segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Homem negro espancado, suspeito de roubar o próprio carro


Tomado por suspeito de um crime impossível – o roubo do seu próprio carro, um EcoSport da Ford – o funcionário da USP, Januário Alves de Santana, 39 anos, foi submetido a uma sessão de espancamentos com direito a socos, cabeçadas e coronhadas, por cerca de cinco seguranças do Hipermercado Carrefour, numa salinha próxima à entrada da loja da Avenida dos Autonomistas, em Osasco. Enquanto apanhava, a mulher, um filho de cinco anos, a irmã e o cunhado faziam compras.

A direção do Supermercado, questionada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP, afirma que tudo não passou de uma briga entre clientes.

O caso aconteceu na última sexta-feira (07/08) e está registrado no 5º DP de Osasco. O Boletim de Ocorrência - 4590 - assinado pelo delegado de plantão Arlindo Rodrigues Cardoso, porém, não revela tudo o que aconteceu entre as 22h22 de sexta e as 02h34 de sábado, quando Santana – um baiano há 10 anos em S. Paulo e que trabalha como Segurança na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, há oito anos - chegou a Delegacia, depois de ser atendido no Hospital Universitário da USP com o rosto bastante machucado, os dentes quebrados.

Ainda com fortes dores de cabeça e no ouvido e sangrando pelo nariz, ele procurou a Afropress, junto com a mulher – a também funcionária do Museu de Arte Contemporânea da USP, Maria dos Remédios do Nascimento Santana, 41 anos - para falar sobre as cenas de terror e medo que viveu. “Eu pensava que eles iam me matar. Eu só dizia: Meu Deus”.

Santana disse pode reconhecer os agressores e também pelo menos um dos policiais militares que atendeu a ocorrência – um PM de sobrenome Pina. “Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa, que não tem problema”, teria comentado Pina, assim que chegou para atender a ocorrência, quando Santana relatou que estava sendo vítima de um mal entendido.

Depois de colocar em dúvida a sua versão de que era o dono do próprio carro, a Polícia o deixou no estacionamento com a família sem prestar socorro, recomendando que, se quisesse, procurasse a Delegacia para prestar queixa.


Terror e medo


“Cheguei, estacionei e, como minha filha de dois anos, dormia no banco de trás, combinei com minha mulher, minha irmã e cunhado, que ficaria enquanto eles faziam compra. Logo em seguida notei movimentação estranha, e vi dois homens saindo depressa, enquanto o alarme de uma moto disparava, e o dono chegava, preocupado. Cheguei a comentar com ele: "acho que queriam levar sua moto". Dito isso, continuei, mas já fora do carro, porque notei movimentação estranha de vários homens, que passaram a rodear, alguns com moto. Achei que eram bandidos que queriam levar a moto de qualquer jeito e passei a prestar a atenção”, relata.

À certa altura, um desses homens – que depois viria a identificar como segurança – se aproximou e sacou a arma. Foi o instinto e o treinamento de segurança, acrescenta, que o fez se proteger atrás de uma pilastra para não ser atingido e, em seguida, sair correndo em zigue-zague, já dentro do supermercado. “Eu não sabia, se era Polícia ou um bandido querendo me acertar”, contou.

Os dois entraram em luta corporal, enquanto as pessoas assustadas buscavam a saída. “Na minha mente, falei: meu Deus. Vou morrer agora. Eu vi essa cena várias vezes. E pedia a Deus que ele gritasse Polícia ou dissesse é um assalto. Ele não desistia de me perseguir. Nós caímos no chão, ele com um revólver cano longo. Meu medo era perder a mão dele e ele me acertar.

Enquanto isso, a mulher, a irmã, Luzia, o cunhado José Carlos, e o filho Samuel de cinco anos, faziam compras sem nada saber. "Diziam que era uma assalto", acrescenta Maria dos Remédios.

Segundo Januário, enquanto estava caído, tentando evitar que o homem ficasse em condições de acertar sua cabeça, viu que pessoas se aproximavam. "Eu podia ver os pés de várias pessoas enquanto estava no chão. É a segurança do Carrefour, alguém gritou. Eu falei: Graças a Deus, estou salvo. Tô em casa, graças a Deus. Foi então que um pisou na minha cabeça, e já foi me batendo com um soco. Eu dizia: houve um mal entendido. Eu também sou segurança. Disseram: vamos ali no quartinho prá esclarecer. Pegaram um rádio de comunicação e deram com força na minha cabeça. Assim que entrei um deles falou: estava roubando o EcoSport e puxando moto, né? Começou aí a sessão de tortura, com cabeçadas, coronhadas e testadas", continuou.


