segunda-feira, 31 de março de 2008

Lula parabeniza os APN's pelos 25 anos de luta


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Concurso Logomarca Fundação Cultural Palmares 20 anos

Para marcar o seu aniversário de 20 anos, a Fundação Cultural Palmares (FCP) lançou, nesta segunda-feira (31), um concurso para escolha da logomarca desta festa. Com o nome Logomarca Fundação Cultural Palmares 20 anos, o concurso vai selecionar o melhor projeto de criação da logo.

A logomarca vencedora vai ser utilizada em todos os eventos comemorativos e nos materiais de divulgação do aniversário da FCP. O autor do projeto vencedor será premiado com R$ 10 mil.

A Comissão Julgadora vai analisar os projetos sob os critérios de criatividade, originalidade, comunicação, aplicabilidade e representatividade. O projeto deve estar de acordo com as especificações do edital. O resultado do concurso será publicado a partir do dia 10 de junho.

As inscrições vão até o dia 16 de maio. Cada participante poderá inscrever apenas um projeto. Para concorrer, é preciso preencher o formulário de inscrição e enviá-lo pelo correio para a sede da Fundação Cultural Palmares, em Brasília. Com o formulário, o participante deve enviar uma cópia autenticada da carteira de identidade e do CPF, além do projeto de criação da logomarca. As inscrições postadas após o dia 16 ou que chegarem depois do dia 23 de maio não serão aceitas.

Informações: concurso20anos@palmares.gov.br

Fonte: http://www.palmares.gov.br/

Casa do Estudante Quilombola


Os Agentes de Pastoral Negros (APNs) da Bahia implantaram no dia 20 de fevereiro a Casa do Estudante Quilombola Zumbi dos Palmares, em Vitória da Conquista


Dezesseis estudantes universitários e pré-universitários já estão residindo na Casa, que foi totalmente equipada com verba de subsídio social destinada aos APNs pelo deputado Waldenor Pereira. Em seu discurso, o deputado ressaltou a parceria entre seu mandato e os agentes, ressaltando a importância do projeto para inclusão sócio-educacional dos estudantes quilombolas.

O secretário Luiz Alberto, que veio a Conquista especialmente para o ato de inauguração, afirmou que o Estado da Bahia deve dar também sua parcela de contribuição para o avanço de políticas públicas voltadas para a comunidade negra, historicamente marginalizada. “O ano passado foi dedicado à arrumação de nossa secretaria”, informou para destacar que alguns projetos serão adotados pela pasta para garantir os direitos de raça e gênero.

O líder comunitário e administrador de empresas Luciano Joaquim, da comunidade quilombola de Barra, no município de Rio de Contas, traçou um histórico da luta desenvolvida na localidade pela garantia dos direitos à educação e saúde, afirmando que a Casa do Estudante Quilombola vai propiciar condições objetivas de permanência dos alunos na universidade. “Temos aqui pessoas que não poderiam dar continuidade aos estudos”, disse.
Elizabeth Ferreira (Beta), conselheira nacional da Igualdade Racial e coordenadora estadual de Assuntos Quilombolas, afirmou que a Casa é “um sonho” antigo. Ela lembrou que durante os últimos 20 anos tem desenvolvido ações junto às comunidades quilombolas de toda a região, tendo observado que uma das principais carências dos estudantes que concluem o 2° grau é prosseguir nos estudos em função da falta de condições financeiras para se ficar na cidade. “Acredito que estamos dando um passo inicial, mas vamos precisar do apoio de outras instituições e pastas do governo para dar manutenção ao nosso projeto”, finalizou.

Sociedade civil evidencia a importância da Serra da Barriga


Lideranças do movimento negro de Alagoas, professores, gestores e moradores discutiram propostas favoráveis ao Patrimônio Nacional


Por: Helciane Angélica
Jornalista (1102 MTE-AL)


Foto: Paulo Nicásio



A Serra da Barriga é o maior patrimônio histórico-cultural e de resistência para o povo afro-brasileiro, localizada no município de União dos Palmares, Zona da Mata de Alagoas, foi o local escolhido para a execução do II Debate Estadual sobre a Serra da Barriga e o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. A atividade aconteceu no último sábado (29.03) nas dependências do Parque, das 10 às 16hs.

