (sábado): Seminário – “120 anos de resistência: Mídia e Religiosidade Afro”

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (COJIRA/AL) e o Grupo União Espírita Santa Bárbara (GUESB), realizam o seminário das 9 às 18h nas dependências do GUESB: Rua São Pedro, 10, Conjunto Village Campestre II, Maceió.
Enfoque: 120 anos da abolição; desmitificando a religião afro e conhecendo sua contribuição sócio-cultural; papel da mídia nesse contexto e os impactos na sociedade.
Estão convidados os ativistas, acadêmicos de comunicação social, jornalistas e demais interessados. As inscrições são gratuitas pelos telefones: 3378-7317 (GUESB – falar com Luciana) e 3326-9168 (Sindjornal).


11/05/08 (domingo): Rosário das Almas às 18h no GUESB.


12/05/08 (segunda-feira): Sessão Pública sobre os “120 anos da abolição” às 9h na Assembléia Legislativa.


13/05/08 (terça-feira): Dia da Abolição da Escravatura
* Lançamento da Coluna Axé no Jornal Tribuna Independente, produzida pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (COJIRA/AL) que é interligada ao Sindjornal.
* Feijoada dos Pretos Velhos no GUESB.

14/05/08 (quarta-feira): Ato Político contra a intolerância religiosa

18h - Concentração no campo de Futebol "Campo dos 30" por trás da Associação dos Moradores do Conjunto Graciliano Ramos (AMGR).

18h30 - Cortejo afro pelas ruas do bairro até o GUESB, acompanhado pelo batuque do grupo BAQUE ALAGOANO

19h30 - Acolhimento no Grupo União Espírita Santa Bárbara (GUESB):
Mensagem de Abertura da Ialorixá Neide / Cântico: "Toda cidade é D'Oxum"

20h - Leitura do Texto-Base

20h15 - Depoimentos

21h30 - Encerramento com fala especial sobre o tema: OAB-AL e/ou Ministério Público.
Agradecimentos / Cântico: "10 poemas"

22h - Visita ao GUESB / Apresentação cultural: Orquestra de Tambores

Entidades envolvidas na articulação: Banda de Reggae Civilizações Roots; Centro de Cultura e Cidadania Malungos do Ilê; Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô; Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira/AL); Conselho de Mestres de Capoeira de Alagoas; Federação Alagoana de Capoeira (FALC); Fórum de Entidades Negras de Alagoas (FENAL); Instituto Magna Mater; Núcleo de Identidade Negra em Ipioca; Núcleo de Saúde das Casas de Axé; Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro; Ponto de Cultura Quilombo Cultural dos Orixás / Casa de Iemanjá; Intermídia - Núcleo de PesquisasMidiáticas/Ufal; Cátedra FENAJ/UFAL.
Contatos: 3378-7317 (GUESB) / 8865-5520 (Helcias) / 8807-1803 (Paula) / 9999-1301 (Valdice) / 8831-3231 (Helciane) / 9351-3363 (Mônica) / 9119-5730(Jorge)

15 e 16/05/08 (quinta e sexta-feira): Seminário – Saúde nos terreiros

Estão abertas as inscrições para o III Seminário Alagoano das Religiões Afro-Brasileiras e a Epidemia de HIV/Aids nos dias 15 e 16 de maio, no auditório do Espaço Cultural da Ufal – Praça Sinimbu. A atividade é realizada pelo Projeto Afroatitude/FAMED e o Grupo Gay Afro-descendentes Filhos do Axé. Contatos: 9973-7379 (Jorge Riscado) / 8845-9416 (Elias Airá).