Sessão de torturas


“A sessão de torturas demorou de 15 a 20 minutos. Eu pensava que eles iam me matar. Eu só dizia: Meu Deus, Jesus. Sangrava muito. Toda vez que falava “Meu Deus”, ouvia de um deles. Cala a boca seu neguinho. Se não calar a boca eu vou te quebrar todo. Eles iam me matar de porrada", conta.

Santana disse que eram cerca de cinco homens que se revezavam na sessão de pancadaria. “Teve um dos murros que a prótese ficou em pedaços. Eu tentava conversar. Minha criança está no carro. Minha esposa está fazendo compras, não adiantava, porque eles continuaram batendo. Não desmaiei, mas deu tontura várias vezes. Eu queria sentar, mas eles não deixavam e não paravam de bater de todo jeito".

A certa altura Januário disse ter ouvido alguém anunciar: a Polícia chegou, sendo informada de que o caso era de um negro que tentava roubar um EcoSport. “Eles disseram que eu estava roubando o meu carro. E eu dizia: o carro é meu. Deram risada.”


A Polícia e o suspeito padrão


A chegada da viatura com três policiais fez cessar os espancamentos, porém, não as humilhações. “Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa que não tem problema”, comentou um dos policiais militares, enquanto os seguranças desapareciam.

O policial não deu crédito a informação e fez um teste: “Qual é o primeiro procedimento do segurança?”. Tonto, Januário, Santana disse ter respondido: “o primeiro procedimento é proteger a própria vida para poder proteger a vida de terceiros”.

Foi depois disso que conseguiu que fosse levado pelos policiais até o carro e encontrou a filha Ester, de dois anos, ainda dormindo e a mulher, a irmã e o filho, atraídos pela confusão e pelos boatos de que a loja estava sendo assaltada. “Acho que pela dor, ele se deitou no chão. Estava muito machucado, isso tudo na frente do meu filho”, conta Maria dos Remédios.


Sem socorro


Depois de conferirem a documentação do carro, que está em nome dela, os policiais deixaram o supermercado. “Daqui a pouco vem o PS do Carrefour. Depois se quiserem deem queixa e processem o Carrefour”, disse o soldado.

Em choque e sentindo muitas dores, o funcionário da USP conseguiu se levantar e dirigir até o Hospital Universitário onde chegou com cortes profundos na boca e no nariz. “Estou sangrando até hoje. Quando bate frio, dói. Tenho medo de ficar com seqüelas”, afirmou.

A mulher disse que o EcoSport, que está sendo pago em 72 parcelas de R$ 789,00, vem sendo fonte de problemas para a família desde que foi comprado há dois anos. “Toda vez que ele sai a Polícia vem atrás de mim. Esse carro é seu? Até no serviço a Polícia já me abordaram. Meu Deus, é porque ele é preto que não pode ter um carro EcoSport?”, se pergunta.

Ainda desorientado, Santana disse que tem medo. “Eu estou com vários traumas. Se tem alguém atrás de mim, eu paro. Como se estivesse sendo perseguido. Durante a noite toda a hora acordo com pesadelo. Como é que não fazem com pessoas que fizeram alguma coisa. Acho que eles matam a pessoa batendo”, concluiu.


Fonte: Afropress

domingo, 16 de agosto de 2009

Sessão pública na Assembleia Legislativa de Alagoas


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Leci Brandão ressalta honra de fazer parte do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR)

"Eu me sinto honrada", disse a cantora Leci Brandão ao tomar posse nesta terça-feira (11 de agosto) como integrante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR). Ela ocupou uma das três vagas destinadas a cidadãos de notório reconhecimento das relações raciais. É a segunda vez que a cantora ocupa a vaga de conselheira do CNPIR. Leci Brandão aproveitou a ocasião para ressaltar que sempre lutou em favor das populações historicamente excluídas. "Canto por todas as encrencas brasileiras", completou sorrindo.

Também tomaram posse nesta terça-feira, como suplente ou titular, outros 12 conselheiros. São eles: Ualiid Hussen Ali Mohd Rabah, da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal); Carlos Roberto de Oliveira e Marcelo Braga Edmundo, da Central de Movimentos Populares (CMP); Eduardo Zylberstajn, da Confederação Israelita do Brasil (Conib); Ieda Leal de Souza, da Central Única dos Trabalhadores (CUT); Rui Leandro dos Santos e Givânia Maria Da Silva, ambos do Ministério do Desenvolvimento Agrário; Jorge Luiz Quadros, do Ministério da Justiça; Gláucia Silveira Gauch, do Ministério das Relações Exteriores; Andréa Costa Magnavita e Rafael Luiz Giacomin, do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, e Maria do Carmo Rebouças da Cruz, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência da República.

