sábado, 9 de janeiro de 2010

Tambor Falante debate censo 2010


Compartilhar opiniões e experiências com pessoas que objetivam o crescimento do movimento negro de Alagoas. Este é o objetivo do ciclo de debates Tambor Falante a ser realizado neste sábado, dia 9, às 15h, na igreja Batista do Pinheiro, em Maceió.


Com o tema 'Censo 2010 - assuma sua negritude', o evento visa ampliar a discussão junto aos diversos segmentos afros, uma vez que todos os domicílios do país serão visitados e os entrevistados responderão um extenso questionário sobre a cor da pele, etnia e opção religiosa, por exemplo.


O Tambor Falante é uma importante ferramenta de trabalho de combate ao racismo, discriminação e o preconceito racial, numa perspectiva macro-ecumênica em todos os estados brasileiros.


O ciclo é uma realização do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial - Cojira/AL e Pastoral da Negritude IBP.

Fonte: Assessoria de Comunicação da FCP

No sábado, 09/01 a Lei nº10. 639 completa 07 anos. Há razão para festa?

Por: Arísia Barros - professora, publicitária e ativista

Construir uma identidade negra positiva em uma sociedade que, historicamente, ensina ao negro, desde muito cedo, que para ser aceito é preciso negar-se é um desafio enfrentado pela metade da população brasileira, ou seja, a população negra.

Será que a sociedade-escola, está atenta a essa questão?


Ana Laura tem 02 anos e é o seu primeiro dia na creche. É o início da socialização entre seus pares, outras crianças-bebês como ela. Lúcia, a mãe produziu o cabelo da menina com muitos tererês e pequenas tranças.


Ao chegar à creche, Ana Laura, uma bela menina negra, é recepcionada pela tia-professora que em arroubos emocionais quase que grita: mãezinha como ela está bonita!


Que cultura sexista é essa das escolas infantis que faz com que nós, mulheres percamos a identidade do nome para ser reduzidas a simples “mãezinhas?


Entre o texto e o contexto novas crianças vão chegando, umas cabisbaixas, outras competindo com a resistência dos tecidos das saias e equilíbrio emocional das mães. Chega Maria Clara, uma bela criança loira, olhos claros e como Ana Laura recebeu a recepção da-tia professora. Agora o adjetivo é ampliado, torna corpo. Ao ver Maria Clara a tia explode: Mãezinha como ela está lindaaaa! Ana Laura, a menina primeira não entende o que é adjetivo, mas sente que entre o "bonita" e o "lindaaa" há entraves, contrastes e diferenciações.


Nenhum discurso é neutro. Os arroubos emocionais e diferenciais da professora da creche no comparativo entre as duas crianças uma negra,outra branca é o reflexo dos conceitos absorvidos e naturalizados sobre o bonito e o feio, o negro e o branco,o Brasil Colônia dos brancos e a senzala periferia dos ditos “escravos”. A escola ao omitir-se contribui para intensificar o preconceito.


Observando a diferença de demonstrações afetivas da tia-professora a pequena, Ana Laura menina negra já começa a descobrir a desvantagem do ser diferente e que ter pele clara e “cabelo liso” traz privilégios!


A Lei Federal nº 10.639/03 surgiu há sete anos na busca de construir e consolidar movimentos permanentes para a promoção da abolição de idéias, conceitos, preconceitos que interferem na construção do ideário social, refletido nas salas de aula. Movimentos que busquem inserir e consolidar no contexto/currículo educacional, o real conhecimento da história e dos parâmetros que a moldaram, impulsionando a leitura das conseqüências perversas do racismo que submete o ideário social/escolar aos conceitos escravizantes e hegemônicos, desrespeitando a diversidade/pluralidade cultural e étnica das povos/nações.


Como incorporar o “diferente” sem mexer na estrutura ideológica do currículo escolar? Como promover a ruptura com o previsível conhecimento dos lugares estigmatizados da escola, em cheiros de diferentes gentes, em sentimento de pertencimento? Em som e movimentos que construam sentidos para crianças e jovens excluídos social e racialmente? Como promover outro gênero de gente? Gente que não seja ninguém. Como provocar impacto nos silêncios sociais ultrapassando os limites do “cordial” racismo à brasileira?


