terça-feira, 13 de abril de 2010

Cotas na educação

Por: Helciane Angélica


O sistema de cotas na educação é uma das mais importantes políticas afirmativas, existe em vários países como Índia, Canadá e Estados Unidos. No Brasil foi implantado há pouco mais de 10 anos, é destinado aos negros, pardos e indígenas provenientes de escolas públicas.

Atualmente cerca de 60 instituições de ensino superior no país, entre federais, estaduais e particulares já implantaram o Programa de Políticas de Ações Afirmativas e agora, esperam o julgamento do processo movido pelo Partido dos Democratas (DEM) no Supremo Tribunal Federal que querem a eliminação do processo que faz a reserva de vagas.

Na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) as Ações Afirmativas entraram em vigor em 2004, e a cada ano o ingresso de cotistas ficou mais expressivo no processo seletivo, também é o único no Brasil que tem o recorte de gênero. Somente no último ocorreu a adesão de 776 pessoas pelo sistema de cotas e desde a sua vigência, já foram contabilizados cerca de 3.000 estudantes.

Várias pesquisas avaliaram o desempenho dos cotistas nas Universidades, e como resultado foi diagnosticado que esses alunos estão se destacando, apresentam boas notas e participam dos projetos de extensão e pesquisas. Trata-se de um mecanismo de inclusão social e racial, que busca dar oportunidades aos afro-descendentes de terem formação superior, principalmente, a possibilidade de mudar suas vidas e da própria sociedade com suas profissões.

O método paliativo é na verdade, um ato de reparação aos efeitos danosos da escravidão no Brasil que ainda contribuem para a perpetuação dos atos discriminatórios. O movimento social negro desde a década de 1970 vem pressionando o Estado para a implementação de políticas que combatam à discriminação racial nos mais diversos setores. Atualmente, segue firme com a mobilização em defesa das cotas, participando das audiências públicas, realizando ações sócio-educativas e investindo pesado na campanha Afirme-se, que consiste na arrecadação de recursos financeiros para a viabilização de uma publicidade étnica (informativa e de apoio às cotas) nos grandes meios de comunicação – acesse: www.afirmese.blogspot.com.

É lógico que o ideal seria não precisarmos de cotas e que a educação de qualidade fosse acessível a todos desde os primeiros anos de vida. As polêmicas e críticas são inevitáveis, mas enquanto houver injustiças contra as pessoas que possuem mais melanina (pigmento que dar a cor da pele) em um país onde 50,6% da população é composta por afrodescendentes, é o sinal que a luta contra a inferioridade sócio-cultural deve continuar. Axé!


Fonte: Coluna Axé - Tribuna Independente (13.04.10)

domingo, 11 de abril de 2010

OAB decidirá posição em Audiência pública

Depois de uma defesa tímida na Audiência pública promovida por iniciativa do ministro Ricardo Lewandowski do Supremo Tribunal Federal, no mês passado - quando seu representante, Miguel Ângelo Cançado, limitou-se a considerações genéricas sobre o tema - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil se reúne na próxima terça-feira (13/04) em Audiência pública para debater a questão da reserva de vagas no ensino superior.

A Audiência pública acontecerá na sessão plenária da entidade, que começa as 14h no edifício sede da OAB, em Brasília, e será dirigida pelo próprio presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante. O novo ministro chefe da Secretaria Especial da Igualdade Racial (SEPPIR) Elói Ferreira de Araujo, já confirmou presença.

A posição da Ordem na audiência chamou a atenção porque o presidente anterior, Cézar Roberto Bitencourt manifestou seguidas vezes e de forma enfática, o apoio à política de cotas para negros e indígenas nas Universidades públicas.

Durante os três dias da Audiência pública convocada pelo Supremo (de 03 a 05/03), um grupo de advogados negros – comandados pelo Ouvidor Humberto Adami e pelos advogados Marcelo Dias, do Rio, e André Luiz Souza Costa, do Ceará – esteve na Ordem para pedir um posicionamento da entidade. Na ocasião, o presidente Ophir Cavalcante prometeu realizar a Audiência Pública que acontece na terça.



Fonte: Afropress

sábado, 10 de abril de 2010

Documentação fotográfica do Iteral será apresentada no sábado (10), no município de Pariconha

Um acervo de cultura e resistência. São crianças, jovens, adultos e idosos. Verdadeiras comunidades de negros e – também albinos - quilombolas espalhados por Alagoas. Famílias que guardam um pouco da história da época em que os escravos procuravam um lugar sossegado para organizar uma nova vida.