A programação foi iniciada com o acolhimento afro e o mushaká (momento de reflexão) coordenado pelo Babalorixá Célio Rodrigues. Destacou-se a importância de exaltar o orixá exú – orixá mensageiro, o que abre caminhos e tem o dom da palavra – para energizar todos os participantes e garantir que o encontro tivesse decisões coesas e movidas pela união.

Para dar continuidade aos trabalhos realizou-se um resumo do I Debate Estadual (maio de 2007) e a leitura do texto-base. Já a mesa-redonda, contou com a explanação do Secretário Estadual de Turismo, Virgínio Loureiro; da Prefeitura de União dos Palmares, representada por Emanuel Cabral – membro do Conselho Municipal de Cultura; e Maria Aparecida Moura, 2ª Coordenadora Geral do Fórum de Entidades Negras de Alagoas (FENAL).

Ao todo estiveram presentes 32 instituições, dentre: representantes dos diversos segmentos afros (capoeiristas, religiosos de matriz africana e grupos culturais), professores, estudantes, sindicalistas, gestores e moradores da Serra da Barriga. Também contou com a presença de órgãos competentes como o 2º Batalhão da Polícia Militar de Alagoas, a Câmara dos Vereadores de União dos Palmares, Comissão de Defesa das Minorias da OAB-AL e a Secretaria Estadual de Cultura de Alagoas.

Devido à forte chuva e a neblina no período da tarde, a estrada que possui vários trechos de barro, ficou escorregadia e impossibilitou a visita à comunidade remanescente de quilombo Muquém, a 5Km da cidade de União dos Palmares. Para a execução do II Debate Estadual contou-se com o apoio da Prefeitura de União dos Palmares; Casa da Indústria; Lojas Paulinas; Sinteal; Sindjornal; Sebrae; a vereadora de Maceió, Fátima Santiago; e os Deputados Estaduais Judson Cabral e Paulo Fernando (Paulão).


Encaminhamentos

O encontro in loco proporcionou o intercâmbio sócio-étnico-cultural entre os participantes, fomentando uma ampla discussão sobre a realidade da Serra Barriga, dificuldades e suas potencialidades no âmbito cultural, histórico, político, educacional e turístico. Além disso, analisaram-se a importância do movimento negro, suas dificuldades e avanços para o fortalecimento da identidade étnica.

Devido à ausência de um representante da Fundação Cultural Palmares, órgão responsável pela administração da Serra da Barriga, muitos questionamentos permanecem latentes e necessitam de respostas imediatas. Para exemplificar, as principais dúvidas referem-se à divulgação do Edital que selecionará a instituição para administrar o Parque; o número exato dos membros (titulares e suplentes) no comitê gestor e suas incumbências; políticas de sensibilização ambiental a serem adotadas; e as condições de sustentabilidade para garantir emprego e a auto-estima dos moradores da Serra e os quilombolas de Muquém.

Sendo assim, será sistematizado um Documento com as perguntas e propostas anunciadas pelos participantes durante as intervenções. O material será encaminhado para o Ministério da Cultura, o comitê gestor do Parque, Ministério Público, Governo de Alagoas, lideranças do movimento negro nacional e os meios de comunicação, além de solicitar uma audiência com a FCP para garantir que a sociedade civil de Alagoas seja escutada.

Na mobilização do Debate estiveram: o Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-AL), Ponto de Cultura Quilombo dos Orixás, Associação de Grupos e Entidades Negras de União dos Palmares (AGRUCENUP), Centro de Cultura e Cidadania Malungos do Ilê, Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado de Alagoas (SINTEP), Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro e o Conselho de Mestres de Capoeira de Alagoas.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Mulheres negras fora das redações

Apenas seis das cem jornalistas no mercado de trabalho da Baixada Santista são negras. Esse foi o resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) A Inserção da Jornalista Negra nos Meios de Comunicação da Baixada Santista realizado pelas jornalistas Carolina Ferreira dos Santos, Elys Paula Santiago da Costa e Vera Lúcia Oscar Alves da Silva, recém-formadas. O TCC, uma grande reportagem em formato de revista, foi apresentado ao final de 2007 no Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), de Santos-SP, e orientado pelo jornalista e professor Adelto Gonçalves, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP).