Segundo Diva Moreira, especialista do PNUD em desigualdade racial “Analisar o racismo institucional é perguntar: 'olha, o que está acontecendo nesta instituição, quais são os mecanismos através dos quais os serviços que ela oferece para a população branca são diferenciados em relação aos oferecidos para a população negra?' Isso é da maior relevância. Sem isso você não pode discutir com os servidores públicos. Quando você vai discutir o racismo institucional, as pessoas negam, de pés juntos, dizem que seguem rigorosamente o código de ética. E na verdade é só retórica, que encobre realidades .No que diz respeito à escola, isso é gritante. Já existe muito mais acúmulo na área da educação, há um tratamento grosseiro, discriminatório, de piadas, de apelidos infames que as crianças negras recebem dentro da sala de aula. O que leva em conseqüência às taxas elevadas de repetência, de faltas, de evasão escolar”.


Experiências de oficinas realizadas no SEBRAE/AL, dia 25 de abril de 2006, com a participação de profissionais de educação nos mostra caminhos de mudanças possíveis.


O professor descreveu o processo de construção de um “Mascote” para um complexo escolar da capital alagoana, a partir de oficinas, nas quais os próprios alunos confeccionavam bonecos para uma futura escolha do mascote, o professor observou que vários bonecos tenderam para características negras estereotipadas, dos 10 bonecos confeccionados, 08 tinham características afros e 02 européia (loiros). Para sua surpresa os 08 bonecos de características afros foram rejeitados. Nesse momento, o professor se deparou com uma situação de trabalho que demandava discutir conceitos e paradigmas, visto que, essa situação expressava o poder/influência da cultura negra, contudo, de forma estereotipada e preconceituosa. Logo, iniciou um trabalho de reflexão, a partir de questionamentos sobre os conceitos de belo e feio, cultura (cultura de massa, popular, erudita etc.), dentre outros. Durante esse trabalho, o professor discorreu sobre a origem do povo brasileiro, considerando a contribuição do povo africano, europeu, asiático e do povo indígena, evidenciando que há visibilidade em nós, de cada uma dessas origens.


Nessa discussão foi colocada à questão religiosa, uma vez que, em quase todas as escolas encontramos imagens de santos católicos. Se realmente dermos a real importância a todos os povos que originaram a nação brasileira as escolas deveriam ter imagens e símbolos da religiosidade das 04 origens. Concluíram que não precisavam criar arquétipos: africanos, indígenas, europeus ou asiáticos, era preciso reconhecer sua importância para a consolidação de novos valores, novos princípios que valorizem a diversidade, criando uma identidade nacional onde o ser diferente não denote ser desigual em direitos e oportunidades. Lembrando que muitas vezes não são as características físicas que determinam uma identidade, pois em alguns casos a cor da pele não é negra, porém, o indivíduo se considera negro por herança cultural, se reconhece culturalmente, ou seja, há pessoas que se consideram negras e tem características negras visuais e outras não e vice-versa. “O professor finalizou a sua fala dizendo que o Brasil precisa criar essa identidade, se reconhecer culturalmente, valorizando a diversidade do país”.


É urgente que a questão do estudo das africanidades brasileiras conquiste a dimensão política e institucional, traduzida na acepção das bases jurídicas (leia-se Lei Federal nº 10.639/03 e Lei Estadual nº 6.814/07/AL), tendo como objetivo fazer valer direitos anunciados e formalmente ignorados no cotidiano sócio-escolar.


É preciso que as Universidades brasileiras tomem para si a tarefa de formar professores e professoras sob a ótica da Lei Federal nº 10.639/03 e Lei Estadual nº 6.814/07/AL, para que o atual despreparo dos profissionais da educação seja revertido em multiplicação de conhecimentos que assegurem uma abordagem crítica contínua e transversal, promovendo assim a legalidade dessas políticas públicas.


A Pesquisa Científica de Márcia Cristiane da Silva e Alexandre Gomes Galindo, classificada em 1º Lugar na Sessão de Painéis do II Colóquio Etnicidades Internacional Brasil x África: Artes, cultura & Literaturas- Projeto Raízes de África – Maceió-AL- Nov. 2009, com o nome de “Implementação da Lei 10.639/03 no município de Santana-AP: Um Diagnóstico de Como as Questões Etnicorarciais estão sendo abordadas nos sistemas Municipal e Estadual de Ensino”, nos permite vislumbrar caminhos para que os Fóruns Permanentes de Educação e Diversidade Étnico-Raciais, as instituições ligadas as academias realizem pesquisas de caráter exploratório para mapear e consolidar a aplicabilidade da referida legislação federal e assim exercer controle social sobre a ação do Estado, especialmente no tocante às obrigações previstas em lei e, não raro, ignoradas pelos dirigentes públicos.


