quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ministro da Igualdade Racial diz que falta de punição estimula casos de racismo

Ele citou agressão contra negro suspeito de tentar roubar próprio carro. Edson Santos disse que, mesmo sendo ministro, enfrenta preconceito.
(Foto: José Cruz / Agência Brasil)



O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, afirmou em entrevista ao G1 que a falta de punição em casos de racismo estimula que outras pessoas sejam vítimas de preconceito.

O ministro comentou o caso do vigia que disse ter apanhado no estacionamento de um supermercado, em Osasco, na Grande São Paulo, depois de ter sido confundido com um ladrão. O segurança achou que o técnico em eletrônica Januário Alves de Santana queria roubar um carro EcoSport, que era do próprio Januário.

"Há por parte dos organismos públicos uma certa resistência em aplicar a lei que criminaliza o racismo, o que é um grande equívoco e acaba incentivando fatos como esse de Osasco", afirmou o ministro.

A lei 7.716/89, conhecida como Lei Caó, trata o racismo como crime inafiançável, pune com prisão de até cinco anos e multa quem for condenado. A maioria dos casos de preconceito racial em andamento na Justiça, segundo especialistas, é tratada pelo artigo 140 do Código Penal, de injúria, que dá prisão de um a seis meses e multa.

Edson Santos disse ainda que já foi vítima de preconceito e ainda enfrenta discriminação por ser negro.

"Acho que existe um certo despreparo da sociedade brasileira para encarar um negro em funções que normalmente não são desempenhadas por negros. Eu mesmo, como ministro, tem situações em que as pessoas se assustam quando digo que sou ministro."



Confira abaixo trechos da entrevista.


G1 - Segundo especialistas, a lei 7.716/89, que criminaliza o racismo, não é muito utilizada. A maioria dos casos envolvendo racismo é analisada pelo Código Penal, no artigo da injúria. Por que a lei não é utilizada?

Edson Santos - O que ocorre é que o agente, o funcionário de segurança, quando faz o registro da ocorrência, ele acaba recorrendo ao ato de injúria, quando na verdade a qualificação como racismo tem uma penalidade mais dura. Então o que falta, a meu ver, é uma qualificação dos agentes públicos para tratar de atos de racismo.


G1 - Isso já foi discutido pelo governo federal com os agentes públicos?

Edson Santos - Quando nós propusemos a criação de delegacias especializadas nesses casos era justamente com esse objetivo, da preparação e qualificação dos agentes de segurança para tratar de atos de racismo. temos buscado dialogar com secretários de Justiça, secretários de Segurança, buscando constituir formas de qualificação tendo como foco a lei Caó, que qualifica como crime os atos de racismo. É muito pouco utilizada, muito pouco conhecida. E há também por parte dos organismos públicos uma certa resistência em aplicá-la, o que é um grande equívoco e acaba incentivando fatos como esse, o de Osasco.


G1 - Então, o fato de não punir o racismo, faz com que casos continuem a ocorrer?

Edson Santos - Sim, estimula a continuidade. O cidadão comete o ato de racismo e isso é qualificado como calúnia, injúria.


G1 - O senhor já ouviu falar em casos de prisão, punição mais grave?

Edson Santos - Há um certo avanço no âmbito da questão das religiões. Temos duas figuras, dois pentecostais, que estão presos no Rio de janeiro por agressão a casa religiosa africana. E foi utilizada a lei Caó.


G1 - Mas são poucos os casos de punição pela lei.

Edson Santos - São poucos ainda sim. São poucos.


G1 - No caso de Osasco, o cidadão foi agredido suspeito de tentar roubar o próprio carro. O presidente da Comissão do Negro da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, Marco Antonio Zito Alvarenga, disse que o brasileiro não está preparado para ver os negros como pessoas bem-sucedidas. O senhor concorda?