O recorte de gênero e raça para constatar se há igualdade de oportunidades dentro da profissão é inédito. Até então, havia apenas levantamentos sobre a questão de gênero ou de raça, sem levar em conta a possibilidade de dupla discriminação.Mulheres excluídas. A pesquisa, foco do trabalho, constata que dos 200 profissionais que trabalham nos 12 veículos da Baixada Santista que responderam à pesquisa, 100 são mulheres e apenas 6% dessas mulheres são negras. Foram enviados e-mails para 17 redações com perguntas referentes ao número de jornalistas que trabalham nesses veículos, dentre eles, quantidade de mulheres, dessas mulheres, quantas são negras e se entre as afro-descendentes, alguma ocupa cargos de chefia.

O tema do trabalho foi escolhido um ano antes da apresentação. "Sou militante dos movimentos negro e feminista e as minhas duas colegas de trabalho, simpatizantes", diz Vera Oscar. "Foi entre conversas ligadas a essas questões que decidimos o tema do nosso TCC", conta. Ainda segundo ela, o principal objetivo das estudantes era responder à questão: a ausência de mulheres negras que ocorre em diversas profissões também acontece no jornalismo?

Carolina Ferreira conta como foram feitas as grandes reportagens que embasaram a pesquisa. "Foram entrevistadas especialistas na questão de gênero e racial como a ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, e a psicóloga Edna Roland que foi relatora da ONU na Conferência Mundial Contra o Racismo na África do Sul em 2001".

Histórias de vida - Além das especialistas, seis jornalistas negras que se formaram ou trabalham na região contaram suas histórias de vida. Textos de apoio contando a trajetória da mulher negra no Brasil e definindo conceitos como feminismo, raça e etnia também serviram para complementar a grande reportagem.A revista recebeu o nome de Dandara, que significa "a mais bela", em homenagem a uma heroína brasileira.

"Embora os historiadores estejam ainda concluindo as pesquisas sobre a personagem, o que se sabe é que Dandara foi uma mulher negra, esposa de Ganga Zumba, rei do Quilombo dos Palmares antes de Zumbi", explica a terceira componente do grupo, Elys Santiago. "Dizem que ela lutou ao seu lado, escondeu escravos e se suicidou para não voltar à condição de escrava".Ao comentar o que representou o trabalho para suas autoras, Carolina Ferreira diz que, além de se tornarem jornalistas com consciência social, as recém-formadas estão disponibilizando "mais um mecanismo para a luta pela democracia racial e de gênero no País".


Por: Adelto Gonçalves
Fonte: Afropress - 27/3/2008

quarta-feira, 26 de março de 2008

Movimento Negro discute políticas-culturais para a Serra da Barriga

O II Debate Estadual in loco reunirá representantes de segmentos afros, professores, estudantes, gestores e quilombolas no dia 29 de março
Por: Helciane Angélica
Jornalista (1102 MTE-AL)


A Serra da Barriga localizada no município de União dos Palmares, Zona da Mata de Alagoas é considerada um palco sagrado e de resistência para o povo afro-brasileiro. È também o centro de homenagens, pesquisas, romarias e encontros como o II Debate Estadual sobre a Serra da Barriga e o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, que será realizado no dia 29 de março nas dependências do Parque.

O debate in loco promoverá o intercâmbio sócio-étnico-cultural entre lideranças dos segmentos afros (capoeiristas, religiosos de matriz africana, grupos culturais, organizações políticas), representantes da comunidade quilombola Muquém, professores, estudantes, gestores e sociedade civil. Tem com objetivo a discussão de propostas favoráveis ao Patrimônio Nacional, além de definir o real papel do movimento negro alagoano junto ao comitê gestor do Parque – recentemente anunciado pela Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura.

A programação será composta por um acolhimento afro, mesa-redonda, debate e visita a comunidade remanescente de quilombo Muquém, a 5km da cidade de União dos Palmares. O encontro conta com o apoio da Prefeitura de União dos Palmares; Casa da Indústria; Lojas Paulinas; Sindprev; a vereadora de Maceió, Fátima Santiago; e os Deputados Estaduais Judson Cabral e Paulo Fernando (Paulão).

