terça-feira, 8 de dezembro de 2009

8 de dezembro - Nossa Senhora da Conceição e Iemanjá

Hoje, 8 de dezembro, é o feriado sagrado de Nossa Senhora da Conceição. No sincretismo religioso, a data também serve para cultuar Iemanjá, a matriarca da religiosidade afro brasileira, divindade das águas salgadas e o orixá que traz harmonia para a família.

Em Alagoas,
a partir das 15h terá a apresentação de diversos grupos de percussão (concentração na praça do skate na Pajuçara), com o objetivo de homenagear a Rainha do Mar, e mostrar o talento para a população alagoana e turistas. Estarão presentes no ato político-cultural: a Orquestra de Tambores de Alagoas, o afoxé Odô Iyá (Casa de Iemanjá), o afoxé Oju Omin Omorewá, o maracatu Nação A Corte de Airá (Palácio de Airá), o maracatu Abassá de Angola (Abassa de Oiá Balé), o Coletivo Afro-Caeté, o Ilê Axé de Oxum Pandá, o Quilombo Jacintinho, o Quintal Cultural (Bom Parto), o Núcleo de Cultura da Zona Sul, entre outros grupos.

A partir das 16h, integrantes das mais diversas casas de axé de Alagoas celebrarão a data com muita música, dança e oferendas nas praias. Terá um momento especial, com o plantio de várias mudas de árvores sagradas como a Gameleira, Baobá e Aroeira na orla de Maceió – a ação acontece pela primeira vez, é uma parceria entre os terreiros de matrizes africanas vinculadas as quatro federações do Estado (lideradas pelo Ponto de Cultura Quilombo dos Orixás/Casa de Iemanjá) com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Escolas de Samba de Maceió comemoram o dia nacional dedicado ao ritmo

Por: Suana Nobre - Jornalista


Samba. Esse é um dos gêneros musicais que mais representa o Brasil. Nascido no recôncavo baiano e levado para o Rio de Janeiro no século XIX, o ritmo – assim como o futebol e o carnaval – transformou-se em símbolo da identidade nacional.

Nesta quarta-feira (2), o país inteiro comemora o Dia do Samba. Em Alagoas, a data ainda não é muito popular. Mas por aqui, também existem pessoas que se dedicam o ano inteiro ao ritmo. São os integrantes da Liga das Escolas de Samba de Maceió, que tem o apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Nesta quarta, às 15h, eles festejam e fazem da Rua do Comércio, no Centro, um sambódromo.

De acordo com presidente da Liga, Nivaldo Santana, na capital existe cerca de seis mil pessoas envolvidas com o gênero musical, entre músicos, passistas, mestres-salas, porta-bandeiras ou simplesmente os que nasceram com o samba no pé e curtem ouvir e dançar o ritmo nacional por excelência.

“A gente passa o ano todo tocando e ensaiando. No dia do samba queremos despertar a sociedade. Faremos a festa no Calçadão do Comércio para motivar os lojistas no apoio às escolas”, disse Nivaldo, que há mais de dez anos luta pelo fortalecimento do samba no Estado.

O dia nacional dedicado ao ritmo foi estabelecido, em 1940, pela Câmara de Vereadores de Salvador em homenagem ao compositor Ary Barroso, que acabava de lançar Aquarela do Brasil. Apesar de ter muito da história na Bahia, foi no Rio de Janeiro que o samba incorporou outros gêneros, adquiriu caráter totalmente singular e virou febre no carnaval.

É o samba carioca, carnavalesco, que inspira os grupos em Maceió. Amanhã, no Comércio, desfilam as Escolas Unidos do Poço; Arco-Íris; Girassol; Jangadeiros; 13 de Maio e Gaviões da Pajuçara. Na oportunidade, será apresentado o tema do carnaval 2010 de todas as agremiações. Mais informações: (82) 8811-6959.