Edson Santos - Acho que existe um certo despreparo da sociedade brasileira para encarar um negro em funções que normalmente não são desempenhadas por negros. Eu mesmo, como ministro, tem situações em que as pessoas se assustam quando digo que sou ministro.


G1 - O senhor já passou por situação de preconceito racial?

Edson Santos - Já passei no passado, até por conta da presença na sociedade. Como vereador, deputado federal, e agora ministro. Já passei por situações de constrangimento.


G1 - O senhor poderia contar algum caso?

Edson Santos - Teve um que é de despreparo. Teve um que uma pessoa dentro do avião perguntou se éramos americanos, se falávamos inglês. Disse que não, que éramos brasileiros. Alguém disse: 'ele é ministro'. Daí a pessoa perguntou: 'de qual igreja'. E também quando era vereador, um funcionário de um prédio público falou que não era para entrar no elevador de autoridades.


G1 - O senhor acha que há dificuldade para detectar casos de preconceito racial porque as próprias vítimas não denunciam?

Edson Santos - Eu acho que há falta de conhecimento dos seus direitos, de conhecimento da lei. Que não conhecendo a lei, não a utiliza para defender seus direitos.


Fonte: G1

Criada há 20 anos, lei que criminaliza racismo é ignorada, dizem especialistas

Lei tipifica racismo como crime e pune com prisão de até cinco anos. Maioria dos casos é classificada como injúria, que dá prisão de 6 meses.



Apesar de vigorar há 20 anos, a Lei 7.716/1989, conhecida como Lei Caó, que classifica o racismo como crime inafiançável, punível com prisão de até cinco anos e multa, é pouco aplicada, afirmaram especialistas consultados pelo G1.

O tema preconceito racial voltou à tona nesta semana após o caso de um vigia, que disse ter apanhado dos seguranças do estacionamento de um supermercado, em Osasco, na Grande São Paulo, depois de ter sido confundido com um ladrão. O segurança achou que o técnico em eletrônica Januário Alves de Santana queria roubar um carro EcoSport, que era do próprio Januário.

Segundo especialistas, a maior parte dos casos de discriminação racial é tipificada pelo artigo 140 do Código Penal, como injúria, que prevê punição mais branda: de um a seis meses de prisão e multa.

Não há um levantamento oficial sobre as punições pela lei, mas, segundo o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, são poucos os casos enquadrados pela Lei Caó.

Para o presidente da Comissão do Negro e de Assuntos Antidiscriminatórios da Ordem dos Advogados de Brasil, Marco Antônio Zito Alvarenga, muitos policiais, promotores e juízes consideram que a pena para crime de racismo é mais alta do que o delito.

"Há um grau de dificuldade em tipificar o crime de racismo pelas autoridades policiais, por parte de alguns integrantes do Ministério Público e pela magistratura. Porque é um crime que se entende que a pena é alta pelo delito e que suas repercussões podem ser excessivas para quem cometeu. Então, muitas vezes, se entende por tipificar como delito de injúria", diz Alvarenga.

Considerando o caso de Osasco, o presidente da comissão do negro da OAB afirma. "Ali para mim foi racismo e, na verdade, acho que os policiais que compareceram deveriam lavrar o auto de prisão em flagrante."

Para ele, o preconceito racial é uma questão cultural. "O Brasil, na verdade, é um país racista e não está preparado para ver o negro em uma situação boa. Seja para andar em carro bom ou ter um cargo de destaque. O Brasil não assimilou que o negro luta pela sua condição."

O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, aponta a falta de qualificação dos envolvidos nos processos investigativos e judiciais como principal fator para baixa utilização da lei.

"O que ocorre é que o agente, o funcionário de segurança, quando faz o registro da ocorrência, ele acaba recorrendo ao ato de injúria, quando na verdade a qualificação como racismo tem uma penalidade mais dura. Então o que falta, a meu ver, é uma qualificação dos agentes públicos para tratar de atos de racismo." Para o ministro, isso "estimula" casos de preconceito.