Os costumes e tradições dos remanescentes quilombolas no Estado estão registrados em mais de 3 mil fotografias. A documentação visual é resultado do mapeamento etnográfico realizado pelo Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral). Em forma de exposição itinerante, as fotos estarão no próximo sábado (10) no município de Pariconha, distante 354 km de Maceió.

A cidade de Pariconha possui três comunidades quilombolas: Burniu, Malhada Vermelha e Melancias. As duas primeiras já foram reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares. Melancias está em processo de trabalho pelo Iteral. De 5 a 11 de abril a cidade comemora 18 anos de emancipação política.

“Além da exposição, faremos uma apresentação de slides com fotos e pequenos textos com a história de cada comunidade. Também será apresentado um vídeo etnográfico”, explicou a socióloga Sandreanna Melo, responsável pelo registro imagético do Iteral.

Sandreana iniciou o trabalho com quilombolas em 2008, mas trabalha há seis anos com fotografia. Faz parte do Laboratório de Antropologia Visual de Alagoas de Alagoas. Tem cursos com professores e antropólogos como Milton Guran, Siloé Amorim e o fotógrafo alagoano Celso Brandão.


Fonte: Suana Nobre - Assessora de Comunicação

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Resultados Étnicos da Conferência Nacional de Educação

por Arísia Barros

http://www.cadaminuto.com.br/index.php/blog/raizes-da-africa

Em um momento ímpar de exercício coletivo e fraterno do poder argumentativo um equilibrado caldeirão étnico de povos e ideologias mobilizou a plenária da Conferência Nacional de Educação, ocorrida de 28 de março a 01 de abril, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães em Brasília, na aprovação de TODAS as propostas que legitimam os grupos de menor representatividade política na configuração étnico-cultural e sócio-educacional do Plano Nacional de Educação do próximo decênio.


Ganhamos a primeira batalha. Que nossa unidade de luta torne-se cúmplice na utilização de novos mecanismos para mobilizar bases de sustentação no Congresso Nacional para a conseqüente aprovação de um novo Plano Nacional de Educação como política de estado. São as seguintes diretrizes do Eixo VI – Justiça Social, Educação e Trabalho: Inclusão, Diversidade e Igualdade que foram contempladas:

279 I- Quanto às relações étnico-raciais:

a) Garantir a criação de condições políticas,pedagógicas, em especial financeiras,para a efetivação do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana (Lei nº 10.639/03) no âmbito dos diversos sistemas de ensino, orientando-os para garantir a implementação das respectivas diretrizes curriculares nacionais, desde a educação infantil até a educação superior,obedecendo prazo e metas definidos no Plano Nacional de Educação e novo Plano Nacional de Educação e implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira (Lei n° 10.639/03) e dispondo de recursos provenientes de vinculação ou subvinculação definidas nas Leis nº. 10.639/03 e nº.11.645/2008.


b) Garantir o cumprimento integral dos artigos da Resolução 01/2004 do CNE/CP e que sejam considerados os termos do Parecer CNE/CP 03/2004.


c) Garantir que as instituições de ensino superior cumpram o Art. 1º, § 1º e o Art. 6º da Resolução 01/2004 do CNE/CP.


d) Construir um lugar efetivo no Plano de Desenvolvimento da Educação, para a educação das relações étnico-raciais, de acordo com a Lei n. 10.639/03 e suas modificações posteriores, bem como da Resolução CNE N.01/2004, do Parecer CNE N.03/2004 e do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e Ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras.


e) Implementar dentro da política de formação e valorização dos/das profissionais da educação a formação para de acordo com a Lei n. 10.639/03 e n.11.645/08 e suas diretrizes curriculares.


f) Ampliar a oferta,por parte das instituições de ensino superior públicas, de cursos de extensão, especialização,mestrado e doutorado sobre relações étnico-raciais, afro-brasileira, africana e indígena no Brasil, e a história e cultura afro-brasileira e africana.


g) Criar mecanismos que garantam acesso e permanência de populações de diferentes origens étnicas, considerando a composição étnico-racial da população,em todas as áreas e cursos da educação superior.


h) Garantir as condições institucionais de financiamento, para sensibilização e comunicação, pesquisa, formação de equipes, em regime de colaboração para
a efetivação da Lei.


i) Implementar ações afirmativas como medidas de democratização do acesso e da permanência de negros/as e indígenas nas universidades e demais instituições de ensino superior públicas e garantir condições para a continuidade de estudos em nível de pós-graduação aos formandos que desejam avanço acadêmico.


