terça-feira, 16 de setembro de 2008

Emancipação Política de Alagoas e avanços étnicos-raciais

Texto e foto: Helciane Angélica
(Jornalista, Presidente do Anajô e integrante da Cojira-AL)

Alagoas completa nesta terça-feira, 16 de setembro, o 191º aniversário de Emancipação Política do Estado. O segundo menor território do Brasil, ocupa uma área de 27. 767 km² e está situado na Região Nordeste.

Tem esse nome devido as muitas lagoas existentes no seu território. Porém, também é conhecida como "Terra dos Marechais", porque os dois primeiros presidentes do país foram alagoanos (Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto). Outro termo, mais valorizado, é "Terra da Liberdade", devido a importância do Quilombo dos Palmares e por ter abrigado a sede administrativa (Serra da Barriga) neste território.

A diversidade das belezas naturais, a riqueza cultural e o potencial histórico encontram-se distribuídos nos 102 municípios existentes. Além disso, alagoanos ilustres como Graciliano Ramos, Nise da Silveira, Aurélio Buarque de Holanda, Théo Brandão, Jorge de Lima, Ledo Ivo, Linda Mascarenhas, Arthur Ramos, Jofre Soares, Vera Arruda, Djavan, Cacá Diegues, Hermeto Paschoal, Marta Vieira da Silva e Zumbi dos Palmares contribuíram, e ainda contribuem, na divulgação do que existe de melhor do Estado.

Entretanto, muitas ações ainda precisam ser efetuadas para transformar a realidade da população afro-alagoana. Conheça alguns avanços que merecem destaque:


* Instalação do Parque Memorial Quilombo dos Palmares - primeiro complexo arquitetônico de inspiração africana das Américas - localizado no platô da Serra da Barriga em União dos Palmares.

*Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL), desenvolve a interlocução entre os segmentos afros e os meios de comunicação. Foi o primeiro núcleo do Nordeste a trabalhar as questões étnico-raciais no movimento sindical.

* Ponto de Cultura Quilombo Cultural dos Orixás, o primeiro ponto de cultura ligado a uma Casa de Axé no Brasil.

* Gerência Étnico Racial da Secretaria Estadual de Educação e Esporte, realiza mensalmente encontros afro-alagoanos para educadores, estudantes e demais interessados.

* Gerência Afro-Quilombola da Secretaria Estadual da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos - responsável em atender as demandas dos segmentos afros e garantir melhorias nas comunidades quilombolas.

* Alagoas possui 22 comunidades remanescentes de quilombo, com certidões de registro emitidos pela Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura.

* O Governador Teotonio Vilela Filho sancionou no dia 02 de julho, a Lei nº6.814/07, que estadualiza a Lei 10.639/03 para a inclusão da Históra e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo escolar.

* Maceió já tem o Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa de Matriz Africana, que será comemorado no dia 02 de fevereiro (Lei nº5.871/2008).

* Temos uma diversidade de grupos de capoeira no Estado, e duas instituições que se revezam na defesa dos direitos e propagação dessa importante manifestação afro-brasileira, são elas: Federação Alagoana de Capoeira (Falc) e Conselho Estadual de Mestres de Capoeira de Alagoas.

* Existe uma Comissão de Defesa das Minorias Étnicos Sociais na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL) .

* Possui uma Pastoral da Negritude dentro de uma Igreja Batista, desenvolve a releitura da Bíblia a partir da ótica étnico-racial.

* A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) possui um convênio com o continente africano, fomenta o intercâmbio-cultural e o desenvolvimento dos países que falam o português. Tem vários acadêmicos oriundos de Guiné Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, e São Tomé e Prícipe.

* O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Ufal desempenha um intenso trabalho de formação, pesquisa e fortalecimento da auto-estima dos alunos cotistas.

* Coluna Axé – Pela primeira vez no Estado de Alagoas, uma entidade (Cojira-AL) conquistou um espaço periódico para abordar a temática afro, foi implantada em maio de 2008, no Jornal Tribuna Independente. Publicada semanalmente (todas as terças-feiras) ocupa meia página colorida no formato stand, é preenchida com editorial, notas informativas e fotos.

