quarta-feira, 19 de março de 2008

Iteral realiza visitas para reconhecimento de comunidades quilombolas

A Gerência do Núcleo de Quilombolas do Instituto de Terras e a Reforma Agrária de Alagoas (Iteral) definiu o calendário das visitas a comunidades quilombolas do Estado, para elaboração de relatório a ser enviado ao Ministério da Cultura. O objetivo é conseguir do ministério o reconhecimento oficial dessas comunidades como remanescentes de quilombos e assim garantir recursos para projetos de melhoria das condições de vida nessas localidades.

Até setembro deste ano, uma equipe do Iteral irá visitar 20 comunidades quilombolas em todas as regiões do Estado. De hoje até quarta-feira, a gerente do Núcleo de Quilombolas do instituto, Berenita Melo, acompanhada de um historiador, uma socióloga e um antropólogo, visita as comunidades Passagem e Sítio do Meio, em Taquarana; Jussara, em Santana do Mundaú; Abobreiras, em Teotônio Vilela; Gurgumba, em Viçosa, e Bom Despacho, em Passo do Camaragibe.

A equipe irá analisar os costumes, o modo de vida e investigar a história de cada comunidade. Também irá fazer um relato das condições sociais, como o acesso à educação e saúde, aos programas assistenciais do governo federal, o tipo de moradia e as estradas de acesso à localidade. “Tudo isso fará parte de um relatório individual sobre cada uma delas, que o Iteral vai enviar à Fundação Palmares, para que o Ministério da Cultura dê seu parecer”, explica a gerente do Núcleo de Quilombolas, Berenita Melo.

O decreto que permite o reconhecimento das comunidades remanescentes de quilombos é o 4.887, de 20 de novembro de 2003. “Com esse reconhecimento, as comunidades podem ser beneficiadas com recursos do governo federal para projetos de melhoria das condições de saúde, educação, estradas de acesso, moradias, saneamento, entre outros programas”, relata Beredita.
Ela destaca também a importância do reconhecimento. “É extremamente necessário, pois essas comunidades são muito carentes, os índices de analfabetismo são elevados e elas dispõem de poucas opções de trabalho e quase nenhuma assistência”, finaliza.

Fonte: Site Tudo na Hora

segunda-feira, 17 de março de 2008

Movimento Negro realiza II Debate Estadual sobre a Serra da Barriga


*Helciane Angélica
Jornalista (1102 – MTE/AL)


Lideranças de diversos segmentos do movimento negro alagoano (capoeiristas, religiosos de matriz africana, grupos culturais, organizações políticas); professores; estudantes; gestores; quilombolas e sociedade palmarina participarão do II Debate Estadual sobre a Serra da Barriga e o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. A atividade acontecerá no dia 29 de março, das 10 às 14hs nas dependências do Parque.

O encontro in loco tem como objetivo o intercâmbio sócio-étnico-cultural entre os participantes; a discussão sobre o papel do movimento negro nas ações políticas-culturais favoráveis a Serra da Barriga; e a necessidade de uma interação permanente entre o poder público responsável pelo Patrimônio Nacional e a sociedade civil organizada.

O primeiro debate ocorreu em maio do ano passado e foi liderado pela organização não-governamental Anajô, que serviu para esclarecer as dúvidas sobre a implantação e funcionalidade do Parque Memorial Quilombo dos Palmares – primeiro projeto paisagístico arquitetônico dentro da contextualidade afro-ameríndia no Brasil e o único no continente americano.

Na articulação do II Debate Estadual encontram-se o Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-AL), Ponto de Cultura Quilombo dos Orixás, Associação de Grupos e Entidades Negras de União dos Palmares (Agrucenup), Centro de Cultura e Cidadania Malungos do Ilê, Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado de Alagoas (SINTEP), Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro e Conselho de Mestres de Capoeira de Alagoas.

Para participar é necessário contribuir com uma taxa de R$10,00 (dez reais) e preencher a ficha de inscrição. As inscrições acontecem no período de 17 a 26 de março, das 9h às 12h e das 15h às 18h no SINTEP, localizado na Rua Lourival Vieira Costa, 32, Prado – próximo a Praça da Faculdade. Contatos: 3336-7464 (Sintep) / 8831-3231 (Helciane) / 8823-6646 (Madal) / 8819-6762 (Amaurício) / 8862-3942 (Filó).
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É Jornalista; Presidente do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô; e integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas (Cojira/AL)

FENAL tem nova Diretoria: “Resistência Negra”



Helciane Angélica
Jornalista (1102 – MTE/AL)


No último dia 15 de março foi realizada a eleição da nova Diretoria do Fórum de Entidades Negras de Alagoas (FENAL), que ocorreu no auditório do Museu de Imagem e Som (MISA) no bairro do Jaraguá em Maceió. Na ocasião, foram discutidos aspectos estatutários e administrativos da entidade, além da apresentação da chapa única Resistência Negra , eleição e apuração de votos.