j) Introduzir, junto a Capes e CNPq, a educação das relações étnico-raciais, afro-brasileira e indígena, e a história e cultura africana e afro-brasileira como uma subárea do conhecimento dentro da grande área das ciências sociais e humanas aplicadas.


k) Desenvolver políticas e ações, especialmente na educação básica e superior, que contribuam para o enfrentamento do racismo institucional, possíveis de existir nas empresas, nas indústrias e no mercado de trabalho,esclarecendo sobre as leis que visam combater o assédio moral, sexual e demais atos de preconceito e desrespeito à dignidade humana.


279 A- Quanto à Educação Quilombola


279 B- Garantir a elaboração de uma legislação específica para a educação


quilombola, com a participação do movimento negro quilombola, assegurando o direito à preservação de suas manifestações culturais e à sustentabilidade de seu território tradicional.


279 C- Assegurar que a alimentação e a infraestrutura escolar quilombola respeitem a cultura alimentar, observando o cuidado com o meio ambiente e a geografia local.


279 D- Promover a formação específica e diferenciada (inicial e continuada) aos profissionais das escolas quilombolas, propiciando a elaboração de materiais didático-pedagógicos contextualizados com a identidade étnico-racial do grupo.


279 E- Garantir a participação de representantes quilombolas na composição dos conselhos referentes à educação, nos três entes federados.


279 F- Instituir um programa específico de licenciatura para quilombolas, visando garantir a valorização e a preservação cultural dessas comunidades étnicas.


279 G-. Garantir aos professores quilombolas a sua formação em serviço e, quando for o

caso, concomitantemente com a sua própria escolarização.


279 H- Instituir o Plano Nacional de Educação Quilombola, visando à valorização plena das culturas das comunidades quilombolas, a afirmação e manutenção de sua diversidade étnica.


279 I- Assegurar que a atividade docente nas escolas quilombolas seja exercida preferencialmente por professores/as oriundos/as das comunidades quilombolas

Reunião do GT Itinerante Raça e Etnia será em Maceió

Em cumprimento às deliberações da Plenária da FASUBRA, dos dias 12 e 13, da Federação, a Direção Nacional convoca suas entidades de base para participar do GT ITINERANTE DE RAÇA E ETNIA, visando dar sequência aos encaminhamentos acertados na última reunião do GT, ocorrida em agosto de 2009.

O GT Itinerante da FASUBRA Sindical acontecerá no auditório do Pajuçara Praia Hotel, na Avenida Antônio Gouvéia nº 197, na praia de Pajuçara. A Comissão Organizadora do GT informa que não há mais disponibilidade de hospedagem, no local do evento.

A Direção Nacional da FASUBRA Sindical lembra a importância deste evento, considerando a luta história que a Federação tem empreendido ao longo dos anos no tocante às políticas sociais e anti-racismo.

Entre os temas a serem abordados na reunião do GT, que também terá caráter formativo, está a defesa de políticas afirmativas, materializada nesse momento na defesa das cotas nas Universidades, a qual é uma centralidade na construção de políticas públicas que superem as desigualdades hoje vivenciadas.

Ainda não há data para o julgamento da ação do Democratas, mas a expectativa é que a apreciação ocorra ainda neste semestre. Os procuradores da UnB estimam que o ministro Ricardo Lewandowski, relator do caso no STF, vai colocar o tema em pauta ainda neste semestre, em decorrência de que ele assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral no segundo semestre, quando acontecem as eleições, segundo informes da página da UnB na internet.

Nesse sentido, a DN da FASUBRA Sindical julga imprescindível a participação dos(as) companheiros(as) das Bases da FASUBRA, que militam nesta área de atuação, razão pela qual a DN solicita todo empenho das Entidades para o envio de seus representantes. Lembramos que no dia 10 acontecerá uma visita a Serra da Barriga, localizada no município de União do Palmares, distante 80Km da capital alagoana. O transporte deverá sair às 7 horas da manhã da sede do SINTUFAL com retorno programado para às 17 horas.


Fonte: Assessoria

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Jornalistas se solidarizam com colega vítima de racismo e acusado se defende

Em nota oficial lançada no dia 31 de março a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (CONJIRA) se solidarizou com a jornalista Juliana Albino, que denunciou ter sido vítima de racismo. Apontado como autor da agressão, o mestre de cerimônias da Feira Internacional de Serviços de Turismo (Fistur), Manoel Costa, nega que tenha havido algum tipo de agressão física ou verbal.