Presidente do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo, Elisa Lucas Rodrigues avalia que a lei não é utilizada pela falta de divulgação. "A lei é eficaz, existe sim. Falta é divulgação maior da lei, aos advogados e delegados de polícia, que geralmente colocam como injúria."

Elisa defende uma reformulação na Lei Caó. " Precisaria ser reformulada. Como vai punir, por exemplo, um médico que acha que não discriminou o paciente? O correto seria rediscutir a lei entrando por um detalhamento grande [sobre quais atos caracterizam racismo]."


Ajuste de conduta

A promotora Déborah Kelly Affonso afirmou que o Ministério Público do estado de São Paulo não lida com a discriminação racial como crime. Esses casos, segundo ela, são repassados para a Polícia.

Na esfera civil, no entanto, a Promotoria já firmou três acordos neste ano para inibir o preconceito racial. Um deles foi com a organização do evento de moda São Paulo Fashion Week, garantindo espaço para modelos negras.


Trabalho

No ambiente de trabalho a discriminação racial é comum, segundo o Ministério Público do Trabalho. A procuradora Valdirene Silva de Assis, vice-coordenadora nacional de combate à discriminação do órgão, afirmou que a grande dificuldade para os casos seguirem em frente na Justiça trabalhista é a falta de denúncias."

As denúncias não são muitas, mas isso não significa que são poucos os casos que efetivamente ocorrem. As pessoas têm [vivem] momento tão sofrido, de dor, que não desejam denunciar para não se expor."


Como denunciar

Quem for vítima de discriminação racial, de acordo com os especialistas consultados pelo G1, deve procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência.

Em seguida, pode procurar um advogado ou defensor público para dar andamento em um processo judicial.

No caso de uma discriminação genérica contra a raça não atingir diretamente uma pessoa, o caminho é procurar o Ministério Público do estado. Se ocorrer no ambiente de trabalho, o Ministério Público do Trabalho.
Fonte: G1

domingo, 23 de agosto de 2009

STJ manda Universal indenizar herdeiros de mãe de santo

A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão do próprio colegiado, que reconheceu a obrigação de a Igreja Universal do Reino de Deus indenizar em R$ 145,2 mil os filhos e o marido da mãe de santo baiana Gildásia dos Santos e Santos. Uma foto da religiosa, falecida em 2000, foi usada de maneira ofensiva no jornal Folha Universal, veículo de divulgação da igreja.

A decisão mantida foi proferida pela turma em julgamento ocorrido no dia 16 de setembro do ano passado. Na ocasião, os integrantes do colegiado seguiram integralmente o voto do juiz convocado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região Carlos Fernando Mathias, que reduziu o valor a ser pago aos herdeiros. Em 1999, a Folha Universal publicou uma matéria com o título "Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes" e utilizou uma foto da ialorixá como ilustração.

Gildásia morreu, mas seus herdeiros e espólio ingressaram com uma ação de indenização por danos morais. Seguindo o entendimento do relator do caso no STJ, desembargador convocado Honildo de Mello Castro, os ministros rejeitaram por unanimidade o recurso dos herdeiros da mãe de santo.

A 17ª Vara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) condenou a Igreja Universal ao pagamento de R$ 1,4 milhão como indenização, com base na ofensa da proteção à honra, vida privada e imagem. Além disso, a Folha Universal também foi condenada a publicar, em dois dos seus números, uma retratação à mãe de santo.

No recurso da Universal ao STJ, alegou-se que a decisão da Justiça baiana ofenderia os artigos 3º e 6º do Código de Processo Civil (CPC) por não haver interesse de agir dos herdeiros e que apenas a própria mãe de santo poderia ter movido a ação.Na mesma linha de raciocínio, alegou que o espólio não poderia entrar com a ação. Afirmou, ainda, que a decisão teria ido além do pedido formulado no processo, já que condenou o periódico a publicar duas retratações, quando a ofensa teria ocorrido apenas uma vez, violando, com isso, os artigos 128 e 460 do CPC.

