sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Baile do Simonal será exibido nesta sexta na TV
Por: Augusto Gomes, iG São Paulo
O programa Som Brasil desta sexta-feira (11), exibido pela Rede Globo, vai homenagear o cantor Wilson Simonal. Serão exibidos trechos do show Baile do Simonal, gravado em junho no Vivo Rio, no Rio de Janeiro. A apresentação também deu origem a um DVD e um CD ao vivo, lançados no início deste mês.
O show foi organizado por Wilson Simoninha e Max de Castro, filhos de Simonal, na esteira do sucesso do documentário "Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei". "Nós sugerimos alguns nomes, a gravadora sugeriu outros. O que cada um iria cantar, com algumas exceções, também foi sugestão nossa", explicou Simoninha.
Um dos poucos a escolher o que iria interpretar foi o Paralamas do Sucesso. A banda fez questão de tocar "Mustang Cor de Sangue", composição de Marcos e Paulo Sérgio Valle gravada por Simonal em 1969. Outros destaques do show foram Maria Rita cantando "Que Maravilha", de Jorge Ben e Toquinho, e "Mamãe Passou Açúcar em Mim" com Mart'nália.
A ideia de Max e Simoninha foi chamar artistas jovens. "Não queríamos só artistas da mesma geração que o Simonal", explica Simoninha. A exceção é Caetano Veloso. O baiano interpreta "Remelexo", de sua própria autoria. "Pouca gente se lembra, mas Simonal foi o primeiro artista a gravar Caetano depois da Maria Bethânia", recorda.
A exibição do Baile do Simonal dentro do Som Brasil está marcada para a madrugada desta sexta (11) para sábado (12), logo após o Programa do Jô, na Rede Globo.
Fonte: Música IG
Comenda do Mérito Educativo Alagoano homenageia professor negro
O historiador e professor universitário, Zezito Araújo recebe nesta sexta-feira (11.12) a Comenda do Mérito Educativo Alagoano. Trata-se de um reconhecimento aos trabalhos realizados na área de educação acerca da temática negra em Alagoas.
A cerimônia terá início às 19 horas na Associação Comerial localizada na rua Sá e Albuquerque, 467, no bairro do Jaraguá em Maceió. A ação também faz parte da comemoração dos 47 anos do Conselho Estadual de Educação.
Ao todo serão 10 educadores de destaque que serão homenageados: Carmen Lúcia Tavares Almeida Dantas, Clementino Correia Gama, Dinalva Bezerra da Rocha, Girlene Lázaro da Silva, Ineide Nogueira da Rocha, Irailde Correa de Souza Oliveira, Ivanilda Soares de Gusmão Verçosa, João Rodrigues Sampaio Filho, Maria do Socorro Aguiar de Oliveira Cavalcante e Zezito Araújo.
Confira o mini-currículo do professor Zezito Araújo:
- Historiador e Professor Mestre – especialidade na temática negra
- Participa do movimento negro alagoano desde a década de 80, e é uma referência nacional.
- Atualmente encontra-se na coordenação do Comitê Gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares – primeiro complexo arquitetônico de inspiração africana das Américas – localizado no platô da Serra da Barriga em União dos Palmares/AL.
- Leciona quatro (4) disciplinas na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), são elas: História da África; Escravismo; Alagoas; e Nordeste.
- Já atuou como Secretário Estadual no Governo Lessa, na Secretaria Especial de Defesa das Minorias (Sedem).
VIII Encontro do Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial reúne gestores de todo o país
O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, abre na sexta-feira (11/12), às 19h, o VIII Encontro Nacional do Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (FIPIR). O objetivo do evento é pactuar com os gestores de todo o país as políticas prioritárias para 2010.
São esperados 800 participantes na Academia de Tênis, em Brasília (SCES, Trecho 4, Setor de Clubes Sul), onde o VIII Encontro se estende até domingo (13/12). Do total, mais de 500 são gestores municipais do FIPIR, que farão análises da política de promoção da igualdade racial e discutirão as perspectivas para o próximo ano. Também estarão em pauta o Estatuto da Igualdade Racial, o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PLANAPIR), e as resoluções da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II CONAPIR), realizada no último mês de junho.
Compromisso - Instituído pela SEPPIR em 2004, o Fórum possibilita a descentralização das políticas de promoção da igualdade racial. Atualmente, estão conveniados ao FIPIR todos os governos dos estados e do Distrito Federal, as prefeituras de todas as capitais, e cerca de 500 outras administrações municipais.