No total, o CNPIR possui 44 integrantes: 22 representantes de órgãos públicos, 19 da sociedade civil e três cidadãos de notório conhecimento. A composição atual do Conselho é a primeira formada por meio de chamada pública, o que garante transparência ao processo. A principal missão do CNPIR, órgão integrante da estrutura básica da SEPPIR, é elaborar propostas de políticas de promoção da igualdade racial, com ênfase na população negra, e combater o racismo, o preconceito e a discriminação, por meio de ações para reduzir as desigualdades raciais.

Moções - A posse ocorreu em Brasília durante a 21ª Reunião Ordinária do CNPIR. Antes, o CNPIR analisou todas as 84 moções apresentadas durante a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II CONAPIR). O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, que presidiu o encontro, destacou que os participantes da II CONAPIR, realizada no fim de junho, discutiram e votarNegritoam todas as propostas apresentadas. As moções, lembrou Edson Santos, tratam de assuntos que vão além da pauta da Conferência. A tarefa conferida aos conselheiros foi dada pela plenária final da II CONAPIR. Das 84 moções, apenas oito receberam destaques.

O Comitê de Articulação e Monitoramento do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir) e o Estatuto da Igualdade Racial estão na pauta do segundo dia do encontro, que termina nesta quarta-feira. O Plano foi aprovado por meio do Decreto nº 6.872, de 4 de junho deste ano. A proposta de criação do Estatuto tramita no Congresso Nacional, com previsão de ser votada no dia 19 de agosto. Ainda durante o evento serão apresentados uma pesquisa sobre diversidade nas escolas e um balanço da II CONAPIR.

Fonte: Seppir

Fóruns de Educação e Diversidade Etnicorracial se encontram em Natal


Nos dias 13 e 14 em Natal (RN), a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade / Ministério da Educação realizou o Seminário de Capacitação para os representantes de Fóruns de Educação e Diversidade Etnicorracial.

Na ocasião, foi realizada uma avaliação sobre a atuação dos fóruns em cada estado, execução de oficinas, além da elaboração do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares da Educação das Relações Étnico-Raciais para o ano de 2009 e 2010.

O estado de Alagoas esteve representado por: Irani Neves, gerente étnicorracial da Secretaria Estadual de Educação e Esporte, e coordenadora geral do Fórum Permanente de educação Étnicorracial de Alagoas; Clébio Correia de Araujo (Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL); Edna Lopes do Nascimento (Conselho Municipal de Educação de Maceió); e Allex Sander Porfírio (Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro).



Prêmio da Igualdade Racial elege os melhores projetos


Não foi desta vez, que a Coluna Axé/Cojira-AL foi uma das agraciadas do Prêmio da Igualdade Racial, promovido pela instituição Centro de Imprensa, Assessoria e Rádio – Criar Brasil, em parceira com a Seppir. Após dois meses de análise, os jurados Lúcia Xavier, Edialeda Salgado Nascimento e Walter Silvério escolheram as cinco iniciativas que contribuem para o combate às desigualdades raciais, de luta pela cidadania e por melhores condições de vida da população negra.

O resultado final foi divulgado no dia 27 de julho e ficou da seguinte forma, em ordem de inscrição: Centro Aplicado de Pesquisa em Educação Multi-étnica (Capem – Duque de Caxias/RJ); Ori Inu – A cabeça de Dentro (Porto Alegre/RS); Família Alcântara Coral (João Monlevade/MG); Pré-Vestibular Quilombola (Vitória da Conquista/BA) e o Projeto Criança Capoeira Esporte e Cultura (Arraias/TO).

Também teve a indicação de três menções honrosas, que não receberão a premiação em dinheiro, mas ganharão um espaço especial no material impresso, a ser publicado no final do projeto. São elas: Projeto Oku Abo (Rio de Janeiro/RJ); República do Samba (Rio de Janeiro/RJ) e Pré-Vestibular Steve Biko (Salvador/BA).