Na mobilização deste Debate encontram-se a comissão organizadora composta pelo: Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-AL), Ponto de Cultura Quilombo dos Orixás, Associação de Grupos e Entidades Negras de União dos Palmares (AGRUCENUP), Centro de Cultura e Cidadania Malungos do Ilê, Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado de Alagoas (SINTEP), Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro e o Conselho de Mestres de Capoeira de Alagoas.

Programação

07h00 – Concentração na Praça Sinimbú, Centro de Maceió.
07h30 – Saída dos participantes (ônibus disponibilizado para os inscritos)
10h00 – Acolhimento afro e momento de reflexão (mushaká) coordenado pelo Babalorixá Célio Rodrigues.
10h15 – Lanche
10h30 – Leitura expositiva do Relatório sobre o I Debate Estadual (realizado em maio de 2007) e texto-base produzido pela comissão organizadora.
10h50 – Mesa-redonda
11h50 – Debate
13h30 – Almoço
15h00 – Visita a comunidade remanescente de Quilombo Muquém e apresentações culturais coordenadas pela Agrucenup.
17h00 – Encerramento das atividades


Serviços

II Debate Estadual – políticas favoráveis a Serra da Barriga
Local: Parque Memorial Quilombo dos Palmares, localizado no platô da Serra da Barriga em União dos Palmares.
Quando: 29 de março de 2008 (sábado)
Custo: R$ 10,00 (dez reais) para a alimentação.
Contatos: 8831-3231 (Helciane), 9999-1301 (Valdice), 8823-6646 (Madalena) e 8819-6762 (Amaurício), 3336-7464 (Sintep).

Mestres de Capoeira organizam Conselho de Alagoas


Cerca de trinta mestres de capoeira se organizam para criar o Conselho Estadual de Mestres de Capoeira de Alagoas. A organização da Sociedade Civil - OSC, sem fins lucrativos, com finalidade sócio-cultural e educativa, pretende organizar a categoria que pretende divulgar e preservar a cultura afro-brasileira no estado, no país e até no exterior. Alguns dos principais objetivos da iniciativa são criar um interlocutor legitimado pela comunidade capoeirística para discutir a implementação de políticas públicas direcionadas a capoeira em Alagoas.
Além disso, eles desejam promover formação continuada para mestres, participar das discussões em torno da implementação das Leis Federal 10.639/03 e Estadual 6.814/07 que tratam da obrigatoriedade do ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas públicas. A inclusão de forma específica da capoeira em editais estaduais e municipais de cultura, a exemplo dos publicados pelo Ministério da Cultura, vai ser uma das principais reivindicações dos mestres. Eles também pretendem construir mecanismos que possibilitem a inclusão da capoeira enquanto disciplina nos currículos escolares.
Os capoeiristas são conhecidos pelos seus apelidos ou nomes artísticos, adquiridos durante a vivência capoeirística, ou colocado por seus mestres por ocasião dos batizados de capoeira e fazem questão de serem conhecidos dessa forma. Por muitas décadas, a capoeira não tinha conseguido uma organização desse porte, tendo no passado seus mestres atuado de forma isolada e informal. Mestre Tunico, que desenvolve um projeto de extensão com capoeira angola através do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros- NEAB, na Universidade Federal de Alagoas - UFAL, ressalta a importâcia histórica da criação do Conselho. ' Estava na hora dos mestres assumirem sua liderança, enquanto educadores populares, criando condições para construir uma nova realidade. Sempre trabalhamos pela inclusão social e cultural e agora conseguimos reunir os mestres de vários estilos e grupos de capoeira com um objetivo comum, que é a nossa inclusão no processo educativo formal e participação em editais de fomento a cultura afro-brasileira, especificamente, a capoeira, no estado e no município'.
A proposta do Conselho de transformar o ensino da capoeira numa disciplina formal nas escolas públicas está baseada nas Leis Federal e Estadual, em experiências isoladas, como a de Arapiraca que já aprovou, através da Câmara Municipal, a obrigatoriedade da capoeira nas escolas do município. Mestre Girafa, do Grupo Muzenza, um dos maiores no Brasil e no exterior, garante que em Israel, onde tem dois alunos ensinando capoeira, o ensino formal da mesma nas escolas públicas já é uma realidade.
Mestre Condi, recém graduado em Educação Física na UFAL, garante que é necessário envolver a universidade e as secretarias de Educação e de Cultura do estado e do município nessa construção coletiva. 'Ser capoeira é ser ousado, é buscar caminhos, não se conformar com o estabelecido, principalmente quando o que está colocado não satisfaz a comunidade capoerística. Por isso, estamos construindo o Conselho de uma forma democrática, plural e inovadora', ressaltou.
A idéia da criação do Conselho surgiu a partir da organização da primeira roda pública de capoeira angola a ser realizada no primeiro domingo de cada mês, às 16h30, no Posto Sete, no bairro da Jatiúca. Os mestres Condi, Tunico e Claudio coordenam a roda que terá sua estréia no dia 6 de abril, onde o toque e os fundamentos serão de angola, mas todos podem participar. Foi a partir dessas reuniões que surgiu a articulação com vários mestres como Jacaré, Ventania, Novo, Meinha, Jorge Ceará, He Man e Urubu, de Arapiraca, para o nascimento do Conselho. Segundo levantamento realizado pela Comissão de Organização do Conselho, Alagoas possui mais de 30 mestres de capoeira.
A Secretaria de Cultura de Alagoas tem dado apoio logístico para a realização do I Encontro de Mestres do Estado, no dia 3 de abril, às 14h, no Memorial da República, no bairro do Jaraguá. Nesse encontro, serão discutidos o estatuto e regimento do Conselho de Mestres, os critérios para a composição da diretoria, além dos objetivos e estratégias de atuação do mesmo.
Fonte: Ascom da Secretaria de Cultura