Na opinião do ministro Edson Santos, para que o país inteiro adote as políticas de promoção da igualdade racial, é necessário que cada estado e município abracem a causa. Para ele, a participação no Fórum é uma das formas de demonstrar esse compromisso: "Representa parceria entre os governos para o sucesso das ações e o comprometimento com a criação de oportunidades em favor das populações historicamente excluídas".
Prioridade - Entre as vantagens para o município que adere ao FIPIR, está a facilidade para a identificação e atendimento das demandas relacionadas com o tema da igualdade racial. O município também recebe prioridade no acesso a recursos federais.
PROGRAMAÇÃO
11/12 (sexta-feira)
15h - Início do credenciamento
19h - Abertura dos trabalhos com o ministro da SEPPIR, Edson Santos, e convidados.
20h - Atividade cultural: Coral Família Alcântara (Quilombo Caxambu) do Município de João Monlevade (MG)
12/11 (sábado)
9h às 10h - Exposição sobre o Estatuto da Igualdade Racial, com o assessor parlamentar da SEPPIR, Benedito Cintra.
10h às 10h30 - Debate
10h30 às 11h - Exposição sobre o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, com o secretário-adjunto da SEPPIR, Eloi Ferreira de Araujo
11h às 11h30- Debate
13h30 - Atividade cultural: Jorge Dissonância (Africanês), do Estado de Sergipe
14h - Painel: Prioridades da SEPPIR e Estratégias para 2010, com o ministro Edson Santos, e balanço das políticas de promoção da igualdade racial apresentada pelos dirigentes da SEPPIR
16h30 - Debate
18h - Atividade cultural: João Pardense e Rui Santini (música caipira regional), de Brasília (DF)
13/12 (domingo)
9h - Trabalho em grupo por região - Planejamento 2010: Como garantir as políticas de promoção da igualdade racial nos estados e municípios
11h30 - Síntese dos trabalhos e debate
13h30 - Apresentação cultural: Grupo Alegria Cigana - Keleimaske Romae
14h - Eleição das coordenações regionais
16h - Entrega dos relatórios
17h - Encerramento
Coordenação de Comunicação Social
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Presidência da República
Esplanada dos Ministérios, Bloco A, 9º andar - 70.054-906 - Brasília (DF)
Telefone: (61) 3411-3659 / 4977
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Capoeiristas participam do 3º Muzenza Yá
Jornalista e integrante da Cojira/AL
Nos dias 11 a 13 de dezembro acontecerá o III Muzenza Yá
promovido pelo Grupo Muzenza de Capoeira, que existe há 37 anos no país. O encontro busca expandir, diversificar e agregar valores a capoeira no Estado de Alagoas, além disso, mostrar o talento feminino já que todas as atividades são executadas por mulheres capoeiristas.
A entidade Internacional de Capoeira encontra-se presente em 26 estados brasileiros e 25 países no mundo. Desenvolve o trabalho de inclusão social e valorização da cultura afrobrasileira em diversas áreas: em escolas onde contribui para a aprendizagem e o desenvolvimento psicomotor; com portadores de necessidades especiais; com a turma da melhor idade; nas ONGs e associações como forma de inclusão social e lazer; nas comunidades quilombolas e em projetos governamentais.
O Muzenza Yá já é um sucesso e pretende reunir cerca de 250 participantes que irão aprender ainda mais sobre esse patrimônio cultural do Brasil, com: palestras, oficinas, rodas de capoeira, apresentação teatral, além de um torneio feminino no encerramento. Também estarão presentes convidados de outros estados com o objetivo de realizar o intercâmbio sócio-cultural.
Para participar do evento completo (palestra, oficinas e torneio feminino) a taxa de inscrição custa R$30; apenas no torneio são R$15; e do evento são R$20. Contato: (82) 8829-3955 / 8808-9366.
Programação:
11/12/09 (sexta-feira)
16h - Roda no Calçadão do Comércio
20h - Palestra com todas as convidadas no Centro de Treinamento Muzenza localizado na Rua da Saudade, nº 60, Clima Bom I.