Por fim, afirmou ser exorbitante o valor da indenização e propiciar enriquecimento sem causa. Informou que o jornal não teria fins lucrativos, tornando o valor ainda mais desproporcional.

Quanto ao valor, ele entendeu que o fixado pela Justiça baiana era realmente alto, o equivalente a 400 salários mínimos para cada um dos herdeiros. Assim, pelas peculiaridades do caso, reduziu a indenização para um valor total de R$ 145.250 ficando R$ 20.750 para cada herdeiro.

Fonte: Redação Terra

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Fórum discute Igreja e sociedade

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Setur apoia segmento étnico e promove visita técnica com empresas de receptivo

Grupo União Espírita Santa Bárbara recebe representantes do turismo para conhecer produtos da cultura afro-brasileira


Uma das áreas de atuação da Secretaria de Estado do Turismo é a ampliação dos produtos e roteiros turísticos. Com esse intuito, a Setur realiza uma visita técnica com representantes de receptivos e guias de turismo ao Grupo União Espírita Santa Bárbara (GUESB), que trabalha com a cultura afro-brasileira, abrangendo a comunidade do bairro Village Campestre. A visita acontece no dia 22 deste mês, sábado, a partir das 12h30.

Na ocasião, acontecerão apresentações culturais, com jovens participantes do projeto Inaê, que é coordenado pelo Grupo Santa Bárbara e por sua responsável, conhecida como Mãe Neide. Além disso, também haverá degustação de pratos de origem africana.

De acordo com a secretária adjunta de Estado do Turismo, Danielle Novis, o objetivo dessa ação é apresentar às empresas de receptivo local, o produto cultural que pode ser agregado aos roteiros dentro da oferta atual de Alagoas.

“Além dessa ação, estamos trabalhando junto a Bahiatursa para a formatação do roteiro integrado neste segmento, incluindo este produto, que está pronto para visitação. Estamos nos reunindo esta semana na Bahia, após visita de técnicos a Alagoas, a fim de definir as ações conjuntas entre os três estados participantes”, afirma Novis.


Fonte: Setur
Mais informações: (82) 3315.3683/ 8833.9510

Alagoas terá pós inédita em Diversidade Étnica e de Gênero na Comunicação Social


O Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac) lançou a pós-graduação “Diversidade Étnica, Gênero e Comunicação Social”. Com carga horária de 360 horas/aula, o programa inédito em Alagoas terá como disciplinas: Antropologia Cultural, Formação Social e Política do Brasil e de Alagoas, Estética e Diversidade Étnica e de Gênero, Diversidade Cultural e Democratização da Comunicação, Direitos Humanos e Políticas Públicas e Sociologia dos Movimentos Sociais.

O resultado da seleção para o preenchimento das 45 vagas oferecidas será divulgado no dia 31 de agosto. As aulas iniciam no dia 19 de setembro, e o valor do investimento mensal é de R$ 225, com desconto de 10% no valor das mensalidades pagas até a data de vencimento, a partir da 2ª parcela. A iniciativa é fantástica! Saiba mais no site: www.cesmac.com.br.

Maracatu Baque Alagoano festeja Dia do Folclore


O Maracatu Baque Alagoano já é uma referência no cenário cultural em Alagoas e mais uma vez foi convidado para participar das atividades festivas do Dia do Folclore. O grupo irá apresentar seu trabalho no Museu Théo Brandão, nesta sexta-feira (21) às 19h, juntamente, com o Guerreiro Treme Terra de Alagoas um dos grupos folclóricos mais respeitados do Estado e a participação especial do Maracatu Nação Cambinda Estrela, do Recife (PE). Ainda em comemoração, o Baque Alagoano se apresentará no sábado, às 18h, em Arapiraca, e no domingo, no Projeto Maceió Viva Cultura às 17h30, no Posto 7, localizado na praia da Jatiúca.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