Coordenadora de redação do site de hotelaria Hôtelier News, Juliana Albino denunciou que o ato de racismo ocorreu no dia 29 de março, no Palácio das Convenções, no Parque Anhembi, em São Paulo. Ela estava trabalhando na sala de imprensa da Fistur quando Manoel Costa começou a tirar seus pertences de lugar. Após pedir para que ele não fizesse aquilo, Costa respondeu que o lugar era público e, após ela retrucar que o lugar era público, mas os pertences eram dela, o mestre de cerimônia respondeu "Cala sua boca negrinha, cala sua boca e volte para senzala".

A jornalista contou que, ao ser procurada para tomar providências sobre o problema, a assessora do evento, Daniela Buono, se eximiu afirmando que não tinha tempo para resolver "picuinhas". Revoltada, Juliana registrou boletim de ocorrência no 13º DP de São Paulo.

O crime de racismo é inafiançável e imprescritível de acordo com a Lei 7.716/89, lembra a nota oficial da COJIRA, que registra que se algum dos agressores for jornalista, estará caracterizada a infração ao Código de Ética da categoria, o que pode redundar no encaminhamento do caso ao Ministério Público.

O outro lado
Em mensagem enviada para a FENAJ nesta segunda-feira, 5 de abril, o mestre de cerimônias Manoel Costa diz que tanto ele quanto outros envolvidos neste caso estão “chocados e surpresos com a repercussão” do fato, publicado em diversos veículos. Segundo ele, o que ocorreu foi “uma rápida discussão com a jornalista Juliana Albino, presenciada por algumas pessoas, em que não houve nenhum tipo de agressão física ou verbal”.

Costa informa que, na quinta-feira passada, comunicou-se por e-mail com o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Guto Camargo, e por telefone com o coordenador da Cojira-São Paulo, Flávio Carranza, buscando esclarecer os fatos.

“Até que se prove o contrário, não sou racista, não procurei ofender ninguém e nem utilizaria este fato isolado para denegrir a vida de alguém. Estou sendo tratado publicamente como um criminoso, sem o justo direito de me defender. Estou sendo pré-julgado e sentenciado sem a devida apuração dos fatos”, argumenta Manoel Costa, sustentando a jornalista Daniela Buono, assessora de imprensa do evento, procurou apaziguar os ânimos e pôr um fim à situação, “não sendo omissa como fez crer a jornalista Juliana”.

Como ele próprio lembra, depoimentos estão sendo tomados visando a devida apuração dos fatos.


Fonte: Fenaj

terça-feira, 6 de abril de 2010

Seppir – sete anos

Por: Helciane Angélica


A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) comemorou o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial (21.03) no dia 31 de março, com o evento sobre “O Brasil e o mundo 50 anos após o massacre de Shaperville”.

A programação foi realizada no Salão Negro do Ministério da Justiça em Brasília, com a discussão dos temas: “Os desdobramentos da Conferência de Durban e seus reflexos na América Latina”; “A promoção da igualdade racial na construção de novos parâmetros para as políticas públicas”; e “A sociedade civil como parceira e indutora da transformação social” – respectivamente ministrados por: Maria Inês Barbosa (sanitarista e especialista em relações étnico-raciais), Mário Teodoro (Diretor de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA) e Cida Bento (Diretora executiva do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade - CEERT).

A ocasião, também serviu para comemorar os sete de criação da Seppir e realização da cerimônia de transmissão de cargo de ministro da Igualdade Racial, Edson Santos repassou a responsabilidade para o amigo e ex-secretário-adjunto, Eloi Ferreira Araujo. A representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil, Marie-Pierre Poirier, foi uma das convidadas ilustres da solenidade e fez questão de lembrar que o país é signatário da convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) pela eliminação de todas as formas de discriminação e é um país-modelo por adotar mecanismos que promovam a igualdade racial, a exemplo a própria Seppir considerada “um marco histórico”, e a Lei nº10.639/2003 que busca a implementação do ensino da África e da Cultura Afro-brasileira em todas as escolas brasileiras.

A implantação da Secretaria Especial foi uma das inúmeras reivindicações e conquistas do movimento social negro, porém, tem muitos obstáculos que enfrentar como: a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial no Senado Federal; a implantação do Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa, que prevê a legalização fundiária dos imóveis ocupados por terreiros de umbanda e candomblé e até o tombamento de casas de culto; dar agilidade e melhor acompanhamento às comunidades quilombolas na titulação e reconhecimento; ampliar as ações de combate ao racismo institucional, dentre outras demandas. A luta por respeito e igualdade de oportunidades, é árdua e constante, então continuaremos em frente! Axé!