Atualmente, o Fórum possui cerca de 35 grupos afro-culturais e políticos filiados, e tem como meta a adesão de novas entidades. Na Assembléia eletiva participaram 12 entidades, porém na condição de observadores estiveram o Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô e Abasá de Angola (casa de religião afro). Não foi registrada a presença de grupos oriundos de União dos Palmares.

Dentre as entidades que estiveram presentes e aptas para votar, foram: Federação de Capoeira de Alagoas (FALC); Orquestra de Tambores (grupo percussivo); Civilização Roots (banda de reggae); Arca de Zambo (banda afro); Timbatuk (grupo percussivo); Ojú Omin Omoriwa (grupo de dança afro); Tambores do Trapiche (grupo percussivo); Núcleo de Cultura Afro-Brasileiro Iyá Ogun-té (casa de religião afro); Centro de Cultura e Cidadania Malungos do Ilê; Centro de Estudos e Pesquisas Afro-alagoano Quilombo.

O FENAL foi fundado em outubro de 2005 e na sua administração constam 12 membros, sendo seis diretores e seis conselheiros fiscais. Veja os integrantes da gestão Resistência Negra (2008-2010):

Diretores
1ª Coordenadora Geral: Ana Paula da Silva
2ª Coordenadora Geral: Maria Aparecida dos Santos Moura
1º Secretário: Amaurício de Jesus
2º Secretária: Silvana de Souza Santos
1º Tesoureiro: Otávio de Souza Rocha
2º Tesoureiro: Denivam Costa de Lima

Conselho Fiscal
Titulares: José Wilson dos Santos, Wellington Santana dos Santos e Agantângelo de Souza Rocha.
Suplentes: Roberto Albuquerque Júnior, Jadilson Domingos Serafim dos Santos e José Robson da Silva.

De acordo com a 1ª Coordenadora Geral eleita, Ana Paula da Silva, “o nome Resistência Negra surge como uma idéia de renovação e resgate de cidadania da população afrodescendente, numa proposta que venha ser participativa, buscando parcerias que corroborão nesse processo histórico e democrático”, afirmou. Sobre as metas da entidade destacou: “Vamos lutar para virar Lei o Estatuto da Igualdade Racial, vamos trabalhar junto às instâncias de educação e na implementação da Lei 10.639/03 (...) combater o racismo em todas as suas esferas, tendo como eixo a organização, mobilização e resgate dessa identidade que a tantos anos foi negada. Buscar essa identificação em cada comunidade, que atua no anonimato para tornar cada uma e cada um protagonista dessa ação cidadão”, disse Ana Paula.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Alagoas trabalha na implementação da lei que prevê o ensino afro nas escolas da rede estadual

Em reunião com o Movimento Negro na Educação, nesta terça-feira (11.03), no Palácio República dos Palmares, o secretário-chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, se comprometeu com a elaboração de um decreto governamental que irá instituir uma rede executiva de trabalho para os devidos encaminhamentos visando à implementação da lei estadual nº 6.814/07, que trata da inclusão da temática "História e Cultura Afro-brasileira" nos currículos escolares do ensino fundamental e médio do Estado.

A lei nº 6.814/07 foi sancionada em julho de 2007, pelo governador Teotonio Vilela Filho, e tem por objetivo dar extensão e efetividade no Estado à lei nº 10.639/03, do governo federal, que prevê a obrigatoriedade de inclusão da temática no currículo de toda a rede oficial e particular de ensino do país.

Além do Gabinete Civil, a reunião contou com a participação de representantes das secretarias de Estado da Mulher, da Cidadania e Direitos Humanos, da Assistência Social, da Educação e do Esporte, da Defesa Social, além da delegada do Ministério de Desenvolvimento Agrário e presidente do Conselho Estadual de Educação, Sandra Lira, bem como integrantes do movimento negro, da iniciativa privada e estudantes de escolas públicas.

O secretário Álvaro Machado iniciou o encontro ressaltando a importância da reunião para o governo. "O assunto que nos traz aqui hoje é tão importante que não poderíamos adiar mais nenhuma semana, por isso antecipamos a reunião e esperamos sair daqui com propostas efetivas e que atendam a pauta", disse.