IV Encontro Etnicidades Brasil discute educação, segurança pública, religiosidade e mídia


O IV Encontro Etnicidades Brasil: “Negras em Movimento: Gênero, Raça e Religiosidade”, acontece nos dias 20 e 21 de agosto, na cidade de Maceió,Al e, surge como uma ação educativa, preventiva na busca de discutir o racismo como caráter endêmico, promovendo assim a reflexão sobre diversos aspectos tais como democratização da educação, segurança pública, religiosidade e mídia, agregando aos currículos institucionais temas que contemplem e problematizem as questões que dizem respeito ao negro na sociedade brasileira: Lei Caó nº 7.716/89. Lei Federal nº 10.639/03. Lei Estadual nº 6.814/07.

Uma realização do Projeto Raízes de Áfricas( ONG Maria Mariá), com o patrocínio da Federação das Indústrias do estado de Alagoas, o IV Encontro terá a presença de membros de países africanos, tais como o embaixador da República de Cabo Verde, Daniel Antonio( presidente de honra do Projeto Raízes de Áfricas), a presidente do Grupo das embaixatrizes em Brasília, embaixatriz,Sara Pereira, o ministro adjunto da Promoção da Igualdade Racial, Elói Ferreira, a professora Ilma de Jesus da Comissão Técnica Nacional de Diversidade para Assuntos Relacionados à Educação dos Afro-Brasileiros,o professor doutor em história Luis Sávio de Almeida,a moçambicana Sônia André, Valdice Gomes jornalista do COJIRA/AL e presidente do Sindicato dos jornalistas e a yalorixá alagoana Mãe Vera, entre outros palestrantes de diferentes movimentos sociais e entidades da sociedade civil organizada.

Os Direitos Étnico-Humanos

A discussão sobre segurança pública, pensada a partir das Conferências Livres, objetos de diálogo para a 1º Conferência Nacional de Segurança Pública,que ocorerrá em Brasília de 27 a 30 de agosto, busca aprofundar a questão dos direitos étnico-humanos visando a construção de um a segurança pública que observe a diversidade,o combate ao racismo e ao machismo institucional. Uma segurança que estimule espaços participativos de diálogos em sua formação profissional, apostando na construção das competências permeada pela igualdade e pelo cumprimento dos direitos humanos.

A questão para reflexão se consiste no redimensionar os currículos não só das escolas brasileiras, mas em todos os espaços de formativos na busca de criar um processo de formação que investigue, discuta os efeitos da escravidão no imaginário racial brasileiro, o "apartheid" social", a questão da identidade e confusão e a raça projetada no outro.


Parcerias

Considerando o novo olhar para a implementação da política de diversidade étnica, que inclui a construção de uma rede de parcerias e a criação de novas estratégias capazes de impulsionar o rompimento de antigos paradigmas e incentivar a construção de um novo modelo de desenvolvimento que tenha como meta conviver em harmonia, a realização do IV Encontro Etnicidades Brasil contou com o apoio da Secretaria de Educação Continuada Alfabetização e Diversidade/SECAD/MEC,Secretaria Especial de Promoção das Políticas da Igualdade Racial/SECAD,Vice Governadoria, Secretaria de Turismo de Maceió, Secretaria de Educação de Maceió,Comando da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, 59º Batalhão de Infantaria Motorizada, Academia da Polícia Militar, Secretaria de Estado da Educação e do Esporte, Vereadora Heloísa Helena, vereadora Fátima Santiago, Deputado Judson Cabral, Coca Cola, Braskem, Embaixada da República de Cabo Verde, Grupo das Embaixatrizes em Brasília e Prefeitura de Viçosa.