A pesquisa apresentou os seguintes tópicos: identificar o grau de conhecimento da sociedade sobre a implementação da Lei; identificar como os docentes das escolas estão implementando a Lei na sua prática de ensino; identificar quais e quantas escolas possuem Projeto Político Pedagógico formalizado e implementado dentro da perspectiva da Lei; analisar como as escolas, que possuem o PPP formalizado e implementado conforme a Lei 10.639/03 desenvolvem suas ações educativas referentes às relações etnicorraciais.


Com um mapeamento registrado e os números socializados saberíamos se o dia 09 de janeiro de 2010,que marca os 07 anos da lei nº 10.639/03, uma demonstração contundente da ampliação da consciência social de direitos, tem razão para festa.


Fonte: http://www.cadaminuto.com.br/blog/blog-raizes-da-africa

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ciclo de debates Tambor Falante discute censo e autodeclaração negra em Maceió/AL

Em sua quinta edição, o ciclo de debates busca estratégias para fortalecer identidade racial da população durante o censo deste ano



Neste sábado (9/1) acontece em Maceió/AL a quinta edição do Ciclo de Debates - “Tambor Falante”, com o tema Censo 2010 – Assuma sua negritude. De acordo com Valdice Gomes, facilitadora do debate, o objetivo é traçar estratégias para sensibilizar a população para a autodeclaração negra durante o recensenamento deste ano pelas equipes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com a participação de entidades e ativistas do movimento negro, os debates vão abordar o combate ao racismo e as iniciativas de fortalecimento da identidade etnicorracial. Para Vanda Menezes, participante do ciclo, o encontro é uma oportunidade de discussão de questões atuais e pertinentes às demandas do movimento negro no estado de Alagoas, como a autodeclaração etnicorracial nos questionários base do censo deste ano.

O evento é uma parceria da Comissão de Jornalistas Pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira/AL), da Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro e o Centro de Cultura e Estudos Étnicos (Anajô).


Fonte: www.unifem.org.br


Convite: VIII Lavagem do Bomfim

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

América Negra

Por: Helciane Angélica


Até o dia 22 de janeiro, encontra-se em evidência a série denominada “As Américas têm cor: Afrodescendentes nos Censos do Século XXI", uma parceria entre o Canal Integración/Empresa Brasil de Comunicação, Grupo de Trabalho Afrodescendentes das Américas Censos de 2010, Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem Brasil) e Cone Sul.

As reportagens bilíngues (Português-Espanhol) apresentam os laços da diáspora negra na América Latina para a tela da televisão, ou seja, destacam a diversidade, tons de peles, denúncias e estratégias para superar o racismo em muitas histórias especiais. Dentre os entrevistados estão ativistas negros, governos nacionais, poder público, instituto de estatística e Nações Unidas, além de homens e mulheres negras simples que apresentarão seu cotidiano e dificuldades enfrentadas.

Produzida no período de 17 de novembro a 15 de dezembro de 2009, a série que tem um formato de documentário percorreu sete países: Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Panamá, Guatemala e Brasil; busca informar a população das Américas sobre a rodada dos censos 2010-2012 e serão exibidas no sistema público de televisão e também em uma rede de emissoras associadas de televisões privadas de 19 países da América Latina e Caribe. No Brasil passará na NBr, TV Brasil, TV Câmara e TV Senado - mas, existe o interesse em ampliar a estratégia de veiculação em emissoras de televisão comunitárias, legislativas, culturais, educativas e universitárias, além de disponibilizar o conteúdo na internet.

A
pesquisa demográfica que acontece a cada 10 anos é essencial para conhecer a realidade da população e as mudanças de hábitos e comportamentos, e os dados deverão contribuir para a execução de políticas públicas. Os recenseadores terão que passar em aproximadamente 60 milhões de domicílios, onde implantarão um questionário com perguntas diversas, destacando: a posse do registro de nascimento; união entre pessoas do mesmo sexo; computadores domiciliares com acesso à Internet; emigração internacional; e o acesso aos programas de transferência de renda do Governo.

Outro item de extrema importância será a definição quanto a “etnia, raça, cor e crença religiosa”, permitindo a auto-identificação dos indivíduos. Devemos ficar atentos a todas as informações repassadas e principalmente ter responsabilidade no que será respondido. Axé!