Segundo a gerente de Educação Étnico-Racial da Secretaria de Estado da Educação, Arísia Barros, a reunião teve como finalidade alinhavar uma rede de parceiros e instituições para dar maior dinamicidade e celeridade ao processo de implementação da lei 6.814/07. "Ainda em campanha, eu procurei todos os candidatos para tratar de questões da cultura negra. O secretário Álvaro Machado foi o único que deu a devida importância, me colocando em contato com o então candidato Teotonio Vilela Filho, que, uma vez governador, assumiu este compromisso e deixa bem explicito em seu plano de governo a questão do movimento negro, para a igualdade das raças. Ainda não podemos falar em vitória, mas nunca na história de Alagoas a questão negra teve tanto espaço", ressaltou Arísia.

A gerente explicou que é preciso criar uma política pública que colabore para a implementação da lei 6.814, a fim de unir forças no âmbito governamental para a igualdade racial. "A história de Alagoas se mistura com a história dos negros. Precisamos de historiadores que ensinem isso e mostre a verdadeira identidade do nosso Estado. Alagoas tem um referencial nessa área que precisa ser divulgado. Para isso é necessária a intervenção do governo, para que não fique apenas na área das secretarias, mas que seja uma ação governamental, com força", avaliou.

Para a presidente do Conselho Estadual de Educação, Sandra Lira, existe a necessidade de fazer com que as instituições públicas atuem em conjunto, elaborando um grupo de trabalho para integrar as diversas ações que são realizadas na área da etnia racial.

A secretária da Mulher, da Cidadania e Direitos Humanos, Wedna Miranda, complementou a fala da delegada afirmando que só a união de forças irá colaborar para que as ações sejam efetivas. "É necessário unir esforços, uma vez que cada secretaria trabalha separadamente. Esta união possibilitará uma conversa conjunta com os direitos humanos, a educação, a questão agrária e demais áreas. Nós temos uma ferramenta cultural muito rica, precisamos valorizá-la", observou Wedna Miranda.

Decreto - Por fim, o secretário-chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, ressaltou a importância da criação de uma rede de trabalho que una esforços de todas as pastas, com o intuito de dar maior dinamicidade à implementação da lei. O secretário afirmou que o documento deverá ficar pronto até o fim de março.

Fonte: Agência Alagoas

Hito, o jovem-destaque da Serra da Barriga


José Carlos dos Santos é um jovem de 21 anos, esforçado e de origem humilde, que mora na Serra da Barriga em União dos Palmares-AL. Estudou a vida toda em escolas da rede pública de ensino, porém diante das adversidades encontrou forças para desenvolver seu dom: é um autodidata, aprendeu sozinho quatro idiomas – Inglês, Espanhol, Francês e Japonês.

A paixão pelos idiomas e carência de agentes turísticos na Serra da Barriga, lhe rendeu uma importante missão tornou-se o anfitrião para muitos turistas no Parque Memorial Quilombo dos Palmares. Busca relatar a importância histórica do Quilombo dos Palmares, os costumes dos guerreiros e guerreiras quilombolas, além de apresentar a infra-estrutura do Parque.

Hito, como prefere ser chamado, gosta de estudar, jogar Caá-puêra (Capoeira) e visitar os amigos nas horas livres. Tem como objetivo, conseguir um emprego para e ajudar sua família. Sobre o seu sonho ele afirma: “Eu quero no futuro falar perfeitamente às línguas que eu estudo e também gostaria de viajar a outros países para melhorar o meu vocabulário”.

Os resultados da sua dedicação já começaram a aparecer, recentemente, passou em primeiro lugar no curso de Letras/Espanhol na Universidade Federal de Alagoas. O estudante José Carlos que concluiu o Ensino Médio na Escola Estadual Dr. Carlos Gomes de Barros (União dos Palmares), e mais três alunos da rede pública de ensino foram homenageados na última sexta-feira (07.03) no Palácio do Governo República dos Palmares – durante a cerimônia de posse da nova Secretária de Educação e Esporte, Márcia Valéria Lira.