12/12/09 (sábado) - Escola Dom Helder Câmara, Rua Acre (Feitosa)
09h - Capoeira Angola - Formanda Té (Centro de Capoeira São Salomão-PE)
10h - Floreios e Flexibilidade - Prof.ª Juliana (Grupo Memória Três Lagoas-MS)
11h Roda
14h - Capoeira Regional - Instrutora Fá Dias (Grupo Globo Brasil Capoeira- BA)
15h - Maculelê - Monitora Biba (Grupo Jequitibá Salvador-BA)
16h - Dança Afro- Prof.ª Milena (Balé Folclórico da Bahia)
17h - Roda de capoeira
20h - Apresentação da peça: A cegueira do Preconceito de autoria de Janaína Pinheiro
13/12/09 (domingo)
09h - Torneio Feminino na Escola Dom Hélder Câmara (Feitosa)
16h - Aulão com todas as convidadas e convidados, na Praça Vera Arruda (Jatiúca)
17h - Dança do Fogo
18h - Roda de Encerramento
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Gerente do McDonalds discrimina transsexual e é demitido
Está dando o que falar na imprensa americana a notícia de que um gerente do McDonald's foi demitido por bloquear o acesso de uma adolescente transexual a um processo seletivo da empresa, em Orlando, Florida.
Ao inscrever-se para a vaga, Zikerria Bellamy, 17, não preencheu o item "gênero" do formulário on-line, o que era voluntário e opcional. Ao comparecer numa filial da rede para uma entrevista, o gerente que a atendeu a obrigou a escolher uma opção.
Quando ela escolheu "masculino", o homem não gostou. "Ele ficou bravo. Eu vi a raiva, você sabe, quando você pode dizer que alguém fica bravo", disse a jovem à imprensa.
Mais tarde, no mesmo dia, o gerente ainda deixou uma mensagem de voz na caixa postal da menina dizendo: "Nós não vamos contratá-la. Nós não empregamos 'bichinhas'. Você mentiu para mim. Você disse que era uma mulher".
O incidente aconteceu em 28 julho, mas só agora veio à tona. Os advogados da jovem, que mudou de sexo há seis anos, segundo a BBC, publicaram o recado de voz no Youtube.
O Mcdonald's demitiu o gerente que discriminou a menina e emitiu um comunicado oficial, dizendo que "o comportamento do indivíduo em questão não reflete nossa política de emprego na organização. Além do mais, ele agiu além de sua autoridade e não era responsável por contratações".
Mesmo assim, a ONG americana Fundo de Educação e Defesa Legal de Transsexuais (TLDEF) entrou com uma queixa na Comissão de relações Humanas da Flórida, alegando que a cadeia de restaurantes violou a lei de direitos civis do Estado.
Fonte: Folha Online
“Sim, é necessária uma nova Abolição”
Em reconhecimento ao brilhante artigo do professor-doutor Muniz Sodré
“Cabe lembrar que ‘nova Abolição’ é um lema que, apesar de ter sido elaborado na década de 1920, não está totalmente obsoleto. Os afro-descendentes ainda se encontram em posição de desvantagem em relação às pessoas brancas no Brasil.”
Petrônio Domingues.
Em 27 de outubro, o professor-doutor Muniz Sodré publicou um artigo no site Observatório da Imprensa cujo título era “É necessária uma nova Abolição?”. No artigo, Sodré critica o tratamento tendencioso da grande imprensa na cobertura sobre Ações afirmativas – mais especificamente as cotas universitárias – e questiona a opção dos “jornalões” em favorecer a publicação de conteúdo contrário ao sistema.
Ocorre que, no dia 03 de novembro, Demétrio Magnoli, colunista de veículos conceituados como a revista Época e o jornal Folha de S. Paulo, publicou uma “resposta” desrespeitosa intitulada “Matem os escravistas” onde ataca Sodré com ironia. Com um discurso enviesado, Magnoli deprecia os argumentos de Sodré e o árduo trabalho que vem sendo construído pelo movimento negro brasileiro na luta contra o racismo ao longo da história do Brasil. Numa suposta tentativa de criticar o “método” utilizado por Sodré, Magnoli menospreza a “consistência interna” do texto de Muniz, segundo ele, causado pelo seu posicionamento ideológico, e classifica o discurso de Sodré como “violência verbal”.
É no mínimo espantoso reconhecer que alguém que ostenta um título acadêmico como o Sr. Demétrio Magnoli nega para si mesmo e para a opinião pública a existência de injustiças originadas pelo racismo enraizado na estrutura da sociedade brasileira. Reza a máxima que o título acadêmico deveria garantir maior capacidade de análise dos fatos sociais.