Fonte: Coluna Axé - Jornal Tribuna Independente (06.04.10)

sábado, 3 de abril de 2010

Plenária aprova vagas em universidade para escolas públicas

A Conferência Nacional de Educação (Conae), terminou nesta quinta-feira, 1º. Entre as propostas aprovadas está a reserva de 50% das vagas nas universidades públicas para alunos egressos de escolas públicas, sendo respeitada a proporção de negros e indígenas em cada ente federado, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Também foi sugerida a destinação de 50% dos recursos obtidos a partir da extração do petróleo da camada pré-sal para a educação. Destes, 30% ficariam com a União para investimento em educação profissional e superior e 70%, com estados e municípios para aplicação na educação básica.

Outra questão aprovada entre os participantes da conferência foi a eleição de diretores de escolas. Os delegados concordaram ainda com a consolidação de uma política de educação de jovens e adultos voltada para a formação integral do indivíduo, que possa alcançar, inclusive, os que se encontram em situação de privação de liberdade.

O documento completo, com todas as deliberações, estará disponível até o final do mês na página eletrônica da conferência e será encaminhado a todos os delegados por correio eletrônico.

As propostas foram votadas em seis reuniões de eixos temáticos, na terça e na quarta-feira, e na plenária geral, nesta quinta. O texto aprovado nesta plenária servirá como base para a elaboração de políticas educacionais, especialmente do Plano Nacional de Educação (PNE).

O documento começou a ser construído nos debates realizados em 27 conferências estaduais e 1,5 mil municipais, no ano passado. Na Conae, os 2,5 mil delegados de todo o país foram responsáveis por propor e aprovar modificações ao texto.

Eixos – Os assuntos debatidos na Conae foram divididos em seis grandes grupos. O eixo 1 tratou de questões ligadas ao papel do estado na garantia do direito à educação de qualidade: organização e regulação da educação nacional. O eixo 2 debateu a qualidade da educação, gestão democrática e avaliação; o 3, democratização do acesso, permanência e sucesso escolar. A formação e valorização dos profissionais da educação foi tema do eixo 4. Os eixos 5 e 6 se referiram, respectivamente, ao financiamento da educação e controle social e à justiça social, educação e trabalho: inclusão, diversidade e igualdade.

Fonte: Portal MEC

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Violinista do AfroReggae é enterrado ao som de 'Asa Branca'

Diego Frazão, de 12 anos, foi diagnoticado com leucemia. Orquestra será batizada com nome de músico mirim.


Ao som da Orquestra AfroReggae, foi enterrado na tarde desta sexta-feira (2), no cemitério de Inhaúma, subúrbio do Rio, o menino Diego Frazão, de 12 anos, mais conhecido como Diego do Violino. Ele morreu com leucemia na quinta-feira (1º).

Durante a cerimônia, José Júnior, coordenador do grupo, anunciou que a orquestra vai passar a se chamar Orquestra Diego Frazão. A celebração foi encerrada com a música "Asa Branca", tocada pelos companheiros de Diego.

A irmã do músico, Priscila, de 14 anos, também prestou uma homenagem ao caçula da família. A menina puxou um coro com uma música religiosa, que Diego gostava tanto quanto "Asa Branca". Os versos diziam: "Quem poderia imaginar que um menino ia ajudar a alimentar a multidão".

A mãe de Diego, Elenita, lembrou o filho através das outras crianças que também são amparadas pelo AfroReggae. "A vida não acabou aqui. Com este trabalho (do grupo) só fica na rua quem quer. Que Deus possa continuar abençoando todas as mães." Elenita está com câncer no cérebro e precisou ser amparada durante alguns momentos no velório.

Pai fica com violino do filho

O pai do jovem artista chegou ao velório do filho na tarde desta sexta-feira (2) com o instrumento musical do menino nos braços. Telmo estava acompanhado da mãe de Diego, Elenita, e da irmã do menino. Thiago, de 21 anos, irmão de Diego, também chorou muito pelo irmão.

“Meu filho saiu da favela para o mundo. Meu anjo não está mais aqui. Peço que rezem pela minha mulher, pela minha filha e pelo meu outro filho”, desabafou o pai, muito emocionado.

A irmã de Diego passou mal durante o velório. “Quero meu irmão de volta”, gritava sem parar.