BATE-PAPO:

1. Na sua opinião, qual a importância da Serra da Barriga e o que ela representa para você?

HITO: A Serra da Barriga é algo muito importante para União dos Palmares, Alagoas e para o Brasil, e até mesmo para os próprios moradores da Serra da Barriga. É algo ainda mais significante, pois foi da Serra da Barriga, que surgiu a luta contra os maus tratos com os negros e índios que lutavam pelas suas liberdades e de lá surgiu o grito de liberdade. A Serra da Barriga também é muito importante para mim, pois lá eu sinto o ar puro da natureza e os cantos dos pássaros, e lá eu sei que estou morando um lugar muito importante para o Brasil.

2. O que foi mudado no cotidiano dos moradores com a construção do Parque?

HITO: O Parque como um todo fez com que houvesse várias modificações nas vidas dos moradores, está fazendo com que as famílias até mesmo tenham condições de vidas melhores. Hoje, eles estão ganhando dinheiro com a venda de: tapioca, pé-de-moleque, cocada, refrigerante, água mineral e até mesmo almoço. Também foi muito importante para mim, pois graças a ele hoje eu também estou ganhando um pouco de dinheiro.

3. De acordo com o que você tem visto e convivido, o que os turistas gostam mais de ver/conhecer na Serra da Barriga?

HITO: Os turistas gostam de ver o Parque que antes não havia, e de ver as novidades nele, como os pontos de áudios, a paisagem e a Lagoa dos negros, já o que eles gostam de conhecer é a história do Quilombo e de se aprofundar cada vez mais e também saber quais as etnias havia no quilombo.

4. Para você, o que falta para a Serra da Barriga ser incluída nos roteiros turísticos de Alagoas?

HITO: Faltam divulgações das agências de turismo, falta a pavimentação do acesso de União dos Palmares a Serra da Barriga e infra-estrutura da cidade tal como hotelaria... e a própria a administração do Parque.

5. Que tipo de contribuição você vem exercendo para o funcionamento do Parque?

HITO: Venho dando apoio aos turistas de forma que o Parque fique mais informatizado, que as pessoas saiam dele com mais conhecimento, e que eles divulguem as coisas positivas do Parque, e assim eles me dão uma contribuição por guiá-los.

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Entrevista realizada pela jornalista Helciane Angélica.
Presidente do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô e integrante da Cojira/AL.

domingo, 9 de março de 2008

Fenal elege nova diretoria dia 15 de março

*Valdice Gomes, jornalista (MTE 288/AL)

O Fórum de Entidades Negras de Alagoas (Fenal) realiza, no próximo sábado, dia 15 de março, eleição dos novos membros da Diretoria Administrativa e do Conselho Fiscal da entidade, para o exercício 2008/2010. A assembléia eletiva, que acontecerá no Museu da Imagem e do Som (Misa), terá início às 9hs, em primeira convocação e no caso de não alcançar o quorum estatutário, em segunda convocação uma hora depois, com qualquer quorum, segundo informações da Comissão Eleitoral. A eleição prossegue até às 14hs.

Poderão participar do processo eleitoral os associados em dia com suas obrigações estatutárias e com mais de um ano de filiação. O Misa está localizado na rua Sá e Albuquerque, em frente à Praça Dois Leões, em Jaraguá.

Segundo Sirlene Gomes, integrante da Comissão Eleitoral, o Capítulo V, Art. 25 do Estatuto do Fenal prevê que o registro de chapas deverá ser efetuado no dia da eleição tendo como limite máximo para a apresentação 20 (vinte) minutos antes do horário inicial da votação.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Oficial da PM é acusado de crime de racismo e agressão contra empregada doméstica em Maceió

A Comissão de Defesa das Minorias da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas, vai entrar hoje com representação no Comando-geral da Polícia Militar contra o capitão PM Carlos Coelho da Paz, pelo crime de racismo. O militar é acusado de fazer declarações ofensivas à empregada doméstica Neuza Maria dos Santos, 44, que é negra, e de agredi-la fisicamente. “Vou entrar com duas representações. Uma na delegacia pelo crime de discriminação racial e outra no Comando da Polícia Militar. Ele a chamou de negra vagabunda, ladra e disse que ela não procurasse a delegacia porque ele é poderoso e se ela fizesse isso quem seria presa era ela”, confirmou Alberto Jorge, presidente da Comissão de Defesa das Minorias da OAB.

Por telefone, a dona-de-casa relatou à Gazeta que no último dia 8 de fevereiro estava trabalhando na casa do capitão Carlos Coelho, no conjunto Santo Educardo, onde fazia serviços domésticos há seis meses, quando o militar pediu para que ela comprasse carne, bebida alcoólica e cigarro. "Ele me deu vinte reais para comprar tudo, só que o dinheiro não foi suficiente. Quando voltei do mercadinho e disse a ele que o dinheiro não tinha dado, ele levantou da cama e veio para cima de mim, começou a me xingar, disse que eu era uma ladrona, que estava sujando a casa dele por ser negra. Depois me empurrou e disse que todo negro é ladrão e vagabundo. Veio para cima e me deu um murro", lembra Neuza Maria.