Agora, será iniciada a segunda etapa do edital, entre agosto e setembro, os projetos vencedores serão visitados pela equipe técnica do Prêmio, onde serão coletados materiais em áudio, foto, texto e vídeo. Todo o conteúdo servirá de base para definir a classificação dos agraciados, a ser divulgado no site www.criarbrasil.org.br, no dia 27 de outubro de 2009.

domingo, 9 de agosto de 2009

Últimos dias de inscrição para o curso de Gênero e Diversidade na Escola

A Coordenadoria Institucional de Ensino a Distância (Cied), da Universidade Federal de Alagoas, prorrogou o prazo de inscrições para o curso de Gênero e Diversidade na Escola para até 15 de agosto.

A Cied lembra ainda que, ao terminar de preencher o formulário e enviá-lo, o cursista deve ainda enviar seu currículo para o e-mail: gedntmc@gmail.com, pois somente dessa forma a inscrição poderá ser validada com sucesso, caso contrário ele não poderá participar da seleção.

São ofertadas 60 vagas para o pólo UAB de Maceió e 60 para o pólo UAB de São José da Laje. O resultado da seleção será divulgado no dia 20 de agosto. O curso vai refletir sobre uma cultura que valorize a diversidade étnico-racial, a equidade de gênero e que rechace qualquer forma de discriminação social.

As aulas serão presenciais e a distância, com carga horária de 200 horas, e a inscrição está sendo feita apenas pelo site. Para mais esclarecimentos é só acessar o edital Nº 01/2009 ou ligar para (82) 3214-1039.
Fonte: Ufal

Com quantas cervejas se desfaz o racismo?



Por Ana Claudia Mielki(*)

A “cervejada dos brigões”, como alguns veículos de comunicação denominaram o encontro promovido pelo presidente Barack Obama entre o policial e o professor preso ao tentar entrar na sua própria casa na última semana, na cidade de Cambridge, Massachussets, foi realizada nesta quinta-feira, dia 30.

No dia 16 de julho, o professor de Havard Henry Louis Gates Jr. foi preso, segundo informações que circularam nos jornais, dentro da própria residência, depois que uma vizinha, ao vê-lo tentando forçar a porta da casa, chamou a polícia. Gates teria voltado de uma viagem de uma semana à China e teria encontrado dificuldades para entrar em sua casa. Gates, além de ser um importante professor de Havard, apresenta uma “aparentemente sem importância” peculiaridade: é negro.

Os argumentos dados pela polícia foram inúmeros, inclusive de que a prisão teria sido ocasionada porque o professor estaria fazendo “excesso de barulho e bagunça”. Mas nenhum dos argumentos foi contundente o suficiente para convencer os norte-americanos de que não houve crime de racismo. Aos poucos, a notícia foi criando uma sensação de desconforto, e não por acaso, a repercussão acabou respingando no presidente Barack Obama. Em todos os lugares em que esteve presente na última semana, Obama teve que pronunciar alguma resposta em relação ao episódio.

A forma como o presidente Obama “cuidou” do fato levanta algumas questões importantes. Primeiro ele teria dito à imprensa que a ação da polícia foi estúpida e que os afroamericanos e latinos são parados pela polícia de forma desproporcional. Depois, após uma repercussão negativa de suas declarações – amigos do sargento James Crowley, responsável pela abordagem, e boa parte da corporação policial criticaram as declarações do presidente – Obama recua dizendo que “mediu mal” as palavras e toma a decisão de convidar os envolvidos para uma “cerveja conciliadora” na Casa Branca.

Ao que parece, a única polêmica durante o encontro, foi sobre a escolha da cerveja, se seria ela, norte-americana, belgo-brasileira ou inglesa. Sobre o racismo, nada além de um ou outro “tapinha nas costas”. E não poderia ser diferente, já que o objetivo declarado por Obama para tal encontro era mesmo o de por fim à polêmica acerca da existência ou não de uma atitude racista na ação do policial. O fato deixou de ser um incidente de cunho racial para ser tratado como um pequeno desentendimento individual. O encontro, neste caso, funcionou como uma conversa para “acalmar os ânimos” de dois sujeitos que se “alteraram”.

Em se tratando de um presidente negro, que eleito com forte apoio do eleitorado negro, e que propunha sempre um discurso de mudança, causa estranhamento o fato de que o presidente Barack Obama tenha levado em conta, mais a repercussão negativa de suas declarações na corporação policial, e menos a oportunidade de tornar o incidente um debate franco e construtivo, por exemplo, sobre a presença maciça de negros nas prisões norte-americanas.
Conforme relatório da organização Pew Center divulgado em 2009, existem nas prisões norte-americanas 1 branco preso para cada 11 negros presos, sendo que a população geral é em sua maioria - 70,1% - de brancos, o que comprova, segundo o relatório, a existência de racismo no sistema penitenciário.