Fonte: Coluna Axé - Tribuna Independente (05.01.10)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Projeto Raízes de Áfricas realiza Operação Memória - Seminário de Qualificação Política para COLETIVO ORIÓKÀN E OMÓDÈ

Acontece a partir desta segunda-feira, 04 de janeiro a “Operação Memória - Seminário de Qualificação Política para Juventude Alagoana", com o objetivo de promover a qualificação de jovens do COLETIVO ORIÓKÀN E OMÓDÈ para o exercício da cidadania plena e a conscientização política como agentes multiplicadores para a eleição de 2010. O Seminário está sendo coordenado pelo Projeto Raízes de Áfricas e desenvolverá diversos temas como racismo, eleição 2010, democracia e políticas sócio-étnicas para a juventude, entre outras. O Seminário contará com a participação especial de diversos parceiros.


Criado em 21 de dezembro de 2009, o COLETIVO ORIÓKÀN E OMÓDÈ representado por diversos segmentos da juventude alagoana, tem como objetivo valorizar as experiências positivas do passado, visando a aquisição do conhecimento histórico, técnico e prático, como instrumento de transformação social para despertar o interesse, intervenção e a participação da juventude alagoana na construção política do estado brasileiro e no combate a naturalização da corrupção. No exercício da cidadania a participação do jovem amplia os espaços públicos estabelecendo agrupamentos sociais como força de mobilização.


Do COLETIVO ORIÓKÀN E OMÓDÈ participam várias entidades representativas da juventude alagoana, dentre eles jovens da religião de matriz africana, alunos das escolas estaduais e municipais de Maceió, do município de União dos Palmares, Palmeira dos Índios e Universidade Federal de Alagoas, CESMAC, etc.



Operação Memória-Seminário de Qualificação Política para Juventude Alagoana


A primeira conversa política Operação Memória - Seminário de Qualificação Política para Juventude Alagoana acontece dia 04 de janeiro, na Rua Nadir Maia Gomes Rego- Stela Maris e será coordenada pelo professor Luis Sávio de Almeida e traz como tema “Experiências e Memória da História Alagoana’.


A segunda rodada terá a participação da vereadora Heloisa Helena e ocorrerá dia 11 de janeiro, das 09 às 11 horas, na Federação das Indústrias, e terá como tema: Democracia , Políticas Sócio-Étnicas e a Eleição de 2010. Em que avançamos?



SERVIÇO
O Quê:Operação Memória - Seminário de Qualificação Política para Juventude Alagoana
Quando: 04 e 11 de janeiro de 2010

Onde: Rua Nadir Maia Gomes Rego- Stela Maris-Maceió-Alagoas
Federação das Indústrias do Estado de Alagoas,Farol
Realização: Projeto Raízes de Áfricas
Informações: (82)8815-5794



Fonte: www.cadaminuto.com.br/blog/blog-raizes-da-africa

Parque Memorial precisa de manutenção


Os novos gestores do escritório da Fundação Cultural Palmares em Alagoas terão muito trabalho em 2010, após ser oficialmente instalado no município de União dos Palmares.

A primeira missão, com certeza, deverá ser a avaliação crítica sobre as instalações do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, além disso, terão o desafio de melhorar o acesso na Serra da Barriga e ampliar o número de visitantes.

Vários problemas estão sendo desencadeados pela falta de manutenção, como: placas sujas; assentos cobertos de musgos e a madeira ficando podre; as coberturas de palha estão secas e as ocas possuem várias falhas; nos mirantes, a madeira está se soltando e tem até buraco; dos seis pontos de áudios, dois estão sem funcionar.

Nesses dois anos de implantação, fica a pergunta: onde estava o Comitê Gestor do PMQP?



Fotos tiradas pela jornalista Helciane Angélica, editora da Coluna Axé e integrante da Cojira/AL.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Série censo e afrodescendentes será exibida nos canais públicos de TV brasileiros


Com o nome “As Américas têm cor: Afrodescendentes nos Censos do Século XXI", produção do Canal Integración é resultado da parceria com o Grupo de Trabalho Afrodescendentes das Américas Censos de 2010 e o UNIFEM Brasil e Cone Sul. A partir de 29 de janeiro, iniciará a exibição da série “Trabalho Doméstico, Trabalho Decente”, que revela a realidade das trabalhadoras domésticas do Brasil, Bolívia, Guatemala e Paraguai



Diferentes tons de pele negra, redutos, histórias individuais e coletivas, denúncias e estratégias de superação do racismo. Esses são alguns dos conteúdos da série “As Américas têm cor: Afrodescendentes nos Censos do Século XXI", que restabelece e leva os laços da diáspora negra na América Latina para a tela da televisão. Quatro reportagens bilíngues Português-Espanhol recontam histórias de uma América Negra.