* O Movimento Negro alagoano é diversificado. Possui grupos culturais em várias áreas, entidades de cunho político, religioso e de formação, que enfrentam as inúmeras dificuldades e lutam por mudanças sociais.


Os negros e negras que diariamente contribuem para o desenvolvimento sócio-cultural, econômico e anti-racista em Alagoas, são os que verdadeiramente merecem às homenagens.


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Hino de Alagoas

Letra: Luiz Mesquita / Música: Benedito Silva


Alagoas, estrela radiosa,
Que refulge ao sorrir das manhãs,
Da República és filha donosa,
Magna estrela, entre estrela irmãs,
Alma pulcra dos nossos avós,
Como bênção de amor e paz
Hoje paira, a fulgir sobre nós,
E maiores e mais fortes nos faz,
Tu, liberdade formosa,
Gloriosa hosana entoas:
- Salve, ó terra vitoriosa,
- Glória à terra de Alagoas
Salve, ó terra que entrando no templo,
Calma e avante de indústria te vás,
Dando às tuas irmãs este exemplo,
De trabalho e progresso na paz!
Sus! Os hinos de glória já troam!...
A teus pés os rosais vêm florir!...
Os clarins e as fanfarras ressoam,
Te levando em triunfo ao porvir!
Tu, liberdade formosa,
Ao trabalho hosana entoas:
- Salve, ó terra futurosa,
- Glória à terra de Alagoas


Observação: A estudante Izabela Olimpio representa na foto, com perfeição, a beleza afro-alagoana.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

I Encontro Estadual de Saúde da Juventude dos Terreiros - RJ

Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde realiza série de
encontros com a juventude para discutir os 20 Anos de SUS



Com o objetivo de ampliar a discussão sobre temas de interesse de adolescentes e jovens, tendo como base a visão de mundo das religiões de matrizes africanas, a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde realizará, no dia 16 de setembro, o I Encontro Estadual de Saúde da Juventude dos Terreiros do Rio de Janeiro: um desafio para o SUS, com o apoio da Assessoria de Promoção da Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

O primeiro encontro acontece no Rio de Janeiro e faz parte das atividades que serão implementadas em vários núcleos da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde possibilitando aos jovens dos terreiros conhecer a Política Nacional da Juventude e atuar no monitoramento da referida política em seus estados, assim como, conhecer o funcionamento do SUS e a garantia dos direitos a saúde para todos e todas.

Com esse evento a Rede pretende marcar os 60 Anos de Declaração Universal dos Direitos Humanos e os 20 Anos do Sistema Único de Saúde, além de abrir um canal de interlocução que possibilite conhecer as necessidades e a realidade de saúde da juventude dos terreiros incentivando os jovens no exercício do controle social de políticas públicas de saúde.

Informações com Marmo ou Silvana no semireligafro2007@yahoo.com.br e no (21) 2223-1040


PROGRAMAÇÃO:


08:30h - Credenciamento
09h – Cânticos de louvor à vida e a natureza
09:30h - Mesa de Abertura
10h - Apresentação da Cia da Saúde – ABIA (Esquete Racismo na Saúde)
10:30h – Painel I – Os terreiros e a Política de Juventude no Brasil.
11:30h – Terreiros, espaços de promoção da saúde: o olhar da juventude de axé.
12:30h – Brunch
14h – Nosso tempo é agora, e já! (oficinas temáticas)
Sala A – Sexualidades e prevenção de DST/Aids
Sala B – Direitos Humanos e Intolerância Religiosa
Sala C – Gênero e Raça
Sala D – Participação e Controle Social
Pátio - Meio Ambiente e Saúde
16h – Por uma agenda de saúde para a juventude dos terreiros
17h - Encerramento e lanche
Fonte: Assessoria de Comunicação

Título de padroeira do Brasil em ameaça

Foi arquivado o Projeto de Lei (PL) nº 2623/07, com objetivo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título oficial de Padroeira do Brasil. A Comissão de Educação e Cultura chegou a essa decisão, após receber vários abaixo-assinados de protesto.