É igualmente espantosa a cegueira que o Sr. Demétrio representa – e hoje é seu principal porta-voz – ao negar sistematicamente a existência do desequilíbrio no caráter dos artigos e no conteúdo das reportagens publicadas nos veículos da grande imprensa brasileira.
Em sua “resposta”, o Sr. Demétrio desafia Sodré a provar este suposto desequilíbrio. Magnoli ignora o fato de que determinados veículos da grande mídia propõem uma agenda-setting unilateral e, com isso, contribuem para o desaparecimento do princípio da imparcialidade na imprensa, tão caro à sociedade brasileira. É impossível acreditar hoje em dia que os veículos de comunicação são unanimemente éticos e imparciais. Um dos grandes problemas desta premissa é encobrir o fato de que algumas opiniões editoriais invadem o campo das matérias e reportagens, que deveriam ser imparciais. Ao invés destes veículos de comunicação terem como foco o serviço de utilidade pública, acabam se transformando em juízes e algozes da realidade que nos cerca.
Se antes de escrever vorazmente contra as ações afirmativas – e duvidar da veracidade e do compromisso ético de acadêmicos dignos de todo respeito como Muniz Sodré –, o Sr. Magnoli deveria ter recorrido às pesquisas acadêmicas que estão sendo realizadas neste momento. Talvez assim ele apresentasse melhores argumentos para duvidar da existência de um posicionamento parcial de alguns setores da grande imprensa no Brasil.
Os pesquisadores João Feres e Veronica Daflon, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), por exemplo, realizaram recentemente uma análise dos textos publicados pela revista Veja sobre as ações afirmativas entre 2001 e 2009. Foram analisados 66 textos e artigos sobre o tema de janeiro de 2001 a junho de 2009, sendo 39% colunas assinadas e 38% reportagens.
Deste total, 77% continham avaliações negativas sobre as ações afirmativas raciais e apenas 14% favoráveis. Se tivesse feito essa consulto, o Sr. Demétrio descobriria, por exemplo, que deste universo, 19 reportagens são contrárias às ações afirmativas e apenas três são favoráveis. Em relação às colunas na revista Veja no período, 20 foram contrárias e apenas quatro favoráveis. Trata-se ou não desequilíbrio?
Feres e Daflon identificaram que a partir de 2005, quando as políticas de cotas estão consolidadas no ensino superior público do país, as raras manifestações favoráveis às ações afirmativas simplesmente desapareceram da revista Veja.
Feres e Daflon analisaram ainda os títulos e suas mensagens explícitas na revista neste período. Um dos exemplos são os títulos “O grande salto para trás” e “Cotas para quê?”, ambos publicados em 2005. Ou ainda a reportagem em 2007 sobre o caso de um professor da Universidade de Brasília acusado de racismo, cujo título era “A primeira vítima”.
Todos os títulos já evidenciavam a parcialidade nua e crua da revista Veja. O artigo do colunista Diogo Mainardi, cujo título era “O quilombo do mundo”, demonstra a sua dita “criatividade” a serviço da intolerância como “o Brasil macaqueou o sistema de cotas raciais dos Estados Unidos” ou sobre “a chance para acabar de vez com o quilombolismo retardatário que se entrincheirou no matagal ideológico das universidades brasileiras”. Trata-se ou não de desequilíbrio?
Vamos agora aos “jornalões”. Um estudo realizado pelo pesquisador Kássio Motta para o Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) analisa o caso do jornal O Globo no período de março de 2002 a julho de 2004. De acordo com o levantamento, no total foram publicados 55% de textos negativos e 15% de textos positivos sobre as cotas. Neste contexto estão 34% de matérias negativas contra 6% positivas, e 66% de editoriais e artigos negativos contra 34% positivos. Outra vez questionamos: trata-se ou não de um desequilíbrio?
Portanto, quando Sodré questiona sobre uma nova Abolição, não se trata de um “pressuposto factual falso”, como diz o Sr. Demétrio. Provavelmente, este Sr. desconhece toda leitura indispensável para construir um argumento com seriedade, tais como o livro “A nova Abolição” (2008), do historiador Petrônio Domingues. Na obra, é possível aprender que a expressão foi citada pela primeira vez no dia 13 de maio de 1924, como manchete principal do primeiro número do jornal O Clarim da Alvorada, importante veículo da história da Imprensa Negra no período.