quarta-feira, 19 de março de 2008

21 de Março - DIA DE REFLEXÃO

Há 45 anos o Brasil assinou uma carta de compromisso pela eliminação da prática do racismo, cuja época houve uma campanha internacional dado ao vergonhoso acontecimento três anos antes na África do Sul, quando o poder militar hegemonicamente branco massacrou centenas de manifestantes. O Mundo ou pelo menos parte dele, passou a ter ciência que no dia 21 de março de 1960, o Regime do APARTHAID da África do Sul, massacrara covardemente uma população indefesa e demonstrara que o racismo é como uma “doença contagiosa” capaz de levar ao extremo as bestialidades do etnocentrismo segregacionista.

No caso do Brasil que assinou o documento em 27 de março de 1963, é fato que o seu racismo tanto na sociedade, quanto de forma institucional ainda vigora na contemporaneidade. Não é incomum sabermos que pessoas sem padrão europeu são vítimas constantes dessa prática dentro das instituições e fora delas, principalmente em se tratando no campo de emprego, saúde, segurança, educação e outros. O preconceito de cor reafirma cotidianamente que a ideologia do branqueamento é vigente e muito ainda haveremos de lutar para extinguir está lástima que degenera a humanidade.

Estamos a 48 anos do massacre de Shaperville na África do Sul onde foram ceifadas sessenta e nove vidas de pessoas indefesas e mais de uma centena de feridos entres homens, mulheres e crianças sob a óptica indiferente de um regime político segregacionista e desumano. Em verdade, as atrocidades do APARTHEID demonstrou o que nos dias atuais ainda se confirma como uma prática vergonhosa, ainda mantida por pessoas que lastimavelmente acreditam em superação de uma raça sobre outra, considerando sobretudo a cor da pele, dos olhos, do tipo de cabelo e nível sócio-cultural e religioso.

É sabido que nas últimas três décadas aconteceram importantes intervenções internacionais contra a prática do racismo, a exemplo; das Conferências Mundiais ocorridas em Genebra em 1978 e 1983 respectivamente; da Declaração de Viena e o Programa de Ação, adotados pela Conferência Mundial de Direitos Humanos em junho de 1993 e da Conferência de Durban - África do Sul, realizada em 2001, o qual se transformou no Ano Internacional de Mobilização Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata. O Brasil inteiro foi mobilizado para discutir a temática anti-racista e propor ações inerentes. Alagoas inclusive fez a sua parte.