Ela conta que nunca foi tão humilhada e resolveu prestar queixa na Delegacia de Mulheres, só que os policiais civis ainda estavam em greve. "Então me orientaram a procurar a OAB e fiz isso. Estava querendo denunciar. Quando ele deu um murro em mim fui para o meio da rua e muita gente viu o que aconteceu. Ele falou para mim que era a lei e que eu seria presa quando resolvesse denunciar a agressão à Polícia", declarou a dona-de-casa.

Quando retornou, poucos dias depois da agressão, à residência do militar, para receber o salário, Neuza foi novamente agredida. "Duas testemunhas viram tudo o que aconteceu e ela nem recebeu o salário que o militar lhe devia. Vamos denunciar tudo que aconteceu à imprensa, para que alguma providência seja tomada", reforçou Alberto Jorge.

A assessoria da PM informou que o capitão Carlos Coelho é clínico-geral, mas está afastado das funções em decorrência de graves problemas de saúde. "Ele tem sérios problemas de saúde e está sendo reformado por causa disso. Nesse caso, um processo deverá ser aberto, mas se for confirmada a denúncia, isso será um crime de natureza comum, que não tem relação com o fato dele ser militar", informou a assessora de imprensa da PM, major Fátima Ferreira. O presidente da Comissão de Defesa das Minorias vai reunir a imprensa hoje, às 9hs, na OAB, para denunciar o caso. A dona-de-casa vai falar sobre as agressões.


(Fonte: GAZETA DE ALAGOAS)

quinta-feira, 6 de março de 2008

CEFET cria Núcleo de Estudos Afro-descendentes

O Núcleo de Estudos Afro-descendentes do CEFET-AL está em funcionamento desde outubro passado e se reúne todas as quartas-feiras às 18h30 na sala da Coordenadoria de Linguagens e Código ou na Diretoria de Ensino. O Núcleo surgiu a partir da Lei Federal 10.639/2003 e a Lei estadual 6.814/2007 que tornam obrigatória a inserção curricular de História da África e da Cultura Afro-brasileira.
As duas primeiras turmas de cultura afro-brasileira serão constituídas e as inscrições já estão abertas para alunos e servidores. A primeira será de uma Roda de Capoeira, sob o comando do mestre Cláudio Palmares. O batismo da turma ocorrerá no Parque Memorial Quilombo dos Palmares.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Serra da Barriga pede atenção


Movimento negro alagoano reivindica ações políticas-culturais favoráveis para a Serra da Barriga e manutenção do Parque Memorial Quilombo dos Palmares


*Helciane Angélica
Jornalista (1102 – MTE/AL)


A Serra da Barriga situada na cidade de União dos Palmares, zona da mata do Estado de Alagoas, encontra-se a 500 metros acima do nível do mar, no então Planalto da Borborema e próximo ao Rio Mundaú. Também conhecida como Cerca Real dos Macacos, foi a sede administrativa do Quilombo dos Palmares, berço de liberdade para guerreiros e guerreiras quilombolas.

Considerada um palco sagrado e de resistência do povo afro-brasileiro, teve seu reconhecimento quando foi tombada em 1985 como Patrimônio Histórico, Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Trata-se de um local de grande importância política-cultural – é o centro de homenagens, oferendas, pesquisas, encontros, romarias e grandes concentrações no Dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro).

O Parque Memorial Quilombo dos Palmares, primeiro projeto paisagístico arquitetônico dentro da contextualidade afro-ameríndia no Brasil e o único no continente americano, vitalizou a região que antes era mais freqüentada no mês da Consciência Negra. Desde a sua inauguração no último 19 de novembro o número de visitantes cresceu diariamente, a exemplo, foram registrados no mês de fevereiro cerca de 500 turistas, além de excursões realizadas com escolas da região.

No entanto, o projeto arquitetônico que foi idealizado pelo Instituto Magna Mater, viabilizado com recursos do Ministério do Turismo e patrocínio da Petrobrás, possui incumbências administrativas pendentes que devem ser solucionadas pela Fundação Cultural Palmares – órgão do Ministério da Cultura responsável pelo patrimônio nacional, assim como, a fiscalização das irregularidades.