Ao que parece, Obama segue sua estratégia, previsível desde sua campanha em 2008, de manter o debate sobre o tratamento diferenciado dos negros, tão presente quanto for capaz de elegê-lo, porém tão ausente tanto quanto for sua capacidade de constrangê-lo. Em outras palavras, o presidente norte-americano, não parece mesmo estar disposto a enfiar a “mão na cumbuca” do racismo, prefere o debate da conciliação, ou melhor, o debate da “não-raça”, da “não-etnia”, da “não-diferença”.

Felizmente, as diferenças existem e estão aí, e aprender a conviver com elas, definitivamente, não passa por ignorá-las ou encobertá-las num falso discurso conciliatório. Ao contrário, depende exclusivamente de torná-las públicas, de discuti-las e de mostrá-las, e que essa condição de estar manifesta enquanto diferença seja intransigentemente resguardada pelos direitos historicamente constituídos.

*Jornalista, mestranda em Ciências da Comunicação na ECA/USP
Fonte: Jornal Irohín

domingo, 2 de agosto de 2009

Capoeira-Saúde: Aula Inaugural do curso de extensão


Nesta segunda-feira (03.08) das 19 às 21h30, acontecerá a aula inaugural do projeto “AÇÕES AFIRMATIVAS E CAPOEIRA NA PROMOÇÃO À SAÚDE”, no auditório do Museu Theo Brandão, Centro, em Maceió-AL.

Na ocasião, terá a apresentação cultural de maculelê, do documentário "O Valor do Cidadão" (produção do Grupo de Capoeira Angola Quilombola Arte é Cultura em parceria com a UFAL). Estarão presentes na solenidade, a Reitora Ana Dayse, o Pró-Reitor de Extensão, Profº Eduardo Lyra, a coordenação do projeto, o presidente do Conselho dos Mestres de Capoeira de Alagoas, os professores que participarão do curso e os alunos inscritos.

O curso de extensão será realizado de agosto a dezembro de 2009, é regiistrado na Pró-Reitoria de Extensão (Proex/UFAL) é abrigado no Laboratório da Cidade e do Contemporâneo (LACC) do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da UFAL, tem a parceria do NEAB e conta com o apoio da Diretoria de Promoção à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas e do Conselho dos Mestres de Capoeira de Alagoas (CEMCAL).

O objetivo da iniciativa é oferecer um curso de extensão aos mestres de capoeira de Alagoas a partir de uma formatação pedagógica que prevê o público-alvo (mestres de capoeira) na condição de alunos, mas também de professores, cabendo aos mestres ministrar algumas das disciplinas específicas de seu domínio.

Essa iniciativa pioneira do LACC/NEAB/PROEX e do Conselho dos Mestres de Capoeira de Alagoas – CEMCAL objetiva aproximar conhecimentos produzidos em universos distintos: o acadêmico e o popular tradicional devendo finalizar com a elaboração de uma publicação com os conteúdos das disciplinas.


Disciplinas do Módulo I:


*Aspectos Histórico-culturais da capoeira - Carga horária: 20h
Docentes: Rachel Rocha de Almeida Barros- ICS/ Sandra Bomfim de Queiroz-CEDU.


* Fundamentos e Comportamentos da Capoeira I - Carga horária: 24h
Cordenador: Mestre Tunico
Docentes: Mestres Tunico, Condi, Ventania, Novo, Padre, Aleluia, Dumel - CEMCAL


Comportamento de Roda na Angola
Movimentação e organização na roda
Comportamento de Roda na Regional
Fundamentos na Angola
Chamadas de Angola
Movimentos de defesa e ataque
Fundamentos na Regional
Sequência de Mestre Bimba
Sequência de Movimentos na Angola
Movimentos de defesa e ataque na Regional


*Elementos de Anatomia e Fisiologia para a prática da capoeira.
Carga horária: 10h
Docentes: Condillak Hock de Paffer Neto- CEMCAL e João Dias- CEDU e Edu Passos-ICHCA

*Confecção do conteúdo da publicação referente às disciplinas cursadas
Carga horária: 12 h



Carga horária total: 66h.
Coordenação geral Rachel Rocha
Coordenação Pedagógica Sérgio Borba

Homem tenta registrar BO contra Exu e é preso em Florianópolis

Foi transferido nesta quinta-feira para Criciúma, no Sul de Santa Catarina, o homem que chegou à Delegacia de Capoeiras, em Florianópolis, para registrar um boletim de ocorrência contra Exu, uma das entidades do candomblé, mas acabou preso porque era procurado por assalto a mão armada.