O Projeto foi defendido pelo ex-deputado federal, professor e pastor evangélico Victorio Galli, segundo ele: "o País, por ser um Estado laico, não deve ter este ou aquele padroeiro", afirmou. Mesmo se fosse aprovado, o feriado religioso seria mantido.

A idéia era substituir a expressão "padroeira do Brasil' por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos" e a expressão "culto público e oficial" por "homenagem oficial". Victorio Galli ressalta que o Estado está impedido de instituir qualquer tipo de culto, conforme o artigo 19 da Constituição de 1988.

É claro que o Brasil, um dos países mais católico do planeta não iria deixar passar a afronta. O fato, é que o mais importante ainda está longe de acontecer, o fim da intolerância religiosa. Muitas pessoas ainda sofrem com o desrespeito e a discriminação à liberdade de culto, e muito precisa ser feito.

Lista suja de Alagoas

O boletim informativo da Associação Alagoana de Magistrados (Almagis) – edição jul/ago de 2008, ano 12, nº04 – divulgou uma relação dos candidatos e candidatas de Alagoas que respondem a processos criminais na justiça. As informações são públicas e foram envidadas pelos juízes eleitorais.

Na lista, constam crimes como porte de arma, furto, lesão corporal, invasão de domicílio, tortura, formação de quadrilha, homicídio e, inclusive, crime resultante de preconceito de raça e cor (Lei 9459/97) – esse último cometido por Robson Vasconcelos Calheiros. Acesse o site www.almagis.com.br para visualizar o conteúdo completo.

Os eleitores merecem essa transparência!


Retrospectiva



Robson Calheiros, irmão do ex-presidente do Senado, é condenado por crime de racismo



Robson Calheiros, suplente de vereador e irmão do ex-presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros, foi condenado pela Justiça a cumprir dois anos e quatro meses de reclusão pelo crime de racismo contra a vereadora Fátima Santiago e seu filho, Henrique Santiago. Na realidade, a sentença foi dada pela juíza Maria da Graça Gurgel, titular da 2ª Vara Criminal da Capital. O racismo ocorreu em outubro de 2005 quando o então vereador proferiu agressões verbais contra Fátima Santiago. Ela tomou conhecimento do crime pelo filho. Foi a partir disso que a vereadora resolveu entrar com uma ação na Justiça.

Neste caso, o crime de injúria foi qualificado pela utilização de elementos relativos a cor, denotando concepções racistas. O crime está previsto no Código Penal Brasileiro. Ainda cabe recurso da sentença. Por ter sido condenado a menos de quatro anos de reclusão, a pena deverá ser substituída por duas penas restritivas de direito: prestação de serviços e multa, que a juíza já estipulou no valor de 35 vezes 1/10 do salário mínimo vigente à época da ocorrência.

No processo consta que durante uma discussão sobre a eleição da Mesa Diretora, Robson Calheiros teria acusado a vereadora – assim como outros vereadores – de não ser uma pessoa confiável. Henrique Santiago afirmou que ao tomar a defesa da mãe, Calheiros o teria xingado de ‘negro safado’ e sua mãe de ‘negra safada e rapariga’. A briga teria ocorrido na residência do vereador Berg Holanda.

Fonte: Gazetaweb, com Diário Oficial de Alagoas (14.02.08)

sábado, 13 de setembro de 2008

Convite


Segmentos Afro-Alagoanos apresentam propostas para a Seppir



Matéria e fotos: Helciane Angélica
(Jornalista – 1102 MTE/AL)




Lideranças do movimento negro alagoano, religiosos de matriz africana, estudantes, autoridades e demais representantes da sociedade civil estiveram no encontro afro com o Ministro-Chefe Edson Santos, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). A atividade aconteceu na sexta-feira (12), na Chácara São Jorge do Centro Espírita Ogun de Najé, localizada no Conjunto Graciliano Ramos em Maceió.

A manhã político-cultural teve início com a apresentação do afoxé Odô Iyá do ponto de cultura Quilombo dos Orixás. A mesa foi composta pelo Ministro Edson Santos; a Secretária Wedna Miranda, da Secretaria Estadual da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos; Amaurício de Jesus, representando o movimento negro alagoano e o anfitrião da casa de axé, babalorixá Marcos, que deu as boas vindas e realizou a saudação às divindades religiosas.