Já naquela ocasião a defesa de uma nova Abolição propunha uma transformação radical na sociedade brasileira para garantir a justiça e a igualdade racial. Quase 90 anos depois, essa expressão mantém sua mensagem viva. O Brasil continua com o desafio de garantir a justiça e a igualdade de direito para todos.
Vale lembrar também que Muniz Sodré está amparado por uma clarividência histórica acompanhando por extensa lista de pensadores, pesquisadores e intelectuais como Kabenguele Munanga, Abdias Nascimento, Sueli Carneiro e tantos outros.
É por isso que nós, afro-descendentes, integrantes do movimento negro, profissionais de imprensa, intelectuais e acadêmicos declaramos publicamente que Muniz Sodré desfruta do nosso total apoio neste posicionamento em favor da pluralidade de opiniões e reportagens nos “jornalões” e demais veículos de comunicação sobre as ações afirmativas, em especial, sobre as cotas nas universidades públicas. Lembrando que resta ainda uma longa caminhada até atingirmos a plenitude do princípio da igualdade no Brasil. Jamais haverá igualdade onde as pessoas se encontram em condições desiguais na luta pelos seus direitos fundamentais.
8 de Dezembro foi marcado por diversas manifestações de fé na cidade de Maceió.
A cada 08 de dezembro a cidade de Maceió acorda com novas cores, som e ritmos, são os praticantes das religiões de matrizes Africanas de todo o estado que se deslocam com um objetivo, o de levar os presentes a Iemanjá a rainha do mar, orixá feminino que representa a grande mãe.
Este ano além de todo movimento religioso e cultural que e apreciado por adeptos ou não da religião, o dia foi marcado por um ato singular. Uma parceria entre a Secretaria Municipal do meio ambiente e a casa de iemanjá, ponto de cultura quilombo cultural dos Orixás, foi realizado o plantio de várias mudas de plantas sagradas na orla marítima: Baobá, Gameleira branca e Aroeira, foram as mudas definidas, a atividade teve um caráter expressivo de símbolos, cânticos e invocações.
O ato contou com a participação de Babalorixás (pais de santo), Ialorixás (mães de santo), Ogãs, ekedes e crianças da religião afro brasileira. “Buscamos com o ato de plantar que é feito pelos mais novos levarmos a importância das crianças se envolverem em atividades simples, mas com um papel tão importante de preservação da natureza já que nossa religião é o culto aos elementos da natureza", disse pai Célio, Babalorixá responsável pela casa de Iemanjá.
Fonte: Divulgaçãoterça-feira, 8 de dezembro de 2009
"O jovem não pode se sentir encabulado pela cor de sua pele"
Ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial esteve em Maceió e falou sobre ações afirmativas para a população negra
O secretário adjunto e ministro interino da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Eloi Ferreira de Araújo veio a Maceió na última segunda-feira, 6, para ministrar a palestra “O Desenvolvimento Sustentável e a Adoção de uma Política Proativa para a Promoção da Igualdade Humana”, no auditório da Faculdade Maurício de Nassau. O evento marcou a continuidade do encontro “Agenda de Diálogos para Promoção da Igualdade Humana”, promovido pelo projeto Raízes da África, coordenado pela professora Arísia Barros.
Araújo ressaltou a referência de Alagoas para a luta encampada pelo movimento negro brasileiro, acerca da busca pela igualdade de oportunidades em áreas como educação e saúde, que teve reconhecimento com a implementação da Lei nº 10.639/03, que instituiu o ensino da história afro-brasileira nas escolas e ainda, com as cotas e a política quilombola, visto que no Estado vinte e cinco comunidades foram reconhecidas.
“Alagoas é o berço de Zumbi, Dandara e Gangazumba, que foram os primeiros a lutar contra o regime colonial. Mas, assim como em outros estados a população negra se desenvolveu com problemas sociais. As ações da Seppir buscam superar isso, criando um ambiente de igualdade, com as cotas nas universidades e o Programa Universidade para todos (Prouni). De 600 mil estudantes desse programa, 50% são pretos, pardos e indígenas”, lembrou.
Ele destacou que a matriz da desigualdade está na ignorância e que é através da educação que a discriminação será superada. “Não falamos apenas da educação superior e sim, das bases, com o ensino fundamental para construirmos um país justo e fraterno. O povo negro continua invisibilizado, o mercado publicitário não faz referência a produtos para nosso tipo de pele ou cabelo e é preciso haver essa inclusão”.