Secretários acompanham velório e enterro

A secretária estadual de Educação, Tereza Porto, e o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, acompanharam o velório e o enterro de Diego.

“Estou aqui para homenagear uma pessoa que, pelo olhar e pelas lágrimas, transmitiu muita coisa. Nós precisamos de milhares de pessoas como ele. É um parceiro que vai, mas é um parceiro que deixa um exemplo. Tenho certeza de que ele vai continuar sendo um símbolo da paz”, afirmou Beltrame.

Tereza Porto estava muito emocionada: "Eu sou madrinha da orquestra de cordas, que Diego fazia parte. Ele era a luz da orquestra. Tenho certeza de que Diego vai iluminar o trabalho de seus companheiros. Temos ele como símbolo".

Um amigo do jovem, Matheus Lourenço, de 14 anos, elogiou o companheiro: "Ele era uma inspiração para mim", disse emocionado.

Unidade de saúde terá o nome do músico mirim

O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, participou apenas do enterro.
Em seu microblog Twitter, o coordenador do Afroreggae, José Júnior, contou que o artista mirim será homenageado por uma unidade de saúde: "A próxima unidade médica que será inaugurada pela secretaria estadual de Saúde também terá o nome do nosso anjinho".

Diagnóstico

Um exame realizado na quarta-feira (31) havia apontado que Diego tinha leucemia.

O violinista ficou conhecido ao tocar, muito emocionado e chorando, um violino no enterro do também coordenador do AfroReggae Evandro João da Silva.

Evandro foi morto em dezembro do ano passado no Centro do Rio, num caso que ganhou notoriedade por envolver dois PMs.

Diego foi internado por causa de uma infecção generalizada, contraída numa operação de apêndice. No dia 29, ele foi transferido para a UTI pediátrica do Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.


Fonte: G1

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Negros e negras em movimento ganham espaço em Brasília

Por: Arísia Barros

http://www.cadaminuto.com.br/index.php/blog/blog-raizes-da-africa


Estamos participando da Conferência Nacional de Educação, que acontece em Brasília desde domingo, 28, tendo como objetivo a criação de espaços afirmativos, enfatizando a continuidade das lutas afro-políticas, dentre elas a aplicabilidade da Lei nº 10.639/03, contra o racismo e as desigualdades a que está submetida à população negra no Brasil nos espaços educacionais.


Cerca de 2.400 delegados e delegadas eleitas nos diversos estados da federação, participam da Conferência, que acontece no Centro de Convenções Ulisses Guimarães.


Na tarde da terça-feira, 30, diversos representantes dos estados dos Fóruns Permanentes de Educação e Diversidade Étnicorracial, lideranças do movimento negro e representantes quilombolas, conseguiram a aprovação por unanimidade das propostas e emendas do Eixo 6, denominado Justiça Social, Educação e Trabalho: Inclusão, Diversidade e Igualdade, que garantem o direito à educação de qualidade para todos e todas, no Sistema Nacional de Educação.


De uma forma articulada, madura e proativa diversas representações dos movimentos de afirmação da diversidade demonstraram força política interna e a unidade programática na luta ao articular, a partir de diálogos e troca experiências, uma frente ampla, democrática e representativa que mobilizou e agregou valor étnico ao discurso da Conferência.


Uma frente que traçou uma política sistematizada de ação, que agregou valores com a máxima amplitude.


Uma frente que traduziu força e transformou-se em um movimento com mobilidade de expressão.


Estamos todos e todas de parabéns.


A cumplicidade se deu além da geografia das regiões ou diferenças ideológicas. Estivemos próximos e juntos visando o êxito do compromisso assumido.


Tornamos-nos unidade apesar da nossa multiplicidade, defendendo e aprovando uma agenda que se impõe como luta anti-racista.


Nossa unidade oportunizou um maior alcance e a participação popular se fez.


Somos sujeitos políticos de ação.


Vale ressaltar a participação aguerrida de representantes da Secretaria Continuada de Alfabetização e Diversidade na defesa de nossas propostas.


Essa Conferência Nacional de Educação ficará marcada na história como o momento de afirmação da diversidade étnica brasileira.


Os Fóruns Permanentes de Educação e Diversidade Étnico-Racial sinalizaram para necessidade do protagonismo do movimento social.


O movimento negro brasileiro, aqui representado busca assegurar o lugar da população negra na educação brasileira.


E que amanhã, 01 de abril , venha à plenária final.


Estamos a postos!