A revelação ocorreu quando o policial de plantão inseriu o nome e os dados pessoais no computador. O sistema logo acusou o mandado de prisão expedido pela Justiça de Criciúma contra o professor de História Marcos Lino Mendonça, 27 anos.

Ele chegou à delegacia na terça-feira dizendo que era perseguido por Exu, e que as quatro mulheres dele teriam sido estupradas pela entidade. No entanto, num boletim de ocorrência registrado este ano, consta que o rapaz é solteiro.

Marcos declarou que ele mesmo foi abusado sexualmente por Exu. Ao delegado Pedro Fernandes Pereira Filho, o professor disse que ouvia a voz de Exu incitando ataques a pessoas sem motivos. As brigas teriam causado uma fratura de braço e outra nas costelas.

Quando questionado do porquê de ir a uma delegacia se ele era procurado por assalto, o rapaz respondeu que desejava processar a entidade do candomblé e exigia reparação financeira por prejuízos causados.

O assalto cometido por Marco foi contra o próprio primo, em dezembro do ano passado. Armado com uma navalha, ele invadiu a casa do parente, que fica em Criciúma, e levou uma barraca.

O delegado declarou que Marcos tinha sintomas de esquizofrenia. Pedro afirmou que um tio do professor esteve na delegacia e revelou que o rapaz tinha consulta no psiquiatra marcada para quarta-feira.
Fonte: O Globo

Juventude Negra: Aberto edital para previnir a violência


Na semana passada, foi divulgado um estudo sobre o perfil dos adolescentes que mais morrem por homicídio no Brasil: são meninos, negros e moradores de favelas ou de periferias dos centros urbanos, que também possui forte relação com o tráfico de drogas.

A pesquisa foi realizada pelo Observatório de Favelas, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) – afirma que o risco de ser assassinado no Brasil é 2,6 vezes maior entre adolescentes negros do que entre brancos. Também indica que, para adolescentes do sexo masculino, o risco de ser assassinado é 11,9 vezes maior se comparado ao de mulheres na faixa de 12 a 18 anos. O estudo traz apenas comparativos por cor e gênero e não apresenta os índices de mortes entre jovens negros, brancos, do sexo masculino e feminino.

Diante da gravidade dos dados e a necessidade de ampliar ações preventivas à violência, encontra-se aberto um edital até o dia 15 de agosto para prefeituras e estados buscarem apoio do Governo Federal no desenvolvimento de projetos voltados a jovens em situação de vulnerabilidade social e segregação familiar. Trata-se do Projeto Farol - Oportunidade em Ação, promovido pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em parceria com o Ministério da Justiça, no âmbito do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), que destinará recursos de aproximadamente R$ 3,3 milhões até o final deste ano.

O objetivo é articular ações sociais para a prevenção da violência entre a juventude negra, especialmente nas 84 cidades que integram as regiões metropolitanas de 13 estados considerados críticos, com base no "Diagnóstico da incidência de homicídios nas regiões metropolitanas", produzido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. Serão apoiadas as iniciativas para ampliação do acesso a oportunidades econômicas, sociais, políticas e culturais de jovens com idade entre 15 e 24 anos, que estejam em situação infracional ou em conflito com a lei, com baixa escolaridade, expostos à violência doméstica e urbana.

Oficina


A secretaria Estadual da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos realizará uma oficina de elaboração de projeto para o edital Projeto Farol, no dia 3 de agosto a partir das 9h no auditório da superintendência. A proposta é ter dois jovens por segmento afro e foi solicitada a parceria do Fórum de Entidades Negras de Alagoas (Fenal), para ajudar na convocação dos jovens capoeiras, religiosos de matriz africana, hip hop e outros grupos culturais. O objetivo da oficina é levantar demandas específicas no combate a violência, detectar a visão do jovem negro de Maceió, para colaborar com a instituição pública que concorrerá neste edital.


Nossos jovens precisam se sentir valorizados e terem oportunidades para uma vida melhor!

Fonte: Informações publicadas na Coluna Axé / Tribuna Independente - editada pela jornalista Helciane Angélica (28/07/09)
Foto: Arquivo / tirada por Helciane Angélica