Em seguida, o representante do movimento negro socializou as pautas de reivindicações construídas democraticamente por uma comissão. As propostas atendem as necessidades de vários segmentos, quanto ao processo de formação, fortalecimento das ações culturais, infra-estrutura e registro documental. A Secretária Wedna Miranda após ouvir o pronunciamento assumiu o apoio, primeiramente, às casas de axé. “A partir do próximo mês, criaremos uma agenda de atuações e um espaço para os bancos da cidadania, com todos os serviços da Secretaria”, reforçou ainda, “temos vontade política e não precisa de muitos recursos, é chegar e fazer. Estou assinando simbolicamente o compromisso do Estado”, declarou.

O Ministro Edson Santos foi o último a se pronunciar. Fez suas considerações quanto às declarações expostas e ressaltou o papel da Seppir na política de igualdade racial, que atua de forma transversal e dialoga com todos os órgãos do Governo. “Recebo com muita tranqüilidade essa pauta de reivindicação e vamos analisar detalhadamente” e reforçou a importância do protagonismo do movimento social, “estou aqui representando o Estado e cumprindo uma missão política, e não podemos substituí-los. É fundamental que vocês sejam protagonistas das ações públicas”, exaltou.


Também foi divulgada a execução do projeto Terreiros do Brasil pela Seppir, que irá fazer o Censo quantitativo e qualitativo das casas de axé, inclusive, em Alagoas. Além disso, serão garantidos benefícios como a realização de reformas, entrega de cestas básicas e o fortalecimento institucional no combate a intolerância religiosa, perseguições e investir na criação de uma Legislação que penalize os infratores.

Para encerrar as atividades, um café regional foi servido para os convidados e a Companhia Teatral Mundo Paralelo apresentou o trabalho executado com alunos da rede pública de ensino, onde intercala música, dança-afro, teatro e informação sobre as Leis que defendem os direitos do povo negro.


Mobilização - Veja as propostas apresentadas para o Desenvolvimento e Promoção de Políticas Públicas para a Igualdade Racial em Alagoas.


1. Criação de uma agenda de ações de implantação de políticas públicas para as comunidades tradicionais de Terreiros, Quilombolas e Movimento Negro Urbano.

2. Montagem de um escritório da Seppir em Alagoas e criação de um espaço para a formação e fomento da cultura afro descendente.

3. Criação de uma bolsa de fomento a produção cultural afro brasileiro, através de editais, respeitando a descentralização regional.

4. Promoção de Seminários com a temática Afro-Brasileira atendendo as especificidades: Quilombolas, Religiosidade Afro, Capoeira, Dança-afro, Mulher Negra, etc.

5. Fomento de ações de áudio-visual na temática afro descendente com foco no resgate da Memória Institucional (Grupos locais) através de projetos específicos para o estado.

6. Articular com possíveis setores governamentais formas de conceder investimento através de projetos para montagem de kit multimídia como forma de registro da história dos grupos culturais, comunidades de terreiros, Quilombolas, grupos de capoeira e outros agentes de ações afro-brasileiras.

7. Articular e investir em ações de formação sobre saúde da população negra, fortalecendo a rede de saúde dos terreiros existentes na cidade de Maceió.

8. Articular a criação da bolsa de iniciação artística para jovens dos grupos locais que trabalham com ações afro-brasileiras, para desenvolverem atividades culturais em suas comunidades, em horários invertidos da escola formal.

9. Realizar o reconhecimento através do Iphan dos espaços sagrados da religiosidade afro-brasileira em Alagoas e garantir o incentivo ao projeto de mapeamento das comunidades de terreiros e dos grupos culturais.

10. Articular junto ao MDS a ampliação do número de cestas básicas destinadas às comunidades tradicionais de terreiros onde hoje no estado de Alagoas, com 102 municípios, recebe apenas duzentas cestas que não atende a 10% das citadas comunidades da capital.