O ministro disse ainda que já houve vários avanços que legitimaram a herança africana como responsável pela formação cultural e étnica do Brasil. Ele lembrou que as políticas afirmativas não surgiram por acaso e sim, para estabelecer um diálogo entre a população e que a Seppir, junto ao Ministério da Educação (MEC) está elaborando um plano para disseminá-las.
“Um povo sem história não tem memória. O samba, a capoeira e a nossa culinária são heranças africanas e filmes como o 'Besouro' mostram que até o século 19 a formação cultural teve muita influência negra. Após isso, houve a imigração européia. Agora temos médicos, advogados, engenheiros e jornalistas negros. O jovem não pode se sentir encabulado pela cor de sua pele. Pessoas como o ex-ministro Gilberto Gil e o ministro Edson Santos reafirmam essa luta", destacou Araújo.
Emanuelle Oliveira - Jornalista e integrante da Cojira/AL
Pai Célio: ‘É preciso que se respeite as diferenças’
“A sociedade ainda não está madura o suficiente para respeitar as diferenças. Trata-se de um processo histórico, em que ainda é preciso superar algumas barreiras. Por isso, trabalhamos para divulgar ainda mais a nossa cultura e refutar termos como o de intolerância religiosa, por exemplo. Nós não queremos ser tolerados, mas respeitados, como qualquer outro cidadão”, comentou Pai Célio, criticando o que ele considera ser fruto ‘da falta informação da maioria’.
Para o babalorixá, é preciso que se inclua a História da África como disciplina às redes pública e privada de ensino. “Isto contribuiria, dente outras coisas, à auto-afirmação do negro, a fim de que este passe a se assumir como tal, elevando sua auto-estima. Já estamos alcançando isto por meio de oficinas de dança, capoeira e leitura, como as desenvolvidas em nosso núcleo de cultura. E o mais importante é que nós não convidamos ninguém. Converte-se quem quer”, emendou Pai Célio, sobre o núcleo que, em 2010, também disponibilizará à comunidade de Ponta da Terra um Centro de Inclusão Digital com 15 computadores.
O também professor de história lembra que o candomblé, apesar de a religião já ter se tornado objeto de estudo por uma faculdade no Rio de Janeiro, ‘ainda se encontra afastada do convívio urbano, ainda fruto das imposições do colonizador europeu’.
Iemanjá está insatisfeita com o homem, que agride desenfreadamente a natureza. Daí os tsunamis e demais fenômenos que nos acostumamos a ver. Ela é a mãe das águas, de onde provém tudo. Quando se cultua a natureza, cultua-se iemanjá. “É bem verdade que a umbanda, com apenas cem anos de existência, tem conquistado espaço no Brasil, onde foi criada, abraçando a ideologia local ao mesclar nossas tradições com os costumes indígenas, por exemplo”, refletiu o babalorixá, citando termos que já se tornaram coloquiais, como cambona, mocambo e quiabo. “É preciso que se inculque na cabeça das pessoas que o negro foi o elemento formador de nossa cultura”, reforçou.
Cobrança
Na opinião de Pai Célio, o poder público também deveria ‘se engajar um pouco mais na causa negra’. “A SMCCU [Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano] está acolhendo os candomblés, orientando-os onde realizarem suas manifestações na orla marítima. Mas a Prefeitura precisa, nos próximos anos, disponibilizar banheiros químicos, porque a demanda de devotos, nesta data, cresce bastante. Em todos os 102 municípios de Alagoas há cultos de matriz africana”, comentou o babalorixá, acrescentando que as atividades desta terça-feira serão relatadas em uma mostra fotográfica no próximo dia 12, no Museu da Imagem e do Som, em Jaraguá, onde as imagens estarão à disposição de todo o público.
“Precisamos intensificar a divulgação, a fim de que evitemos equívocos como o que se dará as dezesseis horas desta terça, na Praça Multieventos, com um evento denominado ‘Xô Satanás’ [que teria como objetivo disseminar as religiões de matriz africana como seguidoras do diabo]. Pedimos, inclusive, a todos os pais de santo para evitar um passar pelo local, evitando assim um possível confronto. É uma coisa negativa, errônea. Afronta à liberdade de culto e crença. É preciso que se respeite o diferente. Afinal, vivemos num país diverso”, avaliou.
Fonte: Gazetaweb - reportagem de Bruno Soriano