Fonte: Ascom Secult

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Evento que debateria diversidade étnica e educação é suspenso

A coluna axé há duas semanas anunciou que a Escola Estadual Profª Maria Lúcia Lins de Freitas no Conjunto Graciliano Ramos iria implantar um núcleo de discussão sobre a diversidade étnica na escola. O Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô foi convidado para articular um seminário sobre a importância da Lei 10.639/03 e discutir o racismo na escola, junto com os educadores, estudantes e a comunidade, porém a abertura foi suspensa de forma autoritária pela Diretora Josefa de Araújo Barros, além disso, o projeto foi cancelado.


O motivo, pasme, ela estava assustada porque tinha muita gente do bairro dentro da escola e ficou temerosa quanto a “provável” possibilidade de ter venda de drogas ou roubo no prédio. A Cojira lamenta o ocorrido e mais uma vez denuncia o racismo institucional presente em todas as esferas, inclusive, na área educacional.


Fonte: Coluna Axé - Tribuna Independente (01/12/09)

Ainda o 20

Por: Helciane Angélica



O mês de novembro que celebra a consciência negra chegou ao fim, e assim, retoma-se as dificuldades cotidianas em busca de uma sociedade justa e que respeite as diferenças étnicas. Agora, os grupos político-culturais voltam a realidade, tentando desenvolver seus projetos, em busca de apoio tanto na esfera pública como privada e ainda na luta pela visibilidade na grande mídia.

É impressionante como a temática só recebe o devido interesse nas datas significativas, como o 21 de março (Dia Internacional pela Eliminação do Racismo), 13 de maio (Dia da Abolição da Escravatura) e o 20 de novembro. O presidente Lula já afirmou que no próximo ano, o Dia da Consciência Negra e também a data que imortaliza o líder Zumbi, será feriado em todo o território nacional. Eis um grande avanço, mas muita gente esquece que esse tipo de consciência deve ser em todos os dias. Esquece também a ampliação dos casos de intolerância religiosa; os casos de racismo, que normalmente são arquivados; o genocídio dos jovens negros; e que muitas pessoas são ridicularizas e humilhadas por causa da cor da pele nos mais diversos ambientes, principalmente, no local do trabalho.

Aproveito o momento para comentar nesse espaço, um caso revoltante que tomei conhecimento, peço que tentem visualizar a cena. Eram dois homens negros descendendo uma ladeira de Maceió, o famoso “Ladeirão do óleo” entre os bairros do Jacintinho e Cruz das Almas, e que possui várias grotas nas adjacências. Os dois carregavam um portão de ferro, uma viatura da polícia militar fazia a sua ronda normalmente e parou os jovens. Primeiro perguntou-se de quem era o portão, já que suspeitava-se que seria roubado e consequentemente vendido para a compra de drogas. Eles alegaram que era de um parente, onde estava reformando a casa e trocou o portão; desconfiados com a resposta, os policiais solicitaram a nota fiscal e com a ausência do documento disseram que os jovens teriam que subir até o local para comprovar. Além disso, reforçaram: “Vocês vão ter que provar realmente que esse portão não é roubado, e se ele for, pode ter certeza que vocês vão apanhar tanto até ficarem brancos”.

Fiquei sabendo desse acontecimento informalmente, por uma pessoa que também descia a pé e ouviu o preconceito velado – detalhe importante, aconteceu há menos de um mês. Bom, a polícia deve garantir a ordem e dar o mesmo tratamento para qualquer cidadão suspeito, independente do local que mora e a cor da pele, no entanto, o que ocorreu nesse caso foi o total abuso de poder e racismo institucional.

Encerro esse editorial com um dos famosos e mais revoltantes ditados populares: “Negro parado é suspeito, negro correndo é ladrão”. Até quando, negro será associado a bandido? Fica aqui a reflexão, cadê a nossa consciência negra? Enfim, vamos continuar a reivindicação por igualdade e respeito, sempre! Axé!



Fonte: Coluna Axé - Tribuna Independente (01.12.09)