Descaso
A Serra da Barriga no decorrer dos anos vem sofrendo com a prática do desmatamento e até mesmo ocorrência de incêndios. De acordo com o agente florestal Diogo Palmeira, um incêndio no dia 09 de janeiro teve grande proporção e faltaram apenas 60m para atingir o Parque. “Aproximadamente 20 hectares foram destruídos pelo fogo, e plantas nativas como palmeiras, sabiá, murici, imbaúba, cabotã foram queimadas”, disse.

O incêndio teve início às 16h30 e só foi controlado às 02h da manhã do dia seguinte. Os agentes florestais trabalharam com recursos limitados, e contou com o apoio de alguns moradores até a chegada do Corpo de Bombeiros, que deslocou duas viaturas com 4.000l cada uma, porém uma delas quebrou no caminho e não pôde subir a Serra da Barriga. A Fundação Cultural Palmares foi informada sobre o fato, mas não houve um pronunciamento oficial.

Atualmente, os agentes florestais enfrentam dificuldades quanto a infra-estrutura para as condições de trabalho, como: o efetivo profissional é insuficiente; número reduzido de rádios amadores; ausência de equipamentos importantes como abafadores, lanternas modernas e motos potentes.

II Debate Estadual
Lideranças do movimento negro de Alagoas estão articulando o II Debate Estadual sobre a Serra da Barriga e o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, que será realizado no dia 29 de março para reivindicar ações políticas-culturais imediatas. O encontro in loco, acontecerá nas dependências do Parque com a participação de vários segmentos afros (capoeiristas, religiosos de matriz africana, grupos culturais, organizações políticas), pesquisadores, estudantes, gestores, quilombolas e sociedade palmarina.

Foi definida como programação o acolhimento afro dos participantes; leitura expositiva da síntese do relatório (1º Debate) e das cartas políticas produzidas pela Associação de Grupos e Entidades Negras de União dos Palmares (AGRUCENUP) e o Fórum de Entidades Negras de Alagoas (FENAL), que serão anexadas e entregues as autoridades; mesa redonda; almoço e visita a comunidade remanescente de quilombo Muquém.

O primeiro debate ocorreu em maio do ano passado e foi liderada pela organização não-governamental Anajô. Passado nove meses, o movimento negro de Alagoas e a comunidade em geral reivindicam soluções imediatas para as pendências administrativas, como: a escolha da instituição gestora do Parque; licitação para o funcionamento do restaurante; ampliação do efetivo dos agentes florestais; pavimentação do acesso; criação de um conselho consultivo; vitalização da Serra da Barriga com campanhas de reflorestamento e prevenção de incêndios; inserção nos roteiros turísticos e investimento publicitário; além da execução de atividades sócio-culturais durante todo o ano.

Na articulação do II Debate Estadual encontram-se o Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-AL), Ponto de Cultura Quilombo dos Orixás, Agrucenup, Centro de Cultura e Cidadania Malungos do Ilê, Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado de Alagoas (SINTEP), Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro e Conselho de Mestres de Capoeira de Alagoas.


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É Jornalista; Presidente do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô; e integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas (Cojira/AL)

POESIA: FILHOS DE N´ZAMBI

FILHOS DE N´ZAMBI

De: Helcias Pereira



Palmares, Palmares, Palmares...
N´Zambi sabe a luta que foi palmares,
Dos sonhos de Aqualtune
Ao atravessar os mares,
Dos guerreiros que sonharam
Com o apogeu da liberdade.
Desde Dambrabanga à Amaro,
Sabalangá a Subupira,
Ozenga que seria atalho,
A Cucaú zona de ira.
E lá pra bandas do Sumidouro,
Onde não se ouve os adulfes,
Das armadilhas de Andalaquituche
Gritou-se em guerra um só coro.
Viva Ganga-Zumba o rei primeiro,
Cujo sangue reinou hereditário,
Nas veias de Toculo e Acaiuba, grandes corsários,
Guerreiros que fortaleceram outros guerreiros.
Viva Acotirene que mexe em nossa memória,
Das poucas mulheres que viveram a poliandria,
Dos homens unidos que sustentaram essa história,
Das crianças livres que viveram essa alegria.
Viva os quilombolas que nos trouxeram aqui,
Salve os Mocambos antes e ainda resistentes,
Axé para o povo que continua a luta dessa gente,
Viva! Viva, o nosso grande Rei Zumbi!



* Integrante do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô
e do Instituto Magna Mater (IMM)