Serviço: IV Encontro Etnicidades Brasil

20 de agosto de 2009-
Local: Auditório Gilberto Mendes Federação das Indústrias-Farol
Horário: 08 às 17 horas

21 de agosto de 2009
Local: Academia da Polícia Militar- Trapiche da Barra
Horário: 08 às 17 horas
Informações: (82)8815-5794


Fonte: Divulgação

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Solenidade de Posse da Nova Coordenação da UNEGRO-AL - DIA 25 DE AGOSTO, às 9 horas, na OAB.


NOTA DE ESLARECIMENTO: MULHER DISCRIMINDA EM CURSO DE FORMAÇÃO

O CONSELHO ESTADUAL DE MESTRES DE CAPOEIRA DE ALAGOAS-CEMCAL

Vem publicamente fazer alguns esclarecimentos considerados pertinentes diante de fatos ocorridos recentemente envolvendo suas ações junto ao Curso de Extensão Universitária “Ações Afirmativas e Capoeira na Promoção à Saúde”, realizado pelo Laboratório da Cidade e do Contemporâneo-LACC do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas, pela Pró-reitoria de Extensão-PROEX, pelo CEMCAL com o apoio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros-NEAB e da Secretaria Estadual de Saúde.

O referido curso teve suas inscrições abertas desde o dia 20 de julho de 2009, sendo encerradas as inscrições no dia 03 de agosto com número de vagas ilimitado para mestres de capoeira residentes em Alagoas e um número reduzido de vagas para monitores e instrutores. A própria ficha de inscrição disponibilizada na internet e no NEAB esclarecia que monitores e instrutores passariam por uma seleção.

Os critérios utilizados pelo CEMCAL para a seleção dos ocupantes das referidas vagas foram os seguintes:

Contemplar monitores(as) e instrutores(as) indicados por mestres e/ou entidades;

Ser residente no interior do Estado, para contemplar o processo de interiorização das ações de extensão do projeto Ações Afirmativas Através da Capoeira, que deu origem ao curso e do qual o CEMCAL é parceiro, fazendo inclusive com que a maioria dos mestres abdicasse da indicação de alunos dos seus respectivos grupos para selecionar inscritos de outros grupos;

Garantir representação feminina no curso, considerando um dos objetivos do projeto, que além da valorização da cultura popular e da capoeira, trabalha a questão de gênero incentivando a participação feminina na capoeira e na sociedade como um todo.

E estar dando aulas, conforme solicitava a ficha de inscrição.

Dentre os alunos selecionados para essa participação no curso elaborado com e para os mestres de capoeira, a postulante Maria Sandra conhecida como Monitora Loba, não foi selecionada, assim como muitos outros inscritos. Pois o número de vagas para instrutores e monitores estava condicionado ao número de mestres inscritos, não podendo ultrapassar o número de mestres considerando que inicialmente o curso tinha sido construindo apenas para os mestres, numa primeira etapa. A pedido de capoeiristas que inclusive vieram em reunião do CEMCAL, solicitar a inclusão de outras graduações, o mesmo se reuniu após entendimento com a coordenação geral do Curso, realizada pela professora Rachel Rocha, para disponibilizar as referidas vagas para instrutores e monitores.

Achamos que todos devem saber que um curso tem vagas limitadas, não é o fato de ser extensão, que é possível atender a todos os interessados, principalmente porque este curso é uma experiência piloto, e tem como principal objetivo o fortalecimento e valorização dos mestres de capoeira em geral e dos alagoanos, em especial.

O CEMCAL foi criado para esse objetivo, considerando em seu estatuto o apoio a todas as lutas pela garantia da diversidade cultural e contra toda forma de discriminação, seja de gênero, étnica, religiosa ou de opção sexual.