17/05/08 (sábado): Toque para as Iabás

A Casa de Iemanjá realizará às 19h o toque dedicado as Iabás, as deusas africanas. Será mais uma ação religiosa que terá como destaque da cerimônia o orixá da casa, onde adeptos e simpatizantes participarão cantado e dançando em homenagem a grande matriarca do panteão africano IEMANJÁ: a mãe e filha do peixe, deusa das águas salgadas. A cerimônia contará também com a confirmação de Ogã (homem participante da religião afro que não incorpora) neste dia estará sendo apresentado para a sociedade como mais novo iniciado, seguindo uma tradição milenar trazida pelos nossos antepassados.
Local: Rua Dona Alzira Aguiar, 429, Ponta da Terra, Maceió.
Contatos: 8819-6762 (Amaurício) / 8819-5850 (Célio)
Aguardem as matérias e fotos neste Blog!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Nota Pública: FCP

A Universidade Pública Brasileira não pode ser palco de ações discriminatórias

A Fundação Cultural Palmares, responsável pela preservação, valorização e difusão das manifestações culturais de origem negra no Brasil, por meio da sua diretoria colegiada, vem a público expressar a sua profunda indignação com as opiniões e comentários do Professor Doutor Antônio Natalino Dantas, coordenador do Colegiado de Cursos da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Ofensivos, discriminatórios e preconceituosos, os comentários do Professor Natalino responsabiliza os baianos com um todo e os afro-descendentes no particular, pelo baixo desempenho dos estudantes da Faculdade de Medicina no último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE).

Este episódio torna-se mais grave pelo fato do referido professor ocupar cargo de relevância na estrutura universitária brasileira, eleito pelos seus pares. Revelou-se ainda a força do preconceito e do racismo ainda presentes na sociedade brasileira, notadamente em espaço que deveria ser a linha de frente da defesa da igualdade e da diversidade - a Universidade Pública brasileira. Os comentários do Professor Natalino merecem ainda o repúdio por que expressam não apenas uma opinião pessoal ou um deslize momentâneo, mas o pensamento, ainda vigente no Brasil, de que a presença dos afro-descendentes e sua contribuição para a formação do país é um elemento menor e negativo do ponto de vista civilizatório.

Quanto às cotas para negros nas universidades públicas brasileiras, a opinião preconceituosa do professor, responsabilizando os cotistas pelo baixo desempenho no ENADE, é a que tem balizado a exclusão dos negros do ensino superior no Brasil. Não há nenhuma prova, por mais tênue que seja, de que sua afirmação seja verdadeira. Pelo contrário, pesquisas, estatísticas e o desempenho dos cotistas têm apontado que o aproveitamento escolar dos estudantes cotistas tem sido igual ou superior aos não-cotistas. Portanto, continuar a luta contra a discriminação racial, ampliar os mecanismos de acesso ao ensino superior para os afro-descendentes e implementar as políticas de ações afirmativas em todos os campos do conhecimento será a resposta mais efetiva que a sociedade baiana poderá dar a estas manifestações de preconceito e discriminação.

Por fim, a Fundação Cultural Palmares expressa a sua mais profunda solidariedade com a posição adotada pelo Reitor da Universidade Federal da Bahia, Professor Naomar Almeida, na certeza de que o seu firme posicionamento pelo afastamento do Professor Natalino da coordenação do Colegiado de Cursos será acolhido pela egrégia Congregação da Faculdade de Medicina. Aliado a isto temos a convicção de que a luta pela melhoria da qualidade do ensino superior no Brasil e a democratização do acesso, consolidado pelo atual governo continuarão caminhando lado a lado.

Zulu Araújo
Presidente da Fundação Cultural Palmares
05/05/2008

Comunidade Gameleiro


A Fundação Cultural Palmares publicou em abril, no Diário Oficial da União o registro e certificação da comunidade remanescente de quilombo Gameleiro, localizada em Olho D´água das Flores. A comunidade sofre desde o final de março com uma decisão da justiça liberando a prefeitura de Olho D´Água a continuar usando a área do quilombo como lixão municipal.

Segundo a gerente afro-quilombola da Secretaria Estadual da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos de Alagoas, Elis Lopes, o que mais preocupa os quilombolas é a chegada do inverno, "pois, como está chovendo muito no nordeste, uma enxurrada pode cair na comunidade e derrubar várias casas", explica. Isso porque, a comunidade fica abaixo do nível do lixão.