Cojira-AL participa de almoço com Ministro da Seppir

As jornalistas Helciane Angélica e Valdice Gomes ao lado do Ministro Edson Santos


Integrantes da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL) participaram do almoço político com o Ministro-Chefe da Seppir, Edson Santos, realizado nesta quinta-feira (11) na Casa da Indústria em Maceió. O encontro foi promovido pela Gerência Étnico-Racial da Secretaria Estadual de Educação e Esporte, em parceira com a Federação Alagoana das Indústrias.

Na ocasião, Valdice Gomes – presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas e representante da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial – teve a oportunidade de conversar com o Ministro e entregar o material informativo sobre os avanços das questões étnico-raciais no movimento sindical da categoria. A jornalista Helciane Angélica fez o registro fotográfico e coletou informações para a produção de matérias.

Também discutiu-se sobre a realização do Encontro Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial em 2009, que tem o Estado de Alagoas como forte candidato para sediar o evento. A reunião foi rápida, mas abriu portas para novas audiências e a expectativa de ter a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) como parceira nesta atividade.

Atualmente possuem seis coletivos afros no Brasil, que são interligados aos Sindicatos dos Jornalistas: o Núcleo de Comunicadores Afro-Brasileiros do Rio Grande do Sul e as Cojiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Alagoas e Bahia). Juntos, investem na sensibilização étnico-cultural (com a realização de seminários, produção de livros, sites sobre a temática, formação de profissionais e acadêmicos), dão visibilidade às atividades realizadas pelo movimento social negro e as políticas públicas favoráveis ao povo afro-descendente.

Cojira-AL

Interligada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal), foi implantada no dia 24 de novembro de 2007, durante a celebração do Mês da Consciência Negra. Primeiro núcleo do Nordeste a trabalhar as questões étnico-raciais no movimento sindical, e que vem revolucionando a mídia afro no Estado.

Desenvolve a interlocução entre os segmentos afros e os meios de comunicação, ao utilizar as ferramentas de trabalho com o blog (www.cojira-al.blogspot.com), a Coluna Axé (todas às terças-feiras no jornal Tribuna Independente), lista de emails e, também, uma comunidade no site de relacionamentos orkut.

Ministro Edson Santos visita Alagoas e tem agenda repleta de atividades

Pela primeira vez o Ministro Edson Santos, após sete meses no comando da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), visitou o estado de Alagoas. A agenda foi repleta de atividades, como a participação na III Conferência Estadual dos Direitos Humanos; teve almoço especial com autoridades e empresários; reunião com o Governador Teotonio Vilela Filho; encontro político-cultural com representantes dos segmentos afro-alagoanos; e a tentativa frustrada de visitar a Serra da Barriga no Município de União dos Palmares.


A quinta-feira (11) foi um dia intenso, proferiu a palestra “Universalizar direitos em um contexto de desigualdades” na Conferência dos Direitos Humanos realizada no Maceió Mar Hotel. Depois, seguiu para um almoço político-empresarial na Casa da Indústria, onde conferiu a apresentação do Guerreiro, herança-cultural e um dos folguedos mais conhecidos do Estado. Também, visualizou uma performance cênico-corporal executada por estudantes africanas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que hipnotizaram os participantes pela beleza e criatividade.


Estiveram presentes no almoço, a Magnífica Reitora da Ufal, Ana Dayse Dórea; Márcia Valéria, Secretária Estadual de Educação e Esporte; José Carlos Lira, Presidente da Federação Alagoana das Indústrias; Arísia Barros, Gerente Étnico Racial da Secretaria de Educação; Elis Lopes, Gerente Afro-Quilombola da Secretaria da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos; Valdice Gomes, Presidente do Sindjornal e representante da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial; deputados estaduais, jornalistas, além de representantes do movimento negro como Djalma Rosendo (Agrucenup-União dos Palmares), Carlos Martins (Unegro-AL) e Helciane Angélica (Anajô e Cojira-AL).