E foi considerando a possibilidade de ampliação da participação feminina que o CEMCAL aceitou que a referida postulante a vaga fosse conversar com os mestres no segundo dia de aula, para estudarem a possibilidade de ampliar mais uma vaga para atender ao anseio de mais uma mulher participando do curso. Pois a mesma já tinha sido comunicada anteriormente que não tinha sido selecionada. No entanto, a referida aluna não aceitou o resultado da seleção, dizendo inclusive que outra aluna, esposa de um mestre alagoano, que não faz parte do CEMCAL, tinha sido selecionada e não dava aula, inferindo que o mestre estaria mentindo. Mesmo com a atitude intempestiva dela e de desrespeito a um mestre perante outros, mesmo assim, o CEMCAL estava disposto a ouvi-la e esclarecê-la e até a reconsiderar a sua participação com a ampliação de uma vaga.

Mas, a aluna convidada a chegar antes das 8 horas para esses entendimentos chegou as 8h50, não conversou com os mestres, alegou que estava sendo discriminada e sendo impedida de assistir uma aula, para a qual ela não tinha sido selecionada, levando consigo um aluno que além de ser capoeirista é aluno da universidade, conhecedor certamente de que não se entrar numa sala de aula sem pedir licença à professora regente da classe ou sem estar devidamente matriculado. Ao mesmo foi solicitado mais uma vez que se retirasse, pois na aula anterior ele já tinha vindo e sido avisado que não poderia entrar.

A referida aluna, depois de uma discussão acalorada e ataques pessoais aos mestres e integrantes da equipe organizadora do curso não aceitou o fato do CEMCAL ter a atribuição de selecionar os demais participantes, a professora Rachel esclareceu que ela como capoeirista deveria saber mais que ela própria sobre a existência da soberania e autoridade dos mestres em assuntos pertinentes à capoeira. No entanto, a mesma respondeu que isso só valia na roda e nas academias e que na universidade as regras deveriam ser outras, se negando inclusive a falar com o coordenador geral do CEMCAL. A professora Rachel sugeriu inclusive que ela se desculpasse perante o Conselho pela intempestividade e por ter ultrapassado os limites, mas ela não aceitou a sugestão, preferindo outros caminhos .

É lamentável fatos como estes, enquanto clara demonstração de que o respeito aos mestres ainda não ocorre dentro da própria comunidade capoeirística, mas, foi para isto que o CEMCAL foi criado e são através das dificuldades que todos nós aprendemos. A humildade ainda é uma qualidade que precisa ser mais cultivada.

O CEMCAL enviou uma correspondência ao contra mestre Marco Baiano, representante da Associação Palmares e presidente da Federação Alagoana de Capoeira-FALC esclarecendo os fatos como realmente aconteceram e solicitando as providências cabíveis em tal fato lastimável de uma aluna de seu grupo, até porque, o mesmo foi comunicado das inscrições para monitores e instrutores, prestigiou a aula inaugural e em momento nenhum apresentou a indicação desta referida aluna para representar a Federação ou a Palmares. Pois, considerando os critérios anteriormente citados de indicação de mestres ou entidades, ela teria sido selecionada, pois nem mesmo a entidade que saiu em sua defesa, sem ao menos procurar ouvir a outra versão (até porque trata-se inclusive de uma capoeirista e poderia ter tido a delicadeza ética de ouvir o CEMCAL), em momento algum apresentou o nome de sua integrante para participar do curso.

Agradecemos a atenção e lamentamos que alguns integrantes da comunidade capoeirística ao invés de se alegrarem com a valorização dos mestres, não aceitem sua autoridade e hierarquia próprios da cultura afro-brasileira e faça tanta questão de assistir aulas ministradas pelos próprios mestres com os quais ela se nega a falar e aceitar a atribuição de seleção. Muito nos estranha ela não ter sido indicada por nenhuma das entidades que ela usou para construir um discurso desrespeitoso colocando em dúvida a seriedade do CEMCAL e da própria Universidade que foi a primeira a abrir suas portas para um projeto tão inovador que está sendo elogiado por mestres, capoeiristas e pesquisadores de todo o Brasil.

Atenciosamente o CEMCAL
Material recibido no email da Cojira/AL (cojira.al@gmail.com) no dia 18 de agosto de 2009.