Lamentavelmente ainda termos de assistir vários tipos de agressão, munidas de preconceitos e discriminações às tantas pessoas negras e indígenas no Brasil, Principalmente quando nas entrelinhas constatam-se uma prática que aposta na impunidade, proveniente de total ignorância ou desrespeito as leis existentes em favor desses povos.

Atualmente, tanto os segmentos do Movimento Negro, quanto parlamentares, gestores públicos, magistrados, educadores e a sociedade em geral, precisam atentamente fomentar e implementarem ações permanentes contra essa prática vergonhosa que assola o mundo a exemplo da nação brasileira.

Que no dia 21 de março – Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial – cada pessoa, independente da sua etnia, religião ou condição social, esteja atento e consciente para uma reflexão que o faça perceber que discriminar ou outro por não estar dentro do seu entendimento de padrão é sobretudo uma prática ensimesmada, vergonhosa, abominável e criminosa.




Helcias Pereira
*Membro do Centro de Cultura e Estudos Étnicos - ANAJÔ
*Membro do Conselho Diretor do Instituto Magna Mater

Governo federal altera data de realização da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial para maio de 2009


Foi publicado no último dia 13 de março no Diário Oficial da União, um decreto do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que altera a data de realização da II Conapir - Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

De acordo com o documento, a conferência acontecerá no período de 13 a 15 de maio de 2009 sob a coordenação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, com o objetivo de analisar e repactuar os princípios e diretrizes aprovados na I Conferência Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e avaliar a implementação do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

O decreto de 12 de março de 2008 dá nova redação somente ao artigo 1o do Decreto de 19 de outubro de 2007, que convoca a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial.


Fonte: Assessoria de Comunicação Social Seppir/PR

Cefet-AL terá curso de Africanidade

"O curso atenderá ao que exige a lei 10639/2003 que dispõe sobre o ensino da cultura da África nas escolas públicas.Para inserção do ensino da cultura africana na matriz curricular da instituição federal de ensino, primeiramente, o Cefet precisa formar professores para se habilitar, em seguida, ao programa da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do MEC que incentiva a realização de cursos a distância em nível de “latu-sensu” com 360 horas nesta área. Segundo o diretor de Ensino, José Carlos Pessoa, o Cefet-AL será a unidade certificadora desse curso de especialização que terá o objetivo de capacitar professores das redes estadual e municipal de educação.

O Cefet promoverá, a partir do segundo semestre deste ano, um curso de formação na área de Ciências Humanas com enfoque para a cultura africana. O curso atenderá ao que exige a lei 10639/2003 que dispõe sobre o ensino da cultura da África nas escolas públicas.Para inserção do ensino da cultura africana na matriz curricular da instituição federal de ensino, primeiramente, o Cefet precisa formar professores para se habilitar, em seguida, ao programa da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do MEC que incentiva a realização de cursos a distância em nível de “latu-sensu” com 360 horas nesta área. Segundo o diretor de Ensino, José Carlos Pessoa, o Cefet-AL será a unidade certificadora desse curso de especialização que terá o objetivo de capacitar professores das redes estadual e municipal de educação.

O curso será ministrado em convênio com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC. A Secad tem por objetivo contribuir para a redução das desigualdades educacionais por meio da participação de todos os cidadãos, em especial de jovens e adultos, em políticas públicas que assegurem a ampliação do acesso à educação continuada. Além disso, a secretaria responde pela orientação de projetos político-pedagó gicos voltados para os segmentos da população vítima de discriminação e de violência.
O curso contemplará o programa do MEC de Educação Continuada em Ensino de História e Culturas Afro-Brasileira e Africana, que visa destacar a importância do estudo e da pesquisa das relações étnico-raciais para a sociedade brasileira, fornecendo aos educadores subsídios para o tratamento adequado dessa questão, procurando informar e construir uma nova imagem dos negros no Brasil, desde sua vinda da África até a atualidade.

Até 2011, o Ministério da Educação planeja capacitar 500 mil professores com curso de Africanidade. Todo o processo de realização desse curso no Cefet-AL é discutido por um grupo gestor que definirá qual será a instituição que ministrará o curso. O Núcleo de Estudos da Cultura Afrodescendentes, criado, recentemente na instituição federal de ensino também será incorporado na discussão para a implantação do curso de formação."

Fonte: Site oficial do Cefet AL.