As matérias foram produzidas no Brasil, Equador, Panamá e Uruguai como resultado da parceria entre Canal Integración/Empresa Brasil de Comunicação, Grupo de Trabalho Afrodescendentes das Américas Censos de 2010 e UNIFEM Brasil e Cone Sul, por meio do Programa Regional de Gênero, Raça e Etnia desenvolvido no Brasil, Bolívia, Guatemala e Paraguai. As reportagens serão veiculadas de 1º a 22 de janeiro de 2010 pelo Canal Integración no sistema público de televisão brasileiro – NBr, TV Brasil, TV Câmara e TV Senado -, e disponibilizado para uma rede de emissoras associadas de televisões públicas e privadas de 19 países da América Latina e Caribe.

Criada para informar a população das Américas sobre a rodada dos censos 2010-2012, a série de reportagens “As Américas têm cor: Afrodescendentes nos Censos do Século XXI" apresentará as condições de vida de homens e mulheres negras, a resistência negra ao longo dos tempos e um panorama das políticas públicas de enfrentamento ao racismo.

Diáspora televisionada
Fontes estratégicas para a rodada do censo 2010 compõem o rol de entrevistados: ativistas negros, governos nacionais, poder público, instituto de estatística e Nações Unidas. Um dos elementos mais reveladores é a humanização das entrevistas. Histórias de vida de homens e mulheres negras revelam a luta diária contra o racismo e em favor da afirmação da identidade negra.

A estratégia de veiculação prevê a reprodução dos conteúdos em emissoras de televisão comunitárias, legislativas, culturais, educativas e universitárias para reprodução das reportagens em estados e municípios brasileiros. Todo o conteúdo também será disponibilizado na internet para ampliar ainda mais as possibilidades de difusão e consumo da informação pela sociedade latino-americana e caribenha.

Arena global
A série “As Américas têm cor: Afrodescendentes nos Censos do Século XXI" será editada no formato documentário para livre negociação e exibição em redes de televisão dos setores privado e público, em busca de grandes audiências para que milhares de pessoas tenham acesso à informação da rodada dos censos de 2010. Uma versão em Inglês também pretende expandir o consumo da informação, a fim de que a mobilização dos afrodescendentes para a desagregação de dados por raça e etnia atravesse as fronteiras das Américas e entre na arena global e diaspórica.

A série foi produzida no período de 17 de novembro a 15 de dezembro de 2009, a reportagem percorreu sete países: Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Panamá, Guatemala e Brasil. Juntamente com a pauta censo e afrodescendentes, o Canal Integración produziu reportagens para a série “Trabalho Doméstico, Trabalho Decente”, parceria com o UNIFEM Brasil e Cone Sul e redes de trabalhadoras domésticas do Brasil, Bolívia, Guatemala e Paraguai, que será exibida de 29 de janeiro a 19 de fevereiro de 2009.

Pauta participativa e colaborativa
De setembro a novembro de 2009, o UNIFEM contribuiu para a etapa de pré-produção das séries, por meio de consultas sistemáticas pela via on line ao Grupo de Afrodescendentes e às redes de trabalhadoras domésticas. A pré-produção ocorreu país a país mediante o levantamento de dados sobre o censo e afrodescendentes de cada um dos quatro países, informações sobre o processo político, econômico e cultural da população negra em cada país, bem como de informações relacionadas à realidade do trabalho doméstico.

A produção das séries “As Américas têm cor: Afrodescendentes nos Censos do Século XXI" e “Trabalho Doméstico, Trabalho Decente” são consideradas experiências ousadas e proativas por desencadear a construção coletiva de produtos de comunicação dentro de um sistema público de comunicação, inseridos na agenda internacional da rodada dos censos de 2010, com protagonismo dos afrodescendentes, à luz da III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata. No âmbito do trabalho doméstico, a série destaca o marco da 99ª Conferência Internacional do Trabalho.


Fonte: Jornal Ìrohín