A Seppir surgiu como uma resposta positiva para o Brasil após a Conferência de Durban. São cinco anos de atuação, dentre os avanços conquistados destacam-se: concessão de bolsas de estudos (Prouni), cotas raciais nas faculdades; aprovação da Lei 10.639/03; e a cooperação África-Brasil, para o intercâmbio político-cultural e tecnológico. O ministro ressaltou ainda, que as políticas afirmativas só terão êxito quando houver um esforço conjunto entre o setor público (promoção social) e o privado (com a abertura de oportunidades no mercado de trabalho), além de evidenciar a importância da educação no combate do preconceito racial e garantir a transformação social. “Sabemos que a educação é fundamental para inverter a pirâmide social, que é negra a sua base”, reforçou.


Não basta tratarmos dessa questão (promoção da igualdade racial) apenas no âmbito das políticas universais, pois levaremos muito tempo para termos um país mais igual. Segundo estimativa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas leva-se em média 65 anos, mais de meio século, para que a pirâmide social do nosso país fique mais colorida no caminhar do desenvolvimento. E como já se colocou no Brasil, pelo Betinho, a fome tem pressa e o fim da desigualdade também tem. Nós tivemos a abolição da escravidão há 120 anos, e já passa da hora de haver o resgate dessa dívida histórica, que é da sociedade e do Estado Brasileiro para com a população negra”, declarou Edson Santos.

No período da tarde, o Governador Teotonio Vilela Filho recebeu o ministro no Palácio República dos Palmares, para discutir projetos favoráveis a comunidade negra. Um dos assuntos que não pôde ficar ausente, foi a Serra da Barriga – solo sagrado e palco da resistência negra – as más condições de acesso o deixou decepcionado. “Verificamos a dificuldade de se chegar até a Serra da Barriga e por causa disso farei uma solicitação de recursos ao presidente Lula para viabilizarmos projetos de acessibilidade para aquela região”, frisou o ministro. Ao assegurar investimentos na infra-estrutura, a visitação será realizada em qualquer período do ano (faça chuva ou faça sol) e não apenas no Mês da Consciência Negra, além de propiciar o desenvolvimento turístico e econômico do município.

Na sexta-feira (12), lideranças de vários segmentos afro-alagoanos tiveram a oportunidade de estabelecer contato, efetivamente, com o representante do Governo Federal para entregar uma pauta de reivindicações e propostas. A manhã político-cultural seguiu com pronunciamentos importantes e apresentações de dança e teatro-afro.

Edson Santos retorna à Brasília, com uma boa recordação do povo guerreiro de Alagoas. Esteve frente a frente, ora prestigiando apresentações artístico-culturais, ora debatendo propostas de ações afirmativas para o Estado e, também, recebeu o carinho das pessoas, pois não faltaram presentes e lembranças da terra de Zumbi dos Palmares.

Poema de Solano Trindade


NEM SÓ DE POESIA VIVE O POETA

Solano Trindade (1969)



Nem só de poesia vive o poeta
há o "fim do mês"
o agasalho
a farmácia
a pinga
o tempo ruim, com chuva
alguém nos olhando
Policialescamente
De vez em quando
Um pouco de poesia
Uma conta atrasada
Um cobrador exigente
Um trabalho mal pago
Uma fome
Um discurso à moda Ruy
E às vezes uma mulher fazendo carinho
Hoje a lua não é mais dos poetas
Hoje a lua é dos astronautas

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Segmentos Afro-alagoanos reúnem-se com Ministro da Seppir

Nesta sexta-feira (12), às 9h, na Chácara São Jorge (Casa do Babalorixá Marcos) localizada no Conjunto Graciliano Ramos acontecerá uma reunião especial entre o ministro Edson Santos da Secretaria de Políticas e Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e representantes do movimento negro alagoano: Fórum de Entidades Negras de Alagoas (Fenal), Religiosos de Matriz Africana e demais interessados.

Na ocasião serão entregues propostas de ações afirmativas para a população afro-alagoana.

A presença de todos é de suma importância para o fortalecimento da luta em prol do povo negro.

Os interessados deverão está no Terminal do Graciliano Ramos às 8h30, pois haverá um carro para transportará todos à Chácara São Jorge do Babalorixá Marcos.

Mais informações com:
Ana Paula (Paulinha): (82) 8807-1803
Amaurício: (82) 8819-